quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Um país de cócoras


À medida que a crise se aprofunda, a economia portuguesa vai, inexoravelmente, caindo nas mãos dos salvadores ”interesses angolanos” – leia-se o chefe, a família e os amigos.

Depois da Galp, do BCP e do BPI, os ditos “interesses angolanos” preparam-se para tomar a comunicação social portuguesa, a começar pelo moribundo semanário Sol.

Não vale a pena fingir que é a economia a funcionar.

O mundo inteiro sabe de onde vem o dinheiro. E o mundo inteiro conhece o modelo de comunicação social angolano.

Será isso que queremos para Portugal?

João Castanheira

O offshore da Baixa da Banheira

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O Manuel Monteiro continua imparável.

Agora propõe a criação de uma zona franca em Braga, distrito por onde pretende ser eleito deputado nas legislativas deste ano.

E que tal um offshore na Baixa da Banheira? Ou uma região autónoma em Fernão Ferro?

A espiral de delírios parece não ter fim.

Apesar de não ultrapassar os 0,6% sempre que vai a votos, Monteiro é incapaz de perceber que a aventura do PND lhe arruinou a carreira política.

O estrago está feito. Agora bem pode fazer o pino no alto da escadaria do Bom Jesus.

João Castanheira

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Descubra a diferença


Por mais que a comunicação social europeia tente escondê-lo, há uma diferença civilizacional entre os dois lados do conflito no médio oriente. E há cartoons que valem mais que mil palavras...
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João Castanheira


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O paradoxo da esquerda caviar


O Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, alertou as jovens portuguesas para o “monte de sarilhos” em que podem meter-se ao casarem com muçulmanos.

A nossa muito laica, libertária e hipócrita esquerda caviar, sempre pronta a ferrar os dentes nas canelas da igreja católica, enfureceu-se.

Acontece que, como bem sabemos, D. José Policarpo se limitou a dar o conselho que qualquer bom pai de família – não muçulmano – dá às suas filhas.

O Xiquito Louçã e a sua rapaziada não ignoram os dogmas medievais que amordaçam as mulheres nas sociedades islâmicas. E nem é preciso referir casos extremos, em que são chicoteadas em público por conduzirem um automóvel ou mortas à pedrada por cometerem adultério.

É interessante, por exemplo, o site das mulheres muçulmanas, que enumera os amplos direitos de que gozam as mulheres no mundo islâmico:

As mulheres muçulmanas têm permissão para sair, trabalhar ou visitar familiares e amigas, desde que o marido não se oponha e desde que se cubram e comportem de acordo com as regras islâmicas. Se necessário, serão escoltadas por um familiar próximo, do sexo masculino.

O marido não deve proibir a sua mulher de sair para adquirir conhecimentos religiosos, a não ser que a ensine em casa. É preferível que a mulher reze em casa, tendo em conta as suas obrigações domésticas, os seus deveres como mãe e a necessidade de evitar a mistura com homens.

O Islão não proíbe as mulheres de trabalharem fora de casa, mas estipula um conjunto de restrições com o objectivo de preservar a dignidade e a honra da mulher, bem como a pureza da sociedade islâmica:

1. O emprego não deve ser uma prioridade, nem deve interferir nas responsabilidades da mulher enquanto esposa e mãe.

2. O emprego não deve causar fricções com a família, sendo necessário o consentimento do marido, para evitar futuros desacordos. Se a mulher não for casada, deverá obter o consentimento do seu guardião.

3. A aparência, o comportamento e o tom de voz da mulher devem seguir as regras islâmicas, que incluem a obrigação de não olhar para homens, vestir-se de acordo com as regras islâmicas, evitar o contacto com homens, não andar de forma provocadora e não usar maquilhagem ou perfume em público.
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4. O emprego deve ser escolhido de modo a evitar o contacto com homens.

É curioso que a nossa esquerda caviar revindique para si todos direitos das sociedades ocidentais, mas esteja, invariavelmente, ao lado do obscurantismo e dos valores medievais.

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João Castanheira

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Por que razão se suicida a Palestina?


De acordo com a propaganda que domina a comunicação social europeia, a Faixa de Gaza é a maior prisão do mundo, devido ao “desumano” cerco israelita.

Acontece que a Faixa de Gaza tem fronteira com um país árabe – o Egipto – que, vá lá saber-se porquê, decidiu também construir um enorme muro em redor dos palestinianos e encerrar o posto fronteiriço, após a tomada do poder pelo Hamas.

Sucede ainda que a Faixa de Gaza tem o pouco urbano hábito de exportar para Israel mísseis e homens bomba, que se fazem explodir em autocarros e cafés, com o objectivo de matar e estropiar o maior número de inocentes que for possível. Deve Israel estender-lhes uma passadeira vermelha?

A iluminada esquerda europeia alega, também, que uma parte da população de Gaza foi forçada a fugir do sul de Israel após a guerra de 1948. Talvez por lapso, não referem que a referida guerra resultou da tentativa de aniquilar o Estado de Israel à nascença, através de um ataque concertado dos exércitos da Síria, do Iraque, do Líbano, do Egipto, da Jordânia, da Arábia Saudita e do Iémen. Israel resistiu e venceu heroicamente.

A catástrofe palestiniana é verdadeiramente penosa e angustiante. Mas mais do que à agressividade israelita ou à falta de solidariedade dos países árabes, os palestinianos deverão pedir contas a si próprios. Em especial aos extremistas que manipulam e destroem a possibilidade de convivência pacífica entre dois Estados democráticos e independentes.

Em vez de sonhar com o aniquilamento do vizinho, em vez despejar rockets em cima da cabeça de inocentes, em vez de esconder armas em mesquitas, em vez de usar o próprio povo como escudo, em vez de apoiar um movimento terrorista que não reconhece o direito à existência do Estado de Israel, a Palestina poderia, talvez, mobilizar o mundo para a construção de um país.

Mas esse é um desígnio que não interessa aos senhores da guerra.

João Castanheira

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

E o disco do ano é...


Os primeiros acordes e harmonias vocais de Fleet Foxes deixam no ar uma pergunta: mas de onde é que isto saiu?

À medida que os minutos e as canções passam, a estranheza dá lugar àquela excitação juvenil que o melómano sente quando é confrontado com um clássico inesperado.

O álbum de estreia dos Fleet Foxes é uma obra-prima. E é, obviamente, o melhor disco que 2008 nos legou, deixando muito, muitíssimo longe a escassa concorrência.

As melodias eternas, as harmonias vocais, os rendilhados de guitarras e os retoques de pianos, banjos e demais ferramentas trazem à memória milhões de referências. Mas o resultado deste cozinhado é surpreendentemente original.

Fleet Foxes é um soberbo retrato da América profunda. E é, sobretudo, um irrepetível retrato de um conjunto de artistas quando jovens.
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Após uma estreia destas, o caminho que aí vem será, provavelmente, sempre a descer. Há, por isso, que gozar o prazer de ouvir até cansar White Winter Hymnal, a mais bela canção do ano. Depois dela, Fleet Foxes tem outras dez pérolas para oferecer.

João Castanheira

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Trabalho Sujo



Segundo o jornal Público, o antigo "número dois" de Avelino Ferreira Torres, Norberto Soares, vai ser o candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal de Marco de Canaveses, disse hoje fonte do PS/Porto.

É um trabalho sujo, mas alguém tinha que o fazer. E quem mais senão o Partido Socialista?

João Castanheira

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Terramoto à vista

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Manuel Alegre é uma personalidade curiosa, capaz de inspirar os mais contraditórios sentimentos.

Aprecio-lhe a voz, a coragem, a independência, a cultura e até a figura um tanto ou quanto paternal.

Mas a verdade é que a par dos seus encantos – sobretudo estéticos – Manuel Alegre representa muito do que há de pior na nossa esquerda.

Aflige-me, desde logo, o marialvismo, que os compagnons de route devem, no seu íntimo, considerar vagamente reaccionário.

Porém, o que mais me deprime naquele que é cada vez mais o grande ícone da nossa esquerda libertária é a sua profundíssima aridez ideológica.

Pergunte-se a Manuel Alegre que desígnio aponta para Portugal? Que caminho preconiza para a nossa economia? Que solução defende para a crise financeira?

Imagino que a tudo isto Manuel Alegre possa responder com um poema. Pena é que a vida seja mais complexa que um livro de poesia.

Ou talvez nos atire com os anos resistência ao fascismo – dizem as más-línguas que fugiu a salto para Argel. Pena é que a resposta habitual remeta para o passado, num momento em que a nossa inquietação colectiva diz respeito ao futuro.

Manuel Alegre é, apesar de tudo, um homem livre e coerente. Bate-se pelas causas em que acredita e essa é, nos dias que correm, uma qualidade que não deve ser desvalorizada.

Ontem, Manuel Alegre deu um passo em frente, alcançando o que julgo ser o ponto de não retorno. E deixou o polvo rosa à beira de um ataque de nervos.

Ainda não é claro o alcance dos estragos que Manuel Alegre pode provocar no poder tentacular do Partido Socialista. Mas a reacção desesperada dos boys e das girls deixa antever a possibilidade de terramoto.

Apesar de tudo, a poesia ainda é capaz de abanar a (baixa) política.

João Castanheira

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Guantanamera

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Na cabeça de Ana Gomes, há uma imparável ponte aérea rumo a Guantánamo.

A mulher sonha com aviões carregados de presos a passarem por cima das nossas cabeças. É um fetiche como outro qualquer, mas eu confesso já não tenho paciência para esta discursata.

Ana Gomes poder-se-ia também preocupar, por exemplo, com os milhares de presos políticos que a família Castro encafuou nas cadeias bolorentas do resto da ilha de Cuba. Mas não, a obsessão não lhe deixa espaço para mais do que Guantánamo.

Agora que o Governo português se prontificou a receber alguns dos potenciais terroristas de Guantánamo, o mínimo que Ana Gomes tem a fazer é franquear-lhes as portas da sua casa.

Pode ser que algum lá ponha uma bombita, nem que seja de mau cheiro.

João Castanheira

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Acudam-nos!


A economia portuguesa estagnou, a caminho duma quase certa recessão.

O mundo atravessa uma crise económica e financeira sem precedentes.

A situação é de tal modo crítica que o BCE se apressa a cortar as taxas de juro, tentando desesperadamente reanimar a economia, ao mesmo tempo que o preço do petróleo se despenha por falta de compradores e de confiança no futuro.

Mas a mensagem que o primeiro-ministro de Portugal entendeu transmitir é de que "As famílias portuguesas podem esperar ter um melhor rendimento disponível em 2009", fruto das baixas que se esperam nas taxas de juro e nos preços dos combustíveis.

Pouco importa que esses efeitos resultem do colapso da economia mundial, que trás consigo as falências, os salários em atraso, o desemprego, o crash das bolsas e a paralisação da actividade económica.

Para o primeiro-ministro de Portugal a crise é boa para os Portugueses.

Eu confesso-me chocado. Devo ter percebido mal.

João Castanheira

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Notícias do Madeiristão


Segundo o Público de hoje, a emissão online do plenário da Assembleia Legislativa da Madeira voltou ontem a ser retardada cinco minutos para permitir o corte de "cenas desprestigiantes". Negando tratar-se de um "acto de censura", o presidente do parlamento madeirense, Miguel Mendonça, assumiu a responsabilidade pela adopção da medida preventiva. "Não ando aqui para ver passar os navios", garantiu.

O presidente da assembleia regional mandou também cortar a transmissão do circuito interno televisivo para os gabinetes da oposição e para a sala de imprensa, agora igualmente privada da emissão em áudio. Às imagens em directo apenas pode aceder-se nas instalações do PSD e dos colaboradores directos do presidente, dos quais parte a ordem de corte para a régie.

Por outro lado, contrariando a tradição parlamentar que distribui os partidos consoante o seu posicionamento ideológico, o PSD decidiu passar da direita para a esquerda do hemiciclo, para que os seus deputados sejam filmados de frente e os da oposição de costas.

João Castanheira

A manjedoura do Estado


No prazo de uma semana, o país assistiu estupefacto a uma sinistra pirueta, que permitirá salvar da falência o Banco Privado Português, mediante a concessão de uma garantia do Estado.

Em risco estavam as fortunas de um punhado de investidores influentes e muito ricos, que os remediados se arriscam a ter que pagar.

Há dias, o Ministro das Finanças afirmava solenemente que “No Banco Privado Português não há uma questão de natureza sistémica, dado o peso pouco significativo de depositantes que tem”. Dito de outro modo, se o banco tivesse que cair, cairia.

Uma semana depois, o Banco de Portugal vem em comunicado afirmar que “em virtude dos riscos de contágio que aquela situação potencialmente comporta, foi possível obter a concordância de outras instituições de crédito para prestar apoio financeiro ao BPP e que, para viabilizar esse apoio, foi concedida uma garantia do Estado”. Afinal, o banco não pode cair.

Curiosamente, o Banco de Portugal avalia os activos do BPP em 672 milhões. Mas esses activos não convencem o sindicato bancário salvador, que para conceder um empréstimo de 450 milhões de euros exigiu uma garantia do próprio Estado. Assim, se o BPP não pagar a conta, os contribuintes pagarão.

Está criada uma nova regra na economia portuguesa: a partir de agora, ao contrário de todas as outras empresas, os bancos não abrem falência. Por mais incompetente que seja a gestão e por mais aventureiros que sejam os investimentos, a mão salvadora do Estado e o bolso dos esfarrapados contribuintes cá estarão para amparar a queda. Mas que belo exemplo.

Como muitos pequenos investidores anónimos – que não vão ser ajudados pelo Estado – o Dr. João Rendeiro comprou acções do BCP a 3,20 €, cinco vezes o seu valor actual. E que culpa temos nós disso?

A rapaziada passou anos a abafar os lucros, mas quando chegou a hora de assumir os prejuízos corre com o rabo entre as pernas para a manjedoura do Estado. Somos um país de merda. E um país de merda só poderia ter investidores de merda.

Sobre o governo e o alegado regulador, é melhor nem falar.

João Castanheira

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O dr. Fretes

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Parto do princípio que o senhor é um homem livre. Parto do princípio que não está montado numa avença. Parto do princípio que não é qualquer prebenda que o move.
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Eis então a questão que há muito me intriga: mas por que raio se reduz o António Peres Metello à condição de comissário político ao serviço do eng.º Sócrates?

Os exercícios de contorcionismo argumentativo do dr. Fretes na TSF e na TVI ultrapassam frequentemente o limiar do obsceno. E revelam uma fidelidade canina, mais ajustada, por exemplo, a uma Televisão Popular de Angola.

Há dias em que nem o próprio primeiro-ministro deve ter paciência para ouvir aquilo.

João Castanheira

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quem quer dar uma ajudinha aos ricos?

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Não há outra leitura para o caso do Banco Privado Português. Trata-se de uma pequena instituição de gestão de fortunas, com um limitadíssimo número de clientes, que confiaram ao banco os seus milhões.

Durante anos, o banco de João Rendeiro pegou nessas fortunas e investiu-as em negócios de elevado risco, com rentabilidades chorudas. Durante anos, os accionistas e investidores do BPP lucraram principescamente com os ganhos, o que é absolutamente legítimo.

Agora que chegou a hora das perdas, que não lhes passe pela cabeça a ideia de nacionalizar os prejuízos. Ao correrem os riscos que decidiram correr, os accionistas e os clientes do BPP sujeitaram-se a ganhar ou a perder, como é normal numa economia de mercado.

Durante muito tempo ganharam, agora perderam. Toca a todos.

E se o banco tiver que falir, é a vida...

João Castanheira

Auto-avaliação já!


As más-línguas dizem que os sindicatos querem, pura e simplesmente, acabar com qualquer modelo sério de avaliação de professores. As mesmas fontes asseguram que, no seu íntimo, os sindicalistas – e uma boa parte dos professores – pretendem o regresso da indecente progressão automática na carreira.

A acusação é injusta e eu explico porquê.

É que a Fenprof apresentou o seu modelo alternativo de avaliação. E o modelo que a Fenprof defende assenta num violento e muito arriscado processo de auto-avaliação. Isto é, cada professor classificar-se-ia a si próprio. O modelo é muito duro, mas os professores parecem disponíveis para o aceitar, a bem da pacificação do sector.

Nesta óptica, eu defendo mais: auto-avaliação também para os alunos, porque é indispensável acabar de vez com o insucesso escolar.

E mais ainda: auto-promoções, auto-definição de salários e auto-estipulação de horários, não só para o sector da educação, mas para todo o funcionalismo público e já agora também para as empresas privadas.

E porque não auto-julgamentos na justiça, para descongestionar os tribunais?

Todos para a rua, a defender a auto-libertação imediata do Dr. Oliveira e Costa e a auto-atribuição retroactiva da liga dos campeões ao Benfica.

Com a auto-regulação, ninguém pára esta grande nação.

João Castanheira

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Estudantes em luta

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Os estudantes estão em luta.

Aparentemente o que precisam é de faltas e educação sexual. E já agora uns charros e umas cervejas.

Entrevistado pela SIC, um dos manifestantes atirava hoje com indignação: “Isto é uma bergonha, não darem mais faltas à gente. A malta quer é faltar. Somos jovens, precisamos de faltas”.

Ora aí está uma luta com pernas para andar.

E que tal um bacanal na aula de educação sexual?

João Castanheira

P-R-O-P-A-G-A-N-D-A

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Muito sinceramente, a paciência começa a esgotar-se. É demasiada propaganda, demasiada palhaçada. Tudo falso, tudo postiço. Ou os figurantes são pagos ou as playstations são para devolver depois da saída das câmaras de televisão. Chega de teatro.

Aqui fica um excerto da notícia do SOL:

"A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos".


João Castanheira

sábado, 15 de novembro de 2008

peixe : avião


peixe : avião é a grande revelação do momento. Vêm de Braga e seguramente cresceram a ouvir Radiohead.

O resultado tem uma força e uma frescura pouco habituais na música moderna portuguesa. 40.02 é um disco como há muito não se ouvia por cá.

Sobre ele, o conterrâneo Adolfo Luxúria Canibal escreveu: "Há muito – demasiado – tempo que não somos surpreendidos por uma obra musical. Nada de espantar, porquanto os milagres e o sublime só acontecem muito raramente… Mas quando temos o privilégio de viver um momento desses, como é o caso com a audição de 40.02 de peixe : avião, só podemos regozijar-nos e espalhar a boa nova pelos quatro cantos da terra".
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Camaleão - onde se ouve a voz de Ana Deus - é uma canção brilhante. Mas o resto do disco não fica atrás.
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João Castanheira

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Intifada dos Ovos


Sobreviverá a ministra da educação à Intifada dos Ovos ou acabará transformada em omeleta?

Ontem, acossado por mais uma saraivada de gemas e claras, o secretário de estado adjunto dava a entender que os miúdos eram perigosos sindicalistas arregimentados pelo PCP.

Depois dos 120.000 professores comunistas, o governo começa agora a ser atacado por milhões de crianças filiadas na JCP. A subversão está em marcha.

Ingratos, mal agradecidos. Já se esqueceram do milagre das notas?

João Castanheira

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E se trocássemos umas ideias sobre o assunto...


Rui Ramos escreveu ontem no Público uma frase lapidar sobre a actual situação do "ocidente": Por isso, a política que preferimos é esta: a que fala de uma mudança a acontecer, para não ter de enfrentar a mudança que já aconteceu.

Na verdade, e apesar dos constantes avisos - esta crise financeira é mais um, não sei se será o definitivo -, vamos continuando, em muitos sectores da opinião pública e publicada, a fingir que o mundo ideal em que vivemos nestas últimas décadas ainda existe e que, apesar dos mares tormentosos por onde vamos navegando, ainda é possível, com um bom capitão e perícia na manobra, encontrar bom porto.

E tudo isto acreditando que os problemas são sempre culpa de outros e que acontecem sempre algures...

Contudo, e para maior das estupefacção, são aqueles que no passado mais defenderam a necessidade de uma mudança/revolução permanente que agora, a coberto da mesma ideia de mudança mas com o secreto desejo de que nada mude, tudo fazem para que o nosso mundo fique como era, não se altere e adapte aos novos mundos que nos batem à porta ou já se sentaram nas nossas salas, para que tudo se mantenha o que já não poderá tornar a ser.

É à esquerda que a batalha pelo conservadorismo mais imóvel e arcaico se vai fazendo, é à esquerda que o velho mundo que já não somos vai continuando a fingir que existe.

Assim, de facto, só mesmo Dom Quixote para os redimir...

Luís Isidro Guarita