
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Lula e os outros.

Especulação e ignorância

É óbvio que o mercado nacional dos combustíveis rodoviários não funciona. E não funciona porque é dominado por 3 empresas – a Galp, a Repsol e a BP – que repartem entre si mais de 80% do mercado. Como nenhum destes operadores está disposto a ganhar quota de mercado à custa duma política agressiva de preços, a concorrência não passa de uma miragem.
Ainda que informalmente, vigora no mercado dos combustíveis um pacto de não agressão, que é do interesse das empresas e dos seus accionistas. O presidente executivo da Galp, um dos mais competentes gestores deste país, está por isso a cumprir o seu papel.
Já o mesmo não se pode dizer da Autoridade da Concorrência, que se limita a constatar não existirem provas concretas de cartelização. Ora, mal estaríamos se as petrolíferas precisassem de se reunir ou trocar correspondência para combinar preços!
Dito isto, é também surpreendente a ignorância com que esta matéria é abordada pela maioria dos órgãos de comunicação social e até por alguns alegados especialistas em energia.
Dizia hoje um dos tais especialistas que, se ao longo dos últimos 2 meses a cotação do crude caíra 40%, o preço dos combustíveis deveria ter baixado em igual percentagem.
Ora, esta afirmação revela uma ignorância atroz, pois, como se sabe quase 60% do preço da gasolina corresponde a impostos cobrados pela Estado (ISP e IVA). Logo, uma descida de 40% no preço do crude poderia, no limite, produzir uma redução de cerca de 16% no preço da gasolina e nunca de 40%!
O problema é que, até agora, a redução se ficou pelos 5%...
João Castanheira
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
A Quinta do Ambrósio

Aqui há uns anos, aquela propriedade do concelho de Gondomar foi transaccionada por 1 milhão de euros, um valor baixo, já que o terreno estava afecto à Reserva Agrícola Nacional, não tendo, por isso, capacidade construtiva.
Seis dias após a transacção, a quinta – que já não era do Ambrósio – foi vendida a uma empresa pública, a STCP, pelo valor de 4 milhões de euros. Com a garantia de que seria desafectada da Reserva Agrícola Nacional. E foi mesmo.
Ao ganhar capacidade construtiva, o terreno viu o seu valor multiplicado por quatro, gerando em poucos dias uma mais-valia de 3 milhões de euros.
Essa mais valia foi paga pelos contribuintes, que todos os anos são convidados a financiar, através dos impostos, o défice crónico da STCP.
E onde foram parar estes milhões?
Citando o que escrevem hoje vários órgãos de comunicação social, aos bolsos de um dos filhos do Presidente da Câmara de Gondomar, do Vice-Presidente da mesma autarquia e de um ex-dirigente do Boavista. Gente com queda para o negócio.
Às vezes penso que, por um qualquer capricho da natureza, Portugal acabou plantado a norte do continente que lhe estava destinado.
João Castanheira
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
O fim da linha
O crime ocorreu no interior duma esquadra da PSP, o que começa a ser normal aqui pela West Coast of Europe.
Hoje, o juiz de instrução criminal do Tribunal de Portimão colocou o homicida em liberdade.
O agressor poderá assim deslocar-se ao hospital para completar o serviço. Quer-me parecer que quem dispara 5 tiros no interior duma esquadra, não verá problema de maior em aviar mais 2 ou 3 na unidade de cuidados intensivos do Hospital de São José.
É devido um agradecimento a este juiz, que expôs ao ridículo as leis penais que vigoram neste WC da Europa. Leis que, invariavelmente, protegem o bandido e abandonam a vítima à sua sorte.
O último a sair que apague a luz...
João Castanheira
Agora é que isto vai
E se Sá Fernandes ainda conseguiu sacar um pelouro, Helena Roseta não obteve mais do que dois projectos.
A cidade está particularmente empolgada com uma coisa de nome “Lisboa, encruzilhada de mundos”, que visa “colocar a capital na vanguarda da implementação de políticas intermunicipais de cooperação e desenvolvimento”. Seja lá o que isso for. Ou, segundo outras fontes, promover o “desenvolvimento do diálogo intercultural”.
Agora que há dinheiro para gastar em palhaçada, já estou a ver o Terreiro do Paço repleto de animadores culturais e malabaristas a cuspir fogo. Com muito reggae, kuduro e cheiro a erva.
Assim como assim, nada pode ser pior do que um desastre chamado Carmona.
João Castanheira
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
O plebiscito
É um bom resultado, que se bate, sem complexos, com os 88% conseguidos em 1969 por Marcello Caetano.
Mas as verdades têm que ser ditas: o resultado do MPLA fica aquém dos 96% alcançados pela família Castro em Cuba ou dos 100% que Kim Jong Il costuma sacar nas eleições da Coreia do Norte.
O facto, inesperado, da oposição ter conseguido alguns votos, convida a um exercício de autocrítica.
Ainda assim, para evitar qualquer leitura distorcida da realidade, aqui ficam os títulos de algumas das muito diversificadas notícias difundidas pela ANGOP, a agência noticiosa oficial do MPLA, perdão, de Angola.
“UNITA sem razões coesas para impugnar eleições”
João Castanheira
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Ainda a Polónia
Wroclaw, capital da Baixa Silésia

João Castanheira
Alternância democrática? Isso é coisa de colonialistas...

A respeito do processo eleitoral angolano, aqui ficam duas frases lapidares do José Manuel Fernandes, retiradas do editorial de hoje do jornal Público.
É por estas (verdades) e por outras que o Público foi proibido de entrar em Angola.
“Não é por acaso que se considera que uma democracia aberta e liberal é o regime em que os cidadãos podem despedir os seus governantes de forma pacífica, algo que nunca ocorreu em Angola... É que só nessa altura se vê se esta é genuína ou se corresponde a uma fachada para descansar as consciências ocidentais, só nessa altura se sabe se os países são capazes de trocar de governo sem sobressaltos (como em Cabo Verde) ou se a democracia entra em crise quando o poder instalado se sente ameaçado (como no Zimbabwe)”.
“Todos os que olham para as riquezas de Angola e sempre fecharam os olhos às comissões que se pagam aos políticos angolanos estarão por certo na primeira linha dos que proclamaram estas eleições como livres e justas”.
João Castanheira
Cautelas e caldos de Galinha
.quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Esperança

Há hoje, como havia em 1992, uma enorme esperança de que as eleições representem o salto definitivo rumo ao futuro.
Eu partilho dessa esperança, porque acredito que entre os despojos da guerra e os tentáculos da corrupção, há em Angola uma sociedade civil que emerge.
Partilho dessa esperança, porque acredito na força regeneradora das novas gerações, que depois de experimentarem a paz, querem agora partilhar a prosperidade que anda por ali à espreita.
É certo que há 16 anos as coisas acabaram mal.
É certo que se a vitória do MPLA não estivesse garantida, jamais teriam sido marcadas eleições.
É certo que não pode esperar-se que sejam os corruptos a pôr fim à corrupção.
É certo que os sinais que chegam de Luanda são inquietantes – os principais órgãos de informação portugueses foram proibidos de entrar em Angola para acompanhar o processo eleitoral
Mas apesar de tudo, quero acreditar no futuro de Angola.
João Castanheira
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Sabonetes à venda...

Por detrás do brilho esplendoroso da imagem mediática. Por detrás do apelo sedutor da retórica discursiva. Por detrás do fascínio reconfortante do multiculturalismo finalmente chegado à política há Obama e um enorme deserto de ideias.
Os “mauzões” que por aí andam!

Uma viagem pelo maravilhoso que ainda há em nós

terça-feira, 2 de setembro de 2008
Oskar Schindler

Quem visita a capital cultural da Polónia, não pode imaginar o que ali se passou durante a ocupação Nazi.
Depois de visitar a cidade, decidi ontem rever A Lista de Schindler, obra-prima de Spielberg, galardoada com sete Óscares da Academia em 1994.
O filme retrata, de forma brilhante, a perseguição aos judeus de Cracóvia, a construção do ghetto, a sua eliminação na noite de horror de 13 de Março de 1943 e a deportação dos sobreviventes para o campo de concentração de Plaszow, nos arredores da cidade.
A Lista de Schindler relata, sobretudo, a comovente história de um homem grande. Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro e Oskar Schindler salvou 1.100 pessoas.
.
João Castanheira
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Os complexos de esquerda estão a matar Portugal
O problema, creio eu, é que depois de 40 anos de autoritarismo de direita, Portugal vive há mais 30 anos mergulhado em complexos de esquerda.
Veja-se o exemplo da educação.
Todos temos a noção de que a escola só funciona se existir uma cultura de exigência, mérito e rigor. É por isso que, podendo fazê-lo, todos os pais optam hoje por inscrever os seus filhos em boas escolas privadas, onde esses valores prevaleçam.
Mas a verdade é que, apesar desta evidência, os complexos de esquerda têm conduzido sucessivos governos a afundar a escola pública na anarquia e na mediocridade.
O facilitismo e o igualitarismo, marcas indeléveis da nossa esquerda, estão aos poucos a matar o ensino, produzindo gerações de portugueses impreparados para enfrentar os desafios do mundo actual.
Veja-se o exemplo da segurança.
Todos temos a noção de que o excesso de garantias conferido aos marginais colide com o interesse dos cidadãos e impede a sociedade de se defender convenientemente do crime.
Mas a verdade é que, apesar desta evidência, os complexos de esquerda têm levado sucessivos governos a amaciar as leis penais, mergulhando o país numa inquietante espiral de criminalidade.
A desculpabilização, marca indelével da nossa esquerda, está aos poucos a coarctar a liberdade dos cidadãos.
Veja-se, aliás, o que a própria esquerda diz sobre a sua incapacidade para lidar com os problemas de segurança. Assume hoje o Daniel Oliveira no seu blogue que a esquerda tem dificuldade em falar da criminalidade de rua, como os roubos e os assaltos. E justifica esta dificuldade, afirmando que a esquerda desconfia do Estado e desconfia ainda mais da polícia.
Os complexos de esquerda estão a matar Portugal.
João Castanheira
domingo, 31 de agosto de 2008
Nacionalizações
O terceiro mundo aqui ao lado

sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Um país a saque

O resultado está à vista de todos. O país mergulhou numa onda de crimes violentos sem precedentes. Bancos, bombas de gasolina, estações de correios, tribunais, restaurantes, ourivesarias, carros e pessoas estão a saque.
Os marginais são repetidamente apanhados a cometer os mesmos crimes e logo postos em liberdade.
Com a sensatez e a oportunidade a que nos vem habituando, o Procurador-Geral da República disse ontem aquilo que o país inteiro anda há muito tempo a dizer: “o hiper garantismo concedido aos arguidos colide com o direito das vítimas, com o prestígio das instituições e dificulta e impede muitas vezes o combate eficaz à criminalidade”, acrescentando esperar “que o legislador proceda aos ajustamentos legais que se mostrem necessários”.
Logo veio a terreiro o Ministro da Justiça, Alberto Costa, recusando qualquer alteração às leis penais.
Há aqui qualquer coisa que não se entende. Aquilo a que estamos a assistir é uma autêntica operação de desmantelamento da autoridade do Estado.
Até quando vai o país tolerar a incompetência e a irresponsabilidade deste governo em matéria de segurança e justiça?
É preciso pôr fim a esta bandalheira.
João Castanheira
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Onde pára a polícia?
Estacionei o carro na Praça do Município e fui até à Praça do Comércio, onde me misturei com os turistas, numa feira de rua mixuruca que a câmara ali instalou. Ao lado há uns esboços de esplanadas, com cadeiras de plástico, como se fossem buteques de caracóis em Pirescouxe.
Depois, subi a Rua Augusta, dei a volta ao Rossio, meti pela Rua do Carmo, virei para a Rua Garret e sentei-me a comer um gelado numa esplanada perto do Camões.
Dei mais umas voltas pelo Chiado, fui até à Rua Ivens, desci a Rua Nova do Almada e dirige-me de novo à Praça do Comércio.
Em todo este trajecto pelo coração de Lisboa não encontrei um único polícia. Pelo contrário, ao longo do percurso fui abordado por diversos vendedores de óculos contrafeitos, artigos em “ouro” e “chamon”. Eu e muitos dos lisboetas e turistas que dedicaram a tarde de domingo a passear por Lisboa.
Antes de entrar para o carro passei junto à esquadra da PSP da Rua do Arsenal e dei de caras com uma cena verdadeiramente surreal: à porta estavam dois seguranças privados!
Mas afinal onde é que pára a polícia?
Passei a semana anterior em diversas cidades da Polónia e em todas elas se respira um ambiente de segurança e tranquilidade, com agentes da autoridade nos locais turísticos, nas estações de comboio e em todos os pontos estratégicos. E não se vê por lá um décimo da fauna que por aqui vagabundeia.
Então e os nossos polícias, por onde andam?
Estarão fechados nas esquadras, estarão a passar multas de trânsito, estarão em casa a descansar? Ou talvez, quem sabe, estejam a fazer uns gratificados nos campos de futebol.
Ou isto muda ou, em breve, os passeios por Lisboa não passarão de uma vaga memória.
João Castanheira
domingo, 24 de agosto de 2008
Cracóvia


sábado, 23 de agosto de 2008
Viagem ao Inferno

Esta semana, visitei os campos de extermínio de Auschwitz e Birkenau, na Polónia, e dei de caras com a face mais negra e brutal da humanidade.
Percorrer as câmaras de gás, os fornos crematórios ou os subterrâneos do bloco 11 de Auschwitz – o pavilhão da morte – é descer ao inferno e enfrentar os demónios mais sombrios.
Ali, tudo cheira a tortura, a morte e a um sofrimento sem fim: a forca móvel, a sala onde foram ensaiadas as primeiras experiências de extermínio em massa com gás zyklon B, os esconsos sufocantes onde os prisioneiros eram esquecidos até morrerem de sede, fome ou falta de ar...
Está lá tudo. Das celas parecem desprender-se gritos lancinantes de terror e pelos corredores circulam ainda os fantasmas dos carrascos, tomados por um ódio sem limites.
No bloco ao lado, os prisioneiros eram submetidos às mais macabras e criminosas “experiências médicas” e no pátio entre estes dois blocos ficava a parede de execuções, onde muitos milhares de homens e mulheres foram sumariamente fuzilados.
Os requintes de sadismo e malvadez do regime de Adolf Hitler, patentes em todo o campo, ultrapassam o imaginável, mesmo para as mais pérfidas mentes humanas.
Entre 1939 e 1945, o campo de Auschwitz foi um verdadeiro matadouro humano, mas na sua imparável loucura rumo ao abismo, os nazis queriam mais. O objectivo era concluir rapidamente a chamada “solução final para o problema judeu”, assassinando cerca de 11 milhões de pessoas.
Por isso, em 1941 construíram o campo de Auschwitz II (Birkenau), uma gigantesca fábrica de matar, onde chegaram a viver como animais perto de 100.000 pessoas.
Os prisioneiros eram transportados durante vários dias em vagões para gado, sucumbindo muitos deles durante a viagem.

Nesta orgia de tortura e morte, só em Auschwitz e Birkenau foram assassinadas cerca de um milhão e meio de pessoas. Sobretudo judeus e seus descendentes, mas também ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e adversários políticos.
A Polónia tem feito um admirável trabalho de preservação da nossa memória colectiva, mantendo de forma irrepreensível, entre outros lugares de horror, os campos de Auschwitz e Birkenau, que desde 1979 são considerados Património Mundial da Humanidade.
O mundo jamais poderá esquecer o que ali se passou.
João Castanheira
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Um país lixado

Força Naide!
.jpg)
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Em Pequim tudo normal
Decepção no judo, decepção no tiro, decepção na esgrima, decepção no atletismo...
Um dos portugueses eliminados dizia esta manhã que à hora da prova devia era estar na caminha.
Só mesmo Naide Gomes, Vanessa Fernandes ou Nelson Évora poderão quebrar o ritmo de excursão que se apoderou da representação nacional.
Apenas eles poderão evitar que estes jogos fiquem na história pela maior comitiva turística alguma vez enviada por Portugal a uns Jogos Olímpicos.
Recorde-se que o país investiu 13 milhões de euros na preparação olímpica e que o objectivo mínimo definido pelo Comité Olímpico de Portugal passa pela conquista de 4 medalhas.
João Castanheira
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Este país não tem emenda
Tudo começou quando dois meliantes decidiram levar o filho para um assalto.
Instados a parar por uma patrulha da GNR, os bandidos puseram-se em fuga, não hesitando em tentar atropelar o agente da autoridade que se lhes atravessou no caminho.
A GNR fez o que tinha que ser feito: disparou para tentar imobilizar a viatura, mas, por um lamentável azar, um dos tiros atingiu a criança que se escondia no interior da carrinha.
Resultado: o agente da autoridade foi constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência. Já os meliantes, apanhados na posse do material roubado e de um pequeno arsenal, foram de imediato postos em liberdade. Resultado: fugiram.
Soube-se agora que um dos bandidos que o tribunal se apressou a libertar e que, obviamente, se encontra a monte, era um perigoso assaltante, evadido da cadeia de Alcoentre desde o ano 2000. Apesar de ter espalhado o terror no sul do país, roubando e batendo em idosos, o assaltante foi naquela altura colocado a vindimar, em regime aberto. Resultado: fugiu.
Não me admiro que ao longo destes anos tenha vivido numa casa oferecida pelo Estado e que tenha até beneficiado do Rendimento Mínimo Garantido. Aparentemente, o cruzamento de informações só serve para perseguir os contribuintes que têm o hábito de pagar os seus impostos.
Quanto ao meliante, apesar de apanhado em flagrante, enganou o tribunal e voltou a fugir.
De quem é a culpa? Ou muito me engano ou o único culpado será o agente da autoridade que tentou cumprir a sua missão.
Este país não tem emenda.
João Castanheira
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Mais duas obras de arte!
Abortámos!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Coitadinho do bandido
Para o Daniel Oliveira, a operação policial de ontem, na agência do BES de Campolide, foi a pior de sempre em Portugal.
Porquê? Porque um dos bandidos foi morto e para a nossa esquerda caviar isso é um erro intolerável.
Aliás, é para evitar erros como este que o Bloco de Esquerda defende que a polícia deve andar desarmada – embora os bandidos andem cada vez mais armados.
Para ilustrar na perfeição os complexos que paralisam a cabeça desta gente, o Daniel Oliveira atira-se de seguida a um comentador televisivo, que se debruçou sobre o facto dos marginais serem brasileiros.
Para o Daniel Oliveira, nem os bandidos de ontem eram brasileiros nem os de há uns dias eram ciganos. A simples constatação destes factos corresponde a uma afirmação xenófoba ou racista.
Para os bloquistas, trata-se apenas de jovens, a quem o país deve aliás um pedido de desculpas, muito apoio psicológico e um subsídio especial de reintegração.
Os parabéns à nossa polícia, que actuou com grande competência e que deu à bandidagem o sinal que era necessário dar.
João Castanheira
Belíssimo
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
O holocausto florestal

Como português, eu agradeço a sensibilidade ambiental do primeiro-ministro. Que avancem os bulldozers, pois o interesse público subjacente à construção de apartamentos privados não se compadece com mariquices.
Em boa verdade, para que servem 1.200 sobreiros senão para fazer lenha?
Pense-se nos benefícios ambientais deste projecto, por exemplo em matéria de saneamento básico. Serão, pelo menos, mais quinze mil retretes, que todos poderemos utilizar, já que são de imprescindível interesse público. Julgo mesmo que o lema desta nova urbanização deveria ser "em cada casa um urinol público".
De PIN em PIN, de interesse público em interesse público, avança imparável o holocausto florestal. Aqui como na Amazónia, o “progresso” vai devorando a verdura, até ao dia em que acabarmos todos com a cabeça enfiada numa saca de cimento.
João Castanheira
savemiguel.com

quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O homem Eucalipto

Que se há de fazer? A estupidez humana não tem limites!

Selvajaria
Há pouco mais de uma semana, escrevi aqui que a demolição criminosa daquele ex-libris da arquitectura modernista estava iminente.
E assim foi. O velho mercado não resistiu à gula febril - alimentada a petróleo - que tomou conta de Luanda.
No seu lugar, vai nascer mais um mono em vidro, com um centro comercial ladeado por duas torres incaracterísticas.
Em frente ao exibicionismo novo-riquista que ali se há-de instalar, continuará a existir uma espécie de musseque vertical, construído no esqueleto de um arranha-céus de 20 andares.
Quando os comunistas aderem ao capitalismo, a selvajaria parece não conhecer limites.
João Castanheira
Um dia na vida de um Regime

Os anos de chumbo e o chumbo das nossas atitudes

sexta-feira, 1 de agosto de 2008
O melhor negócio do mundo
Refiro-me à alteração do uso do solo para fins imobiliários, actividade em que se especializaram alguns investidores do nosso país.
Compram terrenos agrícolas ou industriais ao preço da chuva e, num passe de mágica, conseguem que as câmaras municipais os transformem em zonas urbanizáveis.
As mais-valias que resultam destes processos atingem, frequentemente, as dezenas de milhões de euros.
Por razões óbvias, esta é uma porta aberta à corrupção, à especulação imobiliária e ao desordenamento do território.
Toda a gente sabe o que passa, mas ninguém parece interessado em resolver o problema. Um problema que só se resolve no dia em que as mais-valias resultantes da alteração do uso do solo reverterem, integralmente, para o Estado.
Se eu fosse primeiro-ministro por um dia, esta seria a primeira medida que tomava.
João Castanheira
O condomínio "Moderna"

Pouco depois, o investidor imobiliário anunciou para aquela área um projecto habitacional de luxo, orçado em 46 milhões de euros.
Esse projecto imobiliário não respeita o Plano Director Municipal de Lisboa.
O Plano Director Municipal de Lisboa está em fase de revisão.
Ontem, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior anunciou a intenção de encerrar compulsivamente a Universidade Moderna, por falta de viabilidade económica.
Alguém adivinha como é que esta história vai acabar?
João Castanheira
Silly Season
Nota-se uma divergência evidente entre as prioridades das pessoas e a cada vez mais fantasiosa agenda política. Parece haver um mundo real, onde circulam os portugueses, e um mundo virtual, onde os governantes se divertem a brincar aos países desenvolvidos.
No mundo real, o petróleo, os juros e o desemprego batem recordes diariamente. No mundo virtual, organizam-se espectáculos “bollywoodescos” para oferecer milhões de computadores aos meninos da escola primária.
No mundo real, todos os dias fecham fábricas de sapatos, soutiens e ceroulas. No mundo virtual anunciam-se fábricas de computadores, aviões e componentes para naves espaciais.
Ontem, o fosso entre os dois mundos agudizou-se, com a declaração ao país do Presidente da República.
O momento era solene. Pela primeira vez, Cavaco Silva decidira dirigir-se formalmente aos portugueses. Os assessores tinham avisado que a coisa era séria.
Às oito da noite, o país sentou-se ansioso em frente à televisão. Teria Cavaco Silva encontrado a solução para algum dos problemas do mundo real? Estaria doente? Iria anunciar a sua demissão? Teria decidido dissolver a Assembleia da República?
O ar grave e sério do Presidente da República conferiu à ocasião um dramatismo insuportável. Portugal ficou com os nervos em franja.
Ao fim de um minuto, percebeu-se que, afinal, o Presidente da República estava preocupado com o número de pessoas que teria que ouvir caso algum dia decidisse dissolver a Assembleia da Legislativa dos Açores.
Tragam os Prozacs, que a gente assim não se aguenta.
João Castanheira
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Salvar o Mercado de Kinaxixe

O Mercado de Kinaxixe, em Luanda, é uma das mais emblemáticas e importantes obras de arquitectura moderna em todo o mundo de expressão portuguesa.
Inaugurado em 1958, este fantástico edifício foi projectado por Vasco Vieira da Costa, arquitecto angolano de origem portuguesa, que teve o raro privilégio de trabalhar no escritório de Le Corbusier até ao início da década de 50.
Apontado, em todo o mundo, como um dos mais notáveis exemplos da arquitectura tropical, o Mercado de Kinaxixe é uma pérola do património cultural angolano.
Lamentavelmente, o edifício está hoje entaipado e aparentemente condenado a uma quase inevitável demolição.
A arquitecta Ana Vaz Milheiro lança, no Público de hoje, um apelo sentido e urgente: “Quem quer salvar o Kinaxixe?”.
É preciso sensibilizar as autoridades angolanas para a importância ímpar deste património, mas é também necessário que Portugal adopte uma postura activa na salvaguarda da memória colectiva dos dois países, ajudando a preservar algumas das obras arquitectónicas de referência construídas em Angola durante o século passado.
Por isso, Ana Vaz Milheiro avança com uma ideia brilhante, que o governo português deveria agarrar rapidamente: a construção de uma grande casa da cultura portuguesa no Mercado de Kinaxixe, bem no centro de Luanda.
Porque a defesa da língua e da cultura portuguesa não se faz apenas nos discursos políticos. Faz-se, sobretudo, com gestos e projectos concretos e ambiciosos.
Alguém faça alguma coisa antes que seja tarde demais.
João Castanheira
sexta-feira, 25 de julho de 2008
O memorável concerto dos Kings of Convenience

Genial!
Os Kings of Convenience tocaram esta noite na Cidadela de Cascais, integrados no programa do CoolJazzFest 2008.
Não tenho memória de um concerto assim.
Aquilo que se ouve nos álbuns destes dois rapazes de Bergen é mesmo verdade: uma guitarra folk, uma guitarra clássica e duas vozes chegam para encher o palco, parecendo por vezes transformar-se numa orquestra inteira.
Já a festa ia ao rubro quando subiram ao palco dois amigos – um italiano e um alemão – acompanhados por um contrabaixo e um violino. Todos juntos, fizeram de Stay Out of Trouble um dos momentos mais memoráveis a que alguma vez assisti num concerto.
O que não estava no programa era o KO da guitarra de Erlend Øye, para a qual não havia substituto. A partir daí, os Kings of Convenience aceleraram para um imparável festival de improviso e diversão. Sem as cordas de aço, Erlend decidiu encher o palco a dançar e a “tocar” um genial mouth trumpet.
No final do concerto, Eirik Glambek Boe ainda encontrou coragem para brindar a audiência com uma versão de Corcovado, sozinho com a sua guitarra clássica.
Os Kings of Convenience são uma das razões para se amar a Noruega. Um país onde há muito mais do que bacalhau...
Que esplêndida noite de verão. Tenho pena de quem não assistiu a isto.
Para os menos atentos, aqui fica um link para Toxic Girl.
João Castanheira
Eça de Queirós

quarta-feira, 23 de julho de 2008
Privado, mas pouco...

Entretanto, soube-se ontem que o Estado angolano é já o maior accionista do principal banco privado português, o Millennium BCP.
Em Portugal, o mercado tem destas coisas...
João Castanheira
O retrocesso civilizacional

Deveríamos, portanto, aceitar a degola de borregos na via pública, a mutilação genital das mulheres africanas, a poligamia e a burka, já para não falar da ideia peregrina de leccionar aulas em crioulo...
O acolhimento de emigrantes seria assim sinónimo de destruição de uma cultura e um estilo de vida que fomos construindo ao longo de séculos. Um verdadeiro retrocesso civilizacional.
João Castanheira
terça-feira, 22 de julho de 2008
A realidade paralela da RTP
Não foram 2, nem 3, nem 4. Foram 10 minutos, em horário nobre. Uma imparável sequência de directos, imagens de arquivo, testemunhos, opiniões e entrevistas.
Pouco parece importar o caos social na Quinta da Fonte, o mergulho no abismo da Bolsa de Lisboa ou o clamoroso fracasso da PJ no caso Maddie.
Não havendo futebol, arranje-se qualquer coisa capaz de afastar os portugueses da enxurrada que ameaça arrastar o Partido Socialista.
João Castanheira
O Portugal subsidiado
Alguns dos moradores que sairam do bairro lamentam o roubo dos seus plasmas e leitores de DVD.
Mas, de acordo com a Câmara Municipal de Loures, 90% da população activa residente na Quinta da Fonte vive do Rendimento Mínimo Garantido.
E 95% das famílias ciganas que abandonaram o bairro nunca pagaram a renda de casa nem a conta da água.
Isto apesar de beneficiarem de rendas sociais, na maioria dos casos com o valor de 4,26 € por mês.
Tudo isto começa a revoltar o Portugal que trabalha. O Portugal que vai pagar 25o.ooo euros pela reparação das casas vandalizadas.
João Castanheira
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Sócrates embevecido com Angola

Não sei a que trabalho se refere o primeiro-ministro, mas a frase poderia aplicar-se, por exemplo, à forma competente como a elite dirigente angolana suga para os seus próprios bolsos toda a riqueza do país. Talvez não seja possível encontrar em todo o planeta quem tão bem trabalhe este nicho de actividade.
Sócrates acrescentou ainda que Angola tem hoje um enorme “prestígio internacional” e que é “um dos países mais falados e reputados”.
De facto, o prestígio de Angola é enorme. Apesar de ser um dos países mais ricos do mundo, surge invariavelmente no fim da lista do índice de desenvolvimento humano publicada pelas Nações Unidas, lado a lado com os países mais miseráveis de África.
A reputação de Angola – ou do governo angolano – está também acima de qualquer suspeita. Sem eleições desde 1992 e com um Presidente da República no poder há 30 anos sem nunca ter sido eleito, Angola é universalmente aclamada como o paradigma da democracia do futuro.
Este tipo de declarações ultrapassa largamente o pragmatismo diplomático e económico a que o primeiro-ministro está obrigado. Frases como estas ficam-lhe mal e fazem-nos, a todos, sentir muita vergonha.
O mundo inteiro sabe como e com quem se fazem os negócios em Angola. O mundo inteiro sabe para onde vão os biliões do petróleo e dos diamantes. O mundo inteiro sabe porque continua o povo angolano a viver e a morrer na mais obscena miséria.
Por isso, recomendar-se-ia a Sócrates algum recato.
João Castanheira




