sábado, 15 de novembro de 2008

peixe : avião


peixe : avião é a grande revelação do momento. Vêm de Braga e seguramente cresceram a ouvir Radiohead.

O resultado tem uma força e uma frescura pouco habituais na música moderna portuguesa. 40.02 é um disco como há muito não se ouvia por cá.

Sobre ele, o conterrâneo Adolfo Luxúria Canibal escreveu: "Há muito – demasiado – tempo que não somos surpreendidos por uma obra musical. Nada de espantar, porquanto os milagres e o sublime só acontecem muito raramente… Mas quando temos o privilégio de viver um momento desses, como é o caso com a audição de 40.02 de peixe : avião, só podemos regozijar-nos e espalhar a boa nova pelos quatro cantos da terra".
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Camaleão - onde se ouve a voz de Ana Deus - é uma canção brilhante. Mas o resto do disco não fica atrás.
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João Castanheira

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Intifada dos Ovos


Sobreviverá a ministra da educação à Intifada dos Ovos ou acabará transformada em omeleta?

Ontem, acossado por mais uma saraivada de gemas e claras, o secretário de estado adjunto dava a entender que os miúdos eram perigosos sindicalistas arregimentados pelo PCP.

Depois dos 120.000 professores comunistas, o governo começa agora a ser atacado por milhões de crianças filiadas na JCP. A subversão está em marcha.

Ingratos, mal agradecidos. Já se esqueceram do milagre das notas?

João Castanheira

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E se trocássemos umas ideias sobre o assunto...


Rui Ramos escreveu ontem no Público uma frase lapidar sobre a actual situação do "ocidente": Por isso, a política que preferimos é esta: a que fala de uma mudança a acontecer, para não ter de enfrentar a mudança que já aconteceu.

Na verdade, e apesar dos constantes avisos - esta crise financeira é mais um, não sei se será o definitivo -, vamos continuando, em muitos sectores da opinião pública e publicada, a fingir que o mundo ideal em que vivemos nestas últimas décadas ainda existe e que, apesar dos mares tormentosos por onde vamos navegando, ainda é possível, com um bom capitão e perícia na manobra, encontrar bom porto.

E tudo isto acreditando que os problemas são sempre culpa de outros e que acontecem sempre algures...

Contudo, e para maior das estupefacção, são aqueles que no passado mais defenderam a necessidade de uma mudança/revolução permanente que agora, a coberto da mesma ideia de mudança mas com o secreto desejo de que nada mude, tudo fazem para que o nosso mundo fique como era, não se altere e adapte aos novos mundos que nos batem à porta ou já se sentaram nas nossas salas, para que tudo se mantenha o que já não poderá tornar a ser.

É à esquerda que a batalha pelo conservadorismo mais imóvel e arcaico se vai fazendo, é à esquerda que o velho mundo que já não somos vai continuando a fingir que existe.

Assim, de facto, só mesmo Dom Quixote para os redimir...

Luís Isidro Guarita

BOM, BOM, BOM, BOM e BOM

Já se percebeu que o modelo de avaliação de professores adoptado pelo governo socialista não serve.

Mas também já se percebeu que uma parte da classe – os maus professores – não está interessada neste nem em nenhum outro modelo de avaliação.

A não ser, talvez, num modelo “à Alberto João Jardim”, em que todos são classificados, por decreto, com a nota de BOM. Os bons e os maus, os competentes e os incompetentes, os presentes e os ausentes, todos são iguais aos olhos do Governo Regional da Madeira. Um verdadeiro incentivo à mediocridade.

E sendo esta a ministra da educação que reintroduziu as passagens administrativas à moda do PREC e inventou milhares de alunos brilhantes para as estatísticas, não me admira que a avaliação de professores acabe numa solução à madeirense: BOM, BOM, BOM, BOM e BOM.

O embrulho da coisa será talvez menos transparente, porque falta ao governo socialista a franqueza e o desplante de Alberto João Jardim.

Mas se no final sobrar algum tipo de avaliação, é certo e sabido que não contará para rigorosamente nada.

João Castanheira

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O senhor professor constitucionalista

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O senhor professor constitucionalista é uma espécie de pit bull do regime.

Sempre pronto a morder as canelas de quem se atravesse no caminho do senhor engenheiro.

Se o primeiro-ministro manda privatizar, o senhor professor constitucionalista grita PRIVATIZAR! Se o primeiro-ministro manda nacionalizar, o senhor professor constitucionalista grita NACIONALIZAR!

Em confesso a minha emoção, porque nem os cães têm tanto amor ao dono.

O senhor professor constitucionalista acha que para nacionalizar uma empresa basta invocar o interesse público, porque a nacionalização é um acto político discricionário.

O que diria o senhor professor constitucionalista se um governo do PSD ou do CDS se lembrasse de aplicar um acto político discricionário a uma empresa da amigalhada.

João Castanheira

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

República das Bananas


Primeiro, o marajá do Funchal decidiu suspender um deputado. Depois, achou por bem suspender toda a assembleia. A democracia está portanto suspensa no arquipélago da Madeira.

Aqui há uns tempos, o soba já tinha ameaçado declarar a insanidade mental do líder da posição. Aos poucos, a Madeira vai navegando em direcção ao Golfo da Guiné. Aos poucos, a belíssima ilha vai-se afundando no lodo. Está em formação uma verdadeira república das bananas.

O que se passa na Madeira enche-nos de vergonha. E o silêncio cobarde das instituições nacionais perante os mais obscenos atropelos ao regime democrático deixa-me verdadeiramente enjoado.

Mais do que aprofundar a autonomia, penso que chegou a hora de referendar a independência. Chegou a hora de os madeirenses decidirem o que querem fazer da sua vida. Se quiserem afogar-se amarrados ao Kumba Ialá, estão no seu direito.

Foi bom enquanto durou, mas assim não dá.

João Castanheira

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

E agora?


Esta noite fez-se história.

É óbvio que a eleição de Barak Obama há-de ser recordada como um episódio maior na história dos Estados Unidos e do mundo.

Em boa verdade, o senador do Ilinóis era, nas actuais circunstâncias, praticamente imbatível. Daí que o desastre que foi a escolha de Sarah Palin tenha apenas contribuído para confirmar o desaire republicano.

Mas no dia seguinte, interessa reflectir sobre algumas das consequências da vitória de Obama. Em particular sobre os problemas com que a esquerda terá a partir de agora que lidar. Pense-se, por exemplo, nas seguintes questões:

Com Bush fora da Casa Branca, para onde irá virar-se o visceral ódio anti-americano que tem alimentado ideologicamente a esquerda um pouco por todo o mundo?

E com Barak Obama ao leme, o que fazer para evitar que as elevadíssimas expectativas criadas degenerem em frustração e desencanto?

Se pudesse votar e se não existisse uma coisa chamada Sarah Palin, eu teria votado em John McCain. Mas a verdade é que Obama encheu o mundo de esperança e isso é, no actual contexto, uma das melhores coisas que nos podiam ter acontecido.

O dinheiro pode estar a deslocar-se a grande velocidade para oriente. Mas a democracia, a liberdade e a esperança continuam onde sempre estiveram.

Deus abençoe a América.

João Castanheira

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Deste lado do Atlântico, a América Latina...

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Li, há dias, que o actual Nobel da Economia ao passar, há mais de 30 anos, pelo nosso país, levou de cá a sensação de que estava na América Latina.

Desconfio que se o senhor por cá passasse novamente, 30 anos depois, tornaria a levar a mesma sensação. É que entre nós e a Argentina (sem desprimor para aquele país), só mesmo o Euro marca a diferença.

Que Deus, ou Alá, ou Buda, ou seja lá o que for, nos salve que nós já não somos capazes.

Luís Isidro Guarita

Afinal, para que serve o Banco de Portugal?

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A pergunta impõe-se! Primeiro o BCP, agora o BPN, em seguida o que será?

Ao longo destes últimos anos há, no mundo da alta finança, algo que nos surge cada vez mais nítido. Em Portugal não existe regulação do sistema financeiro! É triste, mas é verdade!

Já não são casos isolados, já não é uma qualquer Dona Branca de vão de escada, são bancos, bancos enormes, com milhares de clientes e milhões em depósitos que, amiúde, nos surgem envoltos numa neblina incompreensível e impenetrável, onde as fronteiras da legalidade se parecem esbater a cada nova notícia e onde as poupanças de milhares de famílias se esvaem numa folha de balanço. E isto, isto é deveras inacreditável num país que se encontra na União Europeia e pertence ao clube do Euro. É que não se trata de uma crise financeira internacional, trata-se de uma gigantesca crise de gestão, de má gestão, ou melhor ainda, de gestão danosa e muitas das vezes a roçar o criminoso que nos envergonha colectivamente e que deveria embaraçar profundamente as mentes dos que, nas cátedras do Banco de Portugal, são responsáveis por observar e regular este estado das coisas. Mas não, nas bocas daqueles senhores tudo isto soa a normal, em boa verdade, aquilo que aquelas bocas proferem sobre estas normalidades soa, ele mesmo, àquela conversa das crianças que, inocentemente e perante o problema, afirmam que não sabiam. Quem é que não se recorda da rábula do genial Herman José a afirmar à professora na Escola que não sabia nada!

Tudo isto seria risível se não fosse trágico!

Ontem, ao observar o Sr. ministro das finanças a tentar explicar a necessidade de cada um de nós passar mais um cheque para pagar um problema que, apesar de detectado não está ainda completamente diagnosticado - isto significa tão somente que o cheque é em branco -, tive pena, pena de mim próprio e pena do ministro que, na sua imensa magnanimidade, lá terá que perdoar novamente o Sr. que se sentava ao seu lado o qual, apesar de responsável pela veneranda instituição que tinha a responsabilidade de impedir que eu tivesse que pagar mais este cheque, parecia estar ali como se viesse de outra dimensão, de outro mundo onde, pelos vistos, estas coisas não acontecem e onde o cargo de Governador de uma instituição com as responsabilidades do Banco de Portugal é uma mera sinecura, uma espécie de prémio de fim de carreira, que a nada obriga.

E também tive pena do Eng. Sócrates, que mais uma vez se vê obrigado a engolir outro sapo do tamanho do mundo. É que os juros que há bem pouco tempo tínhamos que pagar pela subida da dívida pública, caso houvesse necessidade de intervenções desta natureza, mas que não podíamos, nas suas palavras, e bem, diga-se de passagem, são agora a multiplicar.

Mas aquela conferência de imprensa e os factos que a ela levaram foi, na frieza dos números que nela se verteram, mais um sinal da absoluta falência moral em que cada vez mais nos encontramos e da incomensurável ligeireza com que em Portugal se assumem e interpretam os lugares públicos. Será que não há, em Portugal, uma fronteira a partir da qual a demissão se exige? Não foi, no caso da inexistente supervisão do Banco de Portugal, essa fronteira há muito ultrapassada?

A verdade é que mais do que problemas no sistema bancário, este caso BPN revela o quanto caminhamos à beira do precipício sem qualquer rede e o quanto aqueles que nos deveriam dar as garantias de que nada disto seria possível, apenas nos conseguem dar a sensação que com ou sem eles, o resultado é sempre o mesmo.

Há coisas que deviam ser inquestionáveis, a fiabilidade e segurança do Banco de Portugal deveria ser uma delas, mas pelos vistos não, pelos vistos o banco, de Portugal, só mesmo o nome. 

Assim sendo, o melhor mesmo é aguardar pelo próximo Euromilhões e fazer figas...

Luís Isidro Guarita

P.S. Já agora, porque será que fiquei com a sensação de que na conferência de imprensa onde supostamente se salvavam os depósitos dos depositantes do BPN se estava também a salvar o empregozinho do Sr. Governador?
 

O Estoiro

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Trinta e três anos após o grande assalto à economia portuguesa, a nacionalização do BPN cobre-nos a todos de vergonha.

É certo que com o banco transformado num farrapo, não restava ao governo outra alternativa para salvar os depósitos e preservar a confiança no sistema bancário. Desse ponto de vista, a nacionalização é provavelmente o mal menor.

Porém, embora surja num momento de implosão do sistema bancário internacional, o estoiro do BPN nada tem que ver com a crise financeira que arrasou a banca em vários países do mundo.

Habilmente, o governo aproveita uma onda favorável às nacionalizações. Mas aqui não há subprime. O que há são offshores clandestinos, balcões virtuais, lucros fictícios, juros insustentáveis, negócios ruinosos, fuga ao fisco e lavagem de dinheiro.

O que se passou no BPN é, acima de tudo, um caso de polícia.

Só que o estoiro do BPN revela também, uma vez mais, a absoluta incapacidade do Banco de Portugal para regular a actividade do sector bancário.

Há anos que se ouvem e lêem histórias escabrosas sobre o BPN. Uma instituição financeira onde a política se misturou com o futebol e a construção civil, numa imparável caminhada rumo ao abismo. Um lodaçal de meter medo, que aos poucos foi afastando os investidores e os clientes.
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Toda a gente sabia menos o Dr. Vitor Constâncio que, como muito bem lembrou Paulo Portas, recebe o maior salário do regime, precisamente para evitar estoiros como este.

Mas tal como sucedera no BCP, o Banco de Portugal chegou tarde ao BPN.

E agora serão os contribuintes a pagar a factura.

João Castanheira

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Caracas à vista


Algo de estranho se passa com a classe política em Portugal.

Ontem, o primeiro-ministro aproveitou uma cimeira internacional para promover os computadores montados pela J. P. Sá Couto, empresa a contas com um processo de fraude fiscal.

Parece que são baratos e resistentes ao choque, conforme testemunhado pelo próprio presidente ”Chaves”. Descodificando a mensagem: comprem-nos esta tralha que é óptima para a miudagem do terceiro mundo.

Mas a que propósito é que um estadista europeu gasta boa parte do seu discurso numa cimeira internacional a vender os computadores do sr. Couto?

E acharão os partidos da oposição que este tipo de encenação é normal numa democracia ocidental?

Um dia destes soltamos amarras e acabamos atracados em frente a Caracas.

Deus nos acuda.

João Castanheira

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A esquerda e o oportunismo político

Já está. Chegou a prova científica.

Como se suspeitava, os partidos de esquerda são mais oportunistas, mais despesistas e mais eleitoralistas que os partidos de direita. Numa palavra, a esquerda é, em regra, mais irresponsável que a direita.

O trabalho desenvolvido pela professora Maria Manuel Pinho vem agora confirmar esta tese.

É certo que todos os governos tendem a aumentar a despesa pública em ano de eleições. Mas a investigadora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto analisou a evolução da despesa pública em 23 países da OCDE durante 35 anos, concluindo que este “comportamento oportunístico” é mais frequente em governos de esquerda e centro-esquerda do que em governos de direita.

Ainda de acordo com o mesmo estudo, a obsessão pela reeleição a qualquer preço é maior nos países do sul da Europa, onde “o eleitorado será menos informado, logo mais vulnerável a manipulações desse tipo”.

Em Portugal, o recorde absoluto da despesa pública foi atingido em 2005. No primeiro ano de governo Sócrates, praticamente metade de toda a riqueza produzida no país (47,6%) foi devorada pela máquina do Estado. É obra.

João Castanheira

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O paraíso não é lugar para paneleiros


E agora, um pouco de poesia.
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Aqui fica a transcrição da muito edificante declaração de voto proferida por um deputado do PSD na Assembleia Municipal de Odivelas, a respeito de uma moção sobre o casamento homossexual:

“O casamento é um sacramento, instituído por Deus nosso Senhor Jesus Cristo para ser celebrado entre um homem e uma mulher. E não é as ideias esquisitas que algumas pessoas, que entendo que têm uma formação deficiente, querem fazer impor à sociedade que vai alterar esta circunstância. Deus colocou no Paraíso um Homem e uma Mulher, não colocou dois paneleiros ou duas lésbicas”.

João Castanheira

Um homem de valores


Joerg Haider, líder da extrema-direita austríaca e governador da província da Caríntia, morreu há duas semanas num acidente de viação. Conduzia bêbado, a 142 km/h, depois de ter passado a noite num bar gay.

Ao morrer, deixou a liderança do partido ao seu próprio amante, Stefan Petzner, um jovem inexperiente, de 27 anos, que declarou ontem que Haider era o homem da sua vida.

Apesar de casado e pai de duas filhas, este admirador de Adolf Hitler vivia uma vida dupla. O tablóide alemão Bild publicou há dias uma fotografia de Haider a beijar um jovem engate de ocasião.

João Castanheira

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Brincar à energia barata


Longe vai o tempo em que grande parte da electricidade que o país consumia era produzida em barragens.

Actualmente, mais de 75% da energia eléctrica que utilizamos é gerada em centrais termoeléctricas a carvão e a gás natural, combustíveis que o país importa a preços do mercado. E os preços do carvão e do gás mais do que duplicaram ao longo do último ano, originando um tremendo agravamento nos custos de produção de electricidade.

Por outro lado, o nosso país tem vindo a apostar – e bem – no aproveitamento das energias renováveis e no desenvolvimento de tecnologias mais limpas, como a cogeração. O investimento nestas tecnologias é realizado por operadores privados, que constroem parques eólicos e centrais solares mediante a garantia de que a electricidade verde é paga a tarifas atractivas, que muito justamente premeiam os seus benefícios ambientais.

Ora, se todos estes custos fossem levados em conta, as tarifas de electricidade aumentariam no próximo ano 40%. Acontece que – fazendo tábua rasa do princípio do utilizador-pagador – o governo decidiu que o aumento do preço da energia eléctrica em 2009 será de apenas 4,3%. Dez vezes menos. Simpático não é?

O problema é que não há almoços grátis. Os produtores de electricidade não são instituições de solidariedade social. E o resultado desta política de faz de conta é a explosão do chamado défice tarifário, uma dívida dos portugueses para com os produtores de electricidade, cujo valor ultrapassa já os 2.000 milhões de euros. Um montante astronómico, que teremos que pagar e com juros.

Só que esta dívida não será paga em 2009, ano de muitas eleições, porque o governo socialista não está disposto a suportar o custo político de um aumento realista do preço da electricidade. A factura há-de ser paga mais para a frente.

Por outro lado, embora não hesite em recolher os louros da aposta nas energias renováveis, o governo socialista não está disposto a pagar a sua factura. E por isso decidiu que os apoios aos produtores de electricidade verde também não serão pagos em 2009. A factura há-de ser paga mais para a frente.

O governo e o “regulador” podem assim vir dizer que em 2009 a factura da electricidade vai aumentar apenas 1 euro por mês, ainda que essa seja uma mensagem falsa e profundamente errada, sob o ponto de vista da utilização racional de energia.

É muito socialista esta lógica de chutar os problemas para a frente. À conta da intromissão governamental nos preços, cada português ficará no próximo ano a dever mais de 200 euros em electricidade. Uma dívida que há-de crescer indefinidamente, enquanto não houver coragem política para enfrentar o problema de frente.

E o problema não se resolve atirando a dívida para o futuro ou obrigando os contribuintes a pagá-la, de forma encapotada, através de impostos.

A electricidade tem que ser paga por quem a consome, sem prejuízo da criação de um mecanismo de apoio social, de que deverão beneficiar apenas os mais carenciados.

Até quando vamos continuar a brincar à energia barata?

Provavelmente até que a bomba nos rebente nas mãos.

João Castanheira

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A K nasceu há 18 anos



A revista K nasceu há precisamente 18 anos. Foi um estrondo. Um rasgo de génio e modernidade, imaginado por alguém que continua a ser uma referência maior para toda uma geração de portugueses: o Miguel Esteves Cardoso.

Quase duas décadas depois, os velhinhos exemplares da K mantêm o arrojo e a irreverência com que então sacudiram o panorama editorial do nosso país. Não fosse a publicidade a coisas de outro tempo – como rolos fotográficos, gira-discos ou automóveis ultrapassados – e tudo aquilo continuaria absolutamente actual.

A K estava tão afrente do seu tempo que durou apenas dois anos e meio. Lembro-me que quando acabou entrei em depressão.

Ainda hoje guardo, religiosamente, os 31 números da revista. E folheio-os periodicamente, com um sorriso nos lábios e uma imensa saudade.

Algumas memórias ficaram para a vida. As capas da K, as fotografias, o grafismo e, entre tantas outras, a reportagem da Maria Filomena Mónica sobre os operários do Barreiro ou a entrevista do Carlos Quevedo e do Rui Zink ao Luíz Pacheco, o escritor maldito.

Que falta nos faz a K.

Que bom seria voltar a ter algo como a K.

João Castanheira

domingo, 12 de outubro de 2008

Eu sou a verdade!


Ora aí está! Foi assim que perante o tribunal se anunciou esta nossa passionária, impante e segura de si mesmo. Ela, na desfaçatez com que se assume, dá-nos o retrato perfeito de uma certa clique política desta nossa West Coast que em pleno século XXI de certeza fariam as delícias do nosso já saudoso Eça algures pelos meados do século XIX. Na verdade e por estas bandas, as da política, pouco mudou, de então para cá.

Esta senhora, que depois de umas concerteza merecidas férias em terras de Vera Cruz - a expensas da dignidade e credibilidade da justiça portuguesa -, voltou à Lusa Pátria para, na terra sua homónima, levar novamente de vencida a Câmara da qual e sob a sua presidência recaem avassaladoras suspeitas de gestão, digamos no mínimo desadequada, dos bens públicos, aí está, já sem miss, e, curiosidade das curiosidades, mais jovem e fresca (novamente o Brasil), pronta para levar de vencida os meliantes que, sob a toga da justiça portuguesa, a querem afastar do seu povo e impedir esse mesmo povo de beneficiar da sua grandiloquente gestão. Malfadados!

Talvez tenha sido do outro lado do Atlântico que, aquando do estágio que por lá realizou, e ao ler uma das mais emblemáticas frases da moderna política, roubo mas faço, lhe adveio a frase com que agora crismou a actual política portuguesa. A verdade sou eu, nem mais!

Já o meu avô dizia, quem fala assim não é gago... Mas que devemos ser estúpidos, isso devemos...

Luís Isidro Guarita

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Afinal é tudo postiço


Afinal, o Magalhães foi criado pela Intel nos Estados Unidos. O seu nome original é Classmate.

Afinal, o Magalhães não é fabricado em Portugal. Por cá apenas se monta e empacota.

Afinal, a empresa responsável pela montagem empacotamento do Magalhães está a contas com um processo de fraude fiscal.

Afinal, a referida empresa foi escolhida discricionariamente, sem concurso público.

Afinal, quem paga os computadores não é o Governo mas sim as operadoras de telemóvel.

Afinal, quem terá que pagar as ligações à internet são as câmaras municipais e não o Governo.

Afinal, nenhum país europeu distribui gratuitamente o Classmate, porque o computador foi criado para estudantes de países em vias de desenvolvimento.

Afinal, programas deste tipo apenas foram implementados em países como a Nigéria, o Ruanda ou a Líbia.

Afinal, é tudo postiço.

João Castanheira

Uma solução para Lisboa

No início deste ano, o Tribunal de Contas recusou o empréstimo de 360 milhões de euros que Câmara de Lisboa queria contrair para saldar as suas dívidas. Chumbado o plano de saneamento financeiro, a gestão camarária da maior cidade do país entrou em modo de stand-bye. Lisboa parou.

Acontece que, a valores de mercado, as 3.200 casas que a autarquia distribuiu, discricionariamente, aos amigos, aos filhos e aos primos valem sensivelmente o dobro daquele montante.

Portanto, para pôr a cidade a funcionar basta que a rapaziada devolva as casas em que se montou e se faça à vida como os restantes portugueses.

E não é só o director municipal que se acha no direito de ter uma casa de reserva ou o escritor moralista apanhado a viver à conta da autarquia. Há peixe graúdo envolvido neste esquema. Se a lista vier a público, sem cortes cirúrgicos que consta já estarem a ser feitos, estaremos perante um dos maiores escândalos do Portugal democrático.

João Castanheira

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Da Mina de São Domingos ao Pomarão

As ruínas do couto mineiro de São Domingos, no concelho de Mértola, são o cenário ideal para um filme de ficção científica. Terra vermelha, crateras, destroços, escórias, escorrências ácidas, lagoas coloridas, ferros retorcidos e um intenso odor a enxofre mergulham os visitantes numa experiência quase apocalíptica.

Não é possível descrever a força imensa que emana deste lugar singular. Um lugar simultaneamente belo e medonho, onde são escassos os sinais de vida. Pouco mais que umas ervas raquíticas e uns insectos de cores garridas. Creio que em nenhum outro recanto de Portugal a devastação e a catástrofe produziram algo de tão extraordinariamente belo.

Os primeiros testemunhos de actividade mineira na região de São Domingos remontam à época romana. Mas foi em 1857 que a exploração em larga escala arrancou, em resultado da concessão atribuída a uma sociedade de origem espanhola – a La Sabina – que no ano seguinte acabou por arrendar os direitos de prospecção aos ingleses da Mason & Barry.

Em poucos anos, São Domingos transformou-se num dos maiores complexos mineiros da Europa. Uma pequena cidade industrial, onde não faltava uma central eléctrica, um hospital, uma biblioteca, um teatro, um mercado e uma igreja.


Existiam ainda campos de jogos, aprazíveis açudes e, sobretudo, uma fantástica linha férrea, com dezoito quilómetros de extensão, que ligava a mina ao porto fluvial do Pomarão, a partir do qual o minério era escoado em grandes navios que então subiam o Guadiana.

Nos bairros operários situados em redor do complexo chegaram a viver quase dez mil pessoas. Os mineiros habitavam as célebres 4 x 4, casas térreas em banda com quatro por quatro metros quadrados, uma porta e uma janela.

Ao longo de mais de cem anos, os homens esventraram a terra em busca de cobre e enxofre. Primeiro em galerias subterrâneas, depois a céu aberto.

Com o aproximar do esgotamento do filão, a exploração terminou em 1965 e a Mason & Barry declarou falência três anos depois. Os salvados da mina foram então vendidos a um sucateiro alemão e o resto do valiosíssimo património industrial do complexo foi barbaramente saqueado durante os anos seguintes. Ficou apenas aquilo que os homens não conseguiram levar.

A visita à Mina de São Domingos começa, necessariamente, nas ruas estreitas dos bairros operários, cujas minúsculas casas foram entretanto vendidas aos antigos trabalhadores e às suas famílias. Com um pouco de sorte, é possível visitar a Casa do Mineiro, pequeno núcleo museológico que recria a vivência de uma família mineira, com os seus objectos e as suas memórias.

Descendo ao complexo mineiro, a atenção do visitante dirige-se para uma gigantesca cratera, completamente cheia de águas ácidas. É a corta, cavidade de onde foram retirados milhões de toneladas de minério.
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Parece um tanto ou quanto irreal, mas a verdade é que até há alguns anos atrás as lagoas ácidas da mina, cujo pH se situa ente 2 e 3, eram procuradas por gente que aqui se banhava em busca de cura para alguns problemas de saúde!

Um pouco adiante, encontram-se as oficinas de material circulante, onde foi projectada e construída a locomotiva a vapor que durante décadas galgou os montes que separam São Domingos do porto fluvial do Pomarão, arrastando vagões carregados de minério.

Por ali se encontram também as ruínas da primeira central eléctrica do Alentejo e os destroços do poço n.º 6.

Seguindo ao longo do traçado da linha férrea, cujos carris e travessas foram há muito saqueados, vão surgindo sucessivas lagoas ácidas, cujas águas oscilam entre o vermelho vivo e o amarelo forte. Uma intensa profusão de cores, que confere uma riqueza cénica sem igual a esta fase inicial do percurso.

Cerca de dois quilómetros após o início do complexo, encontra-se a estação de britagem da Moitinha e, logo afrente, as antigas fábricas de enxofre e ácido sulfúrico da Achada do Gamo.



As ruínas destas instalações fabris oferecem, provavelmente, a mais célebre das imagens do complexo mineiro de São Domingos.
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O cenário de devastação e abandono entende-se ao longo de mais de cinco quilómetros e constitui, sem margem para dúvidas, um dos mais fabulosos percursos de arqueologia industrial do país.

Após o fim do couto mineiro e seguindo sempre o traçado daquela que foi a segunda via-férrea construída em Portugal, a paisagem torna-se um pouco monótona e algo desinteressante. Felizmente, a viagem vai sendo animada por enormes famílias de porcos e bacorinhos pretos, que deambulam livremente pelos campos, observados ao longe pelos abutres que planam no céu.

A inclinação da ladeira que sobe em direcção à aldeia de Santana de Cambas, transporta-nos para o tempo em que as locomotivas puxavam vagarosa e esforçadamente os vagões carregados de minério.

Praticamente todas as pontes que existiam ao longo dos dezoito quilómetros da linha estão destruídas, obrigando os caminhantes a passar a vau os minúsculos cursos de água, o que é possível fazer sem grande dificuldade. Na verdade, durante o Verão não é sequer necessário molhar os pés.


Os últimos cinco quilómetros do caminho que conduz ao cais do Pomarão voltam a ganhar contornos de aventura! Há que atravessar uma sucessão de sete túneis, alguns dos quais razoavelmente extensos e repletos de morcegos.

Mais de quarenta anos após a passagem do último comboio, a natureza vai tomando conta de algumas partes do percurso. A vegetação e os desmoronamentos obrigam a pequenos desvios, mas a chegada ao Guadiana faz-se sem sobressaltos.

Por fim, o Pomarão. Uma deliciosa e pacata aldeia operária, erguida numa belíssima curva do Guadiana, na confluência com a ribeira do Chança. Quem hoje ali chega, tem dificuldade em imaginar a agitação e a vida de outrora, no tempo em que mais de quinhentos navios por ano recebiam o minério de São Domingos e o espalhavam pelo mundo. As ruínas do cais mineiro e a memória dos homens estão lá para testemunhar um passado difícil mas, indiscutivelmente, glorioso.


Depois de décadas de miséria e abandono, a Mina de São Domingos vai aos poucos acordando para uma nova vida. Na barragem da Tapada Grande, nasceu uma agradável praia fluvial. Mesmo em frente, o palácio dos ingleses – outrora sede da empresa mineira – foi transformado numa esplêndida estalagem onde apetece ficar. E, surpreendentemente, o investimento turístico chega pela mão da La Sabina!

Só é pena que o progresso anuncie para breve a construção de uma ponte internacional e uma grande estrada para o Pomarão. Um investimento que há-de dizimar o maior tesouro desta região: as águias, os grifos, os mochos, os veados, os saca-rabos e, sobretudo, a imensa paz...

João Castanheira

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Umas casitas


Como eu percebo o manto de silêncio que, há 30 anos, cobre um dos mais obscenos segredos de Lisboa.
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Ao longo destas três décadas, os pobres foram arrumados em bairros sociais e os remediados enxotados para o inferno dos subúrbios.

Já as 3.200 casas que constituem o apetecível património da autarquia no centro da cidade foram distribuídas, de forma absolutamente discricionária, por intelectuais, dirigentes políticos, funcionários, amigos, filhos e primos.

Entre os beneficiários, contam-se a vereadora Ana Sara Brito, o escritor e jornalista Batista Bastos, a chefe de gabinete do vice-presidente da câmara Isabel Soares ou o director municipal José Bastos. Uma lista que promete revelações aterradoras.

Num país civilizado, a divulgação desta história sórdida faria, necessariamente, rolar cabeças. Num país europeu do século XXI, todas as casas seriam, de imediato, entregues à autarquia, que trataria de as atribuir a famílias carenciadas ou, em alternativa, trataria de as colocar no mercado de arrendamento a preços justos.

Por cá, espera-se que a poeira assente, para que a paz volte ao lar dos felizes contemplados. Veja-se a desfaçatez com que um director municipal fala de uma casa que não é sua: “O meu filho é que mora lá. Não tenho dinheiro para lhe comprar uma casa nova... Além disso, é a minha casa de reserva. Se amanhã tiver de me separar, para onde vou?”.

É o drama, a tragédia, o horror. Atingimos o grau zero da decência. A generalidade dos portugueses, que não pode oferecer casas aos filhos nem tem apartamentos de reserva - pelo menos públicos - assiste incrédula a este espectáculo pornográfico.

Julgo que o país não perdoará a António Costa se esta sujeira não for rapidamente limpa. Custe a quem custar.

João Castanheira

sábado, 27 de setembro de 2008

Nós na terra e o Sr. Chavéz nas alturas


Ao que parece, e chegado pela calada da noite, o Sr. Chávez passou outra vez aqui pela West Coast para deixar por cá mais uns cobres para a malta.

Começa, portanto, a ser um hábito sermos visitados pelo homem da camisola vermelha, o que, convenhamos, é, só por si, uma belíssima imagem da modernidade com que nos veste este nosso governo.

Claro está que há uns pequenos detalhes que, para lá do óleo viscoso que o Sr. transporta, tendem a dar um tom um tanto bafiento a esta modernidade hiper progressista, mas pronto, nada que um bom negócio com o hermano de além mar não resolva.

Contudo e porque na verdade a coisa começa a raiar a estupidez, é caso para perguntar, não haverá na malta que estende, em representação de todos nós, os braços ao Sr. Chávez, um pingo de vergonha para perceber que os abraços que se estão a dar abraçam um ditador?

Luís Isidro Guarita

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

E que viva o Capitalismo!


O Arrastão já rende!

Não é o da Pesca é o do Daniel, o blog.

Ele há coisas do arco da velha, então não é que o blog do Daniel, o Arrastão, também tem pub! Fixe não é?

E já agora, que pub tem o Arrastão? Tem pub a uma empresa de concessão de crédito - dinheirito a troco de juros, malta -. Não é baril? Cool mesmo! O Daniel ganha umas massas com o blog, e logo à conta do capitalismo especulativo. O Daniel é mesmo esperto, não é?

Por um lado debita e destila impropérios contra essa malta gananciosa do subprime e coisa que o valha e por outro recebe o carcanhol da malta da concessão de crédito ao pessoal que anda teso e que necessita de uns trocos para o Plasma HD. É mesmo de génio, não acham?

E já agora e aqui para a malta do Num Lugar, não há por aí nenhum patrocínio disponível? Nós também vociferamos contra o que for preciso. A sério!

Luís Isidro Guarita

Sur les Pavés, la Plage!

É oficial, Portugal tem, finalmente, o seu Maio de 68!

Se os Cohn-Bendits daqueles tempos gritavam que era proibido proibir, as Lurdes Rodrigues de hoje gritam que é proibido chumbar. E que bem que soa, não é?

Acabemos então com o velho mundo e escancaremos as portas ao novo, até porque a acção não deve ser uma reacção - antes que umas quaisquer estatísticas nos estraguem o arranjinho -, mas uma criação e é tempo, por isso, de dizer que a imaginação tomou o poder. E que melhor imaginação que imaginar que por decreto, todos somos génios? Lindo, não é?

E assim foi, o sonho glorioso da educação em Portugal aboliu essa coisa do passado que era o chumbo e decretou a excelência. Não há tempo a perder, avancemos que o futuro espera por nós, algures entre a indigência e a estupidez colectiva, há um amanhã e um novo Maio que canta.

Cantemos pois, cantemos e sejamos realistas, exijamos o impossível... É que a Sra. Rodrigues não o fez por menos!

Luís Isidro Guarita

Carlos V e o futuro, ou a viagem de Fernão de Magalhães contada à pequenada, 500 anos depois e através do Classmate.

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Pronto, já está, a coisa resolve-se de uma penada e de caminho, entre festança e festarola, lá vamos, alegres e contentes, observando a trupe que passa com o seu elixir da saúde eterna, neste caso educação imediata.

De norte a Sul, de Miranda do Douro à Figueira da Foz, de Barrancos a Matosinhos, lá anda o Sr. Ministro da Economia da West Coast de braço dado com a Sra. Ministra da Educação distribuindo, em glória, a iluminadíssima solução para todos os males da criançada indígena. 

A coisa, azul, parecida com um tal de Classmate e que dá pelo nome de Magalhães - ao que parece um Sr. cá da nação que há coisa de 500 anos vendeu os seus serviços a um tal de Carlos V, à data e ao que parece também, Rei de Castela, um sítio que mais coisa menos coisa agora dá pelo nome de Espanha e que, pelo caminho e algures no actual arquipélago das Filipinas se deixou morrer sem nunca completar o serviço que havia prometido a sua Majestade Imperial - é, de acordo com os óraculos, a solução porque todos ansiávamos! 

Não vem com o nevoeiro, isto apesar de há dias ter reparado, confesso, uma certa neblina numa das muitas viagens do ministro da West Coast, mas vem do dinheiro que muita gente, com certeza mal intencionada, acharia que se deveria gastar a dotar as nossas escolas dos meios de que tanto e em tantos sítios carecem, mas isso são contas de outro rosário e os Ministros têm pressa...

Mas voltemos ao que interessa e deixemo-nos de pormenores. É um facto, o Classmate, perdão, Magalhães, é a circum-navegação, desculpem, solução que estávamos à espera. A partir de agora não há que temer, sejam nativos da ilha de Mactan, sejam putativos chumbos. Tudo isso e de acordo com a verdade oficial é história, o futuro agora é outro e está na ponta de um teclado. Aproveite pois, caro concidadão, e ponha as criancinhas a navegar. Reze, no entanto, para que não fiquem pelo caminho, como o outro, e lhes apareça depois lá em casa um tal de Elcano a dizer que o mundo é mesmo redondo. É que ele de facto é, só que nem sempre o é para todos... É que há alguns, como esse tal de Magalhães, o de há 500 anos, que ficam pelo caminho.

Luís Isidro Guarita
 

Podemos estar descansados

A ASAE, organismo que se especializou na apreensão de bolas de berlim e colheres de pau, emitiu ontem um comunicado onde afirmava que “a importação de leite e produtos lácteos provenientes da China é proibida na União Europeia desde 2002”, acrescentando que “não possuiu qualquer evidência de que possam ter ocorrido exportações ilegais para Portugal”.

No mesmo dia, o Público foi às compras e, sem ter que procurar muito, adquiriu iogurtes líquidos e bebidas de leite chinesas, num supermercado da cidade do Porto.

Podemos estar descansados.

João Castanheira

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Eu não lhes acho piada nenhuma...


Após o colapso do comunismo, muita gente passou a olhar o PCP como uma organização simpática e inofensiva. Uma espécie de penacho no chapéu da democracia portuguesa, tantas vezes útil por incomodar o poder instalado.

O rosto humano de Jerónimo de Sousa, que ao contrário de Cunhal se deixa filmar a dançar o vira e a chupar sardinhas assadas, quase faz esquecer os milhões de vítimas do comunismo. Foram gerações inteiras sujeitas à miséria, à tortura e à morte, em nome dos ideais criminosos que esta gente continua a defender.

Uma gente que esteve à beira de empurrar Portugal para o abismo de uma feroz ditadura de inspiração soviética. Uma gente que finge não ter visto o irreprimível grito de liberdade que varreu a Polónia, a RDA, a Checoslováquia, a Hungria ou a União Soviética. Uma gente que ainda hoje acredita – ou diz acreditar – que o futuro da humanidade está na Coreia do Norte ou em Cuba.

Leia-se o projecto de Teses do XVIII Congresso do PCP, onde entre outras preciosidades se escreve: “Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia.”

Tivesse esta gente a possibilidade de assumir os destinos do país e Portugal acabaria, irremediavelmente, como uma espécie de Cuba da Europa. E, apesar do rosto humano do camarada Jerónimo, muitos de nós acabaríamos, no mínimo, presos.

É por isso que eu não lhes acho piada nenhuma...

João Castanheira

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Alguém me acertou com um Magalhães


Socorro! Escondam as crianças na cave.

Anda por aí uma turba ululante a atirar Magalhães à cabeça dos nossos pequenos.

Parece que o próprio primeiro-ministro e mais dez governantes decidiram tirar o dia para arremessar milhares de "PlayStations" à testa da criançada. O governo em peso está a correr o país, de lés a lés, com as câmaras de televisão às costas.

Agora é que isto vai. Este ano, os nossos jovens já tinham sido atacados por um surto de inteligência fulminante, que cortara drasticamente os chumbos e elevara ao zénite as médias em todas as disciplinas.

Agora, com o Magalhães, a meta é zero chumbos - ministra da educação dixit. A partir de hoje, nenhum português vai reprovar. O chumbo foi oficialmente banido do nosso sistema de ensino. Todos os alunos serão classificados com um 40, numa escala de 0 a 20. O Eurostat que embrulhe esta estatística.

E mais: se o Partido Socialista continuar no governo, dentro de poucos anos cada criança sairá da maternidade - mesmo em Badajoz - com um Magalhães e um douturamento honoris causa às costas.

Podemos transformar-nos num país de brutos e analfabetos, mas seremos todos diplomados.

Connosco, no caminho para a construção do homem novo, estarão a Namíbia e a Venezuela, nações prósperas e luminosas que já aderiram à distribuição gratuita do Magalhães.
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A este tridente de ataque, que se prepara para dominar o mundo no século XXI, falta juntar o Zimbabwe.

João Castanheira
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PS: a partir de sábado há Magalhães à venda na Feira da Ladra.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A globalização somos nós!

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Ontem, num texto notável escrito nas páginas do Público, Rui Ramos demonstrava o quanto muito do que hoje em dia se está a passar no mundo financeiro se deve à democratização do acesso, pelas famílias, a recursos financeiros inimagináveis até há bem pouco tempo que, por via do crédito fácil, mas sobretudo barato, lhes proporcionou a possibilidade de obterem bens e serviços a que, em condições diferentes, jamais teriam acesso. Mas não se tratou apenas de obter esses bens e serviços, tratou-se, igualmente, de manter, através desse crédito, níveis de vida por vezes incompatíveis com os rendimentos de que efectivamente dispunham. E foi aí que a bolha começou a esvaziar.

Este simples facto é, nas suas múltiplas dimensões e como tão claramente nos explica Rui Ramos, a verdadeira face da globalização. Por muito que grupos e grupelhos por esse mundo fora gritem à frente de um microfone ou câmara de televisão os chavões do momento contra o papão da globalização e os seus demónios na forma de multinacionais que tudo exploram e tudo submergem aos seus interesses, foram também esses mesmos papões e demónios que permitiram a manutenção e até elevação da qualidade de vida de muitos dos que, pelos fóruns do mundo, vociferam o seu ódio contra o planeta global.

Mas a verdade é esta, a globalização somos nós. Sem ela, o mundo poderia não ser o mesmo, mas seria, sem dúvida, um mundo pior.

Luís Isidro Guarita

Que tal pedir a ajuda de Luanda?

Ainda sobre a falta de transparência na formação do preço dos combustíveis, em particular no caso da Galp, talvez esteja na hora pedir a intervenção do Governo.

Não me refiro ao português mas sim ao angolano!

Nestas coisas, é melhor falar com quem manda.

João Castanheira

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Lula e os outros.

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Se não me engano, Luís Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil à quarta, após derrotas com Fernando Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso.

Lula da Silva, como habitualmente é conhecido, vem do PT, partido dos trabalhadores, de inspiração comunista, mas tem sido, na prática, um presidente socialista, na linha de alguma social democracia europeia. Neste pormenor, entre ele e outros dessa mesma área que povoam a América do Sul, há um universo de distância.

Onde Lula é ponderado, sensato e, sobretudo, actual na interpretação que faz do mundo que o rodeia, os outros são excessivos, prepotentes e, mais grave, revanchistas.

Lula é por isso e apesar das enormes diferenças ideológicas que tem para com os autores deste blog, um oásis num continente onde começa a abundar a loucura política.

Desta evidência são exemplo perfeito os mais recentes acontecimentos na Bolívia. Naquele país onde se exigia ponderação e inteligência para a resolução dos enormíssimos problemas que o afligem, há, nestes dias, o oposto. E isto acontece fundamentalmente por duas razões. Porque há um presidente que ao invés de fomentar o diálogo fomenta a dissolução das partes em confronto e assume-se como líder de facção. E porque há, no norte do continente, sentado sobre um barril de petróleo, um demente que dedica os seus dias a despejar petróleo desse barril pelo continente para em seguida o atear.

A actuação de Lula na recente cimeira de países Sul-Americanos e a sua postura perante a quase guerra civil que se abateu sobre a Bolívia revela, só por si, a enorme diferença entre ele e os outros presidentes do continente, mas revela, sobretudo, que hoje o Brasil é, de facto, a maior potência da América do Sul, seja pela sua dimensão e riqueza, seja, essencialmente, pelo exemplo dos que o governam.

Uma nota final. É curiosa a notória indiferença com que a esquerda portuguesa trata Lula e adula Chávez e Morales. Este detalhe, pelo que contém, revela muito do que esta esquerda hoje de facto é...

Luís Isidro Guarita


Especulação e ignorância


A cotação do petróleo está hoje ao mesmo nível a que estava em meados de Dezembro de 2007. Mas cada litro de combustível custa agora mais cerca de 10 cêntimos do que custava naquela altura.

É óbvio que o mercado nacional dos combustíveis rodoviários não funciona. E não funciona porque é dominado por 3 empresas – a Galp, a Repsol e a BP – que repartem entre si mais de 80% do mercado. Como nenhum destes operadores está disposto a ganhar quota de mercado à custa duma política agressiva de preços, a concorrência não passa de uma miragem.

Ainda que informalmente, vigora no mercado dos combustíveis um pacto de não agressão, que é do interesse das empresas e dos seus accionistas. O presidente executivo da Galp, um dos mais competentes gestores deste país, está por isso a cumprir o seu papel.

Já o mesmo não se pode dizer da Autoridade da Concorrência, que se limita a constatar não existirem provas concretas de cartelização. Ora, mal estaríamos se as petrolíferas precisassem de se reunir ou trocar correspondência para combinar preços!

Dito isto, é também surpreendente a ignorância com que esta matéria é abordada pela maioria dos órgãos de comunicação social e até por alguns alegados especialistas em energia.

Dizia hoje um dos tais especialistas que, se ao longo dos últimos 2 meses a cotação do crude caíra 40%, o preço dos combustíveis deveria ter baixado em igual percentagem.

Ora, esta afirmação revela uma ignorância atroz, pois, como se sabe quase 60% do preço da gasolina corresponde a impostos cobrados pela Estado (ISP e IVA). Logo, uma descida de 40% no preço do crude poderia, no limite, produzir uma redução de cerca de 16% no preço da gasolina e nunca de 40%!

O problema é que, até agora, a redução se ficou pelos 5%...

João Castanheira

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A Quinta do Ambrósio


A Quinta do Ambrósio é o paradigma de um certo Portugal.

Aqui há uns anos, aquela propriedade do concelho de Gondomar foi transaccionada por 1 milhão de euros, um valor baixo, já que o terreno estava afecto à Reserva Agrícola Nacional, não tendo, por isso, capacidade construtiva.

Seis dias após a transacção, a quinta – que já não era do Ambrósio – foi vendida a uma empresa pública, a STCP, pelo valor de 4 milhões de euros. Com a garantia de que seria desafectada da Reserva Agrícola Nacional. E foi mesmo.

Ao ganhar capacidade construtiva, o terreno viu o seu valor multiplicado por quatro, gerando em poucos dias uma mais-valia de 3 milhões de euros.

Essa mais valia foi paga pelos contribuintes, que todos os anos são convidados a financiar, através dos impostos, o défice crónico da STCP.

E onde foram parar estes milhões?

Citando o que escrevem hoje vários órgãos de comunicação social, aos bolsos de um dos filhos do Presidente da Câmara de Gondomar, do Vice-Presidente da mesma autarquia e de um ex-dirigente do Boavista. Gente com queda para o negócio.

Às vezes penso que, por um qualquer capricho da natureza, Portugal acabou plantado a norte do continente que lhe estava destinado.

João Castanheira

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O fim da linha

Ontem, um homem descarregou a pistola em cima de outro, deixando-o às portas da morte.

O crime ocorreu no interior duma esquadra da PSP, o que começa a ser normal aqui pela West Coast of Europe.

Hoje, o juiz de instrução criminal do Tribunal de Portimão colocou o homicida em liberdade.

O agressor poderá assim deslocar-se ao hospital para completar o serviço. Quer-me parecer que quem dispara 5 tiros no interior duma esquadra, não verá problema de maior em aviar mais 2 ou 3 na unidade de cuidados intensivos do Hospital de São José.

É devido um agradecimento a este juiz, que expôs ao ridículo as leis penais que vigoram neste WC da Europa. Leis que, invariavelmente, protegem o bandido e abandonam a vítima à sua sorte.

O último a sair que apague a luz...

João Castanheira

Agora é que isto vai

Aos poucos, os vereadores da oposição de esquerda na Câmara Municipal de Lisboa vão caindo que nem tordos.

E se Sá Fernandes ainda conseguiu sacar um pelouro, Helena Roseta não obteve mais do que dois projectos.

A cidade está particularmente empolgada com uma coisa de nome “Lisboa, encruzilhada de mundos”, que visa “colocar a capital na vanguarda da implementação de políticas intermunicipais de cooperação e desenvolvimento”. Seja lá o que isso for. Ou, segundo outras fontes, promover o “desenvolvimento do diálogo intercultural”.

Agora que há dinheiro para gastar em palhaçada, já estou a ver o Terreiro do Paço repleto de animadores culturais e malabaristas a cuspir fogo. Com muito reggae, kuduro e cheiro a erva.

Assim como assim, nada pode ser pior do que um desastre chamado Carmona.

João Castanheira

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O plebiscito

O MPLA parece ter obtido 82% dos votos nas eleições legislativas angolanas.

É um bom resultado, que se bate, sem complexos, com os 88% conseguidos em 1969 por Marcello Caetano.

Mas as verdades têm que ser ditas: o resultado do MPLA fica aquém dos 96% alcançados pela família Castro em Cuba ou dos 100% que Kim Jong Il costuma sacar nas eleições da Coreia do Norte.

O facto, inesperado, da oposição ter conseguido alguns votos, convida a um exercício de autocrítica.

Ainda assim, para evitar qualquer leitura distorcida da realidade, aqui ficam os títulos de algumas das muito diversificadas notícias difundidas pela ANGOP, a agência noticiosa oficial do MPLA, perdão, de Angola.

“UNITA sem razões coesas para impugnar eleições”
“Constitucionalista considera inexistentes razões para impugnar”
“Cardeal descarta razões para impugnar eleições”
“Líder religioso considera eleições exemplares”
“Parlamentar cabo-verdiano considera eleições livres”
“IASED considera eleições livres, justas e transparentes”
“Governo Luso saúda Angola pelo civismo nas eleições”.

João Castanheira

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ainda a Polónia

Aqui ficam mais alguns lugares encantados de um país fabuloso.


Zamosc, cidade Património Mundial da Humanidade

Wroclaw, capital da Baixa Silésia

João Castanheira

Alternância democrática? Isso é coisa de colonialistas...


A respeito do processo eleitoral angolano, aqui ficam duas frases lapidares do José Manuel Fernandes, retiradas do editorial de hoje do jornal Público.

É por estas (verdades) e por outras que o Público foi proibido de entrar em Angola.

“Não é por acaso que se considera que uma democracia aberta e liberal é o regime em que os cidadãos podem despedir os seus governantes de forma pacífica, algo que nunca ocorreu em Angola... É que só nessa altura se vê se esta é genuína ou se corresponde a uma fachada para descansar as consciências ocidentais, só nessa altura se sabe se os países são capazes de trocar de governo sem sobressaltos (como em Cabo Verde) ou se a democracia entra em crise quando o poder instalado se sente ameaçado (como no Zimbabwe)”.

“Todos os que olham para as riquezas de Angola e sempre fecharam os olhos às comissões que se pagam aos políticos angolanos estarão por certo na primeira linha dos que proclamaram estas eleições como livres e justas”.

João Castanheira

Cautelas e caldos de Galinha

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Ontem, penso que na inauguração da primeira farmácia hospitalar portuguesa, o Sr. Primeiro Ministro anunciou que brevemente estará disponível a venda em unidose de medicamentos. Uma boa notícia e um avanço considerável face à irracionalidade da venda actual. 

Contudo, e na mesma comunicação, tivemos, para além do climax com que nos presenteou o Sr. Primeiro Ministro, o anticlimax da Sra. Ministra da Saúde que nos fez baixar à terra e explicou que esta medida está a ser tomada com enormíssimas cautelas e apenas a título experimental. Diria eu, não vá o diabo tecê-las.

Mas na verdade e pensando bem nisto, o que raio poderá o diabo tecer nesta medida que obrigue a tantas cautelas? Não é absolutamente do domínio do bom-senso que quando um médico prescreve ao seu paciente medicação o faça na dose exacta que este necessita para debelar o seu mal? Faz sentido continuar a comprar caixas cheias de pequenos comprimidos para depois tomarmos apenas uma parte e deixarmos o resto lá no armário da farmácia de casa? Seria normal que quando fôssemos comprar um artigo qualquer nos víssemos obrigados a comprar o caixote por inteiro em vez de comprarmos apenas aquilo de que necessitamos?

De facto há cautelas estranhas, isto porque noutros países, onde a unidose é prática habitual, tais cautelas há muito foram ultrapassadas, a bem do consumidor/paciente e a bem das finanças do estado que subsidia o doente. Mas pronto, cá na West Coast estas coisas requerem muito estudo, ponderação, reflexão, introspecção e sobretudo, pedido de autorização àqueles que beneficiam largamente com estas práticas. Esses, como diria o Octávio, vocês sabem quem são e do que estou a falar.

Luís Isidro Guarita  

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Para Viana, rapidamente e em força!


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Há edifícios que me fazem levantar do sofá...
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É o caso do Hotel Áxis Viana, projectado pelo Arq. Jorge Albuquerque. Ou a nova Biblioteca Municipal de Viana, um projecto de Álvaro Siza.
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Duas obras-primas que convidam a visitar a capital do Alto Minho.
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João Castanheira

Esperança


Por estes dias, o mundo tem os olhos postos em Angola.

Há hoje, como havia em 1992, uma enorme esperança de que as eleições representem o salto definitivo rumo ao futuro.

Eu partilho dessa esperança, porque acredito que entre os despojos da guerra e os tentáculos da corrupção, há em Angola uma sociedade civil que emerge.

Partilho dessa esperança, porque acredito na força regeneradora das novas gerações, que depois de experimentarem a paz, querem agora partilhar a prosperidade que anda por ali à espreita.

É certo que há 16 anos as coisas acabaram mal.

É certo que se a vitória do MPLA não estivesse garantida, jamais teriam sido marcadas eleições.

É certo que não pode esperar-se que sejam os corruptos a pôr fim à corrupção.

É certo que os sinais que chegam de Luanda são inquietantes – os principais órgãos de informação portugueses foram proibidos de entrar em Angola para acompanhar o processo eleitoral

Mas apesar de tudo, quero acreditar no futuro de Angola.

João Castanheira