sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Belíssimo

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O Estádio Nacional de Pequim - Ninho de Pássaro - onde hoje, dia 08/08/08, às 08:08, começa a vigésima nona edição dos Jogos Olímpicos.
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João Castanheira

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O holocausto florestal


Quando era ministro do ambiente, José Sócrates decretou a imprescindível utilidade pública de uma urbanização com dois centros comerciais e sete mil e quinhentos apartamentos – a Nova Setúbal.

Como português, eu agradeço a sensibilidade ambiental do primeiro-ministro. Que avancem os bulldozers, pois o interesse público subjacente à construção de apartamentos privados não se compadece com mariquices.

Em boa verdade, para que servem 1.200 sobreiros senão para fazer lenha?

Pense-se nos benefícios ambientais deste projecto, por exemplo em matéria de saneamento básico. Serão, pelo menos, mais quinze mil retretes, que todos poderemos utilizar, já que são de imprescindível interesse público. Julgo mesmo que o lema desta nova urbanização deveria ser "em cada casa um urinol público".

De PIN em PIN, de interesse público em interesse público, avança imparável o holocausto florestal. Aqui como na Amazónia, o “progresso” vai devorando a verdura, até ao dia em que acabarmos todos com a cabeça enfiada numa saca de cimento.

João Castanheira

savemiguel.com

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Uma ideia fantástica por uma causa maior!

Visitem o site www.savemiguel.com, vão ficar agradavelmente surpreendidos sobretudo porque vale mesmo a pena. A causa que defende é de todos nós, especialmente aqueles que habitam esta nossa lusa pátria, mas não deixa de ser, ou melhor, é mesmo, uma causa universal...

Independentemente da publicidade, salvem o Miguel!

Luís Isidro Guarita

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O homem Eucalipto

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Há razões que nem a melhor das razões entende. Bem, neste caso, o do homem Eucalipto, há uma razão que entende, a razão das celuloses.

Escrevia, nas páginas de um conhecido diário cá da praça, um senhor, a que dou o cognome de o Homem Eucalipto, a propósito de uma homenagem a um suposto reconhecidíssimo silvicultor cuja obra magna foi ter aberto as serras e vales portugueses à plantação do Eucalipto, que era fundamental, senão mesmo imperioso à economia portuguesa, que se levasse a cabo um programa intensivo de plantação de eucaliptos numa tal de faixa ecológica que o tal silvicultor, que o Homem Eucalipto homenageava, havia identificado. Essa faixa ocupava, mais coisa menos coisa, todo o litoral português.

Para este homem, de pouco vale o nosso já depauperado património ambiental, as razões da razão das celuloses são o que vale, e lhe vale, pelos vistos. Não lhe interessa se o Eucalipto destrói as paisagens, os ecossistemas a biodiversidade e de caminho tenha um potencial incendiário enorme, alías exponenciado pelo clima e orografia  que temos. O que vale é o que dizia o dito silvicultor e a tal faixa ecológica (não sou tão mal este termo nesta frase?) que há para ocupar.

Plantem-se Eucaliptos, eucalipte-se, do Gerês à Ria Formosa, passando, já agora pelo Parque da Cidade no Porto e por Monsanto em Lisboa, eucalipte-se e de caminho exporte-se o Homem Eucalipto para a Austrália, que em boa verdade, é junto dos Koalas que o Homem se há de sentir bem...

E já agora, porque será que não há Eucaliptos na Suíça? Não haverá por lá nenhuma faixa ecológica para plantar? Ou será que o senso dos suíços e o seu cuidado com a preservação do património os impede de ter aberrações tipo Homem Eucalipto?

Luís Isidro Guarita



 


Que se há de fazer? A estupidez humana não tem limites!

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O João, há dias, lançava aqui um repto a favor dessa peça admirável de arquitectura que é, ou melhor, era, o mercado Kinaxixe em Luanda. Muitos outros fizeram o mesmo, procurando salvar uma peça única do património angolano. Lamentavelmente em vão...

Angola e Luanda em particular possuem, como poucas cidades em África, uma inigualável variedade de edifícios do século XX, de uma beleza arquitectónica absolutamente esplendorosa. Eles são, independentemente de quem os tenha construído (mas será que alguém imagina a demolição das igrejas na praça Zócalo na cidade do México só porque foram construídas pelos espanhóis?) um património único, que, acreditaria eu, se deveria preservar. Mas não! São, pelos vistos, para demolir.

O Kinaxixe é já uma memória...

Luís Isidro Guarita


Selvajaria

Já está. O Mercado de Kinaxixe, em Luanda, veio abaixo.

Há pouco mais de uma semana, escrevi aqui que a demolição criminosa daquele ex-libris da arquitectura modernista estava iminente.

E assim foi. O velho mercado não resistiu à gula febril - alimentada a petróleo - que tomou conta de Luanda.

No seu lugar, vai nascer mais um mono em vidro, com um centro comercial ladeado por duas torres incaracterísticas.

Em frente ao exibicionismo novo-riquista que ali se há-de instalar, continuará a existir uma espécie de musseque vertical, construído no esqueleto de um arranha-céus de 20 andares.
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Quando os comunistas aderem ao capitalismo, a selvajaria parece não conhecer limites.

João Castanheira

Um dia na vida de um Regime

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O regime soviético começou a cair no dia 11 de Dezembro de 1918! Nesse dia e nesse ano nasceu Alexandre Soljenitsin.

Foi um homem cheio de defeitos e virtudes, aliás como o século em que nasceu e viveu a maior parte da sua vida, mas foi um homem imenso!

Soljenitsin ajudou-nos, como poucos, a constatar duas coisas. Por um lado a loucura concentracionária e abjecta do regime comunista na União Soviética e por outro a absoluta hipocrisia de muitos intelectuais que, apesar das evidências, continuaram a afastar a vista da realidade daquele regime e a defendê-lo. A sua coragem e lucidez, o arrojo da sua escrita e a liberdade da sua atitude são um exemplo único e uma memória para o futuro.

Às vezes basta a coragem de um homem para mover montanhas, Soljenitsin teve-a, e nós estamos-lhe gratos por isso. Bem haja.

Luís Isidro Guarita



Os anos de chumbo e o chumbo das nossas atitudes


Durante a década de 7o em Itália, um bando de loucos dedicou-se, a coberto de uma ideologia, ao assassínio, ao rapto, à extorsão e ao roubo. Esse bando tinha o nome de Brigadas Vermelhas e ganhou a posteridade no espectacular e lamentável rapto e assassínio de Aldo Moro, à data Primeiro Ministro de Itália.

Naqueles tempos e ainda fruto de um certo fervor revolucionário que bebia na pátria do comunismo a sua inspiração, metade da Europa esteve a ferro e fogo - nós por cá tivemos o nosso PREC, com as consequências que ainda hoje se conhecem e sentem. Foram os anos de chumbo. Desses tempos, restaram as memórias e os ex.

Os ex são antigos membros destes grupos que agora, sob o peso do tempo, passeiam as suas mágoas ao abrigo das democracias que tentaram dinamitar. Alguns ficaram pelos países de onde eram originários, sem quem a lei lhes tocasse, outros foram parar aos calabouços e outros houve que, perante a lei, saltaram fronteiras.

Muitos deles encontraram na França o seu paraíso pós-revolucionário, descobrindo aí um santuário democrático para a sua reforma. A França, na sua grandeur achou, durante muitos anos, que, apesar dos insistentes pedidos de extradição, nenhuma acção devia levar a cabo para devolver estas senhoras e senhoras à justiça. 

No entanto e nos últimos anos esta atitude tem mudado e muitos destes facínoras tem sido devolvidos à justiça dos países por onde passearam a sua sanha revolucionária.

Foi nesta linha que há meses atrás o Primeiro Ministro Francês ordenou a extradição de uma venerável senhora, ex-membro das Brigadas Vermelhas. Ao fazê-lo agiu bem e sobretudo soube honrar a memória dos que às mãos destes bandos perderam as suas vidas.

Contudo e ao que parece a Sra. estará com problemas de saúde e também ao que parece, solicitou, ao abrigo desses problemas, uma suspensão, por razões humanitárias, da sua extradição.

Perante isto ocorre-me o seguinte. Caso a suspensão seja aceite que diremos nós, numa certa Europa, àqueles que por aí andam a imaginar mais uma bomba, mais um rapto, mais uma extorsão, mais um assassínio? Que está bem, que a democracia tem destas coisas, que a pulsão revolucionária há-de passar com o tempo e que pouco importa que hoje alguém morra porque no futuro haverá com certeza nesta Europa Iluminada quem se disponha a perdoar o desvario. 

Lá está, cá no continente, de facto, a saúde dixit...

Luís Isidro Guarita

 

 

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O melhor negócio do mundo

Há em Portugal um negócio mais rentável que o tráfico de droga ou o tráfico de armas.

Refiro-me à alteração do uso do solo para fins imobiliários, actividade em que se especializaram alguns investidores do nosso país.

Compram terrenos agrícolas ou industriais ao preço da chuva e, num passe de mágica, conseguem que as câmaras municipais os transformem em zonas urbanizáveis.

As mais-valias que resultam destes processos atingem, frequentemente, as dezenas de milhões de euros.

Por razões óbvias, esta é uma porta aberta à corrupção, à especulação imobiliária e ao desordenamento do território.

Toda a gente sabe o que passa, mas ninguém parece interessado em resolver o problema. Um problema que só se resolve no dia em que as mais-valias resultantes da alteração do uso do solo reverterem, integralmente, para o Estado.

Se eu fosse primeiro-ministro por um dia, esta seria a primeira medida que tomava.

João Castanheira

O condomínio "Moderna"


Há cerca de dois anos, os apetecíveis terrenos da Universidade Moderna foram vendidos a um investidor imobiliário.

Pouco depois, o investidor imobiliário anunciou para aquela área um projecto habitacional de luxo, orçado em 46 milhões de euros.

Esse projecto imobiliário não respeita o Plano Director Municipal de Lisboa.

O Plano Director Municipal de Lisboa está em fase de revisão.

Ontem, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior anunciou a intenção de encerrar compulsivamente a Universidade Moderna, por falta de viabilidade económica.

Alguém adivinha como é que esta história vai acabar?

João Castanheira

Silly Season

O país anda, há meses, mergulhado numa depressão profunda e os portugueses têm a vaga impressão de que a classe política se está nas tintas para os seus problemas reais.

Nota-se uma divergência evidente entre as prioridades das pessoas e a cada vez mais fantasiosa agenda política. Parece haver um mundo real, onde circulam os portugueses, e um mundo virtual, onde os governantes se divertem a brincar aos países desenvolvidos.

No mundo real, o petróleo, os juros e o desemprego batem recordes diariamente. No mundo virtual, organizam-se espectáculos “bollywoodescos” para oferecer milhões de computadores aos meninos da escola primária.

No mundo real, todos os dias fecham fábricas de sapatos, soutiens e ceroulas. No mundo virtual anunciam-se fábricas de computadores, aviões e componentes para naves espaciais.

Ontem, o fosso entre os dois mundos agudizou-se, com a declaração ao país do Presidente da República.

O momento era solene. Pela primeira vez, Cavaco Silva decidira dirigir-se formalmente aos portugueses. Os assessores tinham avisado que a coisa era séria.

Às oito da noite, o país sentou-se ansioso em frente à televisão. Teria Cavaco Silva encontrado a solução para algum dos problemas do mundo real? Estaria doente? Iria anunciar a sua demissão? Teria decidido dissolver a Assembleia da República?

O ar grave e sério do Presidente da República conferiu à ocasião um dramatismo insuportável. Portugal ficou com os nervos em franja.

Ao fim de um minuto, percebeu-se que, afinal, o Presidente da República estava preocupado com o número de pessoas que teria que ouvir caso algum dia decidisse dissolver a Assembleia da Legislativa dos Açores.

Tragam os Prozacs, que a gente assim não se aguenta.

João Castanheira

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Salvar o Mercado de Kinaxixe


O Mercado de Kinaxixe, em Luanda, é uma das mais emblemáticas e importantes obras de arquitectura moderna em todo o mundo de expressão portuguesa.

Inaugurado em 1958, este fantástico edifício foi projectado por Vasco Vieira da Costa, arquitecto angolano de origem portuguesa, que teve o raro privilégio de trabalhar no escritório de Le Corbusier até ao início da década de 50.

Apontado, em todo o mundo, como um dos mais notáveis exemplos da arquitectura tropical, o Mercado de Kinaxixe é uma pérola do património cultural angolano.

Lamentavelmente, o edifício está hoje entaipado e aparentemente condenado a uma quase inevitável demolição.

A arquitecta Ana Vaz Milheiro lança, no Público de hoje, um apelo sentido e urgente: “Quem quer salvar o Kinaxixe?”.

É preciso sensibilizar as autoridades angolanas para a importância ímpar deste património, mas é também necessário que Portugal adopte uma postura activa na salvaguarda da memória colectiva dos dois países, ajudando a preservar algumas das obras arquitectónicas de referência construídas em Angola durante o século passado.

Por isso, Ana Vaz Milheiro avança com uma ideia brilhante, que o governo português deveria agarrar rapidamente: a construção de uma grande casa da cultura portuguesa no Mercado de Kinaxixe, bem no centro de Luanda.

Porque a defesa da língua e da cultura portuguesa não se faz apenas nos discursos políticos. Faz-se, sobretudo, com gestos e projectos concretos e ambiciosos.

Alguém faça alguma coisa antes que seja tarde demais.

João Castanheira

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O memorável concerto dos Kings of Convenience


Genial!

Os Kings of Convenience tocaram esta noite na Cidadela de Cascais, integrados no programa do CoolJazzFest 2008.

Não tenho memória de um concerto assim.

Aquilo que se ouve nos álbuns destes dois rapazes de Bergen é mesmo verdade: uma guitarra folk, uma guitarra clássica e duas vozes chegam para encher o palco, parecendo por vezes transformar-se numa orquestra inteira.

Já a festa ia ao rubro quando subiram ao palco dois amigos – um italiano e um alemão – acompanhados por um contrabaixo e um violino. Todos juntos, fizeram de Stay Out of Trouble um dos momentos mais memoráveis a que alguma vez assisti num concerto.

O que não estava no programa era o KO da guitarra de Erlend Øye, para a qual não havia substituto. A partir daí, os Kings of Convenience aceleraram para um imparável festival de improviso e diversão. Sem as cordas de aço, Erlend decidiu encher o palco a dançar e a “tocar” um genial mouth trumpet.

No final do concerto, Eirik Glambek Boe ainda encontrou coragem para brindar a audiência com uma versão de Corcovado, sozinho com a sua guitarra clássica.

Os Kings of Convenience são uma das razões para se amar a Noruega. Um país onde há muito mais do que bacalhau...

Que esplêndida noite de verão. Tenho pena de quem não assistiu a isto.

Para os menos atentos, aqui fica um link para Toxic Girl.

João Castanheira

Eça de Queirós


Para quem hoje folheie as páginas que há mais de um século Eça de Queirós nos deixou só pode constatar uma coisa. Aquele homem além de brilhante, era um visionário. Reler o que então escreveu, as opiniões e comentários que magistralmente redigiu sobre o Portugal que éramos é, acreditem, observar o Portugal que hoje ainda somos. Para além da beleza das suas palavras, Eça deixou-nos um retrato intemporal da condição portuguesa e uma análise única, matizada pela sua finíssima ironia e superior erudição.

Mas se a observação das virtudes que Eça tão brilhantemente legou às letras portuguesas só pode ser motivo de orgulho, já os temas que abordou e a similaritude entre a análise que então fez e a que hoje poderíamos fazer ao país, não nos pode deixar senão profundamente prostrados perante a inevitável proximidade entre o país analfabeto de então e o país analfabruto de hoje.

Portugal, de então para cá, deixou de ser uma monarquia decadente, deixou de ser uma republica maçónica e radical, deixou de ser um estado novo miserável e claustrofóbico, deixou de ser uma revolução esquizofrénica e passou a ser uma democracia europeia. Isto tudo em 108 anos e tudo isto para que continuássemos a ser os mesmos...

Talvez tenha que ser assim, talvez seja isto Portugal... Mas pronto, não há que desesperar, ontem como hoje, haja vinhaça, viola e bordoada, que o país continua

E que viva Eça de Queirós!

Luís Isidro Guarita

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Privado, mas pouco...


Há por aí muito quem defenda a privatização da Caixa Geral de Depósitos, com o argumento de que o Estado português deve retirar-se da economia.

Entretanto, soube-se ontem que o Estado angolano é já o maior accionista do principal banco privado português, o Millennium BCP.

Em Portugal, o mercado tem destas coisas...
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Por isso eu defendo que, excepcionalmente, a Caixa Geral de Depósitos deve manter-se uma instituição pública. É que Estado por Estado, prefiro o português...

João Castanheira
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Aditamento: será por a CGD dar um lucro anual de 850 milhões de euros que anda tanta gente interessada em privatizá-la? É que não se vê o mesmo entusiasmo privatizador em relação à Refer ou à CP, essas sim, tradicionalmente mal geridas pelo Estado e autênticos survedouros de dinheiros públicos... Aí é que era precisa uma boa gestão privada.

O retrocesso civilizacional


De acordo com as teses multiculturalistas, alegremente defendidas pelo Bloco de Esquerda e por uma parte importante do Partido Socialista, os emigrantes que chegam a Portugal devem manter intactos os seus estilos de vida, não sendo exigível um verdadeiro esforço de integração na nossa sociedade.

Deveríamos, portanto, aceitar a degola de borregos na via pública, a mutilação genital das mulheres africanas, a poligamia e a burka, já para não falar da ideia peregrina de leccionar aulas em crioulo...

O acolhimento de emigrantes seria assim sinónimo de destruição de uma cultura e um estilo de vida que fomos construindo ao longo de séculos. Um verdadeiro retrocesso civilizacional.

João Castanheira

terça-feira, 22 de julho de 2008

A realidade paralela da RTP

Os primeiros 10 minutos do telejornal de hoje da RTP foram gastos com a notícia da prisão de Radovan Karadzic.

Não foram 2, nem 3, nem 4. Foram 10 minutos, em horário nobre. Uma imparável sequência de directos, imagens de arquivo, testemunhos, opiniões e entrevistas.

Pouco parece importar o caos social na Quinta da Fonte, o mergulho no abismo da Bolsa de Lisboa ou o clamoroso fracasso da PJ no caso Maddie.

Não havendo futebol, arranje-se qualquer coisa capaz de afastar os portugueses da enxurrada que ameaça arrastar o Partido Socialista.

João Castanheira

O Portugal subsidiado

À porta de muitos dos prédios da Quinta da Fonte estão estacionados carros de alta cilindrada.

Alguns dos moradores que sairam do bairro lamentam o roubo dos seus plasmas e leitores de DVD.

Mas, de acordo com a Câmara Municipal de Loures, 90% da população activa residente na Quinta da Fonte vive do Rendimento Mínimo Garantido.

E 95% das famílias ciganas que abandonaram o bairro nunca pagaram a renda de casa nem a conta da água.

Isto apesar de beneficiarem de rendas sociais, na maioria dos casos com o valor de 4,26 € por mês.

Tudo isto começa a revoltar o Portugal que trabalha. O Portugal que vai pagar 25o.ooo euros pela reparação das casas vandalizadas.
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E que, por acaso, é o mesmo Portugal que teria que pagar as casas novas exigidas por alguns dos moradores da Quinta da Fonte.

João Castanheira

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sócrates embevecido com Angola


José Sócrates afirmou ontem, em Luanda, que o “trabalho que o governo angolano tem feito é, a todos os títulos, notável”.

Não sei a que trabalho se refere o primeiro-ministro, mas a frase poderia aplicar-se, por exemplo, à forma competente como a elite dirigente angolana suga para os seus próprios bolsos toda a riqueza do país. Talvez não seja possível encontrar em todo o planeta quem tão bem trabalhe este nicho de actividade.

Sócrates acrescentou ainda que Angola tem hoje um enorme “prestígio internacional” e que é “um dos países mais falados e reputados”.

De facto, o prestígio de Angola é enorme. Apesar de ser um dos países mais ricos do mundo, surge invariavelmente no fim da lista do índice de desenvolvimento humano publicada pelas Nações Unidas, lado a lado com os países mais miseráveis de África.

A reputação de Angola – ou do governo angolano – está também acima de qualquer suspeita. Sem eleições desde 1992 e com um Presidente da República no poder há 30 anos sem nunca ter sido eleito, Angola é universalmente aclamada como o paradigma da democracia do futuro.

Este tipo de declarações ultrapassa largamente o pragmatismo diplomático e económico a que o primeiro-ministro está obrigado. Frases como estas ficam-lhe mal e fazem-nos, a todos, sentir muita vergonha.

O mundo inteiro sabe como e com quem se fazem os negócios em Angola. O mundo inteiro sabe para onde vão os biliões do petróleo e dos diamantes. O mundo inteiro sabe porque continua o povo angolano a viver e a morrer na mais obscena miséria.

Por isso, recomendar-se-ia a Sócrates algum recato.

João Castanheira

terça-feira, 15 de julho de 2008

Inversão de valores

Não posso fumar na discoteca. Mas posso drogar-me na cadeia.

A ASAE persegue-me por ser fumador. O IDT ensina os meus filhos a injectarem-se.

Tenho que esperar três anos para ser operado às cataratas. Mas, se lhe der para isso, a minha mulher pode abortar de urgência num hospital público.

Pela minha operação às cataratas, pagarei uma taxa moderadora. Já o aborto livre está isento de qualquer taxa.

Se o meu filho for às aulas e se aplicar a fundo vai conseguir passar de ano. Se não puser os pés na escola passa na mesma. Caso nem sequer se tenha inscrito, pode sempre obter o diploma do 12º ano numa entrevista das Novas Oportunidades.

Se eu deixar de trabalhar e montar uma barraca, recebo o rendimento mínimo garantido e uma casa de graça. Mas se me esfolar a trabalhar para pagar o apartamento que comprei, pago 42% de IRS, 11% para a Segurança Social, mais o IMT, o IMI, o imposto de selo e os juros bancários galopantes.

Se montar um negócio de pequeno tráfico e tiver cuidado com a quantidade de droga que transporto, o mais certo é que não me aconteça nada. Mas se abrir uma fábrica de produção artesanal de amêndoas de Portalegre, a ASAE acaba-me com o negócio.

João Castanheira

domingo, 13 de julho de 2008

Brandos costumes

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O caldo social que o país tem vindo a cozinhar ao longo dos últimos anos rebentou esta semana. Foi no bairro da Quinta da Fonte, em Loures, mas poderia ter sido noutro subúrbio qualquer.

O país dos brandos costumes parece ter sido surpreendido com aquelas imagens de guerrilha urbana. Um tiroteio com armas de guerra em plena via pública, que trás à memória a anarquia reinante nos morros favelados do Rio de Janeiro.

Mas, em boa verdade, não há razão para surpresa.

Mais de 30 anos de complexos de esquerda, conduziram ao enfraquecimento e à desautorização das forças de segurança. Nos dias que correm, polícias de bicicleta e calção fingem patrulhar ruas onde circulam bandidos armados até aos dentes.

A desculpabilização do crime e o excesso de lotação das cadeias despejam na rua, todos os dias, assassinos, traficantes, ladrões e violadores. Marginais que se riem da debilidade das forças de segurança e que brincam com a inoperância da justiça.

Uma política de realojamento anacrónica amontoou em gigantescos bairros sociais – como a Quinta da Fonte – milhares de pessoas que são condenadas viver cercadas pelo crime, em guetos que se tornaram autênticas escolas de marginalidade.

Finalmente, uma política de emigração excessivamente permissiva e irresponsável, criou expectativas de acolhimento a centenas milhar de emigrantes que o país não tem, infelizmente, condições para receber.

O resultado está à vista e deixa-nos, a todos, de cabelos em pé.

Mas, tal como sucedeu com o arrastão da praia de Carcavelos, não me admiro que apareça por aí uma Ana Drago qualquer a negar a ocorrência deste episódio. Terão, eventualmente, sido dois ou três meninos que se envolveram numa inocente luta de bisnagas.
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Qualquer outra leitura será considerada pela nossa esquerda como alarmista, xenófoba ou racista.

João Castanheira

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Arte Nova em Aveiro


Cem anos após a construção, a Casa Major Pessoa, em Aveiro, recuperou o esplendor de outrora.

Para quem se interessa por arquitectura e património, vale a pena visitar aquela que é a jóia da coroa da Arte Nova aveirense. Uma construção que surpreende pelas linhas ondulantes, os ferros forjados, a pedra trabalhada e os riquíssimos painéis de azulejos.

Aveiro é, provavelmente, a capital nacional deste estilo arquitectónico, pelo que se saúda o irrepreensível trabalho de recuperação levado a cabo pela Câmara Municipal e, sobretudo, a ideia de transformar a Casa Major Pessoa no Museu Arte Nova.

Agora, depois de um passeio de moliceiro na ria e uma barrigada de ovos-moles, nada melhor que um mergulho nesta fantástica obra de Francisco da Silva Rocha e Ernesto Korrodi.

Por momentos, a visita à Casa Major Pessoa transporta-nos à Casa Batlló, obra-prima que Antoni Gaudí ergueu no Passeig de Gràcia em 1906.

Aveiro está melhor do que nunca.

João Castanheira

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O sorriso de Ingrid

Há momentos que entram instantaneamente para a história.

A libertação de Ingrid Betancourt e dos seus companheiros de cativeiro é um desses momentos mágicos. Um daqueles instantes que ficam gravados na memória de quem tem o privilégio de os testemunhar, ainda que à distância de milhares de quilómetros.

O sorriso de Ingrid trouxe-me à memória um outro momento mágico – a libertação de Nelson Mandela. Depois de quase 30 anos encarcerado, Mandela quis deixar a prisão caminhando a pé, sorrindo... Foi uma caminhada plena de significado: para trás ficava um passado de sofrimento e qualquer ressentimento ou desejo de vingança. Ali começava o futuro e o futuro passava, necessariamente, pela reconciliação. Só um homem grande, talvez o maior de todos os homens do nosso tempo, poderia dar ao mundo semelhante lição.

Ontem, em apenas 22 minutos e 13 segundos, as forças armadas e os serviços secretos colombianos puseram fim a 2321 dias de cativeiro. Sem um único tiro, através de uma operação de libertação genial, que há-de, também ela, ficar para a história.

Durante mais de 6 anos, Ingrid Betancourt foi mantida em cativeiro por um bando de terroristas selvagens, raptores desumanos e traficantes de droga – as FARC – organização criminosa que continua a seduzir uma parte da nossa esquerda mais radical.

Há pouco mais de um mês, o PCP tinha subscrito, em conjunto com outros partidos comunistas da União Europeia, um documento apelando a que as FARC fossem reconhecidas como combatentes e imediatamente retiradas da lista europeia das organizações terroristas... Serão o quê então?

Ingrid lutou, resistiu, sobreviveu... E ontem saiu a sorrir. Obrigado Ingrid.

João Castanheira

Exames tipo Totobola

Maria Filomena Mónica é uma das mulheres mais cultas e interessantes deste nosso pobre país.

Conforme se conta no Público de hoje, a socióloga decidiu mergulhar nos programas e nos exames nacionais de Português do ensino básico e secundário. E ficou estarrecida.

Concluiu que os actuais exames de Português “poderiam ser facilmente substituídos por uns papeluchos como os do totobola, nos quais os alunos fariam ao acaso umas cruzinhas, sendo estas posteriormente contadas por uma máquina”.

Para Maria Filomena Mónica, e para todos nós, a mutilação dos exames foi deliberadamente planeada, no sentido de os tornar mais simples.

“A responsabilidade pelo desastre – porque é de um desastre que se trata – é, em primeiro lugar, de Maria de Lurdes Rodrigues, uma ministra cujo objectivo passou a consistir em baixar o insucesso escolar por via burocrática”.

Mais do que um desastre, trata-se de um crime!

João Castanheira

quinta-feira, 3 de julho de 2008

A taxa "Robin dos Bosques"

O primeiro-ministro admitiu ontem estar a estudar a criação da chamada taxa “Robin dos Bosques” – um imposto especial a aplicar aos lucros das empresas petrolíferas, cuja receita seria usada no apoio aos mais desfavorecidos.

Apesar da sua natureza propagandística, a medida pode até parecer justa, tendo em conta o aumento dos lucros declarados pelas petrolíferas. Mas, em boa verdade, quem irá pagar a taxa “Robin dos Bosques”?

Tratando-se de um custo adicional para as empresas, é óbvio que no dia em que a taxa for criada – ou até antes disso – as petrolíferas vão aumentar o preço dos combustíveis, de forma a não saírem prejudicadas.
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É que o mercado dos combustíveis é livre e, nessa medida, qualquer custo adicional que o governo imponha aos operadores será, de uma forma ou de outra, repercutido nos consumidores.

Na prática, a taxa “Robin dos Bosques” representará, ainda que de forma encapotada, um novo aumento da carga fiscal sobre os combustíveis. Será, portanto, paga pelos já depauperados consumidores.

Isto faz lembrar a brilhante ideia de acabar com o chamado “Aluguer do Contador” no fornecimento de água. Ao acabar com uma receita que não era sua, os socialistas esqueceram-se que os municípios e as empresas que operam no sector da água não podem viver sem cobrar o serviço que prestam. No mesmo dia, os operadores do sector lançaram a “Taxa de Disponibilidade” e os consumidores continuaram a pagar exactamente o mesmo.

O que ganhará o país com este tipo de palhaçadas?

João Castanheira

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O Circo Mugabe

Mais do que um Estado falhado, o Zimbabwe é, nos dias que correm, uma autêntica anedota.

Mugabe transformou um país, outrora próspero, num sobado circense, que expõe ao ridículo o modelo de governação dominante em África, onde, felizmente, começam a surgir algumas respeitáveis excepções democráticas.

Até há uns anos atrás, o ditador de Harare não destoava na autêntica galeria de horrores que é a maioria dos chefes de estado africanos. Como se sabe, a existência de um tiranete que suga, sem vergonha, toda a riqueza do Estado é um mal comum a muitos dos países da vizinhança.

Mas em 2006 a carcaça velha amalucou de vez. Os fazendeiros brancos foram expulsos das suas terras, a economia do país mergulhou no caos e os zimbabueanos viram-se obrigados a fugir aos milhões para os países vizinhos. A inflação atingiu os 100.000% e um pão, quando existe, custa hoje 200 milhões de dólares zimbabueanos.

Confrontado com uma “inesperada” hecatombe eleitoral nas presidenciais, Mugabe levou mais de um mês a cozinhar um resultado que lhe permitisse inventar uma segunda volta. Depois de muito burilados, os resultados oficiais deram a Morgan Tsvangirai 1.200.000 votos (48%), contra pouco mais de 1.000.000 de Mugabe (43%).

Na segunda volta, o tiranete conseguiu "ir a votos” sozinho e a comissão eleitoral apressou-se a atribuir-lhe 2.200.000 votos. Ou seja, todos os zimbabueanos que haviam votado em Tsvangirai ter-se-ão arrependido, transferindo o seu voto para o ditador.

Até quando vai o mundo tolerar esta afronta?

Até quando terá o povo do Zimbabwe que suportar a corrupção, a fraude, a violência e a miséria?

João Castanheira

terça-feira, 24 de junho de 2008

Pensava que ias para Caracas!


Ora aí está!

Daniel Oliveira, ilustre activista anti-americano, partiu de férias para os Estados Unidos.

Segundo anuncia no seu blogue, passará os próximos 15 dias em Nova Iorque e em Washington, pelo que não lhe sobrará muito tempo para se dedicar ao Arrastão.

Quando chega a hora de viajar, a nossa burguesia de esquerda não hesita. Podiam dedicar-se a descobrir as maravilhas da democracia progressista de Caracas ou a irreprimível liberdade que brota nas ruas de Teerão.

Mas nada disso. Com o bolso cheio e uns dias de férias para gozar, a rapaziada do Bloco esquece a retórica anti-imperialista e ruma ao grande satã americano.

Como eu te entendo Daniel.

João Castanheira

SOCORRO

Assisti há uns tempos, envergonhado, a uma reportagem televisiva sobre a integração no nosso país dos jovens emigrantes provenientes da Europa de leste.

Intrigada com o facto de estes jovens serem, invariavelmente, os melhores alunos das suas turmas, a jornalista perguntava-lhes como conseguiam semelhante proeza, vencendo sem dificuldades a barreira linguística e deixando para trás a nossa rapaziada.

Os jovens respondiam, com um sorriso maroto, que o sistema de avaliação em Portugal era demasiado fácil. Nada que pudesse ser comparado com o grau de exigência a que estavam habituados nos seus países de origem.

Ontem, fomos confrontados com uma nova fase no processo de destruição do sistema de ensino. À saída do exame nacional de matemática, todos os alunos – mesmo os portugueses – consideravam que a prova havia sido demasiado fácil. Os estudantes pareciam aliás incrédulos perante o carácter infantil do exame.

Para a Sociedade Portuguesa de Matemática "O padrão utilizado para avaliar o desempenho dos alunos não permite distinguir aqueles que efectivamente trabalham e não ajuda os professores a incentivarem os alunos a aprofundar os seus conhecimentos". Assim mesmo: com este tipo de provas toda a gente passa. Os bons e os maus alunos, os mais aplicados e os menos aplicados. É a institucionalização da bandalheira. Um dias destes ainda regressam as passagens administrativas à moda do PREC.
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A opção do governo não podia ser mais clara: entre a qualidade do ensino e as boas estatísticas, os socialistas não hesitam. Pouco importa que estejam a formar gerações de ignorantes diplomados Pouco interessa que estejam a hipotecar o futuro do país. O que realmente importa é mostrar “bons resultados”, ainda que postiços.
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Que futuro pode ter um país que atira ao lixo o mérito, a exigência, o rigor e a responsabilidade?

Para quem acha que já não há diferenças entre a esquerda e a direita, aqui fica uma pequena amostra do que vai na alma dos espíritos iluminados da nossa esquerda: escolas sem exames, polícias sem armas, crimes sem penas, prisioneiros com seringas, toxicodependentes com droga...

João Castanheira

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Antinha Patão


Entre os 45.745 militantes do PSD que votaram nas eleições de sábado, Patinha Antão obteve 309 votos, que correspondem a uns demolidores 0,68%.

Como foram a votos 329 secções do partido, o professor Antinha não chegou a convencer um militante por secção. São poucos vivos para uma candidatura subscrita por vários mortos.

Fonte ligada à candidatura faz um mea culpa assumindo que "A mobilização foi excessivamente direccionada para o Prado do Repouso e para o Alto de São João". A mesma fonte acrescenta, em jeito de lamento, que "O público alvo não reagiu com a pro-actividade esperada".

João Castanheira

Selvajaria medieval

Algumas personalidades da nossa esquerda, como Mário Soares ou Miguel Portas, aconselham-nos frequentemente a baixar as calças ao fundamentalismo islâmico. Consideram até que as democracias ocidentais devem sentar-se a negociar com os terroristas árabes, porque, na sua visão do mundo, todos os métodos são legítimos, todos os Estados são iguais e todas as civilizações são merecedoras do mesmo respeito.

Eis uma história que revela um pouco da selvajaria medieval que tanto respeito merece à nossa esquerda caviar:

Rand Hussein tinha 17 anos. Em Março foi estrangulada, pontapeada e esfaqueada até à morte pelo seu próprio pai, Abdel Ali, de 46 anos, ajudado pelos filhos Asser, de 23 anos, e Haydar, de 21. A família Hussein é xiita e vive no sul do Iraque.

A mãe de Rand, Leila, viu o marido e os dois filhos assassinarem a filha no dia em que descobriram que ela conversava com um soldado britânico. Leila contou ao Observer que: “Ela foi morta por animais. Todas as noites quando me deito lembro-me da cara de Rand a pedir ajuda enquanto o pai e os irmãos acabavam com a sua vida”. Já o pai diz que a polícia lhe deu os parabéns: “Eles são homens e sabem o que é a honra. Ela humilhou-me diante da minha família e dos meus amigos. Ao falar com um soldado estrangeiro, ela perdeu o que é mais precioso para qualquer mulher”.

A mãe de Rand, que entretanto se atreveu a fugir de casa, foi assassinada quando se preparava para sair do país.

João Castanheira

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Uma obra-prima


Há edifícios que, pela sua força e singularidade, conseguem colocar no mapa cidades improváveis. O exemplo mais óbvio é Bilbao, urbe obscura e sombria, que graças ao Guggenheim, de Frank Gehry, saltou directamente para as rotas do turismo internacional.

Vem isto a propósito do genial Museu Iberê Camargo, projecto de Álvaro Siza, que hoje é inaugurado em Porto Alegre, Brasil.

Ao primeiro olhar, torna-se óbvio que o Iberé Camargo vai, rapidamente, transformar-se no novo ícone da capital do Rio Grande do Sul.

Ao seu traço habitual, Siza juntou um cheirinho do modernismo brasileiro – Niemeyer parece andar ali à espreita – e criou uma obra-prima arquitectónica que se confunde com uma peça de escultura.

É uma pena que o Iberé Camargo não tenha sido construído em Portugal, mas é a vida. Aliás, em entrevista ao Público, o arquitecto afirma não ter vontade de fazer mais nenhuma obra em Portugal, já que parte das que fez estão fechadas e ao abandono. É o caso do fantástico Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações.

João Castanheira

terça-feira, 27 de maio de 2008

Arrastados pela vergonha

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É oficial, com esta história do Cinearte a esquerda colapsou e ainda ninguém informou o Daniel Oliveira.

A este propósito, façamos um reavivar da memória histórica, coisa assaz complicada para a esquerda, e relembremos os senhores que participaram no arrastão anti-semita do Cinearte que deviam cuidar de ler as opiniões dos vultos da esquerda europeia dos idos de 30, 40 e 50 do século passado para entenderem onde estava a dita aquando da tal Nakba, as posições que então tomou e a defesa do estado de Israel que então assumiu.

Se o fizessem talvez tivessem vergonha do que agora fazem! 

Luís Manuel Guarita

Case Study

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Há, nestes confins da Europe West Coast, um cidadão singular. O Nome é Moreira, Vital, a profissão, Professor Universitário, a função, guarda-costas oficial do Partido Socialista e porta-voz oficioso do Eng. Sócrates.

Existe, na criatura, algo de romântico, de abnegado, de genuíno. Emerge nele uma condição que perpassa a mera realidade palpável e nos remete para uma metafísica do ser, para a ilusão da existência, para um outro estado que ainda não alcançámos, mas que, nas suas prédicas, com certeza almejamos e alcançaremos. Há nele e ainda, um amanhã que canta...

O Prof. Moreira, no seu glorioso esforço para salvar a pátria por via da salvação que nos trás a boa nova socrática é um enviado, um digno representante da casta dos eleitos, que tudo vêm, tudo prevêm e tudo alcançam. O Prof. é a verdade e a verdade é o professor.

E para que se confirme, tudo isto está escrito, tudo isto é real, mas tudo isto é o nosso fado...

O fado da ilusão. A ilusão dos que ainda querem que vejamos o país que lá não está, a economia que não somos, o desenvolvimento que não temos e o atraso a que nos vamos condenando atrelados à boa nova socialista que este homem tanto apregoa e tanto nos tenta inculcar e, last but not least, fazer compreender o indigenato indigente.

Os amanhãs que cantavam e os sóis radiosos terminaram em 89, mas na verdade, na verdade que muitos persistem em acreditar, perduraram nos corações e nas mentes, à espera da hora, a hora certa, como nos diria Cesariny.

O problema, o verdadeira problema, é que o tempo ultrapassou a hora e as almas desencontraram-se. Ficou o Prof. e uns quantos, a pregar, a pregar.

E agora, agora importa descer à realidade e propor. Propor que se faça deste oráculo um case study sobre tudo o que não somos, não queremos ser e nunca deveremos desejar ser. A bem de Portugal.

Luís Manuel Guarita

Próxima estação: parque florestal


Alguém será capaz de explicar com que propósito está a ser construída uma linha de metro para o Aeroporto da Portela – um investimento de 107 milhões de euros – no preciso momento em decidimos desactivá-lo?

Depois de décadas sem metro no aeroporto, causa alguma perplexidade que se invista tanto dinheiro numa linha para um parque florestal.

Das duas uma: ou seremos o primeiro país a levar o metropolitano para o meio da floresta ou aquilo que lá se pretende fazer não é propriamente uma zona verde. Eu inclinar-me-ia mais para a segunda opção.

João Castanheira

A crise dos combustíveis e a política fiscal socialista

Portugal tem a quarta gasolina mais cara da Europa, excluindo os países do alargamento. Em boa verdade, o preço dos combustíveis em Portugal é muitíssimo mais elevado do que em qualquer outro país da UE15, já que o poder de compra dos portugueses é inferior ao dos restantes europeus.

Por cada litro de gasolina que se vende em Portugal, o Estado arrecada muito mais em impostos (84 cêntimos) do que aquele que é o custo real do combustível (65 cêntimos).

Os combustíveis subiram cerca de 20 vezes desde o início do ano, deixando o país à beira duma crise económica generalizada. E o que diz o primeiro-ministro?

Diz que é contra o congelamento dos preços dos combustíveis. Tem toda a razão, embora essa posição seja contrária à assumida pelo governo do Eng.º Guterres, do qual José Sócrates fazia parte. Diz ainda que é impossível reduzir o ISP, pois o Estado não pode abdicar dessa receita fiscal, sob pena de pôr em risco o equilíbrio das contas públicas. Isso seria verdade, não se desse o caso do Estado já estar a perder receita fiscal, pelo simples facto dos portugueses deixarem o carro em casa ou irem abastecer-se a Espanha.

O que o primeiro-ministro se esquece de dizer é que no ISP está escondida uma coisa a que chamou Contribuição de Serviço Rodoviário. Trata-se duma receita fiscal atribuída à Estradas de Portugal e serve para pagar uma absurda invenção do partido Socialista: as SCUT.

Por outras palavras, de cada vez que um reformado de Mértola puser um litro de combustível na sua motorizada, está a pagar para que eu circule a alta velocidade e à borla numa auto-estrada sem portagens. É esta a justiça social do governo socialista.

Para evitar a recessão que se avizinha, José Sócrates só tem uma coisa a fazer. Acabar de imediato com as SCUT e, com isso, reduzir substancialmente o ISP, sem tocar no equilíbrio das contas públicas.

É que nas auto-estradas circula quem quer. Já a gasolina, o pão ou qualquer outro bem essencial inflacionado pelo preço dos combustíveis castiga todos, especialmente os mais pobres.

Será isto assim tão difícil de entender?

João Castanheira

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Ódio a Israel junta Esquerda Caviar à Esquerda Coirato

Realiza-se hoje, em Lisboa, uma sessão pública evocativa dos 60 anos da Nabka – A Catástrofe – nome com que os palestinianos qualificam a fundação do Estado de Israel.

Esta evocação de carácter anti-semita, em que participam José Saramago e Miguel Portas, é acarinhada e difundida pelos mais distintos elementos da nossa esquerda caviar, à qual se junta a menos higiénica esquerda coirato, representada por vários "demokratas" comunistas.

No Arrastão, o muito bloquista Daniel Oliveira anuncia ainda uma petição para a “geminação de Lisboa com a cidade mártir de Gaza”. Recorde-se que Gaza é um território tomado pelos terroristas do Hamas, que dali disparam diariamente rockets para cima da população civil de Israel.

Dá vontade de exportar esta esquerda burguesa e ociosa para a Faixa de Gaza. Ali, nas trevas da idade média, poderiam usufruir das liberdades e garantias proporcionadas pelos regimes fundamentalistas islâmicos que tanto apreciam.

João Castanheira

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Anda tudo a querer tramar o senhor engenheiro...

Para Vital Moreira, porta-voz oficioso do governo, o descalabro da economia nacional ontem anunciado “é um duro golpe nas perspectivas governamentais. O impacto económico da crise financeira internacional, do aumento contínuo dos preços do petróleo, da imparável valorização do euro e da degradação da situação económica espanhola, tudo se conjugou para tramar a economia nacional”.

Curioso. Sempre que o governo vem a terreiro anunciar um qualquer sucesso económico – ainda que virtual – Vital Moreira explode em aplausos incontidos à actuação do executivo. Já quando é preciso assumir o descalabro económico que está à vista de todos, a culpa recai em imponderáveis factores externos, que se uniram para tramar o Eng.º Sócrates.

Continua a ser um mistério a razão pela qual um homem culto e inteligente se anula e se reduz à condição de mero comissário político. Dócil e acrítico como qualquer empregadinho do partido socialista.

João Castanheira

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Instituto da Droga e da Toxicodependência: DEMISSÃO, JÁ!

Quanto mais se mergulha na informação distribuída pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência, maior é o choque perante a forma leviana e irresponsável como aquela gente – paga com os nossos impostos – promove o flagelo que deveria combater.

Entre a desculpabilização e o incentivo ao consumo, o IDT ultrapassa todos os limites. A título de exemplo, classifica como mito a ideia de que os heroinómanos acabam por ficar degradados, na rua, a arrumar carros ou na prostituição. Paro o IDT “existem muitos que estão integrados social e profissionalmente, sem sinais evidentes desses consumos”. Não há, portanto, problema de maior.

O IDT não se poupa a esforços. Na secção do seu site destinada às crianças e aos jovens dá a receita completa para a preparação da droga: “Preparar a injecção de heroína transformou-se num ritual: numa colher, ou num objecto semelhante, coloca-se a droga em pó, mistura-se com água e umas gotas de sumo de limão e coloca-se sobre uma fonte de calor para facilitar a dissolução. Sobre a mistura põe-se um pedaço de algodão ou o filtro de cigarro, para assim filtrar as impurezas, antes de introduzir a droga na seringa. Fica então preparada a injecção”. Para que não restem dúvidas.

O IDT afasta ainda receios quanto às consequências do uso da droga: “Os efeitos mais significativos do consumo de heroína são prazer, alívio da dor e supressão da respiração”.

Alguém é capaz de dizer em que medida este tipo de alarvidades serve os propósitos para que o IDT foi criado?

Por favor, demitam estes irresponsáveis.

João Castanheira

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Mas que belo exemplo!


Já está. O primeiro-ministro e vários outros membros do governo foram apanhados a fumar no voo para Caracas, violando a lei do tabaco.

De acordo com os relatos de quem assistiu ao episódio, o primeiro cigarro ainda foi fumado atrás das cortinas. Mas as bafuradas seguintes foram dadas às claras, revelando uma arrepiante sensação de impunidade, se não mesmo de provocação, já que o avião estava repleto de jornalistas.

Há nesta atitude do primeiro-ministro um profundo desrespeito para com o país e para consigo próprio. Um líder político que cria uma lei e que ostensivamente a viola é alguém que não consegue dar o exemplo e que se coloca a jeito de todas as críticas.

A partir de agora, que condições tem o Estado para exigir aos cidadãos comuns que cumpram esta mesma lei?

Recorde-se que o zelo do governo chegou ao ponto de instituir uma brigada de costumes – o consórcio ASAE-DGS – que fiscaliza de forma fundamentalista o cumprimento da lei. É certo que o próprio Inspector-Geral da ASAE foi apanhado a violar a lei, mas do primeiro-ministro esperar-se-ia um pouco mais de bom senso.

E que mal sai a TAP na fotografia, ao tentar minimizar os danos para o primeiro-ministro. Como bem sabem os responsáveis da companhia, pouco importa se se trata de um voo regular ou de um voo fretado. Nada disto tem que ver com procedimentos internos, mas sim com uma lei da república, que se aplica em todos os voos e que obriga todos os cidadãos, a começar pelo primeiro-ministro.

Este não é um episódio menor, pois revela uma despreocupação e uma leviandade que não são próprias de um primeiro-ministro.

A única forma de José Sócrates salvar a face é assumir publicamente que errou, pedindo desculpa aos portugueses pelo seu mau exemplo. Qualquer desculpa, mais ou menos esfarrapada, será um tiro no pé e um tiro na lei.

João Castanheira

terça-feira, 13 de maio de 2008

Se não queres ser betinho tens que te drogar!

O Instituto da Droga e da Toxicodependência é um verdadeiro case study da nossa administração pública.

O nome da coisa é um pouco abstruso. Parece designar uma entidade criada para promover a droga e a toxicodependência. Assim ao estilo do Instituto da Vinha e do Vinho, cuja missão é promover a produção vitivinícola.

Mas, sendo pago pelos nossos impostos, imagina-se que a missão do IDT se enquadre antes no domínio da prevenção e tratamento da toxicodependência.

Aqui há uns meses, o IDT foi notícia por difundir um folheto ensinando aos jovens como se deveriam drogar.

Hoje ficou a saber-se que o IDT criou um dicionário oficial destinado a crianças e jovens, onde se explica que “betinho” ou “careta” é “aquele que não consome droga e, por isso, é considerado conservador, desprezível ou desinteressante”.

É isso mesmo. A mensagem que o IDT está a passar às nossas crianças é a seguinte: se não queres ser “betinho, careta, desprezível e desinteressante” tens que te drogar e, portanto, tens que tornar-te “cliente” do IDT.

É certo que se não existissem toxicodependentes o Dr. João Goulão ficaria sem emprego, o que seria uma chatice. Mas isto começa a ultrapassar os limites do bom senso e da razoabilidade.

O que mais será preciso para a administração do IDT ser demitida?

João Castanheira

Real politics ou subserviência?










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Só o Dalai Lama é que não foi recebido. Parece que não tem petróleo. E ainda por cima põe em causa o regime democrático chinês, o malcriadão...
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João Castanheira

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Obrigado Israel


Podia dizer apenas que me revejo no texto que o Luís escreveu sobre o sexagésimo aniversário do Estado de Israel, mas achei por bem dizer mais qualquer coisa.

Este ano decidi cumprir uma das viagens da minha vida. Há muito que tinha pensado visitar os antigos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau mas, honestamente, nunca tinha tido coragem para realizar esse pesadelo. Um pesadelo que me persegue desde criança.

Sei que regressarei devastado. Porque, embora tenham passado mais de 60 anos sobre o Holocausto, esta viagem vai colocar-me frente a frente com o horror e a barbárie sem limites, com a face mais negra e tenebrosa da humanidade. Mas tenho mesmo que ir.

Regressarei, julgo eu, com uma admiração ainda maior pelo povo judeu e pelo Estado de Israel.

Israel é, apesar de toda a propaganda esquerdista, um farol da nossa civilização, uma luz encravada entre sociedades guerreiras medievais. Israel é o exemplo da determinação de um povo, que construiu um país próspero em pleno deserto. Um povo que ergueu uma democracia moderna, que partilha connosco os valores da tolerância e da liberdade, quando por ali apenas se conheciam tiranias e ditaduras.

Ao longo dos seus 60 anos de vida, por três vezes o Estado de Israel foi atacado pelos vizinhos árabes. E por três vezes saiu vencedor. A Guerra da Independência (1948), a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kipur (1973) foram tentativas concertadas para erradicar do mapa o Estado de Israel.

Durante estas seis décadas, raro foi o dia de paz para um povo que já merecia a sua paz. Todos os dias chovem rockets e explodem bombas em cima da população civil de Israel. São aos milhares os ataques cobardes e indiscriminados de organizações terroristas, como o Hezbollah e o Hamas, exércitos bárbaros que aos olhos da nossa esquerda caviar são heróis da libertação (!?).

Aqui há uns tempos, alguém se lembrou de organizar uma manifestação de protesto à porta da embaixada de Israel em Lisboa. Por lá se encontraram um punhado de neo-Nazis e uma mão cheia de apoiantes do Bloco de Esquerda, que ali partilharam, de forma fraterna, o seu ódio a Israel. Não se poderá exportá-los para Teerão?

João Castanheira

sábado, 10 de maio de 2008

O Hezbollah e a esquerda

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A nossa esquerda, muito desprovida de memória e um tanto saloio-caviar, tende a afirmar que o mal supremo que Israel representa para os palestinianos decorre do facto de os primeiros estarem a colonizar uma terra que pertencia aos segundos. Nesta história a esquerda esquece amiúde a história longínqua e a história recente, até porque Israel começou por ser uma causa da esquerda europeia. Mas pronto, a memória tende ela própria a ser naturalmente selectiva.

Vem isto a propósito da investida do Hezbollah contra o Estado libanês e sobretudo, caso vençam, da sequencial iranização daquele país, que já foi em tempos maioritariamente cristão, e, em consequência do mais do que óbvio genocídio cultural e da perseguição, já para não falar de outras coisas que se esperam, quer dos que se lhe opõem, quer das outras religiões que habitam o Líbano.

E agora, face ao cataclismo que se abaterá sobre o Líbano, que posição, à luz dos critérios que aplica em Israel, tomará a esquerda?

Luís Manuel Guarita

Parabéns Israel!


Israel faz por estes dias 60 anos. Provecta idade num Estado a todos os títulos admirável. 

Israel é uma democracia num mar de ditaduras e autocracias e só por isso já deve merecer toda a nossa admiração. Mas não é só isso, é tudo, é a sua história ao longo destes 60 anos e a história daqueles que ali sonharam e construíram aquela nação.

Por isso e porque não há muitas histórias como aquela, muitos parabéns para todos os que nela participaram.

Parabéns Israel!

Luís Manuel Guarita


O General no seu labirinto

Tenho lido por estes dias notícias que dão conta da existência de emails trocados pelo vice-líder das FARC, abatido na selva pelo exército colombiano, com membros de topo do exército venezuelano, segundo os quais já existia uma enorme cumplicidade entre ambos, o exército Venezuelano e as FARC, e estaria em preparação uma integração ainda maior, e ao mais alto nível, da colaboração já existente. Estas notícias têm sido publicadas por imprensa norte-americana.

Não sei, confesso, se isto corresponde à verdade. Não sei qual a verdadeira dimensão daquele suposto envolvimento, mas que cada vez me parece mais suspeita aquela ligação e que estas notícias explicam em parte a excessiva reacção do inenarrável Sr. Chavez aquando da incursão do exército colombiano na selva para combater o bando das FARC, lá isso explicam.

Mas falemos claro. As FARC são um exercito de bandidos, auto intitulado de esquerda, que vive de extorsão, rapto e narcotráfico. Tudo actividades recomendáveis. Chavez, o caudilho da esquerda moderna, vive, pelos vistos, com as FARC.

Se tudo isto for verdade, de facto, por aquelas bandas, a esquerda caminha para o futuro... E assim, o General lá vai caminhando para o seu labirinto.

Luís Manuel Guarita

sexta-feira, 9 de maio de 2008

O ambientalista


Aqui há uns tempos, falando em plena Assembleia Municipal de Viseu, Fernando Ruas incitou a população a “correr à pedrada” os inspectores do Ministério do Ambiente que ousassem importunar os viseenses.

Hoje, vestindo o fato de Presidente da Associação de Municípios, Fernando Ruas manifesta-se indignado com as medidas preventivas decretadas pelo Governo para impedir um holocausto urbanístico em volta do futuro aeroporto de Alcochete.

Aquele que é também conhecido como o “Saddam das Beiras” volta a revelar a sua forte consciência ambiental.

É evidente que o ministro Mário Lino meteu, uma vez mais, os pés pelas mãos, decretando as medidas preventivas sem esperar pelo parecer dos municípios.

Porém, o que verdadeiramente inquieta os autarcas e o distinto presidente do seu sindicato não é a forma como o governo decretou as medidas preventivas, mas sim a sua própria existência.

Ganho o aeroporto, os municípios da região preparavam-se para alcatroar e cimentar as herdades situadas em redor do campo de tiro. Qualquer medida preventiva virá portanto “obstaculijar o dejembolbimento”, como dirá Fernando Ruas.

Mas não se inquietem. Tenho a certeza que a decisão do governo deixará uma porta aberta para que a selvajaria do costume despedace mais uma parcela do nosso território.

É preciso é ter calma. E açaimar os construtores civis.

João Castanheira

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A Man for All Seasons

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A Man for All Seasons é um filme que retrata um momento na vida de um homem fundamental à moderna Inglaterra e à causa da liberdade. Trata-se de Thomas Moore e trata-se sobretudo da sua recusa em aceitar os ditames do seu Rei, Henrique VIII, quando este decidiu abandonar a Igreja Católica a propósito da recusa desta em lhe conceder um divórcio para que se pudesse tornar a casar.

A sua recusa e o modo como soube ser livre de espírito e livre na acção, recordou-me, por estes dias, as recentes declarações de Bob Geldof a propósito de Desenvolvimento Sustentável e sobretudo a propósito de Angola e do que por lá se vai passando à sombra do trópico de Capricórnio.

As suas declarações e a memória de Thomas Moore, relembraram-me o quanto a velha Albion tem dado, em matéria humana, à causa da liberdade de espírito, de palavra e de iniciativa.

Thomas Moore teve, há cinco séculos, a liberdade de perante o seu Rei, afirmar a liberdade das suas escolhas. Bob Geldof, cinco séculos depois, teve-a perante uma audiência onde pontuava quem lhe havia pago a prelecção, mas sobretudo quem sobre a liberdade que ainda vai faltando em Angola, se limita a desviar o olhar e seguir com a sua vida.

São homens assim que nos fazem acreditar que valores e princípios fortes em defesa de democracias verdadeiras são sementes que nunca devemos deixar de plantar.
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Haja esperança!

Luís Manuel Guarita

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Um homem livre

Não há em Portugal muita gente que se atreva a dizer o que pensa do regime de Luanda, embora o mundo inteiro saiba o que lá se passa.

A razão é simples: por estes dias é difícil encontrar em Portugal alguém que não tenha interesses económicos em Angola.

Dói ter que o admitir, mas há hoje no nosso país poucos homens e mulheres influentes suficientemente livres para expressar o que lhes vai na alma acerca do regime angolano.

Ontem, numa conferência sobre desenvolvimento sustentável organizada pelo Expresso e pelo BES, Bob Geldof ousou afirmar que “Angola é gerida por criminosos”, lembrando que as casas mais ricas do mundo estão ser construídas em Luanda, enquanto o povo morre à fome.

O Banco Espírito Santo apressou-se a emitir um comunicado onde se demarca das afirmações de Geldof. Fê-lo por discordar do orador que convidou ou por ter em Angola enormes interesses económicos, que vão da banca aos diamantes, passando pelo imobiliário, a aviação, a agricultura e as pescas?

E quem são os parceiros do BES nesses negócios? Para além da própria família do presidente angolano, são exactamente os proprietários das casas de que Geldof falava.
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Os contratos e as concessões públicas que os predadores do regime distribuem por si próprios poderiam transformar Angola num paraíso na terra. Lamentavelmente, para 99% do povo Angola continua a ser um inferno.
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Bob Geldof é, felizmente para nós, um homem livre.

E pôde lembrar que é desumano e criminoso que um número restrito de famílias continue a sugar ao país, de forma imoral, toda a sua riqueza, enquanto o povo morre na mais absoluta miséria.

João Castanheira

terça-feira, 6 de maio de 2008

Este homem tem uma história maior que o D. Afonso Henriques

Começámos a ouvir falar de António Morais, ilustre militante do Partido Socialista, quando este era presidente do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça. Na altura, Morais lembrou-se de contratar para responsável pelo departamento de logística uma cidadã brasileira, que era funcionária dum restaurante do centro comercial Colombo.

A contratação foi feita sem concurso e o caso foi de tal modo escandaloso, que António Morais foi demitido pelo Ministro da Justiça, juntamente com a brasileira.

Antes, António Morais tinha sido director-geral do GEPI – Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do Ministério da Administração Interna.

No exercício desse cargo, António Morais terá contratado os serviços do Arq. Fernando Pinto de Sousa, pai de José Sócrates Pinto de Sousa. Segundo a imprensa, vários outros dirigentes do Partido Socialista da Beira Interior terão sido agraciados com contratos de fiscalização de obras em instalações da GNR e da PSP.

Algum tempo depois, foi tornado público que António Morais “deu” a José Sócrates 4 das 5 cadeiras com que este se licenciou na extinta Universidade Independente. Por esses dias, para além de professor universitário António Morais trabalhava com Armando Vara, colega de governo e amigo pessoal de José Sócrates.

E foi ao director-geral do GEPI que o então Secretário de Estado da Administração Interna, Armando Vara, recorreu para projectar uma moradia particular que construiu no Alentejo.

Mas, António Morais não pára. Segundo o público de hoje, o senhor acaba de ser pronunciado pelos crimes de corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais.

Nos termos do despacho instrutório, António Morais e a ex-mulher terão agido de forma concertada para beneficiar um empreiteiro no concurso de construção do aterro sanitário da Cova da Beira. Em contrapartida, diz-se no despacho, receberam pelo menos 58.154 euros desse empreiteiro, dinheiro que foi depositado numa conta aberta nas ilhas de Guernesey.

Este António Morais tem uma história maior que o D. Afonso Henriques...

João Castanheira

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A culpa e o remorso

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A culpa, nas sociedades em que habitamos, é, fundamentalmente, uma construção cultural enquadrada por paradigmas definidos nas grandes religiões do nosso tempo. Neste particular e em concreto a culpa cristão decorre da nossa, simplista no modo como aqui a exponho, intuição do erro, do pecado. Ao termos consciência da culpa, capacitamo-nos da quebra que estabelecemos em relação a um quadro de valores que procuramos seguir e por isso a culpa é, para além da assumpção interior e religiosa que cada um faz dela, um mecanismo de salvaguarda desses valores e princípios em que aceitamos viver e conviver com os outros. A perda deste sentimento e a sua anulação representam, por isso, a perda progressiva de um referencial de valores e uma tendência para a alienação, individual e social, com todas as consequências que daí possam advir.

O remorso, nas suas múltiplas dimensões, é a consequência da culpa. Este sentimento, tão escondido no nosso dia a dia, mas tão presente nas sensações mais íntimas de cada um de nós é, mais do que qualquer outro, uma garantia absoluta de humanidade e de capacidade de compreensão de que há actos, que pelas consequências que geram, potenciam uma alteração grave ao padrão de valores com que nos orientamos e por isso uma falta para connosco próprios e para com os outros.

Vem isto a propósito de duas questões recentes, diametralmente opostas, mas reveladoras do quanto a perda de um quadro de valores fortes e determinantes é grave para as sociedades em que vivemos.

Em primeiro esta inacreditável estória do Sr. Fritzl e da filha que ele manteve em cativeiro durante 24 anos, violando sucessivamente, e da qual teve 7 filhos. Para lá da bestialidade de tudo isto há, como tão bem referia o Director do Público, a questão dos valores e nela emerge a questão do remorso. Não tem, nunca terá tido, ao longo de todos aqueles anos, aquele homem qualquer remorso pelo que estava a fazer a uma filha sua, na cave da sua própria casa e ao mesmo tempo em que vivia com os restantes filhos e mulher? Como pôde? Não ter tido significa simplesmente que o mal germina onde não existem valores, nos locais mais esconsos da natureza humana onde qualquer humanidade é impenetrável e onde o quadro de referências onde nos devemos situar simplesmente não existe, só assim pode não haver remorso, só assim pôde haver 24 anos de indizível horror perpetrados por um homem absolutamente pacato. Ou como nos disse Hannah Arendt, para outros fins mas com um mesmo objectivo, a banalidade do mal.

Em segundo, a questão da eliminação da culpa nos processos de divórcio. Abstraiamo-nos, neste caso, da vacuidade política e putativa simplificação administrativa do problema e concentremo-nos na questão dos valores. A decisão de abolir este preceito remete-nos, imediatamente, para a desconstrução progressiva do invólucro de valores que nos deve guiar. Acharmos, na pacatez das nossas tendências que um acto, seja que acto for, não tem ou representa qualquer quebra dessa cadeia de valores e entendermos que a assumpção da culpa é irrelevante, é, simplesmente, o caminho certo para o descalabro das sociedades que até aqui temos construído. Se tudo um dia for relativo então acreditar que subsistem sempre valores absolutos e intocáveis é não mais que um anacronismo absurdo e datado, o que, objectivamente nos garantirá, a todos, um bilhete de regresso à lei da selva. E para quem não se recorda, nessa lei, subsiste fundamentalmente um valor: sobreviver.

E assim, ao observarmos estes dois exemplos, e sem querer fazer entre eles qualquer paralelo, porque não há, nem pode haver, sublinho, constatamos o quanto o caminho do relativismo se vai fazendo, como se o nosso relógio após vinte séculos de construção civilizacional subitamente voltasse ao zero e começasse a fazer o caminho inverso.

Luís Manuel Guarita