
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
O "engenheiro arquitecto" Sócrates

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Recauchutagem
O primeiro-ministro prossegue a sua lógica de recauchutar o governo a prestações. Desta vez, a mudança foi forçada pelo desastre na saúde, que ameaçava queimar o executivo em lume brando. A reboque recebe guia de marcha a inexistente ministra da cultura.
Infelizmente, é quase certo que a nova ministra da saúde foi recrutada com o compromisso de continuar a rebentar com o serviço nacional de saúde. A ideia é tentar calar Anadia (& companhia) com uma cara nova, ainda que a política seja velha.
Vários outros remodeláveis ficam (para já) por remodelar. Apenas porque a imagem de firmeza do primeiro-ministro não se coaduna com uma cedência em toda a linha.
Entretanto, é interessante lembrar que o governo socialista já perdeu, um por um, todos os seus principais pilares: os ministros de estado Luís Campos e Cunha (finanças), Diogo Freitas do Amaral (negócios estrangeiros) e António Costa (administração interna).
Se os portugueses vissem no principal partido da oposição alguém com perfil para governar o país, o primeiro-ministro arriscava-se a ser ele próprio remodelado nas próximas legislativas. Será que a rapaziada do PSD, sempre tão eficiente e pragmática quando cheira a poder, ainda não percebeu esta evidência?
João Castanheira
Corrupção?
Resposta: em Portugal nunca é oportuno falar em corrupção. Porque será?
João Castanheira
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
O Mundo em 2007
As conclusões não surpreendem, mas deixam matéria suficiente para uma reflexão, um tanto ou quanto inquietante.
Primeira conclusão: em todo o mundo existem apenas 28 democracias plenas, pelo que só 13% da população mundial tem o privilégio de viver em liberdade. A lista dos países com uma democracia mais avançada é, como seria de esperar, liderada pela Suécia. Seguem-se a Islândia, a Holanda, a Noruega e a Dinamarca.
Há depois um conjunto de 54 países que a The Economist considera terem uma democracia imperfeita. Um mal menor face ao que está mais para baixo. Entre as democracias imperfeitas encontram-se, por exemplo, o Brasil, a Índia e, surpreendentemente, a Itália. O episódio de ontem no senado - com cuspidela, champanhe e presunto - parece reforçar as imperfeições italianas.
Mais para baixo vem a desolação. São 85 países cujo regime é considerado autoritário ou próximo disso. Nestes países vive praticamente metade da população mundial, pessoas que sobrevivem à margem dos mais elementares direitos, liberdades e garantias.
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Outra análise interessante que pode fazer-se é a do estado da democracia – ou da falta dela – no mundo islâmico. Há, em todo o mundo, mais de 50 países muçulmanos, isto é, existem mais de 50 estados independentes em que a população muçulmana é maioritária.
Neste conjunto de países, não se encontra uma única democracia plena. Pior do que isso, contam-se apenas 5 democracias imperfeitas – a Indonésia, a Malásia, o Bangladesh, o Mali e o Benim.
João Castanheira
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Um acidente chamado Carmona

O vendaval que se abateu sobre Lisboa é, em grande medida, fruto da indigência que caracterizava a sua equipa. Carmona entregou algumas das áreas de maior sensibilidade na gestão autárquica a pessoas que dificilmente conseguiriam o lugar de porteiro num armazém municipal.
Não foram apenas as ruinosas negociatas com a Bragaparques. Foi todo um mundo de obscuras decisões que, a manterem-se, hipotecariam em definitivo o futuro de Lisboa. Quem não se lembra da obscena desfaçatez com que, apesar de todos os avisos, a câmara aprovou a construção duma gigantesca urbanização em cima do traçado da futura linha do TGV?
Quero, sinceramente, acreditar que tudo ficou a dever-se a uma flagrante falta de vocação para o cargo. Os tribunais decidirão se foi apenas isso.
Entretanto, é justo afirmar que Marques Mendes teve razão quando forçou a queda da Câmara. Mas também é correcto recordar que o anterior presidente do PSD se limitou a corrigir o seu próprio tiro – é que Carmona havia sido uma escolha pessoal de Marques Mendes.
Por fim, há que dizer que José Sá Fernandes prestou nesta matéria um inestimável serviço à cidade. Um elogio que dói, mas que é mais do que merecido.
João Castanheira
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
Uma história que mete nojo
Não obstante a presunção de inocência a que, como é óbvio, tem direito, esta é uma história que mete nojo.
A sórdida tramóia prosseguiu com uma muito conveniente permuta de terrenos: a câmara fica com o sobreavaliado Parque Mayer e entrega em troca uma parte dos terrenos da feira popular, esses sim com um alto valor patrimonial.
Em seguida, a câmara atribui à Bragaparques um inexistente direito de preferência na compra da parte da feira popular que não tinha sido permutada. Esta operação terá desviado dos cofres da autarquia mais 1 milhão de euros, que passou directamente para o bolso dos empreiteiros de Braga.
O banquete continuou com uma isenção do pagamento de taxas no valor de 9 milhões de euros. Mais uma verba que escorrega directamente dos depauperados cofres da autarquia para a conta da Bragaparques
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Farão sentido os privilégios da função pública?
- Existirá alguma justificação plausível para que um funcionário público trabalhe menos 5 horas por semana do que um trabalhador do sector privado? Será por terem uma produtividade maior?
- Haverá alguma razão lógica para que um funcionário público tenha mais 3 dias de férias por ano do que um trabalhador do sector privado? Estarão mais cansados?
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João Castanheira
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Ele há coincidências...
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Interpol
.Our Love to Admire é um álbum belíssimo. Um dos poucos clássicos que 2007 nos deixou. Lá dentro está uma das melhores canções do ano: Pace is the Trick. Poderosa e intemporal como só as grandes canções. Um verdadeiro hino que recomendo.
João Castanheira
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Stand-up Comedy
domingo, 13 de janeiro de 2008
Diz que é uma espécie de democracia
Este espanhol é um Senhor!

Como sempre se disse, Camacho é um senhor!
Valha-nos o futebol para trazer à televisão algum nível e um mínimo de erudição.
João Castanheira
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
O que eles disseram sobre o aeroporto
Almeida Santos, Presidente do PS, 23 de Maio de 2007
“A Rave arrasa o estudo da CIP para o aeroporto em Alcochete... o celebrado estudo da CIP começa a afundar-se no ridículo.”
Vital Moreira, 11 de Novembro de 2007
“Não se faz um aeroporto num deserto”.
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, 23 de Maio de 2007
“A conclusão do aeroporto da Ota antes de 2017 é um compromisso pessoal".
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, 12 de Março de 2007
O aeroporto do deserto

“Optar pela margem Sul, seria faraónico e megalómano".
“O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na margem sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar”.
“...na margem sul jamais, jamais...”.
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, 23 de Maio de 2007
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
A Causa está de cócoras
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Crueldade social

E a traição que se segue é:
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Amanhã Sócrates vai cometer uma de duas traições:
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- Se anunciar um referendo sobre o Tratado de Lisboa, trairá o compromisso informal assumido com os restantes líderes Europeus.
- Se optar pela ratificação parlamentar do tratado, trairá mais uma das suas promessas eleitorais.
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O pragmatismo e a frieza de Sócrates levar-me-iam a pensar que o primeiro-ministro optaria pela primeira traição. Porquê?
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- Porque a presidência portuguesa já lá vai, deixando-o livre para dar uma bicada na solidariedade europeia.
- Porque o primeiro-ministro sabe que poucos portugueses se atreveriam a chumbar um tratado com o nome de Lisboa. O argumento é provinciano, mas a vitória seria certa.
- Porque, ao convocar um referendo, Sócrates não só cumpriria uma promessa do PS como entalaria, uma vez mais, o PSD.
- Porque, anunciando um referendo, Sócrates mergulharia o país numa discussão sobre a Europa, matando a contestação aos encerramentos hospitalares, à subida dos impostos e ao descontrolo do desemprego.
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Acontece que, segundo se diz, Sócrates vai anunciar ao país a sua opção pela ratificação parlamentar.
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Prevalece o compromisso europeu, sai facada na promessa eleitoral.
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Recorde-se o que dizia sobre esta matéria o programa eleitoral do PS e o que diz o programa do governo: “O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deve ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado”.
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Sem comentários...
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João Castanheira
sábado, 5 de janeiro de 2008
A nacionalização do BCP
Sobre as consequências da nacionalização do BCP, escrevia ontem o Inimigo Público:
- O novo site do BCP será www.millenniumbcp.gov.pt
- O Partido Socialista passará a ser cotado na Bolsa de Valores de Lisboa
João Castanheira
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
As escolhas da sucata trotskista
O Daniel Oliveira promoveu mais um inquérito no seu muito visitado Arrastão. Desta vez a pergunta era: "Qual a figura mais relevante de 2007?".quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Fechar Portugal

Fecharam as maternidades de Chaves, Lamego, Mirandela, Barcelos, Amarante, Santo Tirso, Oliveira de Azeméis, Figueira da Foz e Elvas. As crianças de Elvas nascem agora em Badajoz.
Foram encerradas as urgências nocturnas nos hospitais de Anadia, Fundão, Peso da Régua, Cantanhede, Espinho e Ovar. Outros serviços de urgências hospitalares têm o destino traçado. Aguardam a estocada final.
Estão em fase de encerramento 56 serviços de atendimento permanente (SAP). Só nos últimos dias fechou o atendimento nocturno nos SAP de Alijó, Lourinhã, Murça, São Pedro do Sul, Vila Pouca de Aguiar e Vouzela.
O ministério da educação fechou, em apenas 2 anos, 2.400 – duas mil e quatrocentas - escolas primárias, praticamente todas localizadas em zonas rurais do interior do país.
No âmbito da revisão do mapa judiciário, o ministério da justiça prepara-se para fechar ou desqualificar tribunais em diversas localidades do interior.
Em resumo, fecham-se cegamente serviços com o argumento de que têm más condições ou com a justificação de que o número de utentes é insuficiente. Por este caminho, os utentes serão cada vez menos...
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Este é, sem margem para dúvidas, o mais violento ataque à coesão e à soberania nacional de que há memória. É, verdadeiramente, um convite ao abandono do interior do país por parte das populações que, estoicamente, por ali vai resistindo.
Se o objectivo de Sócrates é encerrar administrativamente metade de Portugal, o melhor era mesmo entregá-lo oficialmente a Espanha.
domingo, 30 de dezembro de 2007
O mérito e a excelência

Existia no nosso país uma universidade que licenciava “engenheiros” e “doutores” mais rapidamente do que qualquer outra.
Tínhamos um estabelecimento de ensino superior que assegurava aos recém licenciados as mais altas colocações no mercado de trabalho.
Possuíamos uma escola que, desde a primeira hora, aderira ao plano tecnológico: os exames escritos faziam-se por fax e, em breve, as orais passariam a realizar-se por SMS.
Portugal tinha, enfim, uma universidade privada que não precisava do Estado para nada. Pelo contrário, era o Estado que precisava da universidade.
O que é que lhe fizeram? Fecharam-na.
E agora, onde deve dirigir-se alguém que precise duma licenciatura em três dias? À Loja do Cidadão?
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Socorro
Assim que chegou à presidência do PSD, Luís Filipe Menezes propôs a Sócrates um pacto sobre as grandes obras públicas. Trocando por miúdos, PS e PSD entendiam-se sobre o banquete e o país calava a boca.Há uns dias, o novel presidente do PSD atirou com esta: “Está na altura de o Governo nomear para presidente da Caixa Geral de Depósitos uma personalidade do PSD”.
Umas horas depois, em declarações ao semanário Expresso, Menezes prometeu que se ganhasse as eleições legislativas de 2009 iria desmantelar o Estado em meia dúzia de meses.
Com este discurso, Luís Filipe Menezes não chega sequer a presidente da Junta de Freguesia da Afurada, quanto mais a primeiro-ministro.
Será que PS e PSD assinaram um pacto de regime para manter Sócrates no poder até 2013?
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
E o disco do ano é

Kosovo: brincar com o fogo
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Privatização da REN - O PS no seu pior
Como bem sabemos, a REN opera num mercado onde não existe e onde jamais existirá concorrência - um monopólio natural. De facto, a REN é a empresa responsável pelo transporte de electricidade em muito alta tensão e pelo transporte de gás natural em alta pressão. Opera, portanto, um sistema de redes de transporte de energia que é e continuará a ser o único do país. É uma infra-estrutura verdadeiramente estratégica, porque da sua adequada operação e manutenção depende, literalmente, a vida de todos os portugueses.
Ao longo dos tempos mais recentes, a REN tem sido um verdadeiro case study de boa gestão pública, gerando sucessivamente resultados positivos e contribuindo directamente com os seus lucros para o orçamente do Estado. A título de exemplo, refira-se que em 2006 o resultado líquido consolidado do grupo foi de 550 milhões de euros!
Não há portanto, mesmo na análise de alguém que se considera liberal no domínio económico, uma única razão válida para se insistir na privatização da REN. Trata-se, como já se disse, de um sector de actividade muito particular, onde jamais existirá concorrência, onde não existirá um mercado, pelo que os cidadãos nada têm a ganhar com a passagem destes activos para as mãos dos grupos privados do costume. Pelo contrário, muito teríamos a perder se a privatização resultasse numa estratégia de gestão com objectivos de curto prazo, que iria provavelmente descurar o investimento nas redes, pondo em risco a segurança do abastecimento energético do país.
Então porquê a ideia da privatização?
Há, desde logo, um interesse político imediato. A privatização resultaria num encaixe financeiro apreciável, que permitiria atenuar o défice público e constituiria, nessa medida, um óbvio trunfo político para o governo. É, evidentemente, uma tentação que deve ser denunciada, porque sujeita os interesses vitais do país a uma lógica partidária de curto prazo.
A segunda razão para que a febre privatizadora do Partido Socialista tenha apanhado a REN pelo caminho é ainda menos edificante que a primeira. É sabido que alguns grupos económicos – os suspeitos do costume – salivam perante a possibilidade de deitar mão a uma empresa que é necessariamente lucrativa. Um negócio garantido. E é sabido que esses grupos se movimentam com agilidade e reconhecida eficácia junto dos meios políticos.
Até à passada 3ª feira, era óbvio que o governo socialista tinha caído em tentação. Fosse por uma, fosse por outra, quem sabe se pelas duas razões acima apontadas. Leia-se a resolução do Conselho de Ministros n.º 74/2007, de 1 de Junho, através da qual foi lançada a primeira fase de privatização da REN. Diz-se nessa resolução, textualmente, que “...estão reunidas as condições para que, a curto prazo, se possa proceder à realização de uma ou mais fases de privatização do capital social da REN, caso em que, não obstante a redução da sua posição accionista, o Estado continuará ainda a dispor das respectivas competências no plano regulatório e a título de entidade concedente”. O caminho estava traçado, sem margem para dúvidas!
É por isso verdadeiramente surpreendente que no debate mensal da passada 3ª feira, na Assembleia da República, o Primeiro-Ministro tenha afirmado que "a REN é pública e manter-se-á pública", lembrando que "o Estado tem uma participação de 51% e não diminuirá essa participação, justamente por ser uma empresa estratégica". Brilhante. Será que alguém confrontou o Primeiro-Ministro com esta tão flagrante cambalhota política?
Saúda-se a mudança de rumo, mas é inquietante que o governo não tenha uma estratégia definida para um dos sectores mais estratégicos do país. Que o governo brinque às taxas para os sacos de plástico ainda vá que não vá, mas brincar com um assunto tão sério como o futuro da REN ultrapassa o limite da razoabilidade. Haja bom senso e seriedade!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Inimputável
O deputado social-democrata José Raúl dos Santos abalroou um carro por trás ali para os lados do Príncipe Real. Nada de mais, acontece aos melhores. O condutor abalroado decide chamar a polícia e os agentes da autoridade acham por bem submeter ambos os condutores a um teste de alcoolemia. Até aqui tudo normal..
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
A lambidela
Ainda o lodaçal posto a nú pela cimeira UE/África. Alguns reputados empresários portugueses - por sinal ex-ministros - foram apanhados quando saiam, discretamente, da tenda que Mouammar Kadhafi montou no forte de São Julião da Barra.Bons genes

- Hugo Chávez é presidente da república desde 1999, depois de em 1992 ter protagonizado uma tentativa de golpe de estado militar;
- Adán Chávez, irmão de Hugo, foi recentemente nomeado ministro da educação;
- Hugo de los Reyes Chávez, pai de Hugo, é governador de Barinas, estado natal da família Chávez;
- Aníbal Chávez, irmão de Hugo, é presidente da câmara de Sabaneta, cidade natal da família Chávez;
- Asdrúbal Chávez, primo de Hugo, foi nomeado vice-presidente da PDVSA, a companhia estatal de petróleo da Venezuela;
- Argenis Chávez, irmão de Hugo, foi nomeado secretário de estado do governo de Barinas;
- Adelis Chávez e Narciso Chávez, irmãos de Hugo, desempenham altas funções públicas no estado de Barinas.
Uma óbvia questão de bons genes!
João Castanheira
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Onde pára o Zé?

domingo, 2 de dezembro de 2007
100 anos de Niemeyer
Oscar Niemeyer fará 100 anos no próximo dia 15 de Dezembro. Um século de génio que importa celebrar.
Do conjunto da Pampulha (1940) ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói (1991), Niemeyer projectou um mundo inteiro de edifícios intemporais.
Em “Minha Arquitectura”, Niemeyer escreve: “Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura e inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher. De curvas é feito todo o universo”.
Quando, em 1955 Juscelino Kubitschek decide rasgar uma nova capital em pleno sertão brasileiro, Niemeyer é confrontado com a oportunidade da sua vida. Um desafio que nenhum outro arquitecto pudera até aí agarrar – Niemeyer deveria conceber todos os palácios e edifícios significativos da nova capital do seu país.
E foi precisamente em Brasília, cidade oficialmente inaugurada a 21 de Abril de 1960, que o génio criador do arquitecto se revelou em todo o seu esplendor. Uma explosão de formas e curvas sem paralelo na arquitectura moderna.
Niemeyer continua ainda hoje, aos 100 anos, a trabalhar activamente no seu atelier de Copacabana. E a passagem do centenário do nascimento do arquitecto lembrou-me que está ainda por cumprir uma das viagens da minha vida.
Desde miúdo que me imagino a percorrer o eixo monumental, a visitar a deslumbrante catedral, a subir a esplanada dos ministérios e a desembocar na mítica Praça dos Três Poderes. Trauteando uma melodia de Jobim, vejo-me a descobrir o Congresso Nacional, a olhar demoradamente o Palácio do Planalto e a descansar, por fim, junto ao espelho de água do Palácio da Alvorada. Há tantos anos que espero por essa viagem…
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João Castanheira
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Pensamento do dia
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
terça-feira, 27 de novembro de 2007
O convidado
Amadora lidera ranking
Ainda o estudo europeu sobre criminalidade divulgado pela Deco: a Amadora é a cidade com maior incidência de crimes, não só em Portugal mas em toda a Península Ibérica. A liderança na facada e no gamanço é destacada e não nos deixa longe de Nápoles ou Catania. Estamos, portanto, ao nível das regiões mais mafiosas do sul de Itália e da Sicília. Com tranquilidade.
João Castanheira
Peace and love
No portal do governo, pode ler-se que "... no contexto da União Europeia, Portugal continua a integrar o grupo de países com índices de criminalidade mais baixos e em que o sentimento de segurança é mais elevado". Lê-se ainda que "... o grau de confiança dos cidadãos portugueses na polícia duplicou nos últimos 5 anos". As palavras são do ministro da administração interna, no debate do relatório anual de segurança, na Assembleia da República. É o relato de um país muito peace and love, mas final parece que não é bem assim.
De acordo com o estudo europeu hoje divulgado pela Deco, 65% dos portugueses sentem-se afinal mais inseguros hoje do que há 5 anos. E mais de metade dos cidadãos vítimas de crime nem sequer apresentou queixa às autoridades, por considerar que a polícia não iria resolver o seu problema. Conclui-se, portanto, que a tão apregoada descida dos índices de criminalidade - a criminalidade declarada - está ligada à perda de confiança nas forças de segurança.
Mais ainda, 60% dos portugueses que se queixaram de um crime não viram o seu problema resolvido. Passados uns meses ou uns anos receberam em casa uma singela notificação policial a comunicar o arquivamento do caso.
O país real é este e não o Portugal cor de rosa do governo rosa.
Mas o inspector-geral da administração interna não encontrou melhor forma para gastar o seu tempo e o nosso dinheiro do que lançar uma campanha contra as forças policiais. Disse há uns dias: "Há por aí muita cowboyada de filme americano na mentalidade de alguns polícias... há muita impertinência da parte da polícia, intolerância, impaciência... incompetência ".
E eu que pensava que a prioridade do senhor inspector-geral era ajudar a polícia a encontrar os meios e a autoridade de que precisa para combater o crime.
João Castanheira
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Cegueira política
Segundo diz o senhor professor, a concessão da rede rodoviária nacional à Estradas de Portugal não vai custar um euro a mais aos portugueses e vai até render aos cofres do Estado vários milhões anuais a pagar pela concessionária.
O Vital que me desculpe, mas para que a concessionária entregue ao Estado um euro que seja, terão que ser os portugueses a pagá-lo. É que ao longo das próximas décadas as receitas da concessionária continuarão a resumir-se aos impostos pagos pelos portugueses.
Pode o Vital defender que a concessionária desate a portajar o país, inaugurando um muito socialista princípio do utilizador - duas vezes pagador. Talvez, quem sabe, se possa instalar uma portagem na estrada nacional 229, entre Penedono e Sernancelhe. Mas ainda assim continuarão a ser os desgraçados dos portugueses a pagar.
Há coisas que nem o douto contorcionismo deste académico coimbrão consegue explicar: aparece mais dinheiro nos cofres do Estado mas ninguém o paga.
Sejamos justos: a haver remodelação governamental o senhor professor vai a ministro. Já merece.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Hoje há ditador para jantar.
sábado, 17 de novembro de 2007
BD
Coisas que recomendo.

Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura
ella sueña en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.
Este é para os meus amigos.

E é por isso, e porque a música é intemporal, que vos deixo, nesta curta viagem ao passado, a recordação deste disco e dos tempos que a ele associo.
Ao Paulo, ao João Paulo, ao Luís, ao Chico, ao Miguel e ao Quim. Para tornar a ouvir e sorrir ao futuro!
Luís Manuel Guarita
A seguir em nossas casas!
Entre a ética assumida como responsabilidade e a lei interiorizada como dever cego, optou-se pela segunda. Entre a defesa do mais precioso bem que nos é dado - neste caso em particular tendo como pano de fundo um juramento com mais de 2500 anos - a vida, e o fascínio mórbido da morte, impõe-nos o Estado a morte, cuidando de, pelo caminho e caso não tomem esta opção, punir as consciências daqueles que se situam na primeira linha da defesa da vida, os médicos.
Quem não percebe que acima da lei deve estar a ética e que a ética remete para o mais íntimo de cada um de nós, tratando-se por isso de um património intocável, não percebe que o Estado deve ter limites e que esses limites não podem ser ultrapassados.
Que o estado queira impor uma cultura de morte aos seus cidadãos já o acho tenebroso, mas que o queira impor a cada consciência individualmente, acho-o horrendo.
Por isso, entre uma lei que defende a morte e uma ética que preserva a vida, não tenho dúvidas na escolha, há no entanto quem tenha, logo, parece-me que, prosseguindo por este caminho, a seguir é em nossas casas que se legislará.
Luís Manuel Guarita
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Estradas de Portugal: rabo escondido com o gato de fora
Curiosa esta alteração de estatuto da Estradas de Portugal, organismo que pela mão do muito activo ministro das obras públicas passou de empresa pública a sociedade anónima de capitais totalmente públicos.
De acordo com o ministro, não há por trás da decisão do governo qualquer intenção de privatizar a empresa. Ainda de acordo com o mesmo ministro, não há nesta operação qualquer truque orçamental destinado a reduzir artificialmente o défice público. Por outro lado, asseguram os socialistas que a Estradas de Portugal continuará a construir as vias que os governos do país definam e que nenhuma nova portagem será introduzida sem a necessária decisão política.
Em resumo, fazendo fé no governo do eng.º Sócrates tudo ficará exactamente na mesma. Mas se tudo ficasse exactamente na mesma porquê a mudança? Aperta-se um bocadinho e os ministros e secretários de estado começam a patinar.
Aos poucos, vai-se fazendo luz.
Em simultâneo com a alteração do estatuto da empresa, o governo concessiona à Estradas de Portugal toda a rede viária nacional por um período de 75 anos. Para justificar a atribuição duma concessão por quase um século, o ministro das obras públicas fala em solidariedade entre gerações. Na concepção do ministro, por solidariedade entre gerações entende-se que ele decide hoje como serão geridas todas as estradas do país ao logo dos próximos 75 anos, privando de qualquer capacidade de decisão não apenas os próximos governos, mas também os nossos filhos, os nossos netos, os nossos bisnetos... Que estranha forma de solidariedade. Eu chamar-lhe-ia antes um fardo para as próximas gerações.
E, afinal, o que o governo garante é que a Estradas de Portugal não será privatizada até ao fim da presente legislatura. Por outras palavras, o governo concessiona um bem público por 75 anos e compromete-se a não privatizar a beneficiária da concessão durante os próximos 2. Brilhante.
Aquilo que está em marcha é, portanto, a primeira fase da privatização de uma empresa que terá a seu cargo a gestão de 16.500 km de estradas nacionais, praticamente até ao fim do século. É rabo escondido com o gato de fora.
E eu, que sou um liberal no domínio económico, assisto estarrecido a esta febre privatizadora do governo socialista. Ver um ministro dum governo alegadamente de esquerda, um ex-comunista em boa verdade, ultrapassar-me muito pela direita é algo que começa a pôr-me os cabelos em pé.
Para um liberal faz sentido que o Estado seja magro e eficiente, que legisle e regule, que defenda o interesse dos cidadãos mas que se abstenha de participar directamente em actividades económicas. Para um liberal, faz sentido que a economia esteja nas mão dos privados, porque essa é a melhor forma de assegurar a concorrência entre agentes do mercado, proporcionando aos cidadãos melhores serviços aos melhores preços.
Mas que sentido faz a privatização apressada das redes energéticas nacionais ou a privatização escondida da rede rodoviária do país? São infra-estruturas estratégicas e únicas onde, por definição jamais existirá concorrência. Assistimos à privatização da REN e ao início da privatização da Estradas de Portugal, mas em simultâneo temos um governo que insiste em manter integralmente pública a RTP, uma empresa de rádio e televisão que actua num verdadeiro mercado, mas que se mantém sob domínio do Estado para assegurar a propaganda oficial do governo.
A estratégia deste governo é sórdida e está a hipotecar definitivamente o futuro de Portugal. Tomam-se decisões que comprometem o país por um século, com o objectivo de mascarar o défice público dos próximos anos e engordar grupos económicos que vivem pendurados nos grandes negócios com o Estado. Por este caminho, Portugal vai acabar.
O último a sair que apague a luz.
João Castanheira
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
DerrOTA à Vista?
A dúvida instalou-se, sobretudo, no dinâmico sector empresarial rosa, boa parte do qual vive pendurado nos grandes negócios com o Estado. Então e se o primeiro-ministro estiver mesmo a equacionar a hipótese Alcochete? Então e se o estudo encomendado ao LNEC for de facto sério e para levar a sério? É que em 2009 há eleições para ganhar, logo os portugueses não podem ser forçados a engolir a Ota a qualquer preço. O pânico está instalado.
Depois de revelada a hipótese Alcochete, cedo se percebeu que o estado-maior rosa tinha entrado em roda livre. No último verão, o dr. Almeida Santos acenava ao país com o perigo de dinamitagem das pontes sobre o Tejo. Um verdadeiro western à portuguesa, dado como provável caso se insistisse na pouco oportuna ideia de construir o aeroporto na margem sul.
“Na margem sul jamais, jamais!”, atirava descontrolado o ministro da obras públicas, para quem a Ota era um compromisso pessoal. Pena é que o compromisso do senhor ministro fosse para pagar com o dinheiro dos contribuintes.
Quando, providencialmente, o primeiro-ministro decidiu decretar uma pausa para reflexão, a Ota estava prestes a ir ao tapete. Havia que reorganizar as tropas, redefinir estratégias e preparar uma resposta firme.
Mas como contrariar o conjunto de factos concretos que a CIP tinha revelado ao país?
1. O campo de tiro de Alcochete é mais perto de Lisboa do que a Ota.
2. Os terrenos de Alcochete são do Estado ao contrário dos da Ota.
3. O campo de tiro de Alcochete é mais plano que o pantanal enrugado da Ota.
4. A área disponível em Alcochete é infinitamente maior do que a nesga de terreno existente na Ota.
Em Alcochete há, portanto, menos obra pública para fazer e menos terrenos para expropriar, logo menos clientela para alimentar.
Sobram as gravuras rupestres, as pegadas de dinossauro, a rota migratória das galinhas, os aquíferos, os sobreiros, os morcegos, o porco preto e a caracoleta... Não se encontrou nada? Há que procurar melhor!
Nos gabinetes da alta finança e nalgumas obscuras repartições do Estado trabalha neste momento um batalhão de consultores, engenheiros, biólogos, peritos, amigos e primos a cozinhar uma contra-argumentação de emergência. O objectivo é desmontar o estudo da CIP, custe o que custar.
Há uns dias, as construtoras lançaram a ideia peregrina dum pacto de regime sobre as grandes obras públicas. Trocando por miúdos, PS e PSD entendem-se previamente sobre o banquete – aeroporto incluído – e o país cala definitivamente a boca. Por ser demasiado escandalosa a coisa não passou.
Ontem, o inevitável Vital Moreira voltou a terreiro no seu blogue Causa Nossa, rejubilando com um alegado comunicado da Rave. Ao que parece, a empresa tutelada pelo ministro das obras públicas tinha encontrado imprecisões no estudo da CIP. “O estudo começa a afundar-se no ridículo” decreta prontamente o mais socialista dos ex-comunistas, um eminente constitucionalista que aos poucos se vai transformando numa sumidade do sector aeroportuário.
No dia anterior, o ex-ministro socialista Daniel Bessa tinha sido honesto e frontal como é seu timbre, indo directamente ao cerne da questão. Na primeira página do caderno de economia do semanário Expresso escrevia que muitas entidades “fizeram projectos, adquiriram terrenos, firmaram contratos”, convencidas da construção do aeroporto na Ota. Esse é, verdadeiramente, o problema.
Pouco importa o dinheiro e o interesse público. Ainda que estejamos a falar de milhares de milhões de euros e do futuro do país, o que parece de facto importar são os interesses particulares de meia dúzia de predadores que se precipitaram para a Ota, rapidamente e em força. Os suspeitos do costume.
João Castanheira
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
O Bloco e a Bandidagem
O decreto-lei agora aprovado permite que as autoridades expulsem os cidadãos estrangeiros que cometam crimes em Itália. É uma medida do mais elementar bom senso. Previne o crime, protege os cidadãos, castiga os criminosos e, sobretudo, defende as comunidades imigrantes contra o potencial surgimento de reacções de carácter racista ou xenófobo. É que, como é óbvio, se nada fosse feito começariam em breve a ouvir-se vozes contra a comunidade romena no seu todo. Pagariam os muitos romenos cumpridores pelos poucos que desafiam a lei do país que os acolheu.
Como seria de esperar, a decisão do governo italiano provocou uma reacção virulenta da esquerda radical, entre nós representada pela rapaziada do Bloco de Esquerda, que a seguir a um par de charros e uma jantarada no Gambrinus está sempre disponível para uma mãozinha à bandidagem.
No seu muito visitado blogue, o Daniel Oliveira dá voz ao que vai na alma da nossa esquerda caviar. Nem uma linha sobre a jovem violada e esfaqueada até à morte. Nem uma palavra sobre a falta de segurança que tolhe a liberdade e ceifa a vida de cidadãos inocentes. Só inquietação quanto ao futuro da bandidagem.
Escreve o Daniel que o governo italiano reagiu a um crimezito pontual com “medidas a pensar em todo um grupo e mandou a cidadania europeia às urtigas”. Sugere ainda o Daniel, numa agastada resposta ao comentário de um leitor, que é contra o repatriamento de estrangeiros porque representa a punição colectiva de raças!!! Et voilà, a medida do governo italiano é racista... Será que aos olhos do Daniel Oliveira os delinquentes constituem uma raça?
Ao contrário do que muito gostaria o nosso Daniel, a lei italiana não afecta os imigrantes em geral. Afecta sim os criminosos – assaltantes, violadores, traficantes, assassinos. Saem a ganhar todos os outros cidadãos, sejam eles italianos ou imigrantes residentes em Itália.
Mas e a bandidagem, quem vela pelos interesses da bandidagem? O Bloco, claro está!
Sintomaticamente, o blogue do Daniel Oliveira chama-se Arrastão, designação que evoca nostalgicamente os assaltos em massa que se tornaram imagem de marca do Rio de Janeiro. Uma espécie de desporto radical em que uma horda de marginais drogados escorrega morro a baixo roubando, ferindo ou matando tudo quanto se atravesse à sua frente.
Para que se entenda a atitude laxista e irresponsável dos nossos bloquistas é importante caracterizar o representante típico da esquerda caviar. É, em regra, professor universitário. Mais do que bem instalado na vida, está pregado a uma universidade pública e debita uns bitaites bem pagos num ou noutro órgão de comunicação social. Observa a criminalidade da varanda do apartamento, da janela do automóvel ou da montra do restaurante. E bate-lhe palmas pelo que ela representa de subversão do sistema democrático.
O problema é que, embora à distância se deleite com as “democracias progressistas" da América do Sul - Hugo Chávez à cabeça - a esquerda caviar monta-se na liberdade e no estilo de vida que constituem património inalienável das sociedades democráticas ocidentais. O típico intelectual bloquista colecciona recuerdos da revolução cubana e pragueja contra o “imperialismo” americano, mas sempre que pode vai às compras a Nova Iorque ou passa um fim-de-semana em Londres.
É o insanável paradoxo dos nossos trotskistas recauchutados. Vivem à conta do sistema que parecem querer desmantelar.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
A esquerda e o seu labirinto

sábado, 3 de novembro de 2007
A Um Deus Desconhecido
A obra vale por si. As canções resistiram ao tempo, amadureceram e transformaram-se em clássicos, mil vezes revisitados por uma imensa minoria.
A Um Deus Desconhecido é uma obra de rotura, um disco afrente do seu tempo. Quando foi editado, em 1984, vivia-se a ressaca do boom do rock português. Eram as chicletes e os patchoulys, todo um universo musical dominante onde não encaixava a estética vanguardista e a atmosfera sufocante que caracteriza o álbum da Sétima Legião.
A Um Deus Desconhecido fará em breve vinte e cinco anos. Uma efeméride que importa celebrar. Ao génio criativo do Rodrigo Leão, do Pedro Oliveira e dos restantes membros da banda ficamos a dever muito do que tem sido a melhor música moderna portuguesa. A eles e à lendária Fundação Atlântica, editora independente criada pelo Miguel Esteves Cardoso, pelo Pedro Ayres Magalhães e pelo Ricardo Camacho.
A Fundação Atlântica foi a nossa Factory, uma extraordinária aventura editorial que durou menos de três anos. Uma vida demasiado curta, mas ainda assim suficiente para nos legar, entre outros, um tesouro chamado A Um Deus Desconhecido. A banda sonora de uma geração.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
O Catita - Parte II
A partir do seu sofá, o constitucionalista vem a terreiro para, invariavelmente, defender de forma obstinada toda e qualquer medida que o eng.º Sócrates decida anunciar. É uma espécie de Peres Metello em versão hardcore. O leitor incauto corre o risco de terminar a leitura trespassado pela espada do diligente guerreiro rosa. Eu próprio acabo frequentemente amargurado, por não conseguir atingir o alcance de algumas das iniciativas pelas quais o académico coimbrão se atravessa.
Agora a sério, importa não levar o nosso constitucionalista demasiado a sério. É que ele é o mesmo que, não há muitos anos, emitia as suas fatwas do alto da tribuna do comité central do PCP. Defendia então, no mesmo tom professoral, o contrário de tudo aquilo que hoje defende. Até ao dia em que descobriu que afinal estava enganado. Ou melhor, até ao dia em que apanhou o comboio do PS.














