
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
E que viva o Capitalismo!

Sur les Pavés, la Plage!
Se os Cohn-Bendits daqueles tempos gritavam que era proibido proibir, as Lurdes Rodrigues de hoje gritam que é proibido chumbar. E que bem que soa, não é?
Acabemos então com o velho mundo e escancaremos as portas ao novo, até porque a acção não deve ser uma reacção - antes que umas quaisquer estatísticas nos estraguem o arranjinho -, mas uma criação e é tempo, por isso, de dizer que a imaginação tomou o poder. E que melhor imaginação que imaginar que por decreto, todos somos génios? Lindo, não é?
E assim foi, o sonho glorioso da educação em Portugal aboliu essa coisa do passado que era o chumbo e decretou a excelência. Não há tempo a perder, avancemos que o futuro espera por nós, algures entre a indigência e a estupidez colectiva, há um amanhã e um novo Maio que canta.
Cantemos pois, cantemos e sejamos realistas, exijamos o impossível... É que a Sra. Rodrigues não o fez por menos!
Luís Isidro Guarita
Carlos V e o futuro, ou a viagem de Fernão de Magalhães contada à pequenada, 500 anos depois e através do Classmate.

Podemos estar descansados
A ASAE, organismo que se especializou na apreensão de bolas de berlim e colheres de pau, emitiu ontem um comunicado onde afirmava que “a importação de leite e produtos lácteos provenientes da China é proibida na União Europeia desde 2002”, acrescentando que “não possuiu qualquer evidência de que possam ter ocorrido exportações ilegais para Portugal”.No mesmo dia, o Público foi às compras e, sem ter que procurar muito, adquiriu iogurtes líquidos e bebidas de leite chinesas, num supermercado da cidade do Porto.
Podemos estar descansados.
João Castanheira
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Eu não lhes acho piada nenhuma...

O rosto humano de Jerónimo de Sousa, que ao contrário de Cunhal se deixa filmar a dançar o vira e a chupar sardinhas assadas, quase faz esquecer os milhões de vítimas do comunismo. Foram gerações inteiras sujeitas à miséria, à tortura e à morte, em nome dos ideais criminosos que esta gente continua a defender.
Uma gente que esteve à beira de empurrar Portugal para o abismo de uma feroz ditadura de inspiração soviética. Uma gente que finge não ter visto o irreprimível grito de liberdade que varreu a Polónia, a RDA, a Checoslováquia, a Hungria ou a União Soviética. Uma gente que ainda hoje acredita – ou diz acreditar – que o futuro da humanidade está na Coreia do Norte ou em Cuba.
Leia-se o projecto de Teses do XVIII Congresso do PCP, onde entre outras preciosidades se escreve: “Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia.”
Tivesse esta gente a possibilidade de assumir os destinos do país e Portugal acabaria, irremediavelmente, como uma espécie de Cuba da Europa. E, apesar do rosto humano do camarada Jerónimo, muitos de nós acabaríamos, no mínimo, presos.
É por isso que eu não lhes acho piada nenhuma...
João Castanheira
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Alguém me acertou com um Magalhães

Anda por aí uma turba ululante a atirar Magalhães à cabeça dos nossos pequenos.
Parece que o próprio primeiro-ministro e mais dez governantes decidiram tirar o dia para arremessar milhares de "PlayStations" à testa da criançada. O governo em peso está a correr o país, de lés a lés, com as câmaras de televisão às costas.
Agora é que isto vai. Este ano, os nossos jovens já tinham sido atacados por um surto de inteligência fulminante, que cortara drasticamente os chumbos e elevara ao zénite as médias em todas as disciplinas.
Agora, com o Magalhães, a meta é zero chumbos - ministra da educação dixit. A partir de hoje, nenhum português vai reprovar. O chumbo foi oficialmente banido do nosso sistema de ensino. Todos os alunos serão classificados com um 40, numa escala de 0 a 20. O Eurostat que embrulhe esta estatística.
E mais: se o Partido Socialista continuar no governo, dentro de poucos anos cada criança sairá da maternidade - mesmo em Badajoz - com um Magalhães e um douturamento honoris causa às costas.
Podemos transformar-nos num país de brutos e analfabetos, mas seremos todos diplomados.
Connosco, no caminho para a construção do homem novo, estarão a Namíbia e a Venezuela, nações prósperas e luminosas que já aderiram à distribuição gratuita do Magalhães.
João Castanheira
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
A globalização somos nós!
Este simples facto é, nas suas múltiplas dimensões e como tão claramente nos explica Rui Ramos, a verdadeira face da globalização. Por muito que grupos e grupelhos por esse mundo fora gritem à frente de um microfone ou câmara de televisão os chavões do momento contra o papão da globalização e os seus demónios na forma de multinacionais que tudo exploram e tudo submergem aos seus interesses, foram também esses mesmos papões e demónios que permitiram a manutenção e até elevação da qualidade de vida de muitos dos que, pelos fóruns do mundo, vociferam o seu ódio contra o planeta global.
Mas a verdade é esta, a globalização somos nós. Sem ela, o mundo poderia não ser o mesmo, mas seria, sem dúvida, um mundo pior.
Luís Isidro Guarita
Que tal pedir a ajuda de Luanda?
Não me refiro ao português mas sim ao angolano!
Nestas coisas, é melhor falar com quem manda.
João Castanheira
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Lula e os outros.

Especulação e ignorância

É óbvio que o mercado nacional dos combustíveis rodoviários não funciona. E não funciona porque é dominado por 3 empresas – a Galp, a Repsol e a BP – que repartem entre si mais de 80% do mercado. Como nenhum destes operadores está disposto a ganhar quota de mercado à custa duma política agressiva de preços, a concorrência não passa de uma miragem.
Ainda que informalmente, vigora no mercado dos combustíveis um pacto de não agressão, que é do interesse das empresas e dos seus accionistas. O presidente executivo da Galp, um dos mais competentes gestores deste país, está por isso a cumprir o seu papel.
Já o mesmo não se pode dizer da Autoridade da Concorrência, que se limita a constatar não existirem provas concretas de cartelização. Ora, mal estaríamos se as petrolíferas precisassem de se reunir ou trocar correspondência para combinar preços!
Dito isto, é também surpreendente a ignorância com que esta matéria é abordada pela maioria dos órgãos de comunicação social e até por alguns alegados especialistas em energia.
Dizia hoje um dos tais especialistas que, se ao longo dos últimos 2 meses a cotação do crude caíra 40%, o preço dos combustíveis deveria ter baixado em igual percentagem.
Ora, esta afirmação revela uma ignorância atroz, pois, como se sabe quase 60% do preço da gasolina corresponde a impostos cobrados pela Estado (ISP e IVA). Logo, uma descida de 40% no preço do crude poderia, no limite, produzir uma redução de cerca de 16% no preço da gasolina e nunca de 40%!
O problema é que, até agora, a redução se ficou pelos 5%...
João Castanheira
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
A Quinta do Ambrósio

Aqui há uns anos, aquela propriedade do concelho de Gondomar foi transaccionada por 1 milhão de euros, um valor baixo, já que o terreno estava afecto à Reserva Agrícola Nacional, não tendo, por isso, capacidade construtiva.
Seis dias após a transacção, a quinta – que já não era do Ambrósio – foi vendida a uma empresa pública, a STCP, pelo valor de 4 milhões de euros. Com a garantia de que seria desafectada da Reserva Agrícola Nacional. E foi mesmo.
Ao ganhar capacidade construtiva, o terreno viu o seu valor multiplicado por quatro, gerando em poucos dias uma mais-valia de 3 milhões de euros.
Essa mais valia foi paga pelos contribuintes, que todos os anos são convidados a financiar, através dos impostos, o défice crónico da STCP.
E onde foram parar estes milhões?
Citando o que escrevem hoje vários órgãos de comunicação social, aos bolsos de um dos filhos do Presidente da Câmara de Gondomar, do Vice-Presidente da mesma autarquia e de um ex-dirigente do Boavista. Gente com queda para o negócio.
Às vezes penso que, por um qualquer capricho da natureza, Portugal acabou plantado a norte do continente que lhe estava destinado.
João Castanheira
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
O fim da linha
O crime ocorreu no interior duma esquadra da PSP, o que começa a ser normal aqui pela West Coast of Europe.
Hoje, o juiz de instrução criminal do Tribunal de Portimão colocou o homicida em liberdade.
O agressor poderá assim deslocar-se ao hospital para completar o serviço. Quer-me parecer que quem dispara 5 tiros no interior duma esquadra, não verá problema de maior em aviar mais 2 ou 3 na unidade de cuidados intensivos do Hospital de São José.
É devido um agradecimento a este juiz, que expôs ao ridículo as leis penais que vigoram neste WC da Europa. Leis que, invariavelmente, protegem o bandido e abandonam a vítima à sua sorte.
O último a sair que apague a luz...
João Castanheira
Agora é que isto vai
E se Sá Fernandes ainda conseguiu sacar um pelouro, Helena Roseta não obteve mais do que dois projectos.
A cidade está particularmente empolgada com uma coisa de nome “Lisboa, encruzilhada de mundos”, que visa “colocar a capital na vanguarda da implementação de políticas intermunicipais de cooperação e desenvolvimento”. Seja lá o que isso for. Ou, segundo outras fontes, promover o “desenvolvimento do diálogo intercultural”.
Agora que há dinheiro para gastar em palhaçada, já estou a ver o Terreiro do Paço repleto de animadores culturais e malabaristas a cuspir fogo. Com muito reggae, kuduro e cheiro a erva.
Assim como assim, nada pode ser pior do que um desastre chamado Carmona.
João Castanheira
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
O plebiscito
É um bom resultado, que se bate, sem complexos, com os 88% conseguidos em 1969 por Marcello Caetano.
Mas as verdades têm que ser ditas: o resultado do MPLA fica aquém dos 96% alcançados pela família Castro em Cuba ou dos 100% que Kim Jong Il costuma sacar nas eleições da Coreia do Norte.
O facto, inesperado, da oposição ter conseguido alguns votos, convida a um exercício de autocrítica.
Ainda assim, para evitar qualquer leitura distorcida da realidade, aqui ficam os títulos de algumas das muito diversificadas notícias difundidas pela ANGOP, a agência noticiosa oficial do MPLA, perdão, de Angola.
“UNITA sem razões coesas para impugnar eleições”
João Castanheira
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Ainda a Polónia
Wroclaw, capital da Baixa Silésia

João Castanheira
Alternância democrática? Isso é coisa de colonialistas...

A respeito do processo eleitoral angolano, aqui ficam duas frases lapidares do José Manuel Fernandes, retiradas do editorial de hoje do jornal Público.
É por estas (verdades) e por outras que o Público foi proibido de entrar em Angola.
“Não é por acaso que se considera que uma democracia aberta e liberal é o regime em que os cidadãos podem despedir os seus governantes de forma pacífica, algo que nunca ocorreu em Angola... É que só nessa altura se vê se esta é genuína ou se corresponde a uma fachada para descansar as consciências ocidentais, só nessa altura se sabe se os países são capazes de trocar de governo sem sobressaltos (como em Cabo Verde) ou se a democracia entra em crise quando o poder instalado se sente ameaçado (como no Zimbabwe)”.
“Todos os que olham para as riquezas de Angola e sempre fecharam os olhos às comissões que se pagam aos políticos angolanos estarão por certo na primeira linha dos que proclamaram estas eleições como livres e justas”.
João Castanheira
Cautelas e caldos de Galinha
.quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Esperança

Há hoje, como havia em 1992, uma enorme esperança de que as eleições representem o salto definitivo rumo ao futuro.
Eu partilho dessa esperança, porque acredito que entre os despojos da guerra e os tentáculos da corrupção, há em Angola uma sociedade civil que emerge.
Partilho dessa esperança, porque acredito na força regeneradora das novas gerações, que depois de experimentarem a paz, querem agora partilhar a prosperidade que anda por ali à espreita.
É certo que há 16 anos as coisas acabaram mal.
É certo que se a vitória do MPLA não estivesse garantida, jamais teriam sido marcadas eleições.
É certo que não pode esperar-se que sejam os corruptos a pôr fim à corrupção.
É certo que os sinais que chegam de Luanda são inquietantes – os principais órgãos de informação portugueses foram proibidos de entrar em Angola para acompanhar o processo eleitoral
Mas apesar de tudo, quero acreditar no futuro de Angola.
João Castanheira
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Sabonetes à venda...

Por detrás do brilho esplendoroso da imagem mediática. Por detrás do apelo sedutor da retórica discursiva. Por detrás do fascínio reconfortante do multiculturalismo finalmente chegado à política há Obama e um enorme deserto de ideias.
Os “mauzões” que por aí andam!

Uma viagem pelo maravilhoso que ainda há em nós

terça-feira, 2 de setembro de 2008
Oskar Schindler

Quem visita a capital cultural da Polónia, não pode imaginar o que ali se passou durante a ocupação Nazi.
Depois de visitar a cidade, decidi ontem rever A Lista de Schindler, obra-prima de Spielberg, galardoada com sete Óscares da Academia em 1994.
O filme retrata, de forma brilhante, a perseguição aos judeus de Cracóvia, a construção do ghetto, a sua eliminação na noite de horror de 13 de Março de 1943 e a deportação dos sobreviventes para o campo de concentração de Plaszow, nos arredores da cidade.
A Lista de Schindler relata, sobretudo, a comovente história de um homem grande. Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro e Oskar Schindler salvou 1.100 pessoas.
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João Castanheira
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Os complexos de esquerda estão a matar Portugal
O problema, creio eu, é que depois de 40 anos de autoritarismo de direita, Portugal vive há mais 30 anos mergulhado em complexos de esquerda.
Veja-se o exemplo da educação.
Todos temos a noção de que a escola só funciona se existir uma cultura de exigência, mérito e rigor. É por isso que, podendo fazê-lo, todos os pais optam hoje por inscrever os seus filhos em boas escolas privadas, onde esses valores prevaleçam.
Mas a verdade é que, apesar desta evidência, os complexos de esquerda têm conduzido sucessivos governos a afundar a escola pública na anarquia e na mediocridade.
O facilitismo e o igualitarismo, marcas indeléveis da nossa esquerda, estão aos poucos a matar o ensino, produzindo gerações de portugueses impreparados para enfrentar os desafios do mundo actual.
Veja-se o exemplo da segurança.
Todos temos a noção de que o excesso de garantias conferido aos marginais colide com o interesse dos cidadãos e impede a sociedade de se defender convenientemente do crime.
Mas a verdade é que, apesar desta evidência, os complexos de esquerda têm levado sucessivos governos a amaciar as leis penais, mergulhando o país numa inquietante espiral de criminalidade.
A desculpabilização, marca indelével da nossa esquerda, está aos poucos a coarctar a liberdade dos cidadãos.
Veja-se, aliás, o que a própria esquerda diz sobre a sua incapacidade para lidar com os problemas de segurança. Assume hoje o Daniel Oliveira no seu blogue que a esquerda tem dificuldade em falar da criminalidade de rua, como os roubos e os assaltos. E justifica esta dificuldade, afirmando que a esquerda desconfia do Estado e desconfia ainda mais da polícia.
Os complexos de esquerda estão a matar Portugal.
João Castanheira
domingo, 31 de agosto de 2008
Nacionalizações
O terceiro mundo aqui ao lado

sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Um país a saque

O resultado está à vista de todos. O país mergulhou numa onda de crimes violentos sem precedentes. Bancos, bombas de gasolina, estações de correios, tribunais, restaurantes, ourivesarias, carros e pessoas estão a saque.
Os marginais são repetidamente apanhados a cometer os mesmos crimes e logo postos em liberdade.
Com a sensatez e a oportunidade a que nos vem habituando, o Procurador-Geral da República disse ontem aquilo que o país inteiro anda há muito tempo a dizer: “o hiper garantismo concedido aos arguidos colide com o direito das vítimas, com o prestígio das instituições e dificulta e impede muitas vezes o combate eficaz à criminalidade”, acrescentando esperar “que o legislador proceda aos ajustamentos legais que se mostrem necessários”.
Logo veio a terreiro o Ministro da Justiça, Alberto Costa, recusando qualquer alteração às leis penais.
Há aqui qualquer coisa que não se entende. Aquilo a que estamos a assistir é uma autêntica operação de desmantelamento da autoridade do Estado.
Até quando vai o país tolerar a incompetência e a irresponsabilidade deste governo em matéria de segurança e justiça?
É preciso pôr fim a esta bandalheira.
João Castanheira
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Onde pára a polícia?
Estacionei o carro na Praça do Município e fui até à Praça do Comércio, onde me misturei com os turistas, numa feira de rua mixuruca que a câmara ali instalou. Ao lado há uns esboços de esplanadas, com cadeiras de plástico, como se fossem buteques de caracóis em Pirescouxe.
Depois, subi a Rua Augusta, dei a volta ao Rossio, meti pela Rua do Carmo, virei para a Rua Garret e sentei-me a comer um gelado numa esplanada perto do Camões.
Dei mais umas voltas pelo Chiado, fui até à Rua Ivens, desci a Rua Nova do Almada e dirige-me de novo à Praça do Comércio.
Em todo este trajecto pelo coração de Lisboa não encontrei um único polícia. Pelo contrário, ao longo do percurso fui abordado por diversos vendedores de óculos contrafeitos, artigos em “ouro” e “chamon”. Eu e muitos dos lisboetas e turistas que dedicaram a tarde de domingo a passear por Lisboa.
Antes de entrar para o carro passei junto à esquadra da PSP da Rua do Arsenal e dei de caras com uma cena verdadeiramente surreal: à porta estavam dois seguranças privados!
Mas afinal onde é que pára a polícia?
Passei a semana anterior em diversas cidades da Polónia e em todas elas se respira um ambiente de segurança e tranquilidade, com agentes da autoridade nos locais turísticos, nas estações de comboio e em todos os pontos estratégicos. E não se vê por lá um décimo da fauna que por aqui vagabundeia.
Então e os nossos polícias, por onde andam?
Estarão fechados nas esquadras, estarão a passar multas de trânsito, estarão em casa a descansar? Ou talvez, quem sabe, estejam a fazer uns gratificados nos campos de futebol.
Ou isto muda ou, em breve, os passeios por Lisboa não passarão de uma vaga memória.
João Castanheira
domingo, 24 de agosto de 2008
Cracóvia


sábado, 23 de agosto de 2008
Viagem ao Inferno

Esta semana, visitei os campos de extermínio de Auschwitz e Birkenau, na Polónia, e dei de caras com a face mais negra e brutal da humanidade.
Percorrer as câmaras de gás, os fornos crematórios ou os subterrâneos do bloco 11 de Auschwitz – o pavilhão da morte – é descer ao inferno e enfrentar os demónios mais sombrios.
Ali, tudo cheira a tortura, a morte e a um sofrimento sem fim: a forca móvel, a sala onde foram ensaiadas as primeiras experiências de extermínio em massa com gás zyklon B, os esconsos sufocantes onde os prisioneiros eram esquecidos até morrerem de sede, fome ou falta de ar...
Está lá tudo. Das celas parecem desprender-se gritos lancinantes de terror e pelos corredores circulam ainda os fantasmas dos carrascos, tomados por um ódio sem limites.
No bloco ao lado, os prisioneiros eram submetidos às mais macabras e criminosas “experiências médicas” e no pátio entre estes dois blocos ficava a parede de execuções, onde muitos milhares de homens e mulheres foram sumariamente fuzilados.
Os requintes de sadismo e malvadez do regime de Adolf Hitler, patentes em todo o campo, ultrapassam o imaginável, mesmo para as mais pérfidas mentes humanas.
Entre 1939 e 1945, o campo de Auschwitz foi um verdadeiro matadouro humano, mas na sua imparável loucura rumo ao abismo, os nazis queriam mais. O objectivo era concluir rapidamente a chamada “solução final para o problema judeu”, assassinando cerca de 11 milhões de pessoas.
Por isso, em 1941 construíram o campo de Auschwitz II (Birkenau), uma gigantesca fábrica de matar, onde chegaram a viver como animais perto de 100.000 pessoas.
Os prisioneiros eram transportados durante vários dias em vagões para gado, sucumbindo muitos deles durante a viagem.

Nesta orgia de tortura e morte, só em Auschwitz e Birkenau foram assassinadas cerca de um milhão e meio de pessoas. Sobretudo judeus e seus descendentes, mas também ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e adversários políticos.
A Polónia tem feito um admirável trabalho de preservação da nossa memória colectiva, mantendo de forma irrepreensível, entre outros lugares de horror, os campos de Auschwitz e Birkenau, que desde 1979 são considerados Património Mundial da Humanidade.
O mundo jamais poderá esquecer o que ali se passou.
João Castanheira
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Um país lixado

Força Naide!
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sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Em Pequim tudo normal
Decepção no judo, decepção no tiro, decepção na esgrima, decepção no atletismo...
Um dos portugueses eliminados dizia esta manhã que à hora da prova devia era estar na caminha.
Só mesmo Naide Gomes, Vanessa Fernandes ou Nelson Évora poderão quebrar o ritmo de excursão que se apoderou da representação nacional.
Apenas eles poderão evitar que estes jogos fiquem na história pela maior comitiva turística alguma vez enviada por Portugal a uns Jogos Olímpicos.
Recorde-se que o país investiu 13 milhões de euros na preparação olímpica e que o objectivo mínimo definido pelo Comité Olímpico de Portugal passa pela conquista de 4 medalhas.
João Castanheira
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Este país não tem emenda
Tudo começou quando dois meliantes decidiram levar o filho para um assalto.
Instados a parar por uma patrulha da GNR, os bandidos puseram-se em fuga, não hesitando em tentar atropelar o agente da autoridade que se lhes atravessou no caminho.
A GNR fez o que tinha que ser feito: disparou para tentar imobilizar a viatura, mas, por um lamentável azar, um dos tiros atingiu a criança que se escondia no interior da carrinha.
Resultado: o agente da autoridade foi constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência. Já os meliantes, apanhados na posse do material roubado e de um pequeno arsenal, foram de imediato postos em liberdade. Resultado: fugiram.
Soube-se agora que um dos bandidos que o tribunal se apressou a libertar e que, obviamente, se encontra a monte, era um perigoso assaltante, evadido da cadeia de Alcoentre desde o ano 2000. Apesar de ter espalhado o terror no sul do país, roubando e batendo em idosos, o assaltante foi naquela altura colocado a vindimar, em regime aberto. Resultado: fugiu.
Não me admiro que ao longo destes anos tenha vivido numa casa oferecida pelo Estado e que tenha até beneficiado do Rendimento Mínimo Garantido. Aparentemente, o cruzamento de informações só serve para perseguir os contribuintes que têm o hábito de pagar os seus impostos.
Quanto ao meliante, apesar de apanhado em flagrante, enganou o tribunal e voltou a fugir.
De quem é a culpa? Ou muito me engano ou o único culpado será o agente da autoridade que tentou cumprir a sua missão.
Este país não tem emenda.
João Castanheira
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Mais duas obras de arte!
Abortámos!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Coitadinho do bandido
Para o Daniel Oliveira, a operação policial de ontem, na agência do BES de Campolide, foi a pior de sempre em Portugal.
Porquê? Porque um dos bandidos foi morto e para a nossa esquerda caviar isso é um erro intolerável.
Aliás, é para evitar erros como este que o Bloco de Esquerda defende que a polícia deve andar desarmada – embora os bandidos andem cada vez mais armados.
Para ilustrar na perfeição os complexos que paralisam a cabeça desta gente, o Daniel Oliveira atira-se de seguida a um comentador televisivo, que se debruçou sobre o facto dos marginais serem brasileiros.
Para o Daniel Oliveira, nem os bandidos de ontem eram brasileiros nem os de há uns dias eram ciganos. A simples constatação destes factos corresponde a uma afirmação xenófoba ou racista.
Para os bloquistas, trata-se apenas de jovens, a quem o país deve aliás um pedido de desculpas, muito apoio psicológico e um subsídio especial de reintegração.
Os parabéns à nossa polícia, que actuou com grande competência e que deu à bandidagem o sinal que era necessário dar.
João Castanheira
Belíssimo
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
O holocausto florestal

Como português, eu agradeço a sensibilidade ambiental do primeiro-ministro. Que avancem os bulldozers, pois o interesse público subjacente à construção de apartamentos privados não se compadece com mariquices.
Em boa verdade, para que servem 1.200 sobreiros senão para fazer lenha?
Pense-se nos benefícios ambientais deste projecto, por exemplo em matéria de saneamento básico. Serão, pelo menos, mais quinze mil retretes, que todos poderemos utilizar, já que são de imprescindível interesse público. Julgo mesmo que o lema desta nova urbanização deveria ser "em cada casa um urinol público".
De PIN em PIN, de interesse público em interesse público, avança imparável o holocausto florestal. Aqui como na Amazónia, o “progresso” vai devorando a verdura, até ao dia em que acabarmos todos com a cabeça enfiada numa saca de cimento.
João Castanheira
savemiguel.com

quarta-feira, 6 de agosto de 2008
O homem Eucalipto

Que se há de fazer? A estupidez humana não tem limites!

Selvajaria
Há pouco mais de uma semana, escrevi aqui que a demolição criminosa daquele ex-libris da arquitectura modernista estava iminente.
E assim foi. O velho mercado não resistiu à gula febril - alimentada a petróleo - que tomou conta de Luanda.
No seu lugar, vai nascer mais um mono em vidro, com um centro comercial ladeado por duas torres incaracterísticas.
Em frente ao exibicionismo novo-riquista que ali se há-de instalar, continuará a existir uma espécie de musseque vertical, construído no esqueleto de um arranha-céus de 20 andares.
Quando os comunistas aderem ao capitalismo, a selvajaria parece não conhecer limites.
João Castanheira
Um dia na vida de um Regime

Os anos de chumbo e o chumbo das nossas atitudes

sexta-feira, 1 de agosto de 2008
O melhor negócio do mundo
Refiro-me à alteração do uso do solo para fins imobiliários, actividade em que se especializaram alguns investidores do nosso país.
Compram terrenos agrícolas ou industriais ao preço da chuva e, num passe de mágica, conseguem que as câmaras municipais os transformem em zonas urbanizáveis.
As mais-valias que resultam destes processos atingem, frequentemente, as dezenas de milhões de euros.
Por razões óbvias, esta é uma porta aberta à corrupção, à especulação imobiliária e ao desordenamento do território.
Toda a gente sabe o que passa, mas ninguém parece interessado em resolver o problema. Um problema que só se resolve no dia em que as mais-valias resultantes da alteração do uso do solo reverterem, integralmente, para o Estado.
Se eu fosse primeiro-ministro por um dia, esta seria a primeira medida que tomava.
João Castanheira




