.sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Cautelas e caldos de Galinha
.quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Esperança

Há hoje, como havia em 1992, uma enorme esperança de que as eleições representem o salto definitivo rumo ao futuro.
Eu partilho dessa esperança, porque acredito que entre os despojos da guerra e os tentáculos da corrupção, há em Angola uma sociedade civil que emerge.
Partilho dessa esperança, porque acredito na força regeneradora das novas gerações, que depois de experimentarem a paz, querem agora partilhar a prosperidade que anda por ali à espreita.
É certo que há 16 anos as coisas acabaram mal.
É certo que se a vitória do MPLA não estivesse garantida, jamais teriam sido marcadas eleições.
É certo que não pode esperar-se que sejam os corruptos a pôr fim à corrupção.
É certo que os sinais que chegam de Luanda são inquietantes – os principais órgãos de informação portugueses foram proibidos de entrar em Angola para acompanhar o processo eleitoral
Mas apesar de tudo, quero acreditar no futuro de Angola.
João Castanheira
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Sabonetes à venda...

Por detrás do brilho esplendoroso da imagem mediática. Por detrás do apelo sedutor da retórica discursiva. Por detrás do fascínio reconfortante do multiculturalismo finalmente chegado à política há Obama e um enorme deserto de ideias.
Os “mauzões” que por aí andam!

Uma viagem pelo maravilhoso que ainda há em nós

terça-feira, 2 de setembro de 2008
Oskar Schindler

Quem visita a capital cultural da Polónia, não pode imaginar o que ali se passou durante a ocupação Nazi.
Depois de visitar a cidade, decidi ontem rever A Lista de Schindler, obra-prima de Spielberg, galardoada com sete Óscares da Academia em 1994.
O filme retrata, de forma brilhante, a perseguição aos judeus de Cracóvia, a construção do ghetto, a sua eliminação na noite de horror de 13 de Março de 1943 e a deportação dos sobreviventes para o campo de concentração de Plaszow, nos arredores da cidade.
A Lista de Schindler relata, sobretudo, a comovente história de um homem grande. Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro e Oskar Schindler salvou 1.100 pessoas.
.
João Castanheira
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Os complexos de esquerda estão a matar Portugal
O problema, creio eu, é que depois de 40 anos de autoritarismo de direita, Portugal vive há mais 30 anos mergulhado em complexos de esquerda.
Veja-se o exemplo da educação.
Todos temos a noção de que a escola só funciona se existir uma cultura de exigência, mérito e rigor. É por isso que, podendo fazê-lo, todos os pais optam hoje por inscrever os seus filhos em boas escolas privadas, onde esses valores prevaleçam.
Mas a verdade é que, apesar desta evidência, os complexos de esquerda têm conduzido sucessivos governos a afundar a escola pública na anarquia e na mediocridade.
O facilitismo e o igualitarismo, marcas indeléveis da nossa esquerda, estão aos poucos a matar o ensino, produzindo gerações de portugueses impreparados para enfrentar os desafios do mundo actual.
Veja-se o exemplo da segurança.
Todos temos a noção de que o excesso de garantias conferido aos marginais colide com o interesse dos cidadãos e impede a sociedade de se defender convenientemente do crime.
Mas a verdade é que, apesar desta evidência, os complexos de esquerda têm levado sucessivos governos a amaciar as leis penais, mergulhando o país numa inquietante espiral de criminalidade.
A desculpabilização, marca indelével da nossa esquerda, está aos poucos a coarctar a liberdade dos cidadãos.
Veja-se, aliás, o que a própria esquerda diz sobre a sua incapacidade para lidar com os problemas de segurança. Assume hoje o Daniel Oliveira no seu blogue que a esquerda tem dificuldade em falar da criminalidade de rua, como os roubos e os assaltos. E justifica esta dificuldade, afirmando que a esquerda desconfia do Estado e desconfia ainda mais da polícia.
Os complexos de esquerda estão a matar Portugal.
João Castanheira
domingo, 31 de agosto de 2008
Nacionalizações
O terceiro mundo aqui ao lado

sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Um país a saque

O resultado está à vista de todos. O país mergulhou numa onda de crimes violentos sem precedentes. Bancos, bombas de gasolina, estações de correios, tribunais, restaurantes, ourivesarias, carros e pessoas estão a saque.
Os marginais são repetidamente apanhados a cometer os mesmos crimes e logo postos em liberdade.
Com a sensatez e a oportunidade a que nos vem habituando, o Procurador-Geral da República disse ontem aquilo que o país inteiro anda há muito tempo a dizer: “o hiper garantismo concedido aos arguidos colide com o direito das vítimas, com o prestígio das instituições e dificulta e impede muitas vezes o combate eficaz à criminalidade”, acrescentando esperar “que o legislador proceda aos ajustamentos legais que se mostrem necessários”.
Logo veio a terreiro o Ministro da Justiça, Alberto Costa, recusando qualquer alteração às leis penais.
Há aqui qualquer coisa que não se entende. Aquilo a que estamos a assistir é uma autêntica operação de desmantelamento da autoridade do Estado.
Até quando vai o país tolerar a incompetência e a irresponsabilidade deste governo em matéria de segurança e justiça?
É preciso pôr fim a esta bandalheira.
João Castanheira
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Onde pára a polícia?
Estacionei o carro na Praça do Município e fui até à Praça do Comércio, onde me misturei com os turistas, numa feira de rua mixuruca que a câmara ali instalou. Ao lado há uns esboços de esplanadas, com cadeiras de plástico, como se fossem buteques de caracóis em Pirescouxe.
Depois, subi a Rua Augusta, dei a volta ao Rossio, meti pela Rua do Carmo, virei para a Rua Garret e sentei-me a comer um gelado numa esplanada perto do Camões.
Dei mais umas voltas pelo Chiado, fui até à Rua Ivens, desci a Rua Nova do Almada e dirige-me de novo à Praça do Comércio.
Em todo este trajecto pelo coração de Lisboa não encontrei um único polícia. Pelo contrário, ao longo do percurso fui abordado por diversos vendedores de óculos contrafeitos, artigos em “ouro” e “chamon”. Eu e muitos dos lisboetas e turistas que dedicaram a tarde de domingo a passear por Lisboa.
Antes de entrar para o carro passei junto à esquadra da PSP da Rua do Arsenal e dei de caras com uma cena verdadeiramente surreal: à porta estavam dois seguranças privados!
Mas afinal onde é que pára a polícia?
Passei a semana anterior em diversas cidades da Polónia e em todas elas se respira um ambiente de segurança e tranquilidade, com agentes da autoridade nos locais turísticos, nas estações de comboio e em todos os pontos estratégicos. E não se vê por lá um décimo da fauna que por aqui vagabundeia.
Então e os nossos polícias, por onde andam?
Estarão fechados nas esquadras, estarão a passar multas de trânsito, estarão em casa a descansar? Ou talvez, quem sabe, estejam a fazer uns gratificados nos campos de futebol.
Ou isto muda ou, em breve, os passeios por Lisboa não passarão de uma vaga memória.
João Castanheira
domingo, 24 de agosto de 2008
Cracóvia


sábado, 23 de agosto de 2008
Viagem ao Inferno

Esta semana, visitei os campos de extermínio de Auschwitz e Birkenau, na Polónia, e dei de caras com a face mais negra e brutal da humanidade.
Percorrer as câmaras de gás, os fornos crematórios ou os subterrâneos do bloco 11 de Auschwitz – o pavilhão da morte – é descer ao inferno e enfrentar os demónios mais sombrios.
Ali, tudo cheira a tortura, a morte e a um sofrimento sem fim: a forca móvel, a sala onde foram ensaiadas as primeiras experiências de extermínio em massa com gás zyklon B, os esconsos sufocantes onde os prisioneiros eram esquecidos até morrerem de sede, fome ou falta de ar...
Está lá tudo. Das celas parecem desprender-se gritos lancinantes de terror e pelos corredores circulam ainda os fantasmas dos carrascos, tomados por um ódio sem limites.
No bloco ao lado, os prisioneiros eram submetidos às mais macabras e criminosas “experiências médicas” e no pátio entre estes dois blocos ficava a parede de execuções, onde muitos milhares de homens e mulheres foram sumariamente fuzilados.
Os requintes de sadismo e malvadez do regime de Adolf Hitler, patentes em todo o campo, ultrapassam o imaginável, mesmo para as mais pérfidas mentes humanas.
Entre 1939 e 1945, o campo de Auschwitz foi um verdadeiro matadouro humano, mas na sua imparável loucura rumo ao abismo, os nazis queriam mais. O objectivo era concluir rapidamente a chamada “solução final para o problema judeu”, assassinando cerca de 11 milhões de pessoas.
Por isso, em 1941 construíram o campo de Auschwitz II (Birkenau), uma gigantesca fábrica de matar, onde chegaram a viver como animais perto de 100.000 pessoas.
Os prisioneiros eram transportados durante vários dias em vagões para gado, sucumbindo muitos deles durante a viagem.

Nesta orgia de tortura e morte, só em Auschwitz e Birkenau foram assassinadas cerca de um milhão e meio de pessoas. Sobretudo judeus e seus descendentes, mas também ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e adversários políticos.
A Polónia tem feito um admirável trabalho de preservação da nossa memória colectiva, mantendo de forma irrepreensível, entre outros lugares de horror, os campos de Auschwitz e Birkenau, que desde 1979 são considerados Património Mundial da Humanidade.
O mundo jamais poderá esquecer o que ali se passou.
João Castanheira
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Um país lixado

Força Naide!
.jpg)
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Em Pequim tudo normal
Decepção no judo, decepção no tiro, decepção na esgrima, decepção no atletismo...
Um dos portugueses eliminados dizia esta manhã que à hora da prova devia era estar na caminha.
Só mesmo Naide Gomes, Vanessa Fernandes ou Nelson Évora poderão quebrar o ritmo de excursão que se apoderou da representação nacional.
Apenas eles poderão evitar que estes jogos fiquem na história pela maior comitiva turística alguma vez enviada por Portugal a uns Jogos Olímpicos.
Recorde-se que o país investiu 13 milhões de euros na preparação olímpica e que o objectivo mínimo definido pelo Comité Olímpico de Portugal passa pela conquista de 4 medalhas.
João Castanheira
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Este país não tem emenda
Tudo começou quando dois meliantes decidiram levar o filho para um assalto.
Instados a parar por uma patrulha da GNR, os bandidos puseram-se em fuga, não hesitando em tentar atropelar o agente da autoridade que se lhes atravessou no caminho.
A GNR fez o que tinha que ser feito: disparou para tentar imobilizar a viatura, mas, por um lamentável azar, um dos tiros atingiu a criança que se escondia no interior da carrinha.
Resultado: o agente da autoridade foi constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência. Já os meliantes, apanhados na posse do material roubado e de um pequeno arsenal, foram de imediato postos em liberdade. Resultado: fugiram.
Soube-se agora que um dos bandidos que o tribunal se apressou a libertar e que, obviamente, se encontra a monte, era um perigoso assaltante, evadido da cadeia de Alcoentre desde o ano 2000. Apesar de ter espalhado o terror no sul do país, roubando e batendo em idosos, o assaltante foi naquela altura colocado a vindimar, em regime aberto. Resultado: fugiu.
Não me admiro que ao longo destes anos tenha vivido numa casa oferecida pelo Estado e que tenha até beneficiado do Rendimento Mínimo Garantido. Aparentemente, o cruzamento de informações só serve para perseguir os contribuintes que têm o hábito de pagar os seus impostos.
Quanto ao meliante, apesar de apanhado em flagrante, enganou o tribunal e voltou a fugir.
De quem é a culpa? Ou muito me engano ou o único culpado será o agente da autoridade que tentou cumprir a sua missão.
Este país não tem emenda.
João Castanheira
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Mais duas obras de arte!
Abortámos!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Coitadinho do bandido
Para o Daniel Oliveira, a operação policial de ontem, na agência do BES de Campolide, foi a pior de sempre em Portugal.
Porquê? Porque um dos bandidos foi morto e para a nossa esquerda caviar isso é um erro intolerável.
Aliás, é para evitar erros como este que o Bloco de Esquerda defende que a polícia deve andar desarmada – embora os bandidos andem cada vez mais armados.
Para ilustrar na perfeição os complexos que paralisam a cabeça desta gente, o Daniel Oliveira atira-se de seguida a um comentador televisivo, que se debruçou sobre o facto dos marginais serem brasileiros.
Para o Daniel Oliveira, nem os bandidos de ontem eram brasileiros nem os de há uns dias eram ciganos. A simples constatação destes factos corresponde a uma afirmação xenófoba ou racista.
Para os bloquistas, trata-se apenas de jovens, a quem o país deve aliás um pedido de desculpas, muito apoio psicológico e um subsídio especial de reintegração.
Os parabéns à nossa polícia, que actuou com grande competência e que deu à bandidagem o sinal que era necessário dar.
João Castanheira
Belíssimo
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
O holocausto florestal

Como português, eu agradeço a sensibilidade ambiental do primeiro-ministro. Que avancem os bulldozers, pois o interesse público subjacente à construção de apartamentos privados não se compadece com mariquices.
Em boa verdade, para que servem 1.200 sobreiros senão para fazer lenha?
Pense-se nos benefícios ambientais deste projecto, por exemplo em matéria de saneamento básico. Serão, pelo menos, mais quinze mil retretes, que todos poderemos utilizar, já que são de imprescindível interesse público. Julgo mesmo que o lema desta nova urbanização deveria ser "em cada casa um urinol público".
De PIN em PIN, de interesse público em interesse público, avança imparável o holocausto florestal. Aqui como na Amazónia, o “progresso” vai devorando a verdura, até ao dia em que acabarmos todos com a cabeça enfiada numa saca de cimento.
João Castanheira
savemiguel.com

quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O homem Eucalipto

Que se há de fazer? A estupidez humana não tem limites!

Selvajaria
Há pouco mais de uma semana, escrevi aqui que a demolição criminosa daquele ex-libris da arquitectura modernista estava iminente.
E assim foi. O velho mercado não resistiu à gula febril - alimentada a petróleo - que tomou conta de Luanda.
No seu lugar, vai nascer mais um mono em vidro, com um centro comercial ladeado por duas torres incaracterísticas.
Em frente ao exibicionismo novo-riquista que ali se há-de instalar, continuará a existir uma espécie de musseque vertical, construído no esqueleto de um arranha-céus de 20 andares.
Quando os comunistas aderem ao capitalismo, a selvajaria parece não conhecer limites.
João Castanheira
Um dia na vida de um Regime

Os anos de chumbo e o chumbo das nossas atitudes

sexta-feira, 1 de agosto de 2008
O melhor negócio do mundo
Refiro-me à alteração do uso do solo para fins imobiliários, actividade em que se especializaram alguns investidores do nosso país.
Compram terrenos agrícolas ou industriais ao preço da chuva e, num passe de mágica, conseguem que as câmaras municipais os transformem em zonas urbanizáveis.
As mais-valias que resultam destes processos atingem, frequentemente, as dezenas de milhões de euros.
Por razões óbvias, esta é uma porta aberta à corrupção, à especulação imobiliária e ao desordenamento do território.
Toda a gente sabe o que passa, mas ninguém parece interessado em resolver o problema. Um problema que só se resolve no dia em que as mais-valias resultantes da alteração do uso do solo reverterem, integralmente, para o Estado.
Se eu fosse primeiro-ministro por um dia, esta seria a primeira medida que tomava.
João Castanheira
O condomínio "Moderna"

Pouco depois, o investidor imobiliário anunciou para aquela área um projecto habitacional de luxo, orçado em 46 milhões de euros.
Esse projecto imobiliário não respeita o Plano Director Municipal de Lisboa.
O Plano Director Municipal de Lisboa está em fase de revisão.
Ontem, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior anunciou a intenção de encerrar compulsivamente a Universidade Moderna, por falta de viabilidade económica.
Alguém adivinha como é que esta história vai acabar?
João Castanheira
Silly Season
Nota-se uma divergência evidente entre as prioridades das pessoas e a cada vez mais fantasiosa agenda política. Parece haver um mundo real, onde circulam os portugueses, e um mundo virtual, onde os governantes se divertem a brincar aos países desenvolvidos.
No mundo real, o petróleo, os juros e o desemprego batem recordes diariamente. No mundo virtual, organizam-se espectáculos “bollywoodescos” para oferecer milhões de computadores aos meninos da escola primária.
No mundo real, todos os dias fecham fábricas de sapatos, soutiens e ceroulas. No mundo virtual anunciam-se fábricas de computadores, aviões e componentes para naves espaciais.
Ontem, o fosso entre os dois mundos agudizou-se, com a declaração ao país do Presidente da República.
O momento era solene. Pela primeira vez, Cavaco Silva decidira dirigir-se formalmente aos portugueses. Os assessores tinham avisado que a coisa era séria.
Às oito da noite, o país sentou-se ansioso em frente à televisão. Teria Cavaco Silva encontrado a solução para algum dos problemas do mundo real? Estaria doente? Iria anunciar a sua demissão? Teria decidido dissolver a Assembleia da República?
O ar grave e sério do Presidente da República conferiu à ocasião um dramatismo insuportável. Portugal ficou com os nervos em franja.
Ao fim de um minuto, percebeu-se que, afinal, o Presidente da República estava preocupado com o número de pessoas que teria que ouvir caso algum dia decidisse dissolver a Assembleia da Legislativa dos Açores.
Tragam os Prozacs, que a gente assim não se aguenta.
João Castanheira
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Salvar o Mercado de Kinaxixe

O Mercado de Kinaxixe, em Luanda, é uma das mais emblemáticas e importantes obras de arquitectura moderna em todo o mundo de expressão portuguesa.
Inaugurado em 1958, este fantástico edifício foi projectado por Vasco Vieira da Costa, arquitecto angolano de origem portuguesa, que teve o raro privilégio de trabalhar no escritório de Le Corbusier até ao início da década de 50.
Apontado, em todo o mundo, como um dos mais notáveis exemplos da arquitectura tropical, o Mercado de Kinaxixe é uma pérola do património cultural angolano.
Lamentavelmente, o edifício está hoje entaipado e aparentemente condenado a uma quase inevitável demolição.
A arquitecta Ana Vaz Milheiro lança, no Público de hoje, um apelo sentido e urgente: “Quem quer salvar o Kinaxixe?”.
É preciso sensibilizar as autoridades angolanas para a importância ímpar deste património, mas é também necessário que Portugal adopte uma postura activa na salvaguarda da memória colectiva dos dois países, ajudando a preservar algumas das obras arquitectónicas de referência construídas em Angola durante o século passado.
Por isso, Ana Vaz Milheiro avança com uma ideia brilhante, que o governo português deveria agarrar rapidamente: a construção de uma grande casa da cultura portuguesa no Mercado de Kinaxixe, bem no centro de Luanda.
Porque a defesa da língua e da cultura portuguesa não se faz apenas nos discursos políticos. Faz-se, sobretudo, com gestos e projectos concretos e ambiciosos.
Alguém faça alguma coisa antes que seja tarde demais.
João Castanheira
sexta-feira, 25 de julho de 2008
O memorável concerto dos Kings of Convenience

Genial!
Os Kings of Convenience tocaram esta noite na Cidadela de Cascais, integrados no programa do CoolJazzFest 2008.
Não tenho memória de um concerto assim.
Aquilo que se ouve nos álbuns destes dois rapazes de Bergen é mesmo verdade: uma guitarra folk, uma guitarra clássica e duas vozes chegam para encher o palco, parecendo por vezes transformar-se numa orquestra inteira.
Já a festa ia ao rubro quando subiram ao palco dois amigos – um italiano e um alemão – acompanhados por um contrabaixo e um violino. Todos juntos, fizeram de Stay Out of Trouble um dos momentos mais memoráveis a que alguma vez assisti num concerto.
O que não estava no programa era o KO da guitarra de Erlend Øye, para a qual não havia substituto. A partir daí, os Kings of Convenience aceleraram para um imparável festival de improviso e diversão. Sem as cordas de aço, Erlend decidiu encher o palco a dançar e a “tocar” um genial mouth trumpet.
No final do concerto, Eirik Glambek Boe ainda encontrou coragem para brindar a audiência com uma versão de Corcovado, sozinho com a sua guitarra clássica.
Os Kings of Convenience são uma das razões para se amar a Noruega. Um país onde há muito mais do que bacalhau...
Que esplêndida noite de verão. Tenho pena de quem não assistiu a isto.
Para os menos atentos, aqui fica um link para Toxic Girl.
João Castanheira
Eça de Queirós

quarta-feira, 23 de julho de 2008
Privado, mas pouco...

Entretanto, soube-se ontem que o Estado angolano é já o maior accionista do principal banco privado português, o Millennium BCP.
Em Portugal, o mercado tem destas coisas...
João Castanheira
O retrocesso civilizacional

Deveríamos, portanto, aceitar a degola de borregos na via pública, a mutilação genital das mulheres africanas, a poligamia e a burka, já para não falar da ideia peregrina de leccionar aulas em crioulo...
O acolhimento de emigrantes seria assim sinónimo de destruição de uma cultura e um estilo de vida que fomos construindo ao longo de séculos. Um verdadeiro retrocesso civilizacional.
João Castanheira
terça-feira, 22 de julho de 2008
A realidade paralela da RTP
Não foram 2, nem 3, nem 4. Foram 10 minutos, em horário nobre. Uma imparável sequência de directos, imagens de arquivo, testemunhos, opiniões e entrevistas.
Pouco parece importar o caos social na Quinta da Fonte, o mergulho no abismo da Bolsa de Lisboa ou o clamoroso fracasso da PJ no caso Maddie.
Não havendo futebol, arranje-se qualquer coisa capaz de afastar os portugueses da enxurrada que ameaça arrastar o Partido Socialista.
João Castanheira
O Portugal subsidiado
Alguns dos moradores que sairam do bairro lamentam o roubo dos seus plasmas e leitores de DVD.
Mas, de acordo com a Câmara Municipal de Loures, 90% da população activa residente na Quinta da Fonte vive do Rendimento Mínimo Garantido.
E 95% das famílias ciganas que abandonaram o bairro nunca pagaram a renda de casa nem a conta da água.
Isto apesar de beneficiarem de rendas sociais, na maioria dos casos com o valor de 4,26 € por mês.
Tudo isto começa a revoltar o Portugal que trabalha. O Portugal que vai pagar 25o.ooo euros pela reparação das casas vandalizadas.
João Castanheira
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Sócrates embevecido com Angola

Não sei a que trabalho se refere o primeiro-ministro, mas a frase poderia aplicar-se, por exemplo, à forma competente como a elite dirigente angolana suga para os seus próprios bolsos toda a riqueza do país. Talvez não seja possível encontrar em todo o planeta quem tão bem trabalhe este nicho de actividade.
Sócrates acrescentou ainda que Angola tem hoje um enorme “prestígio internacional” e que é “um dos países mais falados e reputados”.
De facto, o prestígio de Angola é enorme. Apesar de ser um dos países mais ricos do mundo, surge invariavelmente no fim da lista do índice de desenvolvimento humano publicada pelas Nações Unidas, lado a lado com os países mais miseráveis de África.
A reputação de Angola – ou do governo angolano – está também acima de qualquer suspeita. Sem eleições desde 1992 e com um Presidente da República no poder há 30 anos sem nunca ter sido eleito, Angola é universalmente aclamada como o paradigma da democracia do futuro.
Este tipo de declarações ultrapassa largamente o pragmatismo diplomático e económico a que o primeiro-ministro está obrigado. Frases como estas ficam-lhe mal e fazem-nos, a todos, sentir muita vergonha.
O mundo inteiro sabe como e com quem se fazem os negócios em Angola. O mundo inteiro sabe para onde vão os biliões do petróleo e dos diamantes. O mundo inteiro sabe porque continua o povo angolano a viver e a morrer na mais obscena miséria.
Por isso, recomendar-se-ia a Sócrates algum recato.
João Castanheira
terça-feira, 15 de julho de 2008
Inversão de valores
A ASAE persegue-me por ser fumador. O IDT ensina os meus filhos a injectarem-se.
Tenho que esperar três anos para ser operado às cataratas. Mas, se lhe der para isso, a minha mulher pode abortar de urgência num hospital público.
Pela minha operação às cataratas, pagarei uma taxa moderadora. Já o aborto livre está isento de qualquer taxa.
Se o meu filho for às aulas e se aplicar a fundo vai conseguir passar de ano. Se não puser os pés na escola passa na mesma. Caso nem sequer se tenha inscrito, pode sempre obter o diploma do 12º ano numa entrevista das Novas Oportunidades.
Se eu deixar de trabalhar e montar uma barraca, recebo o rendimento mínimo garantido e uma casa de graça. Mas se me esfolar a trabalhar para pagar o apartamento que comprei, pago 42% de IRS, 11% para a Segurança Social, mais o IMT, o IMI, o imposto de selo e os juros bancários galopantes.
Se montar um negócio de pequeno tráfico e tiver cuidado com a quantidade de droga que transporto, o mais certo é que não me aconteça nada. Mas se abrir uma fábrica de produção artesanal de amêndoas de Portalegre, a ASAE acaba-me com o negócio.
João Castanheira
domingo, 13 de julho de 2008
Brandos costumes

O país dos brandos costumes parece ter sido surpreendido com aquelas imagens de guerrilha urbana. Um tiroteio com armas de guerra em plena via pública, que trás à memória a anarquia reinante nos morros favelados do Rio de Janeiro.
Mas, em boa verdade, não há razão para surpresa.
Mais de 30 anos de complexos de esquerda, conduziram ao enfraquecimento e à desautorização das forças de segurança. Nos dias que correm, polícias de bicicleta e calção fingem patrulhar ruas onde circulam bandidos armados até aos dentes.
A desculpabilização do crime e o excesso de lotação das cadeias despejam na rua, todos os dias, assassinos, traficantes, ladrões e violadores. Marginais que se riem da debilidade das forças de segurança e que brincam com a inoperância da justiça.
Uma política de realojamento anacrónica amontoou em gigantescos bairros sociais – como a Quinta da Fonte – milhares de pessoas que são condenadas viver cercadas pelo crime, em guetos que se tornaram autênticas escolas de marginalidade.
Finalmente, uma política de emigração excessivamente permissiva e irresponsável, criou expectativas de acolhimento a centenas milhar de emigrantes que o país não tem, infelizmente, condições para receber.
O resultado está à vista e deixa-nos, a todos, de cabelos em pé.
Mas, tal como sucedeu com o arrastão da praia de Carcavelos, não me admiro que apareça por aí uma Ana Drago qualquer a negar a ocorrência deste episódio. Terão, eventualmente, sido dois ou três meninos que se envolveram numa inocente luta de bisnagas.
João Castanheira
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Arte Nova em Aveiro

Para quem se interessa por arquitectura e património, vale a pena visitar aquela que é a jóia da coroa da Arte Nova aveirense. Uma construção que surpreende pelas linhas ondulantes, os ferros forjados, a pedra trabalhada e os riquíssimos painéis de azulejos.
Aveiro é, provavelmente, a capital nacional deste estilo arquitectónico, pelo que se saúda o irrepreensível trabalho de recuperação levado a cabo pela Câmara Municipal e, sobretudo, a ideia de transformar a Casa Major Pessoa no Museu Arte Nova.
Agora, depois de um passeio de moliceiro na ria e uma barrigada de ovos-moles, nada melhor que um mergulho nesta fantástica obra de Francisco da Silva Rocha e Ernesto Korrodi.
Por momentos, a visita à Casa Major Pessoa transporta-nos à Casa Batlló, obra-prima que Antoni Gaudí ergueu no Passeig de Gràcia em 1906.
Aveiro está melhor do que nunca.
João Castanheira
sexta-feira, 4 de julho de 2008
O sorriso de Ingrid
A libertação de Ingrid Betancourt e dos seus companheiros de cativeiro é um desses momentos mágicos. Um daqueles instantes que ficam gravados na memória de quem tem o privilégio de os testemunhar, ainda que à distância de milhares de quilómetros.
O sorriso de Ingrid trouxe-me à memória um outro momento mágico – a libertação de Nelson Mandela. Depois de quase 30 anos encarcerado, Mandela quis deixar a prisão caminhando a pé, sorrindo... Foi uma caminhada plena de significado: para trás ficava um passado de sofrimento e qualquer ressentimento ou desejo de vingança. Ali começava o futuro e o futuro passava, necessariamente, pela reconciliação. Só um homem grande, talvez o maior de todos os homens do nosso tempo, poderia dar ao mundo semelhante lição.
Ontem, em apenas 22 minutos e 13 segundos, as forças armadas e os serviços secretos colombianos puseram fim a 2321 dias de cativeiro. Sem um único tiro, através de uma operação de libertação genial, que há-de, também ela, ficar para a história.
Durante mais de 6 anos, Ingrid Betancourt foi mantida em cativeiro por um bando de terroristas selvagens, raptores desumanos e traficantes de droga – as FARC – organização criminosa que continua a seduzir uma parte da nossa esquerda mais radical.
Há pouco mais de um mês, o PCP tinha subscrito, em conjunto com outros partidos comunistas da União Europeia, um documento apelando a que as FARC fossem reconhecidas como combatentes e imediatamente retiradas da lista europeia das organizações terroristas... Serão o quê então?
Ingrid lutou, resistiu, sobreviveu... E ontem saiu a sorrir. Obrigado Ingrid.
João Castanheira
Exames tipo Totobola
Conforme se conta no Público de hoje, a socióloga decidiu mergulhar nos programas e nos exames nacionais de Português do ensino básico e secundário. E ficou estarrecida.
Concluiu que os actuais exames de Português “poderiam ser facilmente substituídos por uns papeluchos como os do totobola, nos quais os alunos fariam ao acaso umas cruzinhas, sendo estas posteriormente contadas por uma máquina”.
Para Maria Filomena Mónica, e para todos nós, a mutilação dos exames foi deliberadamente planeada, no sentido de os tornar mais simples.
“A responsabilidade pelo desastre – porque é de um desastre que se trata – é, em primeiro lugar, de Maria de Lurdes Rodrigues, uma ministra cujo objectivo passou a consistir em baixar o insucesso escolar por via burocrática”.
Mais do que um desastre, trata-se de um crime!
João Castanheira
quinta-feira, 3 de julho de 2008
A taxa "Robin dos Bosques"
Apesar da sua natureza propagandística, a medida pode até parecer justa, tendo em conta o aumento dos lucros declarados pelas petrolíferas. Mas, em boa verdade, quem irá pagar a taxa “Robin dos Bosques”?
Tratando-se de um custo adicional para as empresas, é óbvio que no dia em que a taxa for criada – ou até antes disso – as petrolíferas vão aumentar o preço dos combustíveis, de forma a não saírem prejudicadas.
Na prática, a taxa “Robin dos Bosques” representará, ainda que de forma encapotada, um novo aumento da carga fiscal sobre os combustíveis. Será, portanto, paga pelos já depauperados consumidores.
Isto faz lembrar a brilhante ideia de acabar com o chamado “Aluguer do Contador” no fornecimento de água. Ao acabar com uma receita que não era sua, os socialistas esqueceram-se que os municípios e as empresas que operam no sector da água não podem viver sem cobrar o serviço que prestam. No mesmo dia, os operadores do sector lançaram a “Taxa de Disponibilidade” e os consumidores continuaram a pagar exactamente o mesmo.
O que ganhará o país com este tipo de palhaçadas?
João Castanheira
segunda-feira, 30 de junho de 2008
O Circo Mugabe
Mugabe transformou um país, outrora próspero, num sobado circense, que expõe ao ridículo o modelo de governação dominante em África, onde, felizmente, começam a surgir algumas respeitáveis excepções democráticas.
Até há uns anos atrás, o ditador de Harare não destoava na autêntica galeria de horrores que é a maioria dos chefes de estado africanos. Como se sabe, a existência de um tiranete que suga, sem vergonha, toda a riqueza do Estado é um mal comum a muitos dos países da vizinhança.
Mas em 2006 a carcaça velha amalucou de vez. Os fazendeiros brancos foram expulsos das suas terras, a economia do país mergulhou no caos e os zimbabueanos viram-se obrigados a fugir aos milhões para os países vizinhos. A inflação atingiu os 100.000% e um pão, quando existe, custa hoje 200 milhões de dólares zimbabueanos.
Confrontado com uma “inesperada” hecatombe eleitoral nas presidenciais, Mugabe levou mais de um mês a cozinhar um resultado que lhe permitisse inventar uma segunda volta. Depois de muito burilados, os resultados oficiais deram a Morgan Tsvangirai 1.200.000 votos (48%), contra pouco mais de 1.000.000 de Mugabe (43%).
Na segunda volta, o tiranete conseguiu "ir a votos” sozinho e a comissão eleitoral apressou-se a atribuir-lhe 2.200.000 votos. Ou seja, todos os zimbabueanos que haviam votado em Tsvangirai ter-se-ão arrependido, transferindo o seu voto para o ditador.
Até quando vai o mundo tolerar esta afronta?
Até quando terá o povo do Zimbabwe que suportar a corrupção, a fraude, a violência e a miséria?
João Castanheira
terça-feira, 24 de junho de 2008
Pensava que ias para Caracas!

Daniel Oliveira, ilustre activista anti-americano, partiu de férias para os Estados Unidos.
Segundo anuncia no seu blogue, passará os próximos 15 dias em Nova Iorque e em Washington, pelo que não lhe sobrará muito tempo para se dedicar ao Arrastão.
Quando chega a hora de viajar, a nossa burguesia de esquerda não hesita. Podiam dedicar-se a descobrir as maravilhas da democracia progressista de Caracas ou a irreprimível liberdade que brota nas ruas de Teerão.
Mas nada disso. Com o bolso cheio e uns dias de férias para gozar, a rapaziada do Bloco esquece a retórica anti-imperialista e ruma ao grande satã americano.
Como eu te entendo Daniel.
João Castanheira
SOCORRO
Intrigada com o facto de estes jovens serem, invariavelmente, os melhores alunos das suas turmas, a jornalista perguntava-lhes como conseguiam semelhante proeza, vencendo sem dificuldades a barreira linguística e deixando para trás a nossa rapaziada.
Os jovens respondiam, com um sorriso maroto, que o sistema de avaliação em Portugal era demasiado fácil. Nada que pudesse ser comparado com o grau de exigência a que estavam habituados nos seus países de origem.
Ontem, fomos confrontados com uma nova fase no processo de destruição do sistema de ensino. À saída do exame nacional de matemática, todos os alunos – mesmo os portugueses – consideravam que a prova havia sido demasiado fácil. Os estudantes pareciam aliás incrédulos perante o carácter infantil do exame.
Para a Sociedade Portuguesa de Matemática "O padrão utilizado para avaliar o desempenho dos alunos não permite distinguir aqueles que efectivamente trabalham e não ajuda os professores a incentivarem os alunos a aprofundar os seus conhecimentos". Assim mesmo: com este tipo de provas toda a gente passa. Os bons e os maus alunos, os mais aplicados e os menos aplicados. É a institucionalização da bandalheira. Um dias destes ainda regressam as passagens administrativas à moda do PREC.
A opção do governo não podia ser mais clara: entre a qualidade do ensino e as boas estatísticas, os socialistas não hesitam. Pouco importa que estejam a formar gerações de ignorantes diplomados Pouco interessa que estejam a hipotecar o futuro do país. O que realmente importa é mostrar “bons resultados”, ainda que postiços.
Que futuro pode ter um país que atira ao lixo o mérito, a exigência, o rigor e a responsabilidade?
Para quem acha que já não há diferenças entre a esquerda e a direita, aqui fica uma pequena amostra do que vai na alma dos espíritos iluminados da nossa esquerda: escolas sem exames, polícias sem armas, crimes sem penas, prisioneiros com seringas, toxicodependentes com droga...
João Castanheira




