quinta-feira, 13 de março de 2008
Um pequeno detalhe.
Vamos todos aguardar pacientemente pelo dia 24 deste mês. Nesse dia saberemos o quanto uma pequena decisão é o resultado óbvio do quanto nada mudámos e do pouco que verdadeiramente desejamos fazê-lo.
Dia 24 termina o mandato do actual Presidente da Autoridade da Concorrência. O tempo por ele passado no cargo pautou-se, concordemos ou não com algumas das decisões tomadas, pela procura incessante da defesa do consumidor e pelo combate por uma efectiva concorrência em todos os mercados. Tudo isto num país onde esta palavra -concorrência- tende a ajustar-se às necessidades de quem pode, menosprezando pelo caminho aqueles que deveria proteger.
Nesse dia teremos, ou não, mais um exemplo do caminho que alguns pretendem trilhar neste país e do quanto, palavras como reforma, transparência, mudança e rigor, são meros adereços de campanha.
Aguardemos pois.
E já agora, ainda a propósito de regulação. Para quando uma discussão séria sobre uma ideia de Jorge Sampaio que defendia que, para uma efectiva independência das autoridades reguladoras, as mesmas deveriam ser nomeadas pelo Presidente.
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Luís Manuel Guarita
A canção dos verdes anos.

Às vezes vale a pena observar o passado e relembrar o que ele nos traz à memória.
Por exemplo, uma simples canção já com quatro décadas. Uma maravilha absoluta da música portuguesa e um retrato musicado do que somos.
Carlos Paredes escreveu a "canção dos verdes anos" a olhar pela janela cinzenta do país que então éramos. Hoje, se olharmos pela mesma janela mas fecharmos os olhos e ouvirmos esta admirável música, é esse mesmo país que sentimos e identificamos nas suas notas.
Há outras músicas onde se ouve Portugal, mas em nenhuma como nesta o som parece brotar da terra, do fundo de todas as almas que nela habitam.
Experimentem fechar os olhos e ouvi-la, ao fazê-lo ouvem o Portugal de sempre, hoje tão diferente mas ainda tão igual.
Ouçam: http://www.youtube.com/watch?v=XwhV1ivYNsQ
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Luís Manuel Guarita
quarta-feira, 12 de março de 2008
O que é isto do Getafe?
O malandro do Spitzer
O pântano outra vez
terça-feira, 11 de março de 2008
O traficante.

Que comentário vos merece o facto de o vosso representante e orgulho máximo nas Américas Latinas, o inenarrável Hugo Chavez, se ter convertido num financiador de traficantes e apoiante de terroristas?
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Que reflexão vos merece a constatação de que muita da droga proveniente da América Latina com destino à Europa e passagem por Portugal ter origem nas FARC e por isso o beneplácito do Sr. Chavez?
Que vos parece um homem que financia e apoia grupos de bandidos especializados na extorsão, rapto e tráfico, que se travestem de guerrilha de esquerda?
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O que acham de alguém, que na sua pseudo obsessão Bolivariana, se acha no direito de interferir no destino dos países vizinhos, desestabilizando-os e provocando-os?
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Que acham deste senhor? Que acham desta esquerda?
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Luís Manuel Guarita
O País que somos.
À beira do abismo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Agora aguentem-se...
Há quem se tenha sentido chocado com a afirmação, mas a verdade é que Manuel Vicente tem toda a razão. O estado angolano não tem culpa que lhe tenhamos posto nas mãos a maior empresa portuguesa.
Em 1990, o governo português decidiu privatizar a Petrogal, com o argumento de que o estado deveria abster-se de participar directamente na economia. Menos de 20 anos depois, a Galp é agora propriedade do estado angolano (e do estado italiano).
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Esta não é uma situação única. Um pouco por todo o mundo ocidental, as empresas mais relevantes estão a ser tomadas pelo dinheiro de estados onde não impera a transparência. O sector bancário, o imobiliário, o turismo e a energia são apenas alguns exemplos de áreas hoje dominadas pelos capitais públicos da China, da Arábia Saudita ou até de Angola.
E esta é apenas a face menos negra do problema. Com os dinheiros públicos, chega um sub-mundo empresarial onde pontificam príncipes árabes e filhos de ditadores africanos, cuja fortuna não foi feita a trabalhar.
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João Castanheira
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A herança de Fidel
domingo, 24 de fevereiro de 2008
O dicionário Sócrates
O governo Sócrates tem acrescentado algumas expressões ao léxico português. Eis 2 exemplos, ambos na área da batota politico-administrativa:
NOVAS OPORTUNIDADES: projecto que visa melhorar artificialmente as estatísticas nacionais na área da educação, mediante a atribuição instantânea de diplomas escolares a iletrados. É uma espécie de graduação honoris causa em massa ou formação Farinha Amparo.
PIN: mecanismo que visa autorizar a construção de loteamentos em cima da reserva ecológica nacional, contornando os constrangimentos legais à urbanização das nossas praias. É um moderno instrumento de gestão territorial, que tem como objectivo prioritário algarvizar (betonar) a costa alentejana.
João Castanheira
sábado, 23 de fevereiro de 2008
God Bless America
Faltam mais de 8 meses para que os Estados Unidos tenham um novo presidente, mas todos os dias parece que as eleições são amanhã.
Para já, apenas se escolhe o candidato de cada um dos grandes partidos. Mas o espírito da democracia americana há muito que tomou conta das casas, das ruas e dos bairros de todo país. E aos poucos vai contagiando o mundo inteiro. Ou pelo menos a metade do mundo que se revê em valores como a democracia e a liberdade.
Com os defeitos que têm, e são muitos, os Estados Unidos continuam a ser a pátria da esperança, a terra de todas as oportunidades. O próximo presidente será, muito provavelmente, um negro, filho dum emigrante queniano que a América soube receber e integrar. Se assim não acontecer, os Estados Unidos poderão ter como presidente uma mulher. Mas seja ele, seja ela ou não seja nenhum dos 2 – como espero – estas eleições são já uma enorme lição.
O entusiasmo é tão contagiante que nem mesmo a esquerda caviar, orgulhosamente anti-americana, consegue esconder a excitação. Será desta que vão perceber que, com ou sem Bush, é nos Estados Unidos que estão os valores da nossa civilização?
João Castanheira
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
O BCP e o Mercado
Depois de rebentarem com o banco, os 8 administradores que deixaram o BCP em 2007 ofereceram-se a si próprios indemnizações e reformas antecipadas no valor de 80 milhões de euros.
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Por outras palavras, em vez de indemnizarem o banco estes bilionários receberam mais de 2 milhões de contos cada um - coisa pouca - seguramente para premiar o seu excelente desempenho, que é agora do domínio público.
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Em simultâneo, a nova administração do BCP decidiu cortar os dividendos que os accionistas deveriam receber, de modo a compensar o banquete dos antigos administradores.
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Enfim, o mercado tem destas falhas.
Mais um pouco e chegaríamos à humilhação de ter que nacionalizar formalmente o BCP, como aconteceu com o britânico Northern Rock, para salvar as poupanças e os investimentos dos milhares de portugueses que foram escandalosamente enganados nesta hisória sórdida.
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João Castanheira
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Entrevista por encomenda
domingo, 17 de fevereiro de 2008
+ 84.000 desempregados
Et voilà! No final de 2007, quase 3 anos depois de Sócrates ter assumido a liderança do Governo, a taxa de desemprego aumentou para 8,0%, o valor mais alto dos últimos 21 anos.
Imagino que o primeiro-ministro considere este valor pior do que trágico. Talvez mesmo susceptível de fazer tocar a rebate todos os sinos de Portugal.
Quando José Sócrates tomou posse, existiam no país 365.000 desempregados. Decorridos 3 anos de governação socialista, o número de desempregados aumentou para 449.000.
Em conclusão, não só a economia nacional não gerou os 150.000 novos postos de trabalho prometidos pelo primeiro-ministro, como o governo do PS é responsável por empurrar mais 84.000 portugueses para o desemprego.
É obra para quem tanto falou e tanto prometeu.
João Castanheira
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
O fiasco económico do governo PS
Em 2007, a economia portuguesa cresceu 1,9%. Foi com um sorriso de orelha a orelha que o primeiro-ministro anunciou ao país este feito heróico.
Será caso para tanta euforia?
Já que o governo Sócrates se especializou em estatísticas e PowerPoints aqui fica um gráfico interessante:
Pois é, nem todos os números são ainda conhecidos, mas Portugal está uma vez mais na cauda da Europa.
Como José Sócrates bem sabe, crescemos muito menos do que a média da União Europeia. O que significa que continuamos a divergir dos nossos parceiros europeus.
A riqueza produzida em Portugal no ano que passou cresceu menos do que em qualquer outro país: metade da Espanha, metade da Grécia, 5 vezes menos do que a Eslováquia...
Mas o primeiro-ministro anunciou este retumbante fiasco com um enorme sorriso nos lábios. Pretendendo, uma vez mais, transformar o fracasso do modelo económico socialista numa grande vitória.
Quem pára esta máquina de propaganda?
João Castanheira
Ele anda por aí...
No Público de hoje, VPV faz uma lúcida apreciação sobre o estado em que se encontra o maior partido da oposição. Escreve o seguinte:
“Santana Lopes foi o pior primeiro-ministro português desde 1976. Foi também o responsável pela maior derrota do PSD desde 1975. Em princípio, devia estar morto. Só que não está. Está vivo e cada vez com mais saúde... Das duas putativas cabeças do PSD, a dele é a única que de certa forma existe. Tirando, evidentemente, as mil cabeças, de Rui Rio a Barroso e a Marcelo e aos predilectos “filhos” de Cavaco, que se preparam para cortar cabeças”.
João Castanheira
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
R.E.M.



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Muito antes de qualquer sucesso comercial, criaram uma inigualável sequência de obras primas. Discos luminosos que ainda hoje permanecem razoavelmente desconhecidos: Murmur, Reckoning, Fables of the Reconstruction, Lifes Rich Pageant e Document.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
O "engenheiro arquitecto" Sócrates

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Recauchutagem
O primeiro-ministro prossegue a sua lógica de recauchutar o governo a prestações. Desta vez, a mudança foi forçada pelo desastre na saúde, que ameaçava queimar o executivo em lume brando. A reboque recebe guia de marcha a inexistente ministra da cultura.
Infelizmente, é quase certo que a nova ministra da saúde foi recrutada com o compromisso de continuar a rebentar com o serviço nacional de saúde. A ideia é tentar calar Anadia (& companhia) com uma cara nova, ainda que a política seja velha.
Vários outros remodeláveis ficam (para já) por remodelar. Apenas porque a imagem de firmeza do primeiro-ministro não se coaduna com uma cedência em toda a linha.
Entretanto, é interessante lembrar que o governo socialista já perdeu, um por um, todos os seus principais pilares: os ministros de estado Luís Campos e Cunha (finanças), Diogo Freitas do Amaral (negócios estrangeiros) e António Costa (administração interna).
Se os portugueses vissem no principal partido da oposição alguém com perfil para governar o país, o primeiro-ministro arriscava-se a ser ele próprio remodelado nas próximas legislativas. Será que a rapaziada do PSD, sempre tão eficiente e pragmática quando cheira a poder, ainda não percebeu esta evidência?
João Castanheira
Corrupção?
Resposta: em Portugal nunca é oportuno falar em corrupção. Porque será?
João Castanheira
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
O Mundo em 2007
As conclusões não surpreendem, mas deixam matéria suficiente para uma reflexão, um tanto ou quanto inquietante.
Primeira conclusão: em todo o mundo existem apenas 28 democracias plenas, pelo que só 13% da população mundial tem o privilégio de viver em liberdade. A lista dos países com uma democracia mais avançada é, como seria de esperar, liderada pela Suécia. Seguem-se a Islândia, a Holanda, a Noruega e a Dinamarca.
Há depois um conjunto de 54 países que a The Economist considera terem uma democracia imperfeita. Um mal menor face ao que está mais para baixo. Entre as democracias imperfeitas encontram-se, por exemplo, o Brasil, a Índia e, surpreendentemente, a Itália. O episódio de ontem no senado - com cuspidela, champanhe e presunto - parece reforçar as imperfeições italianas.
Mais para baixo vem a desolação. São 85 países cujo regime é considerado autoritário ou próximo disso. Nestes países vive praticamente metade da população mundial, pessoas que sobrevivem à margem dos mais elementares direitos, liberdades e garantias.
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Outra análise interessante que pode fazer-se é a do estado da democracia – ou da falta dela – no mundo islâmico. Há, em todo o mundo, mais de 50 países muçulmanos, isto é, existem mais de 50 estados independentes em que a população muçulmana é maioritária.
Neste conjunto de países, não se encontra uma única democracia plena. Pior do que isso, contam-se apenas 5 democracias imperfeitas – a Indonésia, a Malásia, o Bangladesh, o Mali e o Benim.
João Castanheira
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Um acidente chamado Carmona

O vendaval que se abateu sobre Lisboa é, em grande medida, fruto da indigência que caracterizava a sua equipa. Carmona entregou algumas das áreas de maior sensibilidade na gestão autárquica a pessoas que dificilmente conseguiriam o lugar de porteiro num armazém municipal.
Não foram apenas as ruinosas negociatas com a Bragaparques. Foi todo um mundo de obscuras decisões que, a manterem-se, hipotecariam em definitivo o futuro de Lisboa. Quem não se lembra da obscena desfaçatez com que, apesar de todos os avisos, a câmara aprovou a construção duma gigantesca urbanização em cima do traçado da futura linha do TGV?
Quero, sinceramente, acreditar que tudo ficou a dever-se a uma flagrante falta de vocação para o cargo. Os tribunais decidirão se foi apenas isso.
Entretanto, é justo afirmar que Marques Mendes teve razão quando forçou a queda da Câmara. Mas também é correcto recordar que o anterior presidente do PSD se limitou a corrigir o seu próprio tiro – é que Carmona havia sido uma escolha pessoal de Marques Mendes.
Por fim, há que dizer que José Sá Fernandes prestou nesta matéria um inestimável serviço à cidade. Um elogio que dói, mas que é mais do que merecido.
João Castanheira
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
Uma história que mete nojo
Não obstante a presunção de inocência a que, como é óbvio, tem direito, esta é uma história que mete nojo.
A sórdida tramóia prosseguiu com uma muito conveniente permuta de terrenos: a câmara fica com o sobreavaliado Parque Mayer e entrega em troca uma parte dos terrenos da feira popular, esses sim com um alto valor patrimonial.
Em seguida, a câmara atribui à Bragaparques um inexistente direito de preferência na compra da parte da feira popular que não tinha sido permutada. Esta operação terá desviado dos cofres da autarquia mais 1 milhão de euros, que passou directamente para o bolso dos empreiteiros de Braga.
O banquete continuou com uma isenção do pagamento de taxas no valor de 9 milhões de euros. Mais uma verba que escorrega directamente dos depauperados cofres da autarquia para a conta da Bragaparques
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Farão sentido os privilégios da função pública?
- Existirá alguma justificação plausível para que um funcionário público trabalhe menos 5 horas por semana do que um trabalhador do sector privado? Será por terem uma produtividade maior?
- Haverá alguma razão lógica para que um funcionário público tenha mais 3 dias de férias por ano do que um trabalhador do sector privado? Estarão mais cansados?
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João Castanheira
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Ele há coincidências...
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Interpol
.Our Love to Admire é um álbum belíssimo. Um dos poucos clássicos que 2007 nos deixou. Lá dentro está uma das melhores canções do ano: Pace is the Trick. Poderosa e intemporal como só as grandes canções. Um verdadeiro hino que recomendo.
João Castanheira
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Stand-up Comedy
domingo, 13 de janeiro de 2008
Diz que é uma espécie de democracia
Este espanhol é um Senhor!

Como sempre se disse, Camacho é um senhor!
Valha-nos o futebol para trazer à televisão algum nível e um mínimo de erudição.
João Castanheira
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
O que eles disseram sobre o aeroporto
Almeida Santos, Presidente do PS, 23 de Maio de 2007
“A Rave arrasa o estudo da CIP para o aeroporto em Alcochete... o celebrado estudo da CIP começa a afundar-se no ridículo.”
Vital Moreira, 11 de Novembro de 2007
“Não se faz um aeroporto num deserto”.
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, 23 de Maio de 2007
“A conclusão do aeroporto da Ota antes de 2017 é um compromisso pessoal".
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, 12 de Março de 2007
O aeroporto do deserto

“Optar pela margem Sul, seria faraónico e megalómano".
“O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na margem sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar”.
“...na margem sul jamais, jamais...”.
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, 23 de Maio de 2007
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
A Causa está de cócoras
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Crueldade social

E a traição que se segue é:
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Amanhã Sócrates vai cometer uma de duas traições:
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- Se anunciar um referendo sobre o Tratado de Lisboa, trairá o compromisso informal assumido com os restantes líderes Europeus.
- Se optar pela ratificação parlamentar do tratado, trairá mais uma das suas promessas eleitorais.
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O pragmatismo e a frieza de Sócrates levar-me-iam a pensar que o primeiro-ministro optaria pela primeira traição. Porquê?
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- Porque a presidência portuguesa já lá vai, deixando-o livre para dar uma bicada na solidariedade europeia.
- Porque o primeiro-ministro sabe que poucos portugueses se atreveriam a chumbar um tratado com o nome de Lisboa. O argumento é provinciano, mas a vitória seria certa.
- Porque, ao convocar um referendo, Sócrates não só cumpriria uma promessa do PS como entalaria, uma vez mais, o PSD.
- Porque, anunciando um referendo, Sócrates mergulharia o país numa discussão sobre a Europa, matando a contestação aos encerramentos hospitalares, à subida dos impostos e ao descontrolo do desemprego.
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Acontece que, segundo se diz, Sócrates vai anunciar ao país a sua opção pela ratificação parlamentar.
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Prevalece o compromisso europeu, sai facada na promessa eleitoral.
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Recorde-se o que dizia sobre esta matéria o programa eleitoral do PS e o que diz o programa do governo: “O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deve ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado”.
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Sem comentários...
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João Castanheira
sábado, 5 de janeiro de 2008
A nacionalização do BCP
Sobre as consequências da nacionalização do BCP, escrevia ontem o Inimigo Público:
- O novo site do BCP será www.millenniumbcp.gov.pt
- O Partido Socialista passará a ser cotado na Bolsa de Valores de Lisboa
João Castanheira
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
As escolhas da sucata trotskista
O Daniel Oliveira promoveu mais um inquérito no seu muito visitado Arrastão. Desta vez a pergunta era: "Qual a figura mais relevante de 2007?".quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Fechar Portugal

Fecharam as maternidades de Chaves, Lamego, Mirandela, Barcelos, Amarante, Santo Tirso, Oliveira de Azeméis, Figueira da Foz e Elvas. As crianças de Elvas nascem agora em Badajoz.
Foram encerradas as urgências nocturnas nos hospitais de Anadia, Fundão, Peso da Régua, Cantanhede, Espinho e Ovar. Outros serviços de urgências hospitalares têm o destino traçado. Aguardam a estocada final.
Estão em fase de encerramento 56 serviços de atendimento permanente (SAP). Só nos últimos dias fechou o atendimento nocturno nos SAP de Alijó, Lourinhã, Murça, São Pedro do Sul, Vila Pouca de Aguiar e Vouzela.
O ministério da educação fechou, em apenas 2 anos, 2.400 – duas mil e quatrocentas - escolas primárias, praticamente todas localizadas em zonas rurais do interior do país.
No âmbito da revisão do mapa judiciário, o ministério da justiça prepara-se para fechar ou desqualificar tribunais em diversas localidades do interior.
Em resumo, fecham-se cegamente serviços com o argumento de que têm más condições ou com a justificação de que o número de utentes é insuficiente. Por este caminho, os utentes serão cada vez menos...
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Este é, sem margem para dúvidas, o mais violento ataque à coesão e à soberania nacional de que há memória. É, verdadeiramente, um convite ao abandono do interior do país por parte das populações que, estoicamente, por ali vai resistindo.
Se o objectivo de Sócrates é encerrar administrativamente metade de Portugal, o melhor era mesmo entregá-lo oficialmente a Espanha.
domingo, 30 de dezembro de 2007
O mérito e a excelência

Existia no nosso país uma universidade que licenciava “engenheiros” e “doutores” mais rapidamente do que qualquer outra.
Tínhamos um estabelecimento de ensino superior que assegurava aos recém licenciados as mais altas colocações no mercado de trabalho.
Possuíamos uma escola que, desde a primeira hora, aderira ao plano tecnológico: os exames escritos faziam-se por fax e, em breve, as orais passariam a realizar-se por SMS.
Portugal tinha, enfim, uma universidade privada que não precisava do Estado para nada. Pelo contrário, era o Estado que precisava da universidade.
O que é que lhe fizeram? Fecharam-na.
E agora, onde deve dirigir-se alguém que precise duma licenciatura em três dias? À Loja do Cidadão?
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Socorro
Assim que chegou à presidência do PSD, Luís Filipe Menezes propôs a Sócrates um pacto sobre as grandes obras públicas. Trocando por miúdos, PS e PSD entendiam-se sobre o banquete e o país calava a boca.Há uns dias, o novel presidente do PSD atirou com esta: “Está na altura de o Governo nomear para presidente da Caixa Geral de Depósitos uma personalidade do PSD”.
Umas horas depois, em declarações ao semanário Expresso, Menezes prometeu que se ganhasse as eleições legislativas de 2009 iria desmantelar o Estado em meia dúzia de meses.
Com este discurso, Luís Filipe Menezes não chega sequer a presidente da Junta de Freguesia da Afurada, quanto mais a primeiro-ministro.
Será que PS e PSD assinaram um pacto de regime para manter Sócrates no poder até 2013?
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
E o disco do ano é

Kosovo: brincar com o fogo
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Privatização da REN - O PS no seu pior
Como bem sabemos, a REN opera num mercado onde não existe e onde jamais existirá concorrência - um monopólio natural. De facto, a REN é a empresa responsável pelo transporte de electricidade em muito alta tensão e pelo transporte de gás natural em alta pressão. Opera, portanto, um sistema de redes de transporte de energia que é e continuará a ser o único do país. É uma infra-estrutura verdadeiramente estratégica, porque da sua adequada operação e manutenção depende, literalmente, a vida de todos os portugueses.
Ao longo dos tempos mais recentes, a REN tem sido um verdadeiro case study de boa gestão pública, gerando sucessivamente resultados positivos e contribuindo directamente com os seus lucros para o orçamente do Estado. A título de exemplo, refira-se que em 2006 o resultado líquido consolidado do grupo foi de 550 milhões de euros!
Não há portanto, mesmo na análise de alguém que se considera liberal no domínio económico, uma única razão válida para se insistir na privatização da REN. Trata-se, como já se disse, de um sector de actividade muito particular, onde jamais existirá concorrência, onde não existirá um mercado, pelo que os cidadãos nada têm a ganhar com a passagem destes activos para as mãos dos grupos privados do costume. Pelo contrário, muito teríamos a perder se a privatização resultasse numa estratégia de gestão com objectivos de curto prazo, que iria provavelmente descurar o investimento nas redes, pondo em risco a segurança do abastecimento energético do país.
Então porquê a ideia da privatização?
Há, desde logo, um interesse político imediato. A privatização resultaria num encaixe financeiro apreciável, que permitiria atenuar o défice público e constituiria, nessa medida, um óbvio trunfo político para o governo. É, evidentemente, uma tentação que deve ser denunciada, porque sujeita os interesses vitais do país a uma lógica partidária de curto prazo.
A segunda razão para que a febre privatizadora do Partido Socialista tenha apanhado a REN pelo caminho é ainda menos edificante que a primeira. É sabido que alguns grupos económicos – os suspeitos do costume – salivam perante a possibilidade de deitar mão a uma empresa que é necessariamente lucrativa. Um negócio garantido. E é sabido que esses grupos se movimentam com agilidade e reconhecida eficácia junto dos meios políticos.
Até à passada 3ª feira, era óbvio que o governo socialista tinha caído em tentação. Fosse por uma, fosse por outra, quem sabe se pelas duas razões acima apontadas. Leia-se a resolução do Conselho de Ministros n.º 74/2007, de 1 de Junho, através da qual foi lançada a primeira fase de privatização da REN. Diz-se nessa resolução, textualmente, que “...estão reunidas as condições para que, a curto prazo, se possa proceder à realização de uma ou mais fases de privatização do capital social da REN, caso em que, não obstante a redução da sua posição accionista, o Estado continuará ainda a dispor das respectivas competências no plano regulatório e a título de entidade concedente”. O caminho estava traçado, sem margem para dúvidas!
É por isso verdadeiramente surpreendente que no debate mensal da passada 3ª feira, na Assembleia da República, o Primeiro-Ministro tenha afirmado que "a REN é pública e manter-se-á pública", lembrando que "o Estado tem uma participação de 51% e não diminuirá essa participação, justamente por ser uma empresa estratégica". Brilhante. Será que alguém confrontou o Primeiro-Ministro com esta tão flagrante cambalhota política?
Saúda-se a mudança de rumo, mas é inquietante que o governo não tenha uma estratégia definida para um dos sectores mais estratégicos do país. Que o governo brinque às taxas para os sacos de plástico ainda vá que não vá, mas brincar com um assunto tão sério como o futuro da REN ultrapassa o limite da razoabilidade. Haja bom senso e seriedade!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Inimputável
O deputado social-democrata José Raúl dos Santos abalroou um carro por trás ali para os lados do Príncipe Real. Nada de mais, acontece aos melhores. O condutor abalroado decide chamar a polícia e os agentes da autoridade acham por bem submeter ambos os condutores a um teste de alcoolemia. Até aqui tudo normal..
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
A lambidela
Ainda o lodaçal posto a nú pela cimeira UE/África. Alguns reputados empresários portugueses - por sinal ex-ministros - foram apanhados quando saiam, discretamente, da tenda que Mouammar Kadhafi montou no forte de São Julião da Barra.Bons genes

- Hugo Chávez é presidente da república desde 1999, depois de em 1992 ter protagonizado uma tentativa de golpe de estado militar;
- Adán Chávez, irmão de Hugo, foi recentemente nomeado ministro da educação;
- Hugo de los Reyes Chávez, pai de Hugo, é governador de Barinas, estado natal da família Chávez;
- Aníbal Chávez, irmão de Hugo, é presidente da câmara de Sabaneta, cidade natal da família Chávez;
- Asdrúbal Chávez, primo de Hugo, foi nomeado vice-presidente da PDVSA, a companhia estatal de petróleo da Venezuela;
- Argenis Chávez, irmão de Hugo, foi nomeado secretário de estado do governo de Barinas;
- Adelis Chávez e Narciso Chávez, irmãos de Hugo, desempenham altas funções públicas no estado de Barinas.
Uma óbvia questão de bons genes!
João Castanheira
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Onde pára o Zé?

domingo, 2 de dezembro de 2007
100 anos de Niemeyer
Oscar Niemeyer fará 100 anos no próximo dia 15 de Dezembro. Um século de génio que importa celebrar.
Do conjunto da Pampulha (1940) ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói (1991), Niemeyer projectou um mundo inteiro de edifícios intemporais.
Em “Minha Arquitectura”, Niemeyer escreve: “Não é o ângulo recto que me atrai, nem a linha recta, dura e inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher. De curvas é feito todo o universo”.
Quando, em 1955 Juscelino Kubitschek decide rasgar uma nova capital em pleno sertão brasileiro, Niemeyer é confrontado com a oportunidade da sua vida. Um desafio que nenhum outro arquitecto pudera até aí agarrar – Niemeyer deveria conceber todos os palácios e edifícios significativos da nova capital do seu país.
E foi precisamente em Brasília, cidade oficialmente inaugurada a 21 de Abril de 1960, que o génio criador do arquitecto se revelou em todo o seu esplendor. Uma explosão de formas e curvas sem paralelo na arquitectura moderna.
Niemeyer continua ainda hoje, aos 100 anos, a trabalhar activamente no seu atelier de Copacabana. E a passagem do centenário do nascimento do arquitecto lembrou-me que está ainda por cumprir uma das viagens da minha vida.
Desde miúdo que me imagino a percorrer o eixo monumental, a visitar a deslumbrante catedral, a subir a esplanada dos ministérios e a desembocar na mítica Praça dos Três Poderes. Trauteando uma melodia de Jobim, vejo-me a descobrir o Congresso Nacional, a olhar demoradamente o Palácio do Planalto e a descansar, por fim, junto ao espelho de água do Palácio da Alvorada. Há tantos anos que espero por essa viagem…
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João Castanheira






