terça-feira, 8 de abril de 2008

Até breve Atlântico


A Atlântico era um espaço de liberdade sem paralelo no panorama editorial português. Uma revista de ideias arejada, onde se escrevia com inteligência e criatividade

Havia quem lhe torcesse o nariz, por considerá-la demasiado acantonada às correntes liberais. Eu sempre discordei. Havia quem a considerasse “excessivamente independente”, o que para alguma da fauna que por aí circula constitui um pecado capital.

A direcção editorial da Atlântico decidiu suspender a publicação da revista por falta de investimento publicitário.

Eu, que tenho a mania da perseguição, reparei que um dos suportes publicitários da Atlântico – o BCP – deixou de anunciar na revista em Janeiro. Ora, esse foi precisamente o mês em que o BCP foi “intervencionado” pelo Estado. Trata-se, obviamente, duma mera coincidência.

É que no dia em que o poder político se der ao trabalho de sufocar economicamente uma pequena revista de ideias, Portugal terá deixado de ser a West Coast of Europe transformando-se no verdadeiro WC da Europa.
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Até breve Atlântico!

João Castanheira

Um país mais pobre...

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Num país onde o debate de ideias, escrito nas páginas de jornais e revistas, não abunda, é triste ver desaparecer uma Revista como a Atlântico.

Ao se perder mais esta magnífica revista, ficámos todos mais pobres.

As ideias, independentemente da orientação que transmitam, quando abertas à discussão e ao contraditório, são um marco de qualquer democracia e um sintoma do quanto essa democracia é saudável. Os meios que as veiculam e que as promovem são por isso seu património e, também por isso, elementos centrais da sua dinâmica. Assim, num país que tende para o conceito de ideia única, tão querida a tantos nesta west coast of europe, a perda de pequenos espaços de debate como a revista Atlântico são grandes rombos e uma enorme perda para todos aqueles que, como eu, acreditam que na vida nada há de melhor que o são confronto de ideias.

Deixo, no entanto, a minha homenagem aos que ao longo do tempo a foram imaginando e escrevendo e espero, ansiosamente, que nos possamos rever brevemente, num novo projecto de idêntico teor.

Luís Manuel Guarita

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Carlos Zorrinho dixit...

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Ponto prévio. Carlos Zorrinho é Coordenador Nacional do Plano Tecnológico e Professor Universitário.

Transcrevo uma citação do próprio, lida num artigo de um jornal segundo a qual o Senhor em causa teria escrito o seguinte: "A vida é hoje cada vez mais multifuncional. Ao mesmo tempo que vemos televisão, lemos, escrevemos, jogamos e falamos! É isso que os jovens estudantes fazem quando estudam com música alta, o computador ligado e o telemóvel pronto a trocar mensagens. É assim que aprendem e é nesse ambiente que vão criar valor. E a escola? A escola é cada vez mais isso nos intervalos, nas actividades lúdicas e complementares, mas não tem ainda condições para ser isso nos períodos formais das aulas..."

E agora digam lá se não gostavam de assistir a uma aula deste Professor?

Luís Manuel Guarita

Ainda sobre o ar que se respira nesta latrina...

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Note-se o seguinte. O Eng. Ferreira do Amaral, que foi Ministro da Obras Públicas, é, na interpretação de muita boa gente, um quase pária, já que aceitou um cargo na Concessionária das Pontes Vasco da Gama e 25 de Abril.

E agora pergunto eu. E então o ex-Ministro das Obras Públicas, Dr. Jorge Coelho, que agora nos surge como próximo Presidente da Mota-Engil, que é? Um anjinho?

É nestas alturas que, entre outras coisas, se torna interessante ver os compactos da Quadratura do Círculo e escutar algumas das prédicas que o venerável Jorge lá pregou sobre questões similares.

Como diz o povo, é pela boca que morre o peixe.

Luís Manuel Guarita

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O ar nesta latrina está a tornar-se irrespirável


Face ao estado esfrangalhado da oposição, já toda a gente percebeu que o PS continuará no poder, pelo menos, até 2013. Temos portanto pela frente mais 5 anos de governo Sócrates.

Vai daí que a nossa sempre atenta iniciativa privada, especialmente aquela que depende dos grandes negócios com o Estado, tenha decidido lançar uma OPA às personalidades mais influentes do Partido Socialista. As coisas passam-se às claras.

Hoje, soube-se que Jorge Coelho, ex-ministro das obras públicas e uma das mais influentes personalidades do PS, se prepara para ser presidente da Mota-Engil, a maior construtora do país.

Há não muito tempo, assistimos à forma humilhante como o Millennium BCP se colocou nas mãos do Estado, contratando para a sua administração Armando Vara, “reputado banqueiro” e amigo do primeiro-ministro.

Um pouco antes, Joaquim Pina Moura, ex-ministro da economia, foi contratado para presidir à Média Capital (TVI).

A iniciativa (pouco) privada já percebeu que para segurar os negócios com o Estado precisa de recrutar gestores no Largo do Rato. E o Largo do Rato já percebeu que tem uma oportunidade de ouro para se sentar em cima da economia.

As mensagens que emanam do governo são claras:

A Goldman Sachs perdeu os contratos com o Estado por delito de opinião de António Borges? Tenham cuidado com a língua e contratem um ex-ministro socialista!

Há grupos de comunicação social interessados em concorrer ao quinto canal de televisão? Tenham cuidado com a língua e contratem um ex-ministro socialista!

Como dizia o outro, o ar nesta latrina está a tornar-se irrespirável.

João Castanheira

segunda-feira, 31 de março de 2008

A festa da democracia


Eis a notícia que todos esperávamos: “O fantasma da fraude nas eleições no Zimbabwe pode ser colocado de parte”. A afirmação é de Marcos Barrica, coordenador da missão de observação eleitoral da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Diga-se que Marcos Barrica é o ministro da juventude e desportos de Angola, país que foi encarregue de chefiar a missão de observação eleitoral da SADC.

Parabéns à SADC, pois a tarefa de chefiar a verificação dum processo eleitoral democrático não poderia ter sido melhor entregue. Como sabemos, Angola é hoje uma democracia madura e consolidada, referência democrática aclamada internacionalmente pela lisura e pela transparência com que decorrem os seus frequentes processos eleitorais.

Pouco importa que as últimas eleições legislativas em Angola tenham ocorrido há 17 anos e que tenham terminado com a eliminação física dos principais dirigentes da oposição. Pouco importa que o presidente da república esteja no poder há 30 anos sem nunca ter sido legitimado democraticamente. Pouco importa que jamais tenham ocorrido em Angola eleições autárquicas.

Em boa verdade, as eleições no Zimbabwe são é uma grande chatice. O povo pensa que vota, os observadores da SADC fazem de conta que observam e Mugabe finge que conta os votos.

Ou muito me engano ou o tiranete sanguinário sairá em ombros, para gáudio da vizinhança.

João Castanheira

domingo, 30 de março de 2008

Bandalheira

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Ainda sobre a bandalheira revelada pelas imagens da escola Carolina Michaëlis, não resisto a transcrever o comentário dum participante anónimo no debate lançado pelo Público:
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"À luz da retórica actual, a professora ali agredida deve ser penalizada na sua avaliação porque, manifestamente, não sabe motivar a aluna.
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Quanto à agressora? Deve ser compreendida e apoiada, já agora com uns planos compostos por muitas fichas do tipo: aprender a aprender... aprender a ser... ser e aprender... ser e ser... estar e aprender... elaboradas pela professora agredida".
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João Castanheira

sábado, 29 de março de 2008

Revolução e torradas

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Uma irreprimível fúria libertária tomou conta de Cuba. Depois de ter legalizado as panelas de pressão e os micro-ondas – objectos descaradamente subversivos – o regime da família Castro autorizou agora a comercialização de telemóveis.

Eu acho mal. Qualquer dia, os cubanos são autorizados a comer como gente normal, o que tornará inevitável o aburguesamento da revolução.

É certo que, de acordo com o despacho do governo, a liberalização das torradeiras não acontecerá antes de 2010, o que refreia um pouco o carácter reaccionário das mudanças em curso.

Mas será a moratória às torradas suficiente para travar o avanço do capitalismo?

João Castanheira

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Estado que somos...

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Li hoje, no jornal Público, um artigo de J. Bradford DeLong onde são transcritos cinco princípios elementares que, de acordo com o falecido economista Milton Friedman, são centrais à vida (saudável digo eu) de qualquer estado, nomeadamente no que se refere à intervenção do seu governo. Passo a transcrevê-los:

1. Uma política monetária fortemente anti-inflacionista;

2. Um governo deve actuar como agente do povo e não como distribuidor de favores e benefícios;

3. Um governo não deve imiscuir-se nos negócios económicos de cada um;

4. Um governo não deve imiscuir-se na vida privada das pessoas;

5. Acreditar de forma entusiástica e optimista que o debate livre e a democracia política podem persuadir os povos a adoptar princípios;

O governo português em cinco, respeita um, e esse que respeita decorre tão somente de uma obrigação que lhe é imposta externamente, mais concretamente pelo Banco Central Europeu.

Em suma, é este o governo que temos e o Estado que somos.

Luís Manuel Guarita

quarta-feira, 26 de março de 2008

O meu país é o país mais estúpido do mundo!



Custa-me afirmá-lo, mas é verdade. E digo-o porque só assim consigo compreender a decisão de destruir, no vale do Tua, uma admirável peça de património e um monumento intemporal à capacidade humana de sonhar.

Os portugueses de hoje não merecem os portugueses de ontem! 

Deixo, a quem ler este lamento, um pequeno filme, para que vejam a beleza do que está para ser destruído e para que reflictam sobre o país que somos e as decisões que sobre ele são tomadas.

www.ocomboio.net/diaporama/linha_do_tua_2006/index.html

Luís Manuel Guarita

domingo, 23 de março de 2008

A esquerda no seu labirinto

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Onde está a esquerda dos princípios morais e da altivez imperial nesta história do Tibete, que não a tenho visto?

Até admito que a questão do Tibete é complexa e difícil. Em boa verdade admito que quer ali, quer, por exemplo, no Kosovo, dificilmente vejo viabilidade para um estado, mas na verdade nem é isso que está em causa, é para já algo de muito menos. É somente uma questão de respeito e direito. O respeito devido pela China àqueles que no Tibete divergem do regime e sustentam uma solução para o Tibete, que em nada se coaduna com a actual. E o direito desses mesmos tibetanos a aspirar à libertação do seu país. Mas estas pequenas coisas, que não metem a América pelo meio, são demasiado sensaboronas para a esquerda militante.

Se não há América, então não há festa. A esquerda, definitivamente, continua perdida no seu labirinto.

Luís Manuel Guarita

A filial

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Em Portugal a Associação Portuguesa de Bancos tem uma filial nova. Chama-se Banco de Portugal e é brilhante, eficaz e inultrapassável na defesa dos seus associados, a Banca.

É assim mesmo, isto sem qualquer desprimor para a referida associação que, na minha opinião, defende e bem os seus associados.

A regulação do sector, que em teoria deveria salvaguardar todos os interesses, é, nas mãos das mentes que gerem o Banco de Portugal, um acto de sentido único, isto é, trata-se tão somente de defender intransigentemente a banca. O cliente e o seu pequeno interesse são, neste caso, irrelevantes e desnecessários, diria mesmo maçadores, até porque tendem a queixar-se.

E eis como, em Portugal, de regulador facilmente se passa a colaborador!

Luís Manuel Guarita

Era uma vez a concorrência...

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Há dias escrevi aqui que a decisão sobre a Autoridade da Concorrência nos permitiria uma melhor compreensão do que alguns pretendem que seja este pequeno país à beira mar plantado.

A decisão tomada - a não recondução do Prof. Abel Mateus -, um homem íntegro, independente e extremamente competente, que nos anos que liderou a autoridade se pautou por uma defesa intransigente de um mercado mais concorrencial e por isso mais justo para todos, e a sua substituição por alguém, que mal grado as capacidades, que não questionamos, advém da única entidade reguladora em Portugal que de reguladora nada tem, é um sinal claro do caminho que se pretende tomar.

Aqui, na West Coast of Europe, são os princípios da África subsariana que marcam o ritmo.

Luís Manuel Guarita

sábado, 22 de março de 2008

O libertino

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Luiz Pacheco, o libertino, partiu a 5 de Janeiro de 2008.

Poucos dias antes de morrer, o escritor maldito dava o veredicto sobre o seu próprio livro de entrevistas, obra a cujo lançamento já não pôde assistir: “Esse livro é uma merda! Isso é uma aldrabice. É bom para andar por essas editoras pequenas”.

Na verdade, “O Crocodilo que Voa” não é uma merda. É uma deliciosa colectânea de entrevistas publicadas entre 1992 e 2008. Ao longo dessas 12 entrevistas, Luiz Pacheco bate forte feio em alguns dos grandes nomes da literatura portuguesa do século XX.

“O Cesariny era um poeta de urinóis. Chegou a Paris, ia com esse hábito e botou a mão à sarda de um homem que estava a mijar – resultado, foi parar à cadeia. O chefe da esquadra perguntou-lhe: Então como é isso la-bas? E ele disse: É como cá. Mas não era, porque o chefe da esquadra disse: Então você tinha para aí tantas pensões para ir fazer isso, era preciso ir para o urinol deitar a mão à gaita do outro?”.

O livro começa com uma entrevista feita em 1992 por Carlos Quevedo e Rui Zink, para a mítica revista K. Ainda me lembro da fotografia de Luíz Pacheco na capa da K.

Escrevem os entrevistadores: “Luís Pacheco, escritor, sofre de asma brônquica. Calvície precoce. Fractura do úmero devido a tentativa de suicídio na Avenida de Berna. Queda de dentes natural quase total. Enfisema pulmonar bilateral. Hérnias inquinais não operadas com uso de funda dupla. Hipersensibilidade ao álcool. Tratamento de desintoxicação no Centro António Flores. Miopia e astigmatismo, quase cegueira. Bissexual assumido. Leve surdez do ouvido esquerdo. Andropausa total. Três mulheres reconhecidas. Três estadias no Limoeiro. Duas estadias na cadeia das Caldas da Rainha. Prisões ocasionais e breves em esquadras da polícia”.

Luiz Pacheco foi um herói marginal. Escreveu sobre magalas e urinóis. Na Contraponto, editora que fundou em 1950, publicou Cesariny, Cardoso Pires, Herberto Hélder, Virgílio Ferreira e Natália Correia. Viveu boa parte da vida na miséria, hospedado em quartos alugados e albergues bolorentos.

Luiz Pacheco foi um grande português. “O Crocodilo que Voa” é um livro imperdível.

João Castanheira

sexta-feira, 21 de março de 2008

Batemos no fundo


Batemos no fundo.

O episódio da escola Carolina Michaëlis revela, de forma caricatural, o estado a que chegou o ensino em Portugal depois de três décadas de complexos de esquerda, que fomentaram a irresponsabilidade dos alunos e arruinaram a autoridade dos professores.

Tudo ali está errado. Tudo ali é cruel, obsceno e chocante.

A começar pela vadia que insulta e agride a professora em plena sala de aula. Para a protagonista deste filme de terror, tudo quanto não seja a expulsão sumária e definitiva do sistema de ensino público será um prémio imerecido.

É óbvio que a punição da delinquente terá que ser verdadeiramente exemplar, sob pena de a partir de agora tudo ser admissível numa sala de aula do nosso país.

Mas o que é mais inquietante é a atitude deplorável do resto dos alunos, que assistem ao episódio com evidente deleite. Riem-se, filmam e disparam comentários como “Isto é demais!”, “Olha que a velha vai cair”.

E o que dizer da absoluta incapacidade da professora em lidar com a situação? Alguém que se dispõe a ser humilhada até ao limite por uma turma inteira não tem, objectivamente, condições para exercer a profissão de professor.

Soube-se agora que a senhora nem sequer havia apresentado queixa contra a aluna. Fê-lo ontem, quando percebeu que o país inteiro havia assistido, perplexo e revoltado, à sua inqualificável humilhação.

A presidente do conselho executivo da escola diz que abriu um processo de averiguações. Como se houvesse grande coisa para averiguar. Imagino que venha por aí o calvário burocrático do costume, que não servirá se não para deixar passar o tempo e esperar que o país se esqueça.

No fim, o processo há-de ser arquivado ou, no limite, a vadia há-de ser meigamente repreendida. A bem da não exclusão.

Sem grandes ondas, porque o assessor de imprensa do ministério da educação já veio publicamente dar as suas instruções: “A situação será resolvida no seio da escola”.

Será possível que esta gente não perceba o mal que está a fazer ao país?

João Castanheira

quarta-feira, 19 de março de 2008

Brasil


O que dizer de um país que ofereceu ao mundo o génio criativo de Oscar Niemeyer, António Carlos Jobim, Chico Buarque, Marisa Monte ou Candido Portinari?

O que dizer do país que criou o samba, a bossa nova e o tropicalismo?

O que dizer do país que inventou a Gisele Bündchen, a Daniela Cicarelli, a Maitê Proença e todas as mulheres que enchem o nosso imaginário desde crianças?

O que dizer do país onde nasceram o Pelé, o Zico, o Sócrates, o Ronaldo, o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká?

O que dizer de Copacabana, de Ipanema ou do Corcovado, mais a Amazónia, o Pantanal, a Bahia, Ouro Preto e a utopia feita realidade em Brasília?

Há um Brasil que deu ao mundo muito do melhor que o mundo tem. Um país maior do que todas as palavras de que me consigo lembrar para o descrever.

Para mal do Brasil e para mal do mundo, esse grande país vive sufocado por um outro, uma coisa medonha crivada de favelas, miséria e corrupção.

Se o primeiro vencer, o futuro há-de ser do Brasil.

João Castanheira

segunda-feira, 17 de março de 2008

Mal agradecidos

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Dizem as más línguas que a região de Lisboa está a ser assolada por uma vaga de homicídios sem paralelo na história recente. Felizmente, foi hoje divulgado um estudo europeu a revelar que a capital portuguesa tem a segunda mais baixa taxa de homicídios da União Europeia. Melhor do que nós só La Valetta e é porque alguém se enganou a martelar os dados.

Dizem as más línguas que o país está a ser varrido por uma onda descontrolada de assaltos violentos. Felizmente, o ministro da administração interna divulgou há dias o relatório de segurança interna, documento profusamente ilustrado com gráficos que não deixam margem para dúvidas – graças ao governo do partido socialista o que está realmente a acontecer é uma histórica redução nas estatísticas do crime.

Chega de falsidades. Fontes oficiais contactadas pelo Num Lugar à Direita, asseguram mesmo que há precisamente 3 anos não se regista qualquer homicídio ou assalto em Portugal.

O problema é que a mensagem não passa. E não passa porque os portugueses são estúpidos.

O governo bem que lhes atira com PowerPoints ao nível do melhor que há no mundo. Mas é como dar pérolas a porcos. No dia seguinte, os desgraçados lá inventam mais uns tiros ou umas facadas, apenas para prejudicar reputação do senhor presidente do conselho. Mal agradecidos.

Eu confio no “engenheiro” Sócrates. Já mandei tirar a fechadura da porta e vou deixar as janelas de casa abertas de par em par.

João Castanheira

quinta-feira, 13 de março de 2008

Um voto de protesto.

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Declaro aqui,veementemente, o meu protesto contra todas as organizações internacionais que observam o fenómeno da corrupção nos países. Em nenhuma delas o meu país aparece em primeiro lugar, o que é estranho, diria mesmo, estranhíssimo. É que em Portugal não há condenações por corrupção.

Bom, na verdade minto, li hoje num diário que uns quantos coveiros de uma câmara municipal foram condenados por corrupção, ao que parece os meliantes terão subtraído um total de quase 700€ ao erario municipal. Serão eles os culpados da não classificação em primeiro cá da pátria?

Só podem, porque de certeza que não são as Fátimas, ou os apitos dourados, ou até mesmo os Parques Mayer, esses não são corrupção, são uma distracção num país de brandos costumes onde tal opróbrio não existe senão quando vamos a caminho da cova.

É de protestar, não é?

Luís Manuel Guarita

Nós por cá, eles por lá.

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Este episódio do Sr. Eliot Spitzer é bem revelador das imensas diferenças ainda existentes nos dois lados do Atlântico.

Nós por cá jamais concordaríamos que um problema de saias pudesse ser causa obrigatória de demissão de um detentor de um cargo público. Confesso que neste capítulo considero o extremismo moralista americano algo hipócrita.

Eles por lá acham que isso, entre outros escândalos, como a corrupção ou o desvio e má-gestão de fundos públicos, é, mais do que razão, obrigação para a demissão de quem os praticou. E é nestas últimas questões que a grande diferença entre eles e nós se estabelece.

O EUA podem ter todos os defeitos do mundo, mas que entre a lisura e integridade da assumpção de cargos públicos que por lá se pratica e a pastosa e ruinosa interpretação desses mesmos cargos que por cá se realiza, há um oceano de diferença, isso há.

E o mal de tudo isto é que, pode a esquerda demonizar a América o que quiser, que a verdade é que, séculos passados sobre Tocqueville, ainda muito temos a aprender com eles sobre como concretizar uma democracia.

Luís Manuel Guarita

O pão nosso de cada dia.

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Há coisas intrigantes!

Ao que parece, o preço de uma matéria prima essencial como o trigo tem vindo a galopar nos mercad0s. Tudo indica que, e no dizer de representantes das associações de produção de pão, tal justifica a necessidade de aumentos unitários do preço do pão na ordem dos 30%.

Até aqui e tendo em conta a realidade dos aumentos dos preços das matérias primas, tudo parecia justificável. Contudo e ouvindo outras fontes, é nos dado a saber que, num pão de quilo, apenas entre 5 e 10% do seu custo decorre da matéria-prima, donde e na nossa infinita ignorância imediatamente nos questionamos, como é que algo que apenas representa um décimo do custo do produto final provoca, nesse mesmo produto, um aumento potencial de 30% no seu preço final?

Pelos vistos, os modelos de incorporação de custos nalguns produtos existentes em Portugal são verdadeiras obras primas da contabilidade criativa, o que nos leva, desde logo, a pensar duas coisas: por este caminho é notório que está na calha mais um bem de luxo e que, de facto, não é na inovação que estamos atrasados...

Luís Manuel Guarita

Bens de luxo.

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A lista dos bens de luxo em Portugal abrange, curiosamente, alguns serviços que de luxo, só mesmo o preço que por eles pagamos.

A electricidade, o combustível e o telefone, são disso exemplo. Se no caso do combustível até poderíamos aceder à conotação, na electricidade e no telefone, só mesmo a imaginação nos leva a acreditar em tal.

Os preços que em Portugal se praticam para que o comum dos mortais, ou as empresas, possam a eles aceder, são um case study de como a extorsão legal se tornou uma prática comum no nosso pequeno país.

É que, perante a realidade europeia, é muito difícil perceber o enorme diferencial existente nestes preços, quando comparados com o que por cá se praticam, e ainda mais díficil de perceber se torna, quando a comparação se resume ao que é praticado por nuestros hermanos.

Para tudo isto haverá com certeza razões, mas que não deixa de parecer um assalto à mão armada, isso não deixa.

Em Portugal, consumir o essencial é hoje um luxo.

Luís Manuel Guarita

Coisas de sempre

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Mais de um século passado sobre a primeira viagem de comboio em Portugal. Mais de 20 anos passados sobre a avalanche de dinheiro que gratuitamente a Europa nos ofereceu. Depois de infindáveis páginas escritas sobre os benefícios do transporte ferroviário, estamos hoje iguais ou pior que há meio século atrás.

Temos hoje menos linhas de caminho de ferro. Continuamos a utilizar composições sucessivamente recauchutadas e com mais de três décadas e ainda assistimos ao facto surreal de numa das mais pequenas redes de caminho de ferro da Europa, subsistirem coisas como passagens de nível onde amiúde se dão acidentes como aquele a que assistimos na linha do Oeste.

Já não tenho dúvidas, há, de há anos a esta parte, uma gigantesca conspiração para acabar com o caminho de ferro em Portugal.

Este país, como no título do filme, não é para locomotivas e por vezes, dá-me a sensação, não é mesmo para ninguém.

Luís Manuel Guarita

Um pequeno detalhe.

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Vamos todos aguardar pacientemente pelo dia 24 deste mês. Nesse dia saberemos o quanto uma pequena decisão é o resultado óbvio do quanto nada mudámos e do pouco que verdadeiramente desejamos fazê-lo.

Dia 24 termina o mandato do actual Presidente da Autoridade da Concorrência. O tempo por ele passado no cargo pautou-se, concordemos ou não com algumas das decisões tomadas, pela procura incessante da defesa do consumidor e pelo combate por uma efectiva concorrência em todos os mercados. Tudo isto num país onde esta palavra -concorrência- tende a ajustar-se às necessidades de quem pode, menosprezando pelo caminho aqueles que deveria proteger.

Nesse dia teremos, ou não, mais um exemplo do caminho que alguns pretendem trilhar neste país e do quanto, palavras como reforma, transparência, mudança e rigor, são meros adereços de campanha.

Aguardemos pois.

E já agora, ainda a propósito de regulação. Para quando uma discussão séria sobre uma ideia de Jorge Sampaio que defendia que, para uma efectiva independência das autoridades reguladoras, as mesmas deveriam ser nomeadas pelo Presidente.
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Luís Manuel Guarita

A canção dos verdes anos.

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Às vezes vale a pena observar o passado e relembrar o que ele nos traz à memória.

Por exemplo, uma simples canção já com quatro décadas. Uma maravilha absoluta da música portuguesa e um retrato musicado do que somos.

Carlos Paredes escreveu a "canção dos verdes anos" a olhar pela janela cinzenta do país que então éramos. Hoje, se olharmos pela mesma janela mas fecharmos os olhos e ouvirmos esta admirável música, é esse mesmo país que sentimos e identificamos nas suas notas.

Há outras músicas onde se ouve Portugal, mas em nenhuma como nesta o som parece brotar da terra, do fundo de todas as almas que nela habitam.

Experimentem fechar os olhos e ouvi-la, ao fazê-lo ouvem o Portugal de sempre, hoje tão diferente mas ainda tão igual.

Ouçam: http://www.youtube.com/watch?v=XwhV1ivYNsQ
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Luís Manuel Guarita

quarta-feira, 12 de março de 2008

O que é isto do Getafe?

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Antigamente, o Benfica batia-se com o Real Madrid. Agora perde com as reservas do Getafe.
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Perguntei a um amigo o que era isto do Getafe. Ele disse-me que é uma agremiação desportiva criada há 20 anos num bairro dos súburbios de Madrid.
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Valha-me Deus, será possível que até no futebol Portugal esteja a divergir de Espanha?
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João Castanheira


O malandro do Spitzer

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Eliot Spitzer, governador do estado de Nova Iorque, demitiu-se hoje, depois de ter sido apanhado em flagrante numa investigação do FBI.
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Spitzer, um dos mais activos apoiantes da candidatura de "Billary" Clinton, construiu a sua carreira política assente na imagem de homem recto e de carácter inatacável.
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Elegeu como causa maior o combate à decadência dos valores morais, com o desmantelamento das redes de prostituição à cabeça.
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Descobriu-se agora que, entre outras tropelias, gastou 80.000 dólares em putas. Spitzer era um dos maiores clientes da rede de prostituição de luxo "Clube dos Imperadores".
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Num assomo de dignidade que é de enaltecer, apresentou a demissão e manifestou publicamente o seu arrependimento por ter defraudado as expectativas dos norte-americanos.
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Em Portugal, a investigação policial teria sido parada, as escutas telefónicas seriam declaradas ilegais e as desgraçadas das putas acabariam, provavelmente, processadas por difamação.
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João Castanheira

O pântano outra vez

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Os dirigentes do Partido Socialista entraram numa fase em que já nem a própria família conseguem convencer.
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Vem isto a propósito da participação da mulher de António Costa - n.º 2 do PS e ex-n.º 2 do governo - na mega manifestação de professores do passado sábado. Era ver a senhora professora gritar empolgada contra a política de educação do governo...
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É certo que todos os portugueses têm o direito - e o dever - de se indignarem com as políticas socialistas. Mas não deixa de ser revelador do ponto a que as coisas chegaram quando é a própria família do baronato rosa que começa a sair à rua em protesto contra os seus.
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Por este andar, bem pode o PS convocar manifestações de desagravo ao governo e outras salazarices, que a coisa dificilmente vai melhorar.
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Agora "só" era preciso que a oposição saísse do coma profundo em que mergulhou, para que o governo Sócrates e o seu folclore pseudo-reformista caissem de podre em poucos meses.
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O pântano está aí outra vez.
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João Castanheira

terça-feira, 11 de março de 2008

O traficante.


Deixo, à consideração da esquerda, a caviar e a outra, algumas perguntas.

Que comentário vos merece o facto de o vosso representante e orgulho máximo nas Américas Latinas, o inenarrável Hugo Chavez, se ter convertido num financiador de traficantes e apoiante de terroristas?
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Que reflexão vos merece a constatação de que muita da droga proveniente da América Latina com destino à Europa e passagem por Portugal ter origem nas FARC e por isso o beneplácito do Sr. Chavez?

Que vos parece um homem que financia e apoia grupos de bandidos especializados na extorsão, rapto e tráfico, que se travestem de guerrilha de esquerda?
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O que acham de alguém, que na sua pseudo obsessão Bolivariana, se acha no direito de interferir no destino dos países vizinhos, desestabilizando-os e provocando-os?
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Que acham deste senhor? Que acham desta esquerda?

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Luís Manuel Guarita

O País que somos.

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Há uns meses a esta parte, veio o governo de Portugal anunciar, com pompa e circunstância, uma coisa a que chamou Portugal Logístico. À primeira vista tudo ok. Uma rede de plataformas logísticas capazes de reestruturar o sistema de transporte e armazenamento de bens e mercadorias, a bem do ordenamento e desenvolvimento do país. No essencial, uma boa ideia!
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Contudo, uns meses depois, veio uma empresa acrescentar ao nosso Portugal Logístico mais uma localização não prevista nem estudada, fora da rede e contrária à lógica que tinha determinado o plano original.
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Imediatamente e após a proposta que esta empresa fazia, assistimos a uma demonstração da fantástica capacidade de adaptação portuguesa. Aquilo que nunca havia sido previsto, que não havia sido estudado, que contrariava as boas regras do ordenamento, pela localização e pelos impactos que daí advinham, imediatamente se tornou num desses novíssimos PIN e automaticamente se converteu numa prioridade absoluta de Portugal e num exemplo do desenvolvimento que, pelos vistos, queremos.
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Disto tudo se retira a seguinte conclusão. Não vale a pena planear, prever, estudar. Não vale a pena pensar que é ao Estado que compete determinar o planeamento estratégico do ordenamento do território. Não vale a pena pensar que há regras e valores que se deveriam sobrepôr a qualquer outra lógica. A verdade é que no nosso pequeno país à beira mar plantado há sempre uma excepção, seja para o pequeno empresário a quem apetece acrescer mais um piso ao seu empreendimento, seja para a empresa gigante que se acha no direito de fazer e desfazer qualquer Portugal Logístico que por aí apareça.
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Não vale a pena fingir, este é o país que somos!
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Luís Manuel Guarita

À beira do abismo.


É suposto um representante de um organismo religioso defender duas coisas básicas. A primeira é a noção de que há coisas que são absolutas, a segunda é a de que, em questões de princípio, não se pode ceder.

O Sr. Williams, Arcebispo da Cantuária e por isso líder máximo da igreja anglicana logo a seguir a sua Majestade, acha que não. Para ele nada é absoluto e a tudo se pode ceder.

Este Senhor, que deveria de estar na linha da frente da defesa dos valores fundamentais que constituem a civilização em que vivemos, independentemente do ramo do cristianismo em que se insere, acha que não, que não vale a pena continuar a defender esses mesmos valores, que é preferível desistir, abdicar de séculos de construção civilizacional e voltar às trevas da idade média, desprezando pelo caminho tudo aquilo que nos torna únicos, nomeadamente na capacidade que temos de assimilar e respeitar as diferenças.

Aqueles que hoje nas nossas casas nos querem impor o primado da intolerância e do fanatismo, são os mesmos a quem o Senhor Arcebispo considera normal permitir que vivam, no nosso seio, segundo as suas regras e valores, de acordo com os seus princípios e leis, coisa que aliás, seria implausível de exigir nas sociedades de que são oriundos, contrariando tudo o que temos como fundamental.

O monstro do relativismo absoluto tocou o Senhor Arcebispo, os seus tentáculos abraçaram-lhe a capacidade de discernir e revelaram a sua imensa cobardia. A cobardia de um homem que perante a parede da intolerância prefere claudicar e ceder, revelando o quanto o abismo se aproxima de nós.
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Luís Manuel Guarita

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Agora aguentem-se...


O presidente da petrolífera estatal angolana – Sonangol – disse ontem que é o patrão da Galp e, por isso, a empresa portuguesa tem que lhe obedecer.

Há quem se tenha sentido chocado com a afirmação, mas a verdade é que Manuel Vicente tem toda a razão. O estado angolano não tem culpa que lhe tenhamos posto nas mãos a maior empresa portuguesa.

Em 1990, o governo português decidiu privatizar a Petrogal, com o argumento de que o estado deveria abster-se de participar directamente na economia. Menos de 20 anos depois, a Galp é agora propriedade do estado angolano (e do estado italiano).
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A privatização resultou, na verdade, numa semi-estatização. Só que o controlo accionista passou do estado português para o estado angolano (e italiano).
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Esta não é uma situação única. Um pouco por todo o mundo ocidental, as empresas mais relevantes estão a ser tomadas pelo dinheiro de estados onde não impera a transparência. O sector bancário, o imobiliário, o turismo e a energia são apenas alguns exemplos de áreas hoje dominadas pelos capitais públicos da China, da Arábia Saudita ou até de Angola.

E esta é apenas a face menos negra do problema. Com os dinheiros públicos, chega um sub-mundo empresarial onde pontificam príncipes árabes e filhos de ditadores africanos, cuja fortuna não foi feita a trabalhar.
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Agora aguentem-se...
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João Castanheira

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A herança de Fidel

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A "revolução cubana" é propriedade da carcaça moribunda de Fidel Castro. Em boa verdade, toda a ilha lhe pertence.
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Agora que os restos do "revolucionário" já pouco mexem, Fidel elegeu como herdeiro o seu decrépito irmão.
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Como se faz com qualquer propriedade, Fidel deixa a ilha e o povo como herança à família.
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O lado bom desta história, que há 50 anos espalha miséria pelo país, é a confirmação de que os ditadores comunistas valorizam cada vez mais um conceito que outrora desprezavam - a família.
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Na Coreira do Norte, Kim Il Sung deixou as ruínas do país como herança ao filho. Em Cuba, Fidel elegeu o irmão para herdeiro.
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Cantemos A Internacional.
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João Castanheira

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O dicionário Sócrates


O governo Sócrates tem acrescentado algumas expressões ao léxico português. Eis 2 exemplos, ambos na área da batota politico-administrativa:

NOVAS OPORTUNIDADES: projecto que visa melhorar artificialmente as estatísticas nacionais na área da educação, mediante a atribuição instantânea de diplomas escolares a iletrados. É uma espécie de graduação honoris causa em massa ou formação Farinha Amparo.

PIN: mecanismo que visa autorizar a construção de loteamentos em cima da reserva ecológica nacional, contornando os constrangimentos legais à urbanização das nossas praias. É um moderno instrumento de gestão territorial, que tem como objectivo prioritário algarvizar (betonar) a costa alentejana.

João Castanheira

sábado, 23 de fevereiro de 2008

God Bless America


Faltam mais de 8 meses para que os Estados Unidos tenham um novo presidente, mas todos os dias parece que as eleições são amanhã.

Para já, apenas se escolhe o candidato de cada um dos grandes partidos. Mas o espírito da democracia americana há muito que tomou conta das casas, das ruas e dos bairros de todo país. E aos poucos vai contagiando o mundo inteiro. Ou pelo menos a metade do mundo que se revê em valores como a democracia e a liberdade.

Com os defeitos que têm, e são muitos, os Estados Unidos continuam a ser a pátria da esperança, a terra de todas as oportunidades. O próximo presidente será, muito provavelmente, um negro, filho dum emigrante queniano que a América soube receber e integrar. Se assim não acontecer, os Estados Unidos poderão ter como presidente uma mulher. Mas seja ele, seja ela ou não seja nenhum dos 2 – como espero – estas eleições são já uma enorme lição.

O entusiasmo é tão contagiante que nem mesmo a esquerda caviar, orgulhosamente anti-americana, consegue esconder a excitação. Será desta que vão perceber que, com ou sem Bush, é nos Estados Unidos que estão os valores da nossa civilização?
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João Castanheira

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O BCP e o Mercado

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Depois de rebentarem com o banco, os 8 administradores que deixaram o BCP em 2007 ofereceram-se a si próprios indemnizações e reformas antecipadas no valor de 80 milhões de euros.
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Por outras palavras, em vez de indemnizarem o banco estes bilionários receberam mais de 2 milhões de contos cada um - coisa pouca - seguramente para premiar o seu excelente desempenho, que é agora do domínio público.
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Em simultâneo, a nova administração do BCP decidiu cortar os dividendos que os accionistas deveriam receber, de modo a compensar o banquete dos antigos administradores.
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Enfim, o mercado tem destas falhas.

Mais um pouco e chegaríamos à humilhação de ter que nacionalizar formalmente o BCP, como aconteceu com o britânico Northern Rock, para salvar as poupanças e os investimentos dos milhares de portugueses que foram escandalosamente enganados nesta hisória sórdida.
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O mercado não é Deus, se é que ainda havia dúvidas.
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João Castanheira

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Entrevista por encomenda

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Tenho pelo Ricardo Costa e pelo Nicolau Santos o respeito que se tem pelos grandes jornalistas.
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Daí que o desempenho de ambos na entrevista de ontem ao primeiro-ministro tenha sido francamente decepcionante. Em alguns momementos, a abordagem servil dos entrevistadores chegou mesmo a ser chocante.
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Macios como não é seu timbre, Ricardo Costa e Nicolau Santos permitiram que José Sócrates fizesse toda a entrevista em ritmo de passeio.
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Não se esperava um julgamento político em directo. Mas havia a expectativa de que o primeiro-ministro fosse confrontado com as questões incómodas que o país, claramente, quer ver respondidas.
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Mas não. Tudo aquilo pareceu milimetricamente encenado. Deu a ideia de que existia um guião, do qual os entrevistadores não se podiam afastar. Um conjunto de perguntas combinadas e uma sequência de respostas decoradas.
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A entrevista transformou-se num miserável exercício propagantístico e de limpeza de imagem. Que ficou mal aos entrevistadores e, sobretudo, ficou muito mal à SIC.
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Ao primeiro-ministro, pelo contrário, já nada fica mal.
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Confrontado com uma taxa de desemprego de 8% - a maior dos últimos 21 anos - Sócrates respondeu que a sua política de emprego é um sucesso. Diz que criou 94.000 postos de trabalho, não interessando que o número de desempregados seja cada vez maior ou que o emprego seja mais precário e instável do que nunca. E assim se arrumou o tema, sem uma insistência, sem um apertozinho. Não terá ocorrido aos entrevistadores que há 3 anos atrás José Sócrates considerava trágico que a taxa de desemprego tivesse atingido os 7,1%?
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Quanto ao desempenho económico da país, Ricardo Costa e Nicolau Santos passaram pelo tema como cão por vinha vindimada. Sócrates diz que crescemos 1,9%, ultrapassando a previsão do governo. Na sua perspectiva foi mais um enorme sucesso. E os entrevistadores não o lembraram que continuamos, portanto, a divergir da Europa, já que crescemos muitíssimo menos do que praticamente todos os nossos parceiros europeus.
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Ricardo Costa e Nicolau Santos permitiram ainda que o primeiro-ministro se agarrasse com a habilidade habitual ao controlo do défice orçamental do Estado. Esse é, obviamente, o único verdadeiro sucesso deste governo, mas porque não recordar que foi conseguido à custa do aumento dos impostos e logo à custa da quebra duma promessa eleitoral?
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Quanto aos recuos do governo em matéria de obras públicas ou à rebelião nacional contra as "reformas" na saúde, pairou sempre a ideia de que havia ali muito respeitinho ou, em alternativa, uma cumplicidade solidária.
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No final da entrevista, Ricardo Costa atreveu-se a fazer uma perguntinha "de que o senhor primeiro-ministro não vai gostar". Tipo, desculpe lá o incómodo mas tem mesmo que ser, se não ainda somos todos apanhados. "O senhor é o autor dos projectos que assinou na Beira Interior?". O primeiro-ministro respondeu que sim e o assunto ficou arrumado. Nem uma vaga tentativa para clarificar o mar de incongruências que é este triste processo.
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José Sócrates foi ainda presenteado com a possibilidade de ciar o seu próprio tabú. Afinal vai ou não vai recandidatar-se ao lugar de primeiro-ministro?
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Francamente, alguém acredita que isto seja um verdadeiro tabú?
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Foi triste.
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João Castanheira

domingo, 17 de fevereiro de 2008

+ 84.000 desempregados

Há precisamente 3 anos, José Sócrates considerava “trágico” que Portugal tivesse atingido uma taxa de desemprego de 7,1%. Segundo o então líder da oposição, aquele indicador provava “que há muito deveriam ter soado as campainhas de alarme e que Portugal atravessa uma crise social muito significativa”. Referindo-se ao desempenho do governo PSD/CDS, Sócrates afirmava ainda que “nunca viu um governo perder tantos empregos em tão pouco tempo”.

Et voilà! No final de 2007, quase 3 anos depois de Sócrates ter assumido a liderança do Governo, a taxa de desemprego aumentou para 8,0%, o valor mais alto dos últimos 21 anos.

Imagino que o primeiro-ministro considere este valor pior do que trágico. Talvez mesmo susceptível de fazer tocar a rebate todos os sinos de Portugal.

Quando José Sócrates tomou posse, existiam no país 365.000 desempregados. Decorridos 3 anos de governação socialista, o número de desempregados aumentou para 449.000.

Em conclusão, não só a economia nacional não gerou os 150.000 novos postos de trabalho prometidos pelo primeiro-ministro, como o governo do PS é responsável por empurrar mais 84.000 portugueses para o desemprego.

É obra para quem tanto falou e tanto prometeu.

João Castanheira

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O fiasco económico do governo PS

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Em 2007, a economia portuguesa cresceu 1,9%. Foi com um sorriso de orelha a orelha que o primeiro-ministro anunciou ao país este feito heróico.

Será caso para tanta euforia?

Já que o governo Sócrates se especializou em estatísticas e PowerPoints aqui fica um gráfico interessante:


Pois é, nem todos os números são ainda conhecidos, mas Portugal está uma vez mais na cauda da Europa.

Como José Sócrates bem sabe, crescemos muito menos do que a média da União Europeia. O que significa que continuamos a divergir dos nossos parceiros europeus.

A riqueza produzida em Portugal no ano que passou cresceu menos do que em qualquer outro país: metade da Espanha, metade da Grécia, 5 vezes menos do que a Eslováquia...

Mas o primeiro-ministro anunciou este retumbante fiasco com um enorme sorriso nos lábios. Pretendendo, uma vez mais, transformar o fracasso do modelo económico socialista numa grande vitória.

Quem pára esta máquina de propaganda?

João Castanheira

Ele anda por aí...

Sou daqueles que ainda não desistiram de ler o Vasco Pulido Valente. Dou-lhe o desconto que se dá aos intelectuais azedos, que por estarem de mal com a vida descarregam infindáveis doses de veneno em cima de tudo quanto mexe. Mas ainda assim, acho que vale a pena ouvi-lo.

No Público de hoje, VPV faz uma lúcida apreciação sobre o estado em que se encontra o maior partido da oposição. Escreve o seguinte:

“Santana Lopes foi o pior primeiro-ministro português desde 1976. Foi também o responsável pela maior derrota do PSD desde 1975. Em princípio, devia estar morto. Só que não está. Está vivo e cada vez com mais saúde... Das duas putativas cabeças do PSD, a dele é a única que de certa forma existe. Tirando, evidentemente, as mil cabeças, de Rui Rio a Barroso e a Marcelo e aos predilectos “filhos” de Cavaco, que se preparam para cortar cabeças”.

João Castanheira

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

R.E.M.

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Ouvi-os pela primeira vez num final de tarde de 1985. Lembro-me como se fosse hoje. Naquele dia, o resto da música deixou de fazer sentido. Ao longo dos últimos 25 anos, escreveram as mais belas canções do mundo. Alguns exemplos: Talk About the Passion, Perfect Circle, Fall On Me, Swan Swan H, The One I Love, So. Central Rain
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Muito antes de qualquer sucesso comercial, criaram uma inigualável sequência de obras primas. Discos luminosos que ainda hoje permanecem razoavelmente desconhecidos: Murmur, Reckoning, Fables of the Reconstruction, Lifes Rich Pageant e Document.
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Agora que se preparam para lançar um novo álbum de originais - Accelerate - é uma boa altura para recordar a vida dos R.E.M. antes do Losing My Religion lhes ter mudado a vida.
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A obra de Berry, Buck, Mills & Stipe vale, sobretudo, por essa fase gloriosa.
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João Castanheira


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O "engenheiro arquitecto" Sócrates

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Eis um dos casebres projectados pelo "engenheiro arquitecto" José Sócrates no concelho da Guarda:
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O requinte e o bom gosto do mamarracho acima retratado estende-se a todos os outros barracões cujo projecto foi assinado pelo agora primeiro-ministro.

Segundo o Público, estes monos eram na verdade projectados por um punhado de amigos de Sócrates, que por serem funcionários da Câmara da Guarda estavam legalmente impedidos de assinar os projectos.
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O esquema da assinatura de favor é conhecido e praticado em muitas das nossas autarquias. A coisa passa-se da seguinte forma: alguns técnicos camarários utilizam a sua posição privilegiada para encaminhar projectos de arquitectura e engenharia para os seus próprios gabinetes privados, frequentemente clandestinos. Aos cidadãos garantem uma rápida aprovação das obras, poupando-os ao calvário burocrático do licenciamento camarário.
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Como a prática é obviamente ilegal, os técnicos da autarquia socorrem-se dum engenheiro ou arquitecto exterior à câmara. Alguém sem escrúpulos e com pouco respeito pela profissão que, a troco duns cobres, finge ser o autor do projecto.
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Apesar do seu acidentado percurso académico e profissional, quero acreditar que o esquema acima descrito não foi utilizado por José Sócrates. O primeiro-ministro apressou-se, aliás, a confirmar que é o verdadeiro autor de todos os projectos que assinou.
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A confirmação de Sócrates levanta, porém, uma questão pertinente e por demais inquietante - será possível que o génio criativo do primeiro-ministro de Portugal tenha parido um conjunto de obras tão ordinárias como aquelas que o Público nos revela?
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João Castanheira

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Recauchutagem


O primeiro-ministro prossegue a sua lógica de recauchutar o governo a prestações. Desta vez, a mudança foi forçada pelo desastre na saúde, que ameaçava queimar o executivo em lume brando. A reboque recebe guia de marcha a inexistente ministra da cultura.

Infelizmente, é quase certo que a nova ministra da saúde foi recrutada com o compromisso de continuar a rebentar com o serviço nacional de saúde. A ideia é tentar calar Anadia (& companhia) com uma cara nova, ainda que a política seja velha.

Vários outros remodeláveis ficam (para já) por remodelar. Apenas porque a imagem de firmeza do primeiro-ministro não se coaduna com uma cedência em toda a linha.

Entretanto, é interessante lembrar que o governo socialista já perdeu, um por um, todos os seus principais pilares: os ministros de estado Luís Campos e Cunha (finanças), Diogo Freitas do Amaral (negócios estrangeiros) e António Costa (administração interna).

Se os portugueses vissem no principal partido da oposição alguém com perfil para governar o país, o primeiro-ministro arriscava-se a ser ele próprio remodelado nas próximas legislativas. Será que a rapaziada do PSD, sempre tão eficiente e pragmática quando cheira a poder, ainda não percebeu esta evidência?

João Castanheira

Corrupção?

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Às vezes, o Daniel Oliveira tem razão. Escreve ele hoje no Arrastão: “Não falta quem ataque Marinho Pinto pelas suas acusações difusas sobre corrupção. Exigem provas... Quando a acusação é geral, é conversa de taxista, quando é concreta é judicialização da política. Afinal, quando é que é aceitável falar em corrupção no nosso país?”.

Resposta: em Portugal nunca é oportuno falar em corrupção. Porque será?

João Castanheira

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O Mundo em 2007

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É muito interessante o olhar sobre o mundo apresentado pela revista The Economist, que analisou o estado da democracia em 165 países – de fora ficaram apenas os micro-estados.

As conclusões não surpreendem, mas deixam matéria suficiente para uma reflexão, um tanto ou quanto inquietante.

Primeira conclusão: em todo o mundo existem apenas 28 democracias plenas, pelo que só 13% da população mundial tem o privilégio de viver em liberdade. A lista dos países com uma democracia mais avançada é, como seria de esperar, liderada pela Suécia. Seguem-se a Islândia, a Holanda, a Noruega e a Dinamarca.
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Portugal surge no 19º lugar do ranking. Um lugar honroso e que, apesar de tudo, nos deve fazer pensar que o caminho que percorremos valeu a pena.

Há depois um conjunto de 54 países que a The Economist considera terem uma democracia imperfeita. Um mal menor face ao que está mais para baixo. Entre as democracias imperfeitas encontram-se, por exemplo, o Brasil, a Índia e, surpreendentemente, a Itália. O episódio de ontem no senado - com cuspidela, champanhe e presunto - parece reforçar as imperfeições italianas.

Mais para baixo vem a desolação. São 85 países cujo regime é considerado autoritário ou próximo disso. Nestes países vive praticamente metade da população mundial, pessoas que sobrevivem à margem dos mais elementares direitos, liberdades e garantias.
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Entre os países menos democráticos do mundo estão os últimos "paraísos" comunistas na terra ou o que resta deles. O último lugar da lista é ocupado pela Coreia do Norte, que o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, considera ser uma democracia.
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Em toda a África - 54 países - há apenas 8 democracias e, com excepção das Ilhas Maurícias, todas elas são imperfeitas. O que, sem dúvida, explica o estado a que chegou o continente. Agora, a culpa já não é do colonialismo.
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Outra análise interessante que pode fazer-se é a do estado da democracia – ou da falta dela – no mundo islâmico. Há, em todo o mundo, mais de 50 países muçulmanos, isto é, existem mais de 50 estados independentes em que a população muçulmana é maioritária.

Neste conjunto de países, não se encontra uma única democracia plena. Pior do que isso, contam-se apenas 5 democracias imperfeitas – a Indonésia, a Malásia, o Bangladesh, o Mali e o Benim.
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Todos os restantes países muçulmanos possuem regimes híbridos (poucos) ou autoritários (a maior parte). Donde se conclui que para gozar de plena liberdade, a população islâmica tem que sair do mundo muçulmano.
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Só é pena que alguns (poucos) muçulmanos que rumam à Europa e à América se achem no direito de conspirar contra a democracia dos países que os acolhem. Os países que lhes permitiram recuperar a sua própria liberdade.

João Castanheira

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Um acidente chamado Carmona

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Carmona Rodrigues foi um acidente que aconteceu a Lisboa. Cedo se percebeu que havia na personagem uma insanável falta de capacidade para gerir os destinos duma capital situada a norte do Congo.

O vendaval que se abateu sobre Lisboa é, em grande medida, fruto da indigência que caracterizava a sua equipa. Carmona entregou algumas das áreas de maior sensibilidade na gestão autárquica a pessoas que dificilmente conseguiriam o lugar de porteiro num armazém municipal.

Não foram apenas as ruinosas negociatas com a Bragaparques. Foi todo um mundo de obscuras decisões que, a manterem-se, hipotecariam em definitivo o futuro de Lisboa. Quem não se lembra da obscena desfaçatez com que, apesar de todos os avisos, a câmara aprovou a construção duma gigantesca urbanização em cima do traçado da futura linha do TGV?

Quero, sinceramente, acreditar que tudo ficou a dever-se a uma flagrante falta de vocação para o cargo. Os tribunais decidirão se foi apenas isso.

Entretanto, é justo afirmar que Marques Mendes teve razão quando forçou a queda da Câmara. Mas também é correcto recordar que o anterior presidente do PSD se limitou a corrigir o seu próprio tiro – é que Carmona havia sido uma escolha pessoal de Marques Mendes.

Por fim, há que dizer que José Sá Fernandes prestou nesta matéria um inestimável serviço à cidade. Um elogio que dói, mas que é mais do que merecido.

João Castanheira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

sábado, 19 de janeiro de 2008

Uma história que mete nojo

Carmona Rodrigues foi acusado pelo ministério público de beneficiar ilicitamente a Bragaparques, lesando em muitos milhões de euros a Câmara Municipal de Lisboa.

Não obstante a presunção de inocência a que, como é óbvio, tem direito, esta é uma história que mete nojo.
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Segundo o Público, tudo terá começado com a aprovação ilegal dum pedido de informação prévia, que atribuiu à Bragaparques o direito de construir 46.500 m2 no Parque Mayer, decisão que constituía uma violação do PDM. Um terreno comprado por 11 milhões de euros passava assim a valer 55 milhões, isto é, 5 vezes mais. Não existe no mundo negócio com tamanha rentabilidade. Suponho que nem o tráfico de droga ou armas.

A sórdida tramóia prosseguiu com uma muito conveniente permuta de terrenos: a câmara fica com o sobreavaliado Parque Mayer e entrega em troca uma parte dos terrenos da feira popular, esses sim com um alto valor patrimonial.

Em seguida, a câmara atribui à Bragaparques um inexistente direito de preferência na compra da parte da feira popular que não tinha sido permutada. Esta operação terá desviado dos cofres da autarquia mais 1 milhão de euros, que passou directamente para o bolso dos empreiteiros de Braga.

O banquete continuou com uma isenção do pagamento de taxas no valor de 9 milhões de euros. Mais uma verba que escorrega directamente dos depauperados cofres da autarquia para a conta da Bragaparques
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Tudo isto é de ir ao vómito.
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João Castanheira

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Farão sentido os privilégios da função pública?

Por ser um acontecimento raro, transcrevo parte de um texto de Vital Moreira com o qual concordo.
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Segundo ele, o congelamento (ou mesmo redução) dos salários da função pública "...pode justificar-se em termos de igualdade, considerando que as remunerações da função pública são em muitos casos superiores às do sector privado (o mesmo sucedendo com as suas pensões) e que os funcionários gozam de muitas outras vantagens (menor horário de trabalho, mais férias, menor desconto para a segurança social, um subsistema de saúde privativo que a respectiva taxa não dá para sustentar e, sobretudo, uma muito maior segurança no emprego)."
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Ao contrário do que sucede com as remunerações praticadas numa empresa privada, os salários da função pública são um assunto que diz respeito a todos os portugueses. Por uma razão óbvia e simples: é que os salários dos funcionários do Estado e das autarquias são pagos pelos impostos que todos pagamos. E pagamos muitos, demais mesmo.
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Os funcionários públicos são merecedores de salários e condições de trabalho tão dignas como as do sector privado. Mas não mais do que isso.
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E a verdade é que alguns dos privilégios de que gozam são verdadeiramente chocantes. Dois exemplos apenas:
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  • Existirá alguma justificação plausível para que um funcionário público trabalhe menos 5 horas por semana do que um trabalhador do sector privado? Será por terem uma produtividade maior?
  • Haverá alguma razão lógica para que um funcionário público tenha mais 3 dias de férias por ano do que um trabalhador do sector privado? Estarão mais cansados?

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João Castanheira

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Ele há coincidências...

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Em Fevereiro de 2007, o ministro Correia de Campos anunciou o encerramento das urgências do hospital de Chaves. O argumento era o baixo número de utentes daquele serviço. Confrontado com a violenta contestação dos autarcas e da população local, o ministro acbou por recuar.
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Em Dezembro de 2007, o ministro da saúde encerrou o bloco de partos do hospital de Chaves. O argumento foi o reduzido número de nascimentos naquela cidade.
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Esta semana, um grupo de investidores da área da saúde anuncia a abertura dum hospital privado em Chaves. Uma unidade que, entre outras valências, contará com uma maternidade e um serviço de urgências aberto 24 horas por dia.
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Afinal havia mercado! Afinal existem partos, doentes e pessoas em Chaves. Ficámos esclarecidos.
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Substituir serviços do Estado por serviços privados não seria má ideia se todos os transmontanos pudessem pagá-los. Não parece que seja esse o caso.
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É, uma vez mais, a consciência social do Partido Socialista a vir à tona.
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João Castanheira