
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Deste lado do Atlântico, a América Latina...

Afinal, para que serve o Banco de Portugal?

O Estoiro

É certo que com o banco transformado num farrapo, não restava ao governo outra alternativa para salvar os depósitos e preservar a confiança no sistema bancário. Desse ponto de vista, a nacionalização é provavelmente o mal menor.
Porém, embora surja num momento de implosão do sistema bancário internacional, o estoiro do BPN nada tem que ver com a crise financeira que arrasou a banca em vários países do mundo.
Habilmente, o governo aproveita uma onda favorável às nacionalizações. Mas aqui não há subprime. O que há são offshores clandestinos, balcões virtuais, lucros fictícios, juros insustentáveis, negócios ruinosos, fuga ao fisco e lavagem de dinheiro.
O que se passou no BPN é, acima de tudo, um caso de polícia.
Só que o estoiro do BPN revela também, uma vez mais, a absoluta incapacidade do Banco de Portugal para regular a actividade do sector bancário.
Há anos que se ouvem e lêem histórias escabrosas sobre o BPN. Uma instituição financeira onde a política se misturou com o futebol e a construção civil, numa imparável caminhada rumo ao abismo. Um lodaçal de meter medo, que aos poucos foi afastando os investidores e os clientes.
Mas tal como sucedera no BCP, o Banco de Portugal chegou tarde ao BPN.
E agora serão os contribuintes a pagar a factura.
João Castanheira
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Caracas à vista
Algo de estranho se passa com a classe política em Portugal.
Ontem, o primeiro-ministro aproveitou uma cimeira internacional para promover os computadores montados pela J. P. Sá Couto, empresa a contas com um processo de fraude fiscal.
Parece que são baratos e resistentes ao choque, conforme testemunhado pelo próprio presidente ”Chaves”. Descodificando a mensagem: comprem-nos esta tralha que é óptima para a miudagem do terceiro mundo.
Mas a que propósito é que um estadista europeu gasta boa parte do seu discurso numa cimeira internacional a vender os computadores do sr. Couto?
E acharão os partidos da oposição que este tipo de encenação é normal numa democracia ocidental?
Um dia destes soltamos amarras e acabamos atracados em frente a Caracas.
Deus nos acuda.
João Castanheira
terça-feira, 28 de outubro de 2008
A esquerda e o oportunismo político
Como se suspeitava, os partidos de esquerda são mais oportunistas, mais despesistas e mais eleitoralistas que os partidos de direita. Numa palavra, a esquerda é, em regra, mais irresponsável que a direita.
O trabalho desenvolvido pela professora Maria Manuel Pinho vem agora confirmar esta tese.
É certo que todos os governos tendem a aumentar a despesa pública em ano de eleições. Mas a investigadora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto analisou a evolução da despesa pública em 23 países da OCDE durante 35 anos, concluindo que este “comportamento oportunístico” é mais frequente em governos de esquerda e centro-esquerda do que em governos de direita.
Ainda de acordo com o mesmo estudo, a obsessão pela reeleição a qualquer preço é maior nos países do sul da Europa, onde “o eleitorado será menos informado, logo mais vulnerável a manipulações desse tipo”.
Em Portugal, o recorde absoluto da despesa pública foi atingido em 2005. No primeiro ano de governo Sócrates, praticamente metade de toda a riqueza produzida no país (47,6%) foi devorada pela máquina do Estado. É obra.
João Castanheira
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
O paraíso não é lugar para paneleiros
E agora, um pouco de poesia.
“O casamento é um sacramento, instituído por Deus nosso Senhor Jesus Cristo para ser celebrado entre um homem e uma mulher. E não é as ideias esquisitas que algumas pessoas, que entendo que têm uma formação deficiente, querem fazer impor à sociedade que vai alterar esta circunstância. Deus colocou no Paraíso um Homem e uma Mulher, não colocou dois paneleiros ou duas lésbicas”.
João Castanheira
Um homem de valores

Ao morrer, deixou a liderança do partido ao seu próprio amante, Stefan Petzner, um jovem inexperiente, de 27 anos, que declarou ontem que Haider era o homem da sua vida.
Apesar de casado e pai de duas filhas, este admirador de Adolf Hitler vivia uma vida dupla. O tablóide alemão Bild publicou há dias uma fotografia de Haider a beijar um jovem engate de ocasião.
João Castanheira
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Brincar à energia barata

Actualmente, mais de 75% da energia eléctrica que utilizamos é gerada em centrais termoeléctricas a carvão e a gás natural, combustíveis que o país importa a preços do mercado. E os preços do carvão e do gás mais do que duplicaram ao longo do último ano, originando um tremendo agravamento nos custos de produção de electricidade.
Por outro lado, o nosso país tem vindo a apostar – e bem – no aproveitamento das energias renováveis e no desenvolvimento de tecnologias mais limpas, como a cogeração. O investimento nestas tecnologias é realizado por operadores privados, que constroem parques eólicos e centrais solares mediante a garantia de que a electricidade verde é paga a tarifas atractivas, que muito justamente premeiam os seus benefícios ambientais.
Ora, se todos estes custos fossem levados em conta, as tarifas de electricidade aumentariam no próximo ano 40%. Acontece que – fazendo tábua rasa do princípio do utilizador-pagador – o governo decidiu que o aumento do preço da energia eléctrica em 2009 será de apenas 4,3%. Dez vezes menos. Simpático não é?
O problema é que não há almoços grátis. Os produtores de electricidade não são instituições de solidariedade social. E o resultado desta política de faz de conta é a explosão do chamado défice tarifário, uma dívida dos portugueses para com os produtores de electricidade, cujo valor ultrapassa já os 2.000 milhões de euros. Um montante astronómico, que teremos que pagar e com juros.
Só que esta dívida não será paga em 2009, ano de muitas eleições, porque o governo socialista não está disposto a suportar o custo político de um aumento realista do preço da electricidade. A factura há-de ser paga mais para a frente.
Por outro lado, embora não hesite em recolher os louros da aposta nas energias renováveis, o governo socialista não está disposto a pagar a sua factura. E por isso decidiu que os apoios aos produtores de electricidade verde também não serão pagos em 2009. A factura há-de ser paga mais para a frente.
O governo e o “regulador” podem assim vir dizer que em 2009 a factura da electricidade vai aumentar apenas 1 euro por mês, ainda que essa seja uma mensagem falsa e profundamente errada, sob o ponto de vista da utilização racional de energia.
É muito socialista esta lógica de chutar os problemas para a frente. À conta da intromissão governamental nos preços, cada português ficará no próximo ano a dever mais de 200 euros em electricidade. Uma dívida que há-de crescer indefinidamente, enquanto não houver coragem política para enfrentar o problema de frente.
E o problema não se resolve atirando a dívida para o futuro ou obrigando os contribuintes a pagá-la, de forma encapotada, através de impostos.
A electricidade tem que ser paga por quem a consome, sem prejuízo da criação de um mecanismo de apoio social, de que deverão beneficiar apenas os mais carenciados.
Até quando vamos continuar a brincar à energia barata?
Provavelmente até que a bomba nos rebente nas mãos.
João Castanheira
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
A K nasceu há 18 anos


Quase duas décadas depois, os velhinhos exemplares da K mantêm o arrojo e a irreverência com que então sacudiram o panorama editorial do nosso país. Não fosse a publicidade a coisas de outro tempo – como rolos fotográficos, gira-discos ou automóveis ultrapassados – e tudo aquilo continuaria absolutamente actual.
A K estava tão afrente do seu tempo que durou apenas dois anos e meio. Lembro-me que quando acabou entrei em depressão.
Ainda hoje guardo, religiosamente, os 31 números da revista. E folheio-os periodicamente, com um sorriso nos lábios e uma imensa saudade.
Algumas memórias ficaram para a vida. As capas da K, as fotografias, o grafismo e, entre tantas outras, a reportagem da Maria Filomena Mónica sobre os operários do Barreiro ou a entrevista do Carlos Quevedo e do Rui Zink ao Luíz Pacheco, o escritor maldito.
Que falta nos faz a K.
Que bom seria voltar a ter algo como a K.
João Castanheira
domingo, 12 de outubro de 2008
Eu sou a verdade!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Afinal é tudo postiço

Afinal, o Magalhães não é fabricado em Portugal. Por cá apenas se monta e empacota.
Afinal, a empresa responsável pela montagem empacotamento do Magalhães está a contas com um processo de fraude fiscal.
Afinal, a referida empresa foi escolhida discricionariamente, sem concurso público.
Afinal, quem paga os computadores não é o Governo mas sim as operadoras de telemóvel.
Afinal, quem terá que pagar as ligações à internet são as câmaras municipais e não o Governo.
Afinal, nenhum país europeu distribui gratuitamente o Classmate, porque o computador foi criado para estudantes de países em vias de desenvolvimento.
Afinal, programas deste tipo apenas foram implementados em países como a Nigéria, o Ruanda ou a Líbia.
Afinal, é tudo postiço.
João Castanheira
Uma solução para Lisboa
Acontece que, a valores de mercado, as 3.200 casas que a autarquia distribuiu, discricionariamente, aos amigos, aos filhos e aos primos valem sensivelmente o dobro daquele montante.
Portanto, para pôr a cidade a funcionar basta que a rapaziada devolva as casas em que se montou e se faça à vida como os restantes portugueses.
E não é só o director municipal que se acha no direito de ter uma casa de reserva ou o escritor moralista apanhado a viver à conta da autarquia. Há peixe graúdo envolvido neste esquema. Se a lista vier a público, sem cortes cirúrgicos que consta já estarem a ser feitos, estaremos perante um dos maiores escândalos do Portugal democrático.
João Castanheira
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Da Mina de São Domingos ao Pomarão
Não é possível descrever a força imensa que emana deste lugar singular. Um lugar simultaneamente belo e medonho, onde são escassos os sinais de vida. Pouco mais que umas ervas raquíticas e uns insectos de cores garridas. Creio que em nenhum outro recanto de Portugal a devastação e a catástrofe produziram algo de tão extraordinariamente belo.
Os primeiros testemunhos de actividade mineira na região de São Domingos remontam à época romana. Mas foi em 1857 que a exploração em larga escala arrancou, em resultado da concessão atribuída a uma sociedade de origem espanhola – a La Sabina – que no ano seguinte acabou por arrendar os direitos de prospecção aos ingleses da Mason & Barry.
Em poucos anos, São Domingos transformou-se num dos maiores complexos mineiros da Europa. Uma pequena cidade industrial, onde não faltava uma central eléctrica, um hospital, uma biblioteca, um teatro, um mercado e uma igreja.

Nos bairros operários situados em redor do complexo chegaram a viver quase dez mil pessoas. Os mineiros habitavam as célebres 4 x 4, casas térreas em banda com quatro por quatro metros quadrados, uma porta e uma janela.
Ao longo de mais de cem anos, os homens esventraram a terra em busca de cobre e enxofre. Primeiro em galerias subterrâneas, depois a céu aberto.
Com o aproximar do esgotamento do filão, a exploração terminou em 1965 e a Mason & Barry declarou falência três anos depois. Os salvados da mina foram então vendidos a um sucateiro alemão e o resto do valiosíssimo património industrial do complexo foi barbaramente saqueado durante os anos seguintes. Ficou apenas aquilo que os homens não conseguiram levar.
A visita à Mina de São Domingos começa, necessariamente, nas ruas estreitas dos bairros operários, cujas minúsculas casas foram entretanto vendidas aos antigos trabalhadores e às suas famílias. Com um pouco de sorte, é possível visitar a Casa do Mineiro, pequeno núcleo museológico que recria a vivência de uma família mineira, com os seus objectos e as suas memórias.
Descendo ao complexo mineiro, a atenção do visitante dirige-se para uma gigantesca cratera, completamente cheia de águas ácidas. É a corta, cavidade de onde foram retirados milhões de toneladas de minério.
Parece um tanto ou quanto irreal, mas a verdade é que até há alguns anos atrás as lagoas ácidas da mina, cujo pH se situa ente 2 e 3, eram procuradas por gente que aqui se banhava em busca de cura para alguns problemas de saúde!
Um pouco adiante, encontram-se as oficinas de material circulante, onde foi projectada e construída a locomotiva a vapor que durante décadas galgou os montes que separam São Domingos do porto fluvial do Pomarão, arrastando vagões carregados de minério.
Por ali se encontram também as ruínas da primeira central eléctrica do Alentejo e os destroços do poço n.º 6.
Seguindo ao longo do traçado da linha férrea, cujos carris e travessas foram há muito saqueados, vão surgindo sucessivas lagoas ácidas, cujas águas oscilam entre o vermelho vivo e o amarelo forte. Uma intensa profusão de cores, que confere uma riqueza cénica sem igual a esta fase inicial do percurso.
Cerca de dois quilómetros após o início do complexo, encontra-se a estação de britagem da Moitinha e, logo afrente, as antigas fábricas de enxofre e ácido sulfúrico da Achada do Gamo.

O cenário de devastação e abandono entende-se ao longo de mais de cinco quilómetros e constitui, sem margem para dúvidas, um dos mais fabulosos percursos de arqueologia industrial do país.
Após o fim do couto mineiro e seguindo sempre o traçado daquela que foi a segunda via-férrea construída em Portugal, a paisagem torna-se um pouco monótona e algo desinteressante. Felizmente, a viagem vai sendo animada por enormes famílias de porcos e bacorinhos pretos, que deambulam livremente pelos campos, observados ao longe pelos abutres que planam no céu.
A inclinação da ladeira que sobe em direcção à aldeia de Santana de Cambas, transporta-nos para o tempo em que as locomotivas puxavam vagarosa e esforçadamente os vagões carregados de minério.
Praticamente todas as pontes que existiam ao longo dos dezoito quilómetros da linha estão destruídas, obrigando os caminhantes a passar a vau os minúsculos cursos de água, o que é possível fazer sem grande dificuldade. Na verdade, durante o Verão não é sequer necessário molhar os pés.

Os últimos cinco quilómetros do caminho que conduz ao cais do Pomarão voltam a ganhar contornos de aventura! Há que atravessar uma sucessão de sete túneis, alguns dos quais razoavelmente extensos e repletos de morcegos.

Mais de quarenta anos após a passagem do último comboio, a natureza vai tomando conta de algumas partes do percurso. A vegetação e os desmoronamentos obrigam a pequenos desvios, mas a chegada ao Guadiana faz-se sem sobressaltos.
Por fim, o Pomarão. Uma deliciosa e pacata aldeia operária, erguida numa belíssima curva do Guadiana, na confluência com a ribeira do Chança. Quem hoje ali chega, tem dificuldade em imaginar a agitação e a vida de outrora, no tempo em que mais de quinhentos navios por ano recebiam o minério de São Domingos e o espalhavam pelo mundo. As ruínas do cais mineiro e a memória dos homens estão lá para testemunhar um passado difícil mas, indiscutivelmente, glorioso.

Depois de décadas de miséria e abandono, a Mina de São Domingos vai aos poucos acordando para uma nova vida. Na barragem da Tapada Grande, nasceu uma agradável praia fluvial. Mesmo em frente, o palácio dos ingleses – outrora sede da empresa mineira – foi transformado numa esplêndida estalagem onde apetece ficar. E, surpreendentemente, o investimento turístico chega pela mão da La Sabina!
Só é pena que o progresso anuncie para breve a construção de uma ponte internacional e uma grande estrada para o Pomarão. Um investimento que há-de dizimar o maior tesouro desta região: as águias, os grifos, os mochos, os veados, os saca-rabos e, sobretudo, a imensa paz...
João Castanheira
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Umas casitas

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Já as 3.200 casas que constituem o apetecível património da autarquia no centro da cidade foram distribuídas, de forma absolutamente discricionária, por intelectuais, dirigentes políticos, funcionários, amigos, filhos e primos.
Entre os beneficiários, contam-se a vereadora Ana Sara Brito, o escritor e jornalista Batista Bastos, a chefe de gabinete do vice-presidente da câmara Isabel Soares ou o director municipal José Bastos. Uma lista que promete revelações aterradoras.
Num país civilizado, a divulgação desta história sórdida faria, necessariamente, rolar cabeças. Num país europeu do século XXI, todas as casas seriam, de imediato, entregues à autarquia, que trataria de as atribuir a famílias carenciadas ou, em alternativa, trataria de as colocar no mercado de arrendamento a preços justos.
Por cá, espera-se que a poeira assente, para que a paz volte ao lar dos felizes contemplados. Veja-se a desfaçatez com que um director municipal fala de uma casa que não é sua: “O meu filho é que mora lá. Não tenho dinheiro para lhe comprar uma casa nova... Além disso, é a minha casa de reserva. Se amanhã tiver de me separar, para onde vou?”.
É o drama, a tragédia, o horror. Atingimos o grau zero da decência. A generalidade dos portugueses, que não pode oferecer casas aos filhos nem tem apartamentos de reserva - pelo menos públicos - assiste incrédula a este espectáculo pornográfico.
Julgo que o país não perdoará a António Costa se esta sujeira não for rapidamente limpa. Custe a quem custar.
João Castanheira
sábado, 27 de setembro de 2008
Nós na terra e o Sr. Chavéz nas alturas

Começa, portanto, a ser um hábito sermos visitados pelo homem da camisola vermelha, o que, convenhamos, é, só por si, uma belíssima imagem da modernidade com que nos veste este nosso governo.
Claro está que há uns pequenos detalhes que, para lá do óleo viscoso que o Sr. transporta, tendem a dar um tom um tanto bafiento a esta modernidade hiper progressista, mas pronto, nada que um bom negócio com o hermano de além mar não resolva.
Contudo e porque na verdade a coisa começa a raiar a estupidez, é caso para perguntar, não haverá na malta que estende, em representação de todos nós, os braços ao Sr. Chávez, um pingo de vergonha para perceber que os abraços que se estão a dar abraçam um ditador?
Luís Isidro Guarita
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
E que viva o Capitalismo!

Sur les Pavés, la Plage!
Se os Cohn-Bendits daqueles tempos gritavam que era proibido proibir, as Lurdes Rodrigues de hoje gritam que é proibido chumbar. E que bem que soa, não é?
Acabemos então com o velho mundo e escancaremos as portas ao novo, até porque a acção não deve ser uma reacção - antes que umas quaisquer estatísticas nos estraguem o arranjinho -, mas uma criação e é tempo, por isso, de dizer que a imaginação tomou o poder. E que melhor imaginação que imaginar que por decreto, todos somos génios? Lindo, não é?
E assim foi, o sonho glorioso da educação em Portugal aboliu essa coisa do passado que era o chumbo e decretou a excelência. Não há tempo a perder, avancemos que o futuro espera por nós, algures entre a indigência e a estupidez colectiva, há um amanhã e um novo Maio que canta.
Cantemos pois, cantemos e sejamos realistas, exijamos o impossível... É que a Sra. Rodrigues não o fez por menos!
Luís Isidro Guarita
Carlos V e o futuro, ou a viagem de Fernão de Magalhães contada à pequenada, 500 anos depois e através do Classmate.

Podemos estar descansados
A ASAE, organismo que se especializou na apreensão de bolas de berlim e colheres de pau, emitiu ontem um comunicado onde afirmava que “a importação de leite e produtos lácteos provenientes da China é proibida na União Europeia desde 2002”, acrescentando que “não possuiu qualquer evidência de que possam ter ocorrido exportações ilegais para Portugal”.No mesmo dia, o Público foi às compras e, sem ter que procurar muito, adquiriu iogurtes líquidos e bebidas de leite chinesas, num supermercado da cidade do Porto.
Podemos estar descansados.
João Castanheira
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Eu não lhes acho piada nenhuma...

O rosto humano de Jerónimo de Sousa, que ao contrário de Cunhal se deixa filmar a dançar o vira e a chupar sardinhas assadas, quase faz esquecer os milhões de vítimas do comunismo. Foram gerações inteiras sujeitas à miséria, à tortura e à morte, em nome dos ideais criminosos que esta gente continua a defender.
Uma gente que esteve à beira de empurrar Portugal para o abismo de uma feroz ditadura de inspiração soviética. Uma gente que finge não ter visto o irreprimível grito de liberdade que varreu a Polónia, a RDA, a Checoslováquia, a Hungria ou a União Soviética. Uma gente que ainda hoje acredita – ou diz acreditar – que o futuro da humanidade está na Coreia do Norte ou em Cuba.
Leia-se o projecto de Teses do XVIII Congresso do PCP, onde entre outras preciosidades se escreve: “Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia.”
Tivesse esta gente a possibilidade de assumir os destinos do país e Portugal acabaria, irremediavelmente, como uma espécie de Cuba da Europa. E, apesar do rosto humano do camarada Jerónimo, muitos de nós acabaríamos, no mínimo, presos.
É por isso que eu não lhes acho piada nenhuma...
João Castanheira
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Alguém me acertou com um Magalhães

Anda por aí uma turba ululante a atirar Magalhães à cabeça dos nossos pequenos.
Parece que o próprio primeiro-ministro e mais dez governantes decidiram tirar o dia para arremessar milhares de "PlayStations" à testa da criançada. O governo em peso está a correr o país, de lés a lés, com as câmaras de televisão às costas.
Agora é que isto vai. Este ano, os nossos jovens já tinham sido atacados por um surto de inteligência fulminante, que cortara drasticamente os chumbos e elevara ao zénite as médias em todas as disciplinas.
Agora, com o Magalhães, a meta é zero chumbos - ministra da educação dixit. A partir de hoje, nenhum português vai reprovar. O chumbo foi oficialmente banido do nosso sistema de ensino. Todos os alunos serão classificados com um 40, numa escala de 0 a 20. O Eurostat que embrulhe esta estatística.
E mais: se o Partido Socialista continuar no governo, dentro de poucos anos cada criança sairá da maternidade - mesmo em Badajoz - com um Magalhães e um douturamento honoris causa às costas.
Podemos transformar-nos num país de brutos e analfabetos, mas seremos todos diplomados.
Connosco, no caminho para a construção do homem novo, estarão a Namíbia e a Venezuela, nações prósperas e luminosas que já aderiram à distribuição gratuita do Magalhães.
João Castanheira
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
A globalização somos nós!
Este simples facto é, nas suas múltiplas dimensões e como tão claramente nos explica Rui Ramos, a verdadeira face da globalização. Por muito que grupos e grupelhos por esse mundo fora gritem à frente de um microfone ou câmara de televisão os chavões do momento contra o papão da globalização e os seus demónios na forma de multinacionais que tudo exploram e tudo submergem aos seus interesses, foram também esses mesmos papões e demónios que permitiram a manutenção e até elevação da qualidade de vida de muitos dos que, pelos fóruns do mundo, vociferam o seu ódio contra o planeta global.
Mas a verdade é esta, a globalização somos nós. Sem ela, o mundo poderia não ser o mesmo, mas seria, sem dúvida, um mundo pior.
Luís Isidro Guarita
Que tal pedir a ajuda de Luanda?
Não me refiro ao português mas sim ao angolano!
Nestas coisas, é melhor falar com quem manda.
João Castanheira
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Lula e os outros.

Especulação e ignorância

É óbvio que o mercado nacional dos combustíveis rodoviários não funciona. E não funciona porque é dominado por 3 empresas – a Galp, a Repsol e a BP – que repartem entre si mais de 80% do mercado. Como nenhum destes operadores está disposto a ganhar quota de mercado à custa duma política agressiva de preços, a concorrência não passa de uma miragem.
Ainda que informalmente, vigora no mercado dos combustíveis um pacto de não agressão, que é do interesse das empresas e dos seus accionistas. O presidente executivo da Galp, um dos mais competentes gestores deste país, está por isso a cumprir o seu papel.
Já o mesmo não se pode dizer da Autoridade da Concorrência, que se limita a constatar não existirem provas concretas de cartelização. Ora, mal estaríamos se as petrolíferas precisassem de se reunir ou trocar correspondência para combinar preços!
Dito isto, é também surpreendente a ignorância com que esta matéria é abordada pela maioria dos órgãos de comunicação social e até por alguns alegados especialistas em energia.
Dizia hoje um dos tais especialistas que, se ao longo dos últimos 2 meses a cotação do crude caíra 40%, o preço dos combustíveis deveria ter baixado em igual percentagem.
Ora, esta afirmação revela uma ignorância atroz, pois, como se sabe quase 60% do preço da gasolina corresponde a impostos cobrados pela Estado (ISP e IVA). Logo, uma descida de 40% no preço do crude poderia, no limite, produzir uma redução de cerca de 16% no preço da gasolina e nunca de 40%!
O problema é que, até agora, a redução se ficou pelos 5%...
João Castanheira
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
A Quinta do Ambrósio

Aqui há uns anos, aquela propriedade do concelho de Gondomar foi transaccionada por 1 milhão de euros, um valor baixo, já que o terreno estava afecto à Reserva Agrícola Nacional, não tendo, por isso, capacidade construtiva.
Seis dias após a transacção, a quinta – que já não era do Ambrósio – foi vendida a uma empresa pública, a STCP, pelo valor de 4 milhões de euros. Com a garantia de que seria desafectada da Reserva Agrícola Nacional. E foi mesmo.
Ao ganhar capacidade construtiva, o terreno viu o seu valor multiplicado por quatro, gerando em poucos dias uma mais-valia de 3 milhões de euros.
Essa mais valia foi paga pelos contribuintes, que todos os anos são convidados a financiar, através dos impostos, o défice crónico da STCP.
E onde foram parar estes milhões?
Citando o que escrevem hoje vários órgãos de comunicação social, aos bolsos de um dos filhos do Presidente da Câmara de Gondomar, do Vice-Presidente da mesma autarquia e de um ex-dirigente do Boavista. Gente com queda para o negócio.
Às vezes penso que, por um qualquer capricho da natureza, Portugal acabou plantado a norte do continente que lhe estava destinado.
João Castanheira
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
O fim da linha
O crime ocorreu no interior duma esquadra da PSP, o que começa a ser normal aqui pela West Coast of Europe.
Hoje, o juiz de instrução criminal do Tribunal de Portimão colocou o homicida em liberdade.
O agressor poderá assim deslocar-se ao hospital para completar o serviço. Quer-me parecer que quem dispara 5 tiros no interior duma esquadra, não verá problema de maior em aviar mais 2 ou 3 na unidade de cuidados intensivos do Hospital de São José.
É devido um agradecimento a este juiz, que expôs ao ridículo as leis penais que vigoram neste WC da Europa. Leis que, invariavelmente, protegem o bandido e abandonam a vítima à sua sorte.
O último a sair que apague a luz...
João Castanheira
Agora é que isto vai
E se Sá Fernandes ainda conseguiu sacar um pelouro, Helena Roseta não obteve mais do que dois projectos.
A cidade está particularmente empolgada com uma coisa de nome “Lisboa, encruzilhada de mundos”, que visa “colocar a capital na vanguarda da implementação de políticas intermunicipais de cooperação e desenvolvimento”. Seja lá o que isso for. Ou, segundo outras fontes, promover o “desenvolvimento do diálogo intercultural”.
Agora que há dinheiro para gastar em palhaçada, já estou a ver o Terreiro do Paço repleto de animadores culturais e malabaristas a cuspir fogo. Com muito reggae, kuduro e cheiro a erva.
Assim como assim, nada pode ser pior do que um desastre chamado Carmona.
João Castanheira
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
O plebiscito
É um bom resultado, que se bate, sem complexos, com os 88% conseguidos em 1969 por Marcello Caetano.
Mas as verdades têm que ser ditas: o resultado do MPLA fica aquém dos 96% alcançados pela família Castro em Cuba ou dos 100% que Kim Jong Il costuma sacar nas eleições da Coreia do Norte.
O facto, inesperado, da oposição ter conseguido alguns votos, convida a um exercício de autocrítica.
Ainda assim, para evitar qualquer leitura distorcida da realidade, aqui ficam os títulos de algumas das muito diversificadas notícias difundidas pela ANGOP, a agência noticiosa oficial do MPLA, perdão, de Angola.
“UNITA sem razões coesas para impugnar eleições”
João Castanheira
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Ainda a Polónia
Wroclaw, capital da Baixa Silésia

João Castanheira
Alternância democrática? Isso é coisa de colonialistas...

A respeito do processo eleitoral angolano, aqui ficam duas frases lapidares do José Manuel Fernandes, retiradas do editorial de hoje do jornal Público.
É por estas (verdades) e por outras que o Público foi proibido de entrar em Angola.
“Não é por acaso que se considera que uma democracia aberta e liberal é o regime em que os cidadãos podem despedir os seus governantes de forma pacífica, algo que nunca ocorreu em Angola... É que só nessa altura se vê se esta é genuína ou se corresponde a uma fachada para descansar as consciências ocidentais, só nessa altura se sabe se os países são capazes de trocar de governo sem sobressaltos (como em Cabo Verde) ou se a democracia entra em crise quando o poder instalado se sente ameaçado (como no Zimbabwe)”.
“Todos os que olham para as riquezas de Angola e sempre fecharam os olhos às comissões que se pagam aos políticos angolanos estarão por certo na primeira linha dos que proclamaram estas eleições como livres e justas”.
João Castanheira
Cautelas e caldos de Galinha
.quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Esperança

Há hoje, como havia em 1992, uma enorme esperança de que as eleições representem o salto definitivo rumo ao futuro.
Eu partilho dessa esperança, porque acredito que entre os despojos da guerra e os tentáculos da corrupção, há em Angola uma sociedade civil que emerge.
Partilho dessa esperança, porque acredito na força regeneradora das novas gerações, que depois de experimentarem a paz, querem agora partilhar a prosperidade que anda por ali à espreita.
É certo que há 16 anos as coisas acabaram mal.
É certo que se a vitória do MPLA não estivesse garantida, jamais teriam sido marcadas eleições.
É certo que não pode esperar-se que sejam os corruptos a pôr fim à corrupção.
É certo que os sinais que chegam de Luanda são inquietantes – os principais órgãos de informação portugueses foram proibidos de entrar em Angola para acompanhar o processo eleitoral
Mas apesar de tudo, quero acreditar no futuro de Angola.
João Castanheira
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Sabonetes à venda...

Por detrás do brilho esplendoroso da imagem mediática. Por detrás do apelo sedutor da retórica discursiva. Por detrás do fascínio reconfortante do multiculturalismo finalmente chegado à política há Obama e um enorme deserto de ideias.
Os “mauzões” que por aí andam!

Uma viagem pelo maravilhoso que ainda há em nós

terça-feira, 2 de setembro de 2008
Oskar Schindler

Quem visita a capital cultural da Polónia, não pode imaginar o que ali se passou durante a ocupação Nazi.
Depois de visitar a cidade, decidi ontem rever A Lista de Schindler, obra-prima de Spielberg, galardoada com sete Óscares da Academia em 1994.
O filme retrata, de forma brilhante, a perseguição aos judeus de Cracóvia, a construção do ghetto, a sua eliminação na noite de horror de 13 de Março de 1943 e a deportação dos sobreviventes para o campo de concentração de Plaszow, nos arredores da cidade.
A Lista de Schindler relata, sobretudo, a comovente história de um homem grande. Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro e Oskar Schindler salvou 1.100 pessoas.
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João Castanheira
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Os complexos de esquerda estão a matar Portugal
O problema, creio eu, é que depois de 40 anos de autoritarismo de direita, Portugal vive há mais 30 anos mergulhado em complexos de esquerda.
Veja-se o exemplo da educação.
Todos temos a noção de que a escola só funciona se existir uma cultura de exigência, mérito e rigor. É por isso que, podendo fazê-lo, todos os pais optam hoje por inscrever os seus filhos em boas escolas privadas, onde esses valores prevaleçam.
Mas a verdade é que, apesar desta evidência, os complexos de esquerda têm conduzido sucessivos governos a afundar a escola pública na anarquia e na mediocridade.
O facilitismo e o igualitarismo, marcas indeléveis da nossa esquerda, estão aos poucos a matar o ensino, produzindo gerações de portugueses impreparados para enfrentar os desafios do mundo actual.
Veja-se o exemplo da segurança.
Todos temos a noção de que o excesso de garantias conferido aos marginais colide com o interesse dos cidadãos e impede a sociedade de se defender convenientemente do crime.
Mas a verdade é que, apesar desta evidência, os complexos de esquerda têm levado sucessivos governos a amaciar as leis penais, mergulhando o país numa inquietante espiral de criminalidade.
A desculpabilização, marca indelével da nossa esquerda, está aos poucos a coarctar a liberdade dos cidadãos.
Veja-se, aliás, o que a própria esquerda diz sobre a sua incapacidade para lidar com os problemas de segurança. Assume hoje o Daniel Oliveira no seu blogue que a esquerda tem dificuldade em falar da criminalidade de rua, como os roubos e os assaltos. E justifica esta dificuldade, afirmando que a esquerda desconfia do Estado e desconfia ainda mais da polícia.
Os complexos de esquerda estão a matar Portugal.
João Castanheira
domingo, 31 de agosto de 2008
Nacionalizações
O terceiro mundo aqui ao lado

sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Um país a saque

O resultado está à vista de todos. O país mergulhou numa onda de crimes violentos sem precedentes. Bancos, bombas de gasolina, estações de correios, tribunais, restaurantes, ourivesarias, carros e pessoas estão a saque.
Os marginais são repetidamente apanhados a cometer os mesmos crimes e logo postos em liberdade.
Com a sensatez e a oportunidade a que nos vem habituando, o Procurador-Geral da República disse ontem aquilo que o país inteiro anda há muito tempo a dizer: “o hiper garantismo concedido aos arguidos colide com o direito das vítimas, com o prestígio das instituições e dificulta e impede muitas vezes o combate eficaz à criminalidade”, acrescentando esperar “que o legislador proceda aos ajustamentos legais que se mostrem necessários”.
Logo veio a terreiro o Ministro da Justiça, Alberto Costa, recusando qualquer alteração às leis penais.
Há aqui qualquer coisa que não se entende. Aquilo a que estamos a assistir é uma autêntica operação de desmantelamento da autoridade do Estado.
Até quando vai o país tolerar a incompetência e a irresponsabilidade deste governo em matéria de segurança e justiça?
É preciso pôr fim a esta bandalheira.
João Castanheira
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Onde pára a polícia?
Estacionei o carro na Praça do Município e fui até à Praça do Comércio, onde me misturei com os turistas, numa feira de rua mixuruca que a câmara ali instalou. Ao lado há uns esboços de esplanadas, com cadeiras de plástico, como se fossem buteques de caracóis em Pirescouxe.
Depois, subi a Rua Augusta, dei a volta ao Rossio, meti pela Rua do Carmo, virei para a Rua Garret e sentei-me a comer um gelado numa esplanada perto do Camões.
Dei mais umas voltas pelo Chiado, fui até à Rua Ivens, desci a Rua Nova do Almada e dirige-me de novo à Praça do Comércio.
Em todo este trajecto pelo coração de Lisboa não encontrei um único polícia. Pelo contrário, ao longo do percurso fui abordado por diversos vendedores de óculos contrafeitos, artigos em “ouro” e “chamon”. Eu e muitos dos lisboetas e turistas que dedicaram a tarde de domingo a passear por Lisboa.
Antes de entrar para o carro passei junto à esquadra da PSP da Rua do Arsenal e dei de caras com uma cena verdadeiramente surreal: à porta estavam dois seguranças privados!
Mas afinal onde é que pára a polícia?
Passei a semana anterior em diversas cidades da Polónia e em todas elas se respira um ambiente de segurança e tranquilidade, com agentes da autoridade nos locais turísticos, nas estações de comboio e em todos os pontos estratégicos. E não se vê por lá um décimo da fauna que por aqui vagabundeia.
Então e os nossos polícias, por onde andam?
Estarão fechados nas esquadras, estarão a passar multas de trânsito, estarão em casa a descansar? Ou talvez, quem sabe, estejam a fazer uns gratificados nos campos de futebol.
Ou isto muda ou, em breve, os passeios por Lisboa não passarão de uma vaga memória.
João Castanheira

