domingo, 23 de março de 2008
A filial
Em Portugal a Associação Portuguesa de Bancos tem uma filial nova. Chama-se Banco de Portugal e é brilhante, eficaz e inultrapassável na defesa dos seus associados, a Banca.
É assim mesmo, isto sem qualquer desprimor para a referida associação que, na minha opinião, defende e bem os seus associados.
A regulação do sector, que em teoria deveria salvaguardar todos os interesses, é, nas mãos das mentes que gerem o Banco de Portugal, um acto de sentido único, isto é, trata-se tão somente de defender intransigentemente a banca. O cliente e o seu pequeno interesse são, neste caso, irrelevantes e desnecessários, diria mesmo maçadores, até porque tendem a queixar-se.
E eis como, em Portugal, de regulador facilmente se passa a colaborador!
Luís Manuel Guarita
Era uma vez a concorrência...
Há dias escrevi aqui que a decisão sobre a Autoridade da Concorrência nos permitiria uma melhor compreensão do que alguns pretendem que seja este pequeno país à beira mar plantado.
A decisão tomada - a não recondução do Prof. Abel Mateus -, um homem íntegro, independente e extremamente competente, que nos anos que liderou a autoridade se pautou por uma defesa intransigente de um mercado mais concorrencial e por isso mais justo para todos, e a sua substituição por alguém, que mal grado as capacidades, que não questionamos, advém da única entidade reguladora em Portugal que de reguladora nada tem, é um sinal claro do caminho que se pretende tomar.
Aqui, na West Coast of Europe, são os princípios da África subsariana que marcam o ritmo.
Luís Manuel Guarita
sábado, 22 de março de 2008
O libertino
Poucos dias antes de morrer, o escritor maldito dava o veredicto sobre o seu próprio livro de entrevistas, obra a cujo lançamento já não pôde assistir: “Esse livro é uma merda! Isso é uma aldrabice. É bom para andar por essas editoras pequenas”.
Na verdade, “O Crocodilo que Voa” não é uma merda. É uma deliciosa colectânea de entrevistas publicadas entre 1992 e 2008. Ao longo dessas 12 entrevistas, Luiz Pacheco bate forte feio em alguns dos grandes nomes da literatura portuguesa do século XX.
“O Cesariny era um poeta de urinóis. Chegou a Paris, ia com esse hábito e botou a mão à sarda de um homem que estava a mijar – resultado, foi parar à cadeia. O chefe da esquadra perguntou-lhe: Então como é isso la-bas? E ele disse: É como cá. Mas não era, porque o chefe da esquadra disse: Então você tinha para aí tantas pensões para ir fazer isso, era preciso ir para o urinol deitar a mão à gaita do outro?”.
O livro começa com uma entrevista feita em 1992 por Carlos Quevedo e Rui Zink, para a mítica revista K. Ainda me lembro da fotografia de Luíz Pacheco na capa da K.
Escrevem os entrevistadores: “Luís Pacheco, escritor, sofre de asma brônquica. Calvície precoce. Fractura do úmero devido a tentativa de suicídio na Avenida de Berna. Queda de dentes natural quase total. Enfisema pulmonar bilateral. Hérnias inquinais não operadas com uso de funda dupla. Hipersensibilidade ao álcool. Tratamento de desintoxicação no Centro António Flores. Miopia e astigmatismo, quase cegueira. Bissexual assumido. Leve surdez do ouvido esquerdo. Andropausa total. Três mulheres reconhecidas. Três estadias no Limoeiro. Duas estadias na cadeia das Caldas da Rainha. Prisões ocasionais e breves em esquadras da polícia”.
Luiz Pacheco foi um herói marginal. Escreveu sobre magalas e urinóis. Na Contraponto, editora que fundou em 1950, publicou Cesariny, Cardoso Pires, Herberto Hélder, Virgílio Ferreira e Natália Correia. Viveu boa parte da vida na miséria, hospedado em quartos alugados e albergues bolorentos.
Luiz Pacheco foi um grande português. “O Crocodilo que Voa” é um livro imperdível.
João Castanheira
sexta-feira, 21 de março de 2008
Batemos no fundo
Batemos no fundo.
O episódio da escola Carolina Michaëlis revela, de forma caricatural, o estado a que chegou o ensino em Portugal depois de três décadas de complexos de esquerda, que fomentaram a irresponsabilidade dos alunos e arruinaram a autoridade dos professores.
Tudo ali está errado. Tudo ali é cruel, obsceno e chocante.
A começar pela vadia que insulta e agride a professora em plena sala de aula. Para a protagonista deste filme de terror, tudo quanto não seja a expulsão sumária e definitiva do sistema de ensino público será um prémio imerecido.
É óbvio que a punição da delinquente terá que ser verdadeiramente exemplar, sob pena de a partir de agora tudo ser admissível numa sala de aula do nosso país.
Mas o que é mais inquietante é a atitude deplorável do resto dos alunos, que assistem ao episódio com evidente deleite. Riem-se, filmam e disparam comentários como “Isto é demais!”, “Olha que a velha vai cair”.
E o que dizer da absoluta incapacidade da professora em lidar com a situação? Alguém que se dispõe a ser humilhada até ao limite por uma turma inteira não tem, objectivamente, condições para exercer a profissão de professor.
Soube-se agora que a senhora nem sequer havia apresentado queixa contra a aluna. Fê-lo ontem, quando percebeu que o país inteiro havia assistido, perplexo e revoltado, à sua inqualificável humilhação.
A presidente do conselho executivo da escola diz que abriu um processo de averiguações. Como se houvesse grande coisa para averiguar. Imagino que venha por aí o calvário burocrático do costume, que não servirá se não para deixar passar o tempo e esperar que o país se esqueça.
No fim, o processo há-de ser arquivado ou, no limite, a vadia há-de ser meigamente repreendida. A bem da não exclusão.
Sem grandes ondas, porque o assessor de imprensa do ministério da educação já veio publicamente dar as suas instruções: “A situação será resolvida no seio da escola”.
Será possível que esta gente não perceba o mal que está a fazer ao país?
João Castanheira
quarta-feira, 19 de março de 2008
Brasil

O que dizer de um país que ofereceu ao mundo o génio criativo de Oscar Niemeyer, António Carlos Jobim, Chico Buarque, Marisa Monte ou Candido Portinari?
O que dizer do país que criou o samba, a bossa nova e o tropicalismo?
O que dizer do país que inventou a Gisele Bündchen, a Daniela Cicarelli, a Maitê Proença e todas as mulheres que enchem o nosso imaginário desde crianças?
O que dizer do país onde nasceram o Pelé, o Zico, o Sócrates, o Ronaldo, o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká?
O que dizer de Copacabana, de Ipanema ou do Corcovado, mais a Amazónia, o Pantanal, a Bahia, Ouro Preto e a utopia feita realidade em Brasília?
Há um Brasil que deu ao mundo muito do melhor que o mundo tem. Um país maior do que todas as palavras de que me consigo lembrar para o descrever.
Para mal do Brasil e para mal do mundo, esse grande país vive sufocado por um outro, uma coisa medonha crivada de favelas, miséria e corrupção.
Se o primeiro vencer, o futuro há-de ser do Brasil.
João Castanheira
segunda-feira, 17 de março de 2008
Mal agradecidos

Dizem as más línguas que o país está a ser varrido por uma onda descontrolada de assaltos violentos. Felizmente, o ministro da administração interna divulgou há dias o relatório de segurança interna, documento profusamente ilustrado com gráficos que não deixam margem para dúvidas – graças ao governo do partido socialista o que está realmente a acontecer é uma histórica redução nas estatísticas do crime.
Chega de falsidades. Fontes oficiais contactadas pelo Num Lugar à Direita, asseguram mesmo que há precisamente 3 anos não se regista qualquer homicídio ou assalto em Portugal.
O problema é que a mensagem não passa. E não passa porque os portugueses são estúpidos.
O governo bem que lhes atira com PowerPoints ao nível do melhor que há no mundo. Mas é como dar pérolas a porcos. No dia seguinte, os desgraçados lá inventam mais uns tiros ou umas facadas, apenas para prejudicar reputação do senhor presidente do conselho. Mal agradecidos.
Eu confio no “engenheiro” Sócrates. Já mandei tirar a fechadura da porta e vou deixar as janelas de casa abertas de par em par.
João Castanheira
quinta-feira, 13 de março de 2008
Um voto de protesto.
Declaro aqui,veementemente, o meu protesto contra todas as organizações internacionais que observam o fenómeno da corrupção nos países. Em nenhuma delas o meu país aparece em primeiro lugar, o que é estranho, diria mesmo, estranhíssimo. É que em Portugal não há condenações por corrupção.
Bom, na verdade minto, li hoje num diário que uns quantos coveiros de uma câmara municipal foram condenados por corrupção, ao que parece os meliantes terão subtraído um total de quase 700€ ao erario municipal. Serão eles os culpados da não classificação em primeiro cá da pátria?
Só podem, porque de certeza que não são as Fátimas, ou os apitos dourados, ou até mesmo os Parques Mayer, esses não são corrupção, são uma distracção num país de brandos costumes onde tal opróbrio não existe senão quando vamos a caminho da cova.
É de protestar, não é?
Luís Manuel Guarita
Nós por cá, eles por lá.
Este episódio do Sr. Eliot Spitzer é bem revelador das imensas diferenças ainda existentes nos dois lados do Atlântico.
Nós por cá jamais concordaríamos que um problema de saias pudesse ser causa obrigatória de demissão de um detentor de um cargo público. Confesso que neste capítulo considero o extremismo moralista americano algo hipócrita.
Eles por lá acham que isso, entre outros escândalos, como a corrupção ou o desvio e má-gestão de fundos públicos, é, mais do que razão, obrigação para a demissão de quem os praticou. E é nestas últimas questões que a grande diferença entre eles e nós se estabelece.
O EUA podem ter todos os defeitos do mundo, mas que entre a lisura e integridade da assumpção de cargos públicos que por lá se pratica e a pastosa e ruinosa interpretação desses mesmos cargos que por cá se realiza, há um oceano de diferença, isso há.
E o mal de tudo isto é que, pode a esquerda demonizar a América o que quiser, que a verdade é que, séculos passados sobre Tocqueville, ainda muito temos a aprender com eles sobre como concretizar uma democracia.
Luís Manuel Guarita
O pão nosso de cada dia.
Há coisas intrigantes!
Ao que parece, o preço de uma matéria prima essencial como o trigo tem vindo a galopar nos mercad0s. Tudo indica que, e no dizer de representantes das associações de produção de pão, tal justifica a necessidade de aumentos unitários do preço do pão na ordem dos 30%.
Até aqui e tendo em conta a realidade dos aumentos dos preços das matérias primas, tudo parecia justificável. Contudo e ouvindo outras fontes, é nos dado a saber que, num pão de quilo, apenas entre 5 e 10% do seu custo decorre da matéria-prima, donde e na nossa infinita ignorância imediatamente nos questionamos, como é que algo que apenas representa um décimo do custo do produto final provoca, nesse mesmo produto, um aumento potencial de 30% no seu preço final?
Pelos vistos, os modelos de incorporação de custos nalguns produtos existentes em Portugal são verdadeiras obras primas da contabilidade criativa, o que nos leva, desde logo, a pensar duas coisas: por este caminho é notório que está na calha mais um bem de luxo e que, de facto, não é na inovação que estamos atrasados...
Luís Manuel Guarita
Bens de luxo.
A lista dos bens de luxo em Portugal abrange, curiosamente, alguns serviços que de luxo, só mesmo o preço que por eles pagamos.
A electricidade, o combustível e o telefone, são disso exemplo. Se no caso do combustível até poderíamos aceder à conotação, na electricidade e no telefone, só mesmo a imaginação nos leva a acreditar em tal.
Os preços que em Portugal se praticam para que o comum dos mortais, ou as empresas, possam a eles aceder, são um case study de como a extorsão legal se tornou uma prática comum no nosso pequeno país.
É que, perante a realidade europeia, é muito difícil perceber o enorme diferencial existente nestes preços, quando comparados com o que por cá se praticam, e ainda mais díficil de perceber se torna, quando a comparação se resume ao que é praticado por nuestros hermanos.
Para tudo isto haverá com certeza razões, mas que não deixa de parecer um assalto à mão armada, isso não deixa.
Em Portugal, consumir o essencial é hoje um luxo.
Luís Manuel Guarita
Coisas de sempre
Mais de um século passado sobre a primeira viagem de comboio em Portugal. Mais de 20 anos passados sobre a avalanche de dinheiro que gratuitamente a Europa nos ofereceu. Depois de infindáveis páginas escritas sobre os benefícios do transporte ferroviário, estamos hoje iguais ou pior que há meio século atrás.
Temos hoje menos linhas de caminho de ferro. Continuamos a utilizar composições sucessivamente recauchutadas e com mais de três décadas e ainda assistimos ao facto surreal de numa das mais pequenas redes de caminho de ferro da Europa, subsistirem coisas como passagens de nível onde amiúde se dão acidentes como aquele a que assistimos na linha do Oeste.
Já não tenho dúvidas, há, de há anos a esta parte, uma gigantesca conspiração para acabar com o caminho de ferro em Portugal.
Este país, como no título do filme, não é para locomotivas e por vezes, dá-me a sensação, não é mesmo para ninguém.
Luís Manuel Guarita
Um pequeno detalhe.
Vamos todos aguardar pacientemente pelo dia 24 deste mês. Nesse dia saberemos o quanto uma pequena decisão é o resultado óbvio do quanto nada mudámos e do pouco que verdadeiramente desejamos fazê-lo.
Dia 24 termina o mandato do actual Presidente da Autoridade da Concorrência. O tempo por ele passado no cargo pautou-se, concordemos ou não com algumas das decisões tomadas, pela procura incessante da defesa do consumidor e pelo combate por uma efectiva concorrência em todos os mercados. Tudo isto num país onde esta palavra -concorrência- tende a ajustar-se às necessidades de quem pode, menosprezando pelo caminho aqueles que deveria proteger.
Nesse dia teremos, ou não, mais um exemplo do caminho que alguns pretendem trilhar neste país e do quanto, palavras como reforma, transparência, mudança e rigor, são meros adereços de campanha.
Aguardemos pois.
E já agora, ainda a propósito de regulação. Para quando uma discussão séria sobre uma ideia de Jorge Sampaio que defendia que, para uma efectiva independência das autoridades reguladoras, as mesmas deveriam ser nomeadas pelo Presidente.
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Luís Manuel Guarita
A canção dos verdes anos.

Às vezes vale a pena observar o passado e relembrar o que ele nos traz à memória.
Por exemplo, uma simples canção já com quatro décadas. Uma maravilha absoluta da música portuguesa e um retrato musicado do que somos.
Carlos Paredes escreveu a "canção dos verdes anos" a olhar pela janela cinzenta do país que então éramos. Hoje, se olharmos pela mesma janela mas fecharmos os olhos e ouvirmos esta admirável música, é esse mesmo país que sentimos e identificamos nas suas notas.
Há outras músicas onde se ouve Portugal, mas em nenhuma como nesta o som parece brotar da terra, do fundo de todas as almas que nela habitam.
Experimentem fechar os olhos e ouvi-la, ao fazê-lo ouvem o Portugal de sempre, hoje tão diferente mas ainda tão igual.
Ouçam: http://www.youtube.com/watch?v=XwhV1ivYNsQ
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Luís Manuel Guarita
quarta-feira, 12 de março de 2008
O que é isto do Getafe?
O malandro do Spitzer
O pântano outra vez
terça-feira, 11 de março de 2008
O traficante.

Que comentário vos merece o facto de o vosso representante e orgulho máximo nas Américas Latinas, o inenarrável Hugo Chavez, se ter convertido num financiador de traficantes e apoiante de terroristas?
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Que reflexão vos merece a constatação de que muita da droga proveniente da América Latina com destino à Europa e passagem por Portugal ter origem nas FARC e por isso o beneplácito do Sr. Chavez?
Que vos parece um homem que financia e apoia grupos de bandidos especializados na extorsão, rapto e tráfico, que se travestem de guerrilha de esquerda?
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O que acham de alguém, que na sua pseudo obsessão Bolivariana, se acha no direito de interferir no destino dos países vizinhos, desestabilizando-os e provocando-os?
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Que acham deste senhor? Que acham desta esquerda?
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Luís Manuel Guarita
O País que somos.
À beira do abismo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Agora aguentem-se...
Há quem se tenha sentido chocado com a afirmação, mas a verdade é que Manuel Vicente tem toda a razão. O estado angolano não tem culpa que lhe tenhamos posto nas mãos a maior empresa portuguesa.
Em 1990, o governo português decidiu privatizar a Petrogal, com o argumento de que o estado deveria abster-se de participar directamente na economia. Menos de 20 anos depois, a Galp é agora propriedade do estado angolano (e do estado italiano).
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Esta não é uma situação única. Um pouco por todo o mundo ocidental, as empresas mais relevantes estão a ser tomadas pelo dinheiro de estados onde não impera a transparência. O sector bancário, o imobiliário, o turismo e a energia são apenas alguns exemplos de áreas hoje dominadas pelos capitais públicos da China, da Arábia Saudita ou até de Angola.
E esta é apenas a face menos negra do problema. Com os dinheiros públicos, chega um sub-mundo empresarial onde pontificam príncipes árabes e filhos de ditadores africanos, cuja fortuna não foi feita a trabalhar.
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João Castanheira
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A herança de Fidel
domingo, 24 de fevereiro de 2008
O dicionário Sócrates
O governo Sócrates tem acrescentado algumas expressões ao léxico português. Eis 2 exemplos, ambos na área da batota politico-administrativa:
NOVAS OPORTUNIDADES: projecto que visa melhorar artificialmente as estatísticas nacionais na área da educação, mediante a atribuição instantânea de diplomas escolares a iletrados. É uma espécie de graduação honoris causa em massa ou formação Farinha Amparo.
PIN: mecanismo que visa autorizar a construção de loteamentos em cima da reserva ecológica nacional, contornando os constrangimentos legais à urbanização das nossas praias. É um moderno instrumento de gestão territorial, que tem como objectivo prioritário algarvizar (betonar) a costa alentejana.
João Castanheira
sábado, 23 de fevereiro de 2008
God Bless America
Faltam mais de 8 meses para que os Estados Unidos tenham um novo presidente, mas todos os dias parece que as eleições são amanhã.
Para já, apenas se escolhe o candidato de cada um dos grandes partidos. Mas o espírito da democracia americana há muito que tomou conta das casas, das ruas e dos bairros de todo país. E aos poucos vai contagiando o mundo inteiro. Ou pelo menos a metade do mundo que se revê em valores como a democracia e a liberdade.
Com os defeitos que têm, e são muitos, os Estados Unidos continuam a ser a pátria da esperança, a terra de todas as oportunidades. O próximo presidente será, muito provavelmente, um negro, filho dum emigrante queniano que a América soube receber e integrar. Se assim não acontecer, os Estados Unidos poderão ter como presidente uma mulher. Mas seja ele, seja ela ou não seja nenhum dos 2 – como espero – estas eleições são já uma enorme lição.
O entusiasmo é tão contagiante que nem mesmo a esquerda caviar, orgulhosamente anti-americana, consegue esconder a excitação. Será desta que vão perceber que, com ou sem Bush, é nos Estados Unidos que estão os valores da nossa civilização?
João Castanheira
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
O BCP e o Mercado
Depois de rebentarem com o banco, os 8 administradores que deixaram o BCP em 2007 ofereceram-se a si próprios indemnizações e reformas antecipadas no valor de 80 milhões de euros.
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Por outras palavras, em vez de indemnizarem o banco estes bilionários receberam mais de 2 milhões de contos cada um - coisa pouca - seguramente para premiar o seu excelente desempenho, que é agora do domínio público.
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Em simultâneo, a nova administração do BCP decidiu cortar os dividendos que os accionistas deveriam receber, de modo a compensar o banquete dos antigos administradores.
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Enfim, o mercado tem destas falhas.
Mais um pouco e chegaríamos à humilhação de ter que nacionalizar formalmente o BCP, como aconteceu com o britânico Northern Rock, para salvar as poupanças e os investimentos dos milhares de portugueses que foram escandalosamente enganados nesta hisória sórdida.
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João Castanheira
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Entrevista por encomenda
domingo, 17 de fevereiro de 2008
+ 84.000 desempregados
Et voilà! No final de 2007, quase 3 anos depois de Sócrates ter assumido a liderança do Governo, a taxa de desemprego aumentou para 8,0%, o valor mais alto dos últimos 21 anos.
Imagino que o primeiro-ministro considere este valor pior do que trágico. Talvez mesmo susceptível de fazer tocar a rebate todos os sinos de Portugal.
Quando José Sócrates tomou posse, existiam no país 365.000 desempregados. Decorridos 3 anos de governação socialista, o número de desempregados aumentou para 449.000.
Em conclusão, não só a economia nacional não gerou os 150.000 novos postos de trabalho prometidos pelo primeiro-ministro, como o governo do PS é responsável por empurrar mais 84.000 portugueses para o desemprego.
É obra para quem tanto falou e tanto prometeu.
João Castanheira
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
O fiasco económico do governo PS
Em 2007, a economia portuguesa cresceu 1,9%. Foi com um sorriso de orelha a orelha que o primeiro-ministro anunciou ao país este feito heróico.
Será caso para tanta euforia?
Já que o governo Sócrates se especializou em estatísticas e PowerPoints aqui fica um gráfico interessante:
Pois é, nem todos os números são ainda conhecidos, mas Portugal está uma vez mais na cauda da Europa.
Como José Sócrates bem sabe, crescemos muito menos do que a média da União Europeia. O que significa que continuamos a divergir dos nossos parceiros europeus.
A riqueza produzida em Portugal no ano que passou cresceu menos do que em qualquer outro país: metade da Espanha, metade da Grécia, 5 vezes menos do que a Eslováquia...
Mas o primeiro-ministro anunciou este retumbante fiasco com um enorme sorriso nos lábios. Pretendendo, uma vez mais, transformar o fracasso do modelo económico socialista numa grande vitória.
Quem pára esta máquina de propaganda?
João Castanheira
Ele anda por aí...
No Público de hoje, VPV faz uma lúcida apreciação sobre o estado em que se encontra o maior partido da oposição. Escreve o seguinte:
“Santana Lopes foi o pior primeiro-ministro português desde 1976. Foi também o responsável pela maior derrota do PSD desde 1975. Em princípio, devia estar morto. Só que não está. Está vivo e cada vez com mais saúde... Das duas putativas cabeças do PSD, a dele é a única que de certa forma existe. Tirando, evidentemente, as mil cabeças, de Rui Rio a Barroso e a Marcelo e aos predilectos “filhos” de Cavaco, que se preparam para cortar cabeças”.
João Castanheira
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
R.E.M.



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Muito antes de qualquer sucesso comercial, criaram uma inigualável sequência de obras primas. Discos luminosos que ainda hoje permanecem razoavelmente desconhecidos: Murmur, Reckoning, Fables of the Reconstruction, Lifes Rich Pageant e Document.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
O "engenheiro arquitecto" Sócrates

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Recauchutagem
O primeiro-ministro prossegue a sua lógica de recauchutar o governo a prestações. Desta vez, a mudança foi forçada pelo desastre na saúde, que ameaçava queimar o executivo em lume brando. A reboque recebe guia de marcha a inexistente ministra da cultura.
Infelizmente, é quase certo que a nova ministra da saúde foi recrutada com o compromisso de continuar a rebentar com o serviço nacional de saúde. A ideia é tentar calar Anadia (& companhia) com uma cara nova, ainda que a política seja velha.
Vários outros remodeláveis ficam (para já) por remodelar. Apenas porque a imagem de firmeza do primeiro-ministro não se coaduna com uma cedência em toda a linha.
Entretanto, é interessante lembrar que o governo socialista já perdeu, um por um, todos os seus principais pilares: os ministros de estado Luís Campos e Cunha (finanças), Diogo Freitas do Amaral (negócios estrangeiros) e António Costa (administração interna).
Se os portugueses vissem no principal partido da oposição alguém com perfil para governar o país, o primeiro-ministro arriscava-se a ser ele próprio remodelado nas próximas legislativas. Será que a rapaziada do PSD, sempre tão eficiente e pragmática quando cheira a poder, ainda não percebeu esta evidência?
João Castanheira
Corrupção?
Resposta: em Portugal nunca é oportuno falar em corrupção. Porque será?
João Castanheira
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
O Mundo em 2007
As conclusões não surpreendem, mas deixam matéria suficiente para uma reflexão, um tanto ou quanto inquietante.
Primeira conclusão: em todo o mundo existem apenas 28 democracias plenas, pelo que só 13% da população mundial tem o privilégio de viver em liberdade. A lista dos países com uma democracia mais avançada é, como seria de esperar, liderada pela Suécia. Seguem-se a Islândia, a Holanda, a Noruega e a Dinamarca.
Há depois um conjunto de 54 países que a The Economist considera terem uma democracia imperfeita. Um mal menor face ao que está mais para baixo. Entre as democracias imperfeitas encontram-se, por exemplo, o Brasil, a Índia e, surpreendentemente, a Itália. O episódio de ontem no senado - com cuspidela, champanhe e presunto - parece reforçar as imperfeições italianas.
Mais para baixo vem a desolação. São 85 países cujo regime é considerado autoritário ou próximo disso. Nestes países vive praticamente metade da população mundial, pessoas que sobrevivem à margem dos mais elementares direitos, liberdades e garantias.
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Outra análise interessante que pode fazer-se é a do estado da democracia – ou da falta dela – no mundo islâmico. Há, em todo o mundo, mais de 50 países muçulmanos, isto é, existem mais de 50 estados independentes em que a população muçulmana é maioritária.
Neste conjunto de países, não se encontra uma única democracia plena. Pior do que isso, contam-se apenas 5 democracias imperfeitas – a Indonésia, a Malásia, o Bangladesh, o Mali e o Benim.
João Castanheira
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Um acidente chamado Carmona

O vendaval que se abateu sobre Lisboa é, em grande medida, fruto da indigência que caracterizava a sua equipa. Carmona entregou algumas das áreas de maior sensibilidade na gestão autárquica a pessoas que dificilmente conseguiriam o lugar de porteiro num armazém municipal.
Não foram apenas as ruinosas negociatas com a Bragaparques. Foi todo um mundo de obscuras decisões que, a manterem-se, hipotecariam em definitivo o futuro de Lisboa. Quem não se lembra da obscena desfaçatez com que, apesar de todos os avisos, a câmara aprovou a construção duma gigantesca urbanização em cima do traçado da futura linha do TGV?
Quero, sinceramente, acreditar que tudo ficou a dever-se a uma flagrante falta de vocação para o cargo. Os tribunais decidirão se foi apenas isso.
Entretanto, é justo afirmar que Marques Mendes teve razão quando forçou a queda da Câmara. Mas também é correcto recordar que o anterior presidente do PSD se limitou a corrigir o seu próprio tiro – é que Carmona havia sido uma escolha pessoal de Marques Mendes.
Por fim, há que dizer que José Sá Fernandes prestou nesta matéria um inestimável serviço à cidade. Um elogio que dói, mas que é mais do que merecido.
João Castanheira
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
Uma história que mete nojo
Não obstante a presunção de inocência a que, como é óbvio, tem direito, esta é uma história que mete nojo.
A sórdida tramóia prosseguiu com uma muito conveniente permuta de terrenos: a câmara fica com o sobreavaliado Parque Mayer e entrega em troca uma parte dos terrenos da feira popular, esses sim com um alto valor patrimonial.
Em seguida, a câmara atribui à Bragaparques um inexistente direito de preferência na compra da parte da feira popular que não tinha sido permutada. Esta operação terá desviado dos cofres da autarquia mais 1 milhão de euros, que passou directamente para o bolso dos empreiteiros de Braga.
O banquete continuou com uma isenção do pagamento de taxas no valor de 9 milhões de euros. Mais uma verba que escorrega directamente dos depauperados cofres da autarquia para a conta da Bragaparques
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Farão sentido os privilégios da função pública?
- Existirá alguma justificação plausível para que um funcionário público trabalhe menos 5 horas por semana do que um trabalhador do sector privado? Será por terem uma produtividade maior?
- Haverá alguma razão lógica para que um funcionário público tenha mais 3 dias de férias por ano do que um trabalhador do sector privado? Estarão mais cansados?
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João Castanheira
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Ele há coincidências...
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Interpol
.Our Love to Admire é um álbum belíssimo. Um dos poucos clássicos que 2007 nos deixou. Lá dentro está uma das melhores canções do ano: Pace is the Trick. Poderosa e intemporal como só as grandes canções. Um verdadeiro hino que recomendo.
João Castanheira
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Stand-up Comedy
domingo, 13 de janeiro de 2008
Diz que é uma espécie de democracia
Este espanhol é um Senhor!

Como sempre se disse, Camacho é um senhor!
Valha-nos o futebol para trazer à televisão algum nível e um mínimo de erudição.
João Castanheira
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
O que eles disseram sobre o aeroporto
Almeida Santos, Presidente do PS, 23 de Maio de 2007
“A Rave arrasa o estudo da CIP para o aeroporto em Alcochete... o celebrado estudo da CIP começa a afundar-se no ridículo.”
Vital Moreira, 11 de Novembro de 2007
“Não se faz um aeroporto num deserto”.
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, 23 de Maio de 2007
“A conclusão do aeroporto da Ota antes de 2017 é um compromisso pessoal".
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, 12 de Março de 2007
O aeroporto do deserto

“Optar pela margem Sul, seria faraónico e megalómano".
“O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na margem sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar”.
“...na margem sul jamais, jamais...”.
Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, 23 de Maio de 2007
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
A Causa está de cócoras
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Crueldade social

E a traição que se segue é:
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Amanhã Sócrates vai cometer uma de duas traições:
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- Se anunciar um referendo sobre o Tratado de Lisboa, trairá o compromisso informal assumido com os restantes líderes Europeus.
- Se optar pela ratificação parlamentar do tratado, trairá mais uma das suas promessas eleitorais.
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O pragmatismo e a frieza de Sócrates levar-me-iam a pensar que o primeiro-ministro optaria pela primeira traição. Porquê?
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- Porque a presidência portuguesa já lá vai, deixando-o livre para dar uma bicada na solidariedade europeia.
- Porque o primeiro-ministro sabe que poucos portugueses se atreveriam a chumbar um tratado com o nome de Lisboa. O argumento é provinciano, mas a vitória seria certa.
- Porque, ao convocar um referendo, Sócrates não só cumpriria uma promessa do PS como entalaria, uma vez mais, o PSD.
- Porque, anunciando um referendo, Sócrates mergulharia o país numa discussão sobre a Europa, matando a contestação aos encerramentos hospitalares, à subida dos impostos e ao descontrolo do desemprego.
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Acontece que, segundo se diz, Sócrates vai anunciar ao país a sua opção pela ratificação parlamentar.
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Prevalece o compromisso europeu, sai facada na promessa eleitoral.
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Recorde-se o que dizia sobre esta matéria o programa eleitoral do PS e o que diz o programa do governo: “O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deve ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado”.
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Sem comentários...
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João Castanheira
sábado, 5 de janeiro de 2008
A nacionalização do BCP
Sobre as consequências da nacionalização do BCP, escrevia ontem o Inimigo Público:
- O novo site do BCP será www.millenniumbcp.gov.pt
- O Partido Socialista passará a ser cotado na Bolsa de Valores de Lisboa
João Castanheira
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
As escolhas da sucata trotskista
O Daniel Oliveira promoveu mais um inquérito no seu muito visitado Arrastão. Desta vez a pergunta era: "Qual a figura mais relevante de 2007?".


