quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

E o disco do ano é...


Os primeiros acordes e harmonias vocais de Fleet Foxes deixam no ar uma pergunta: mas de onde é que isto saiu?

À medida que os minutos e as canções passam, a estranheza dá lugar àquela excitação juvenil que o melómano sente quando é confrontado com um clássico inesperado.

O álbum de estreia dos Fleet Foxes é uma obra-prima. E é, obviamente, o melhor disco que 2008 nos legou, deixando muito, muitíssimo longe a escassa concorrência.

As melodias eternas, as harmonias vocais, os rendilhados de guitarras e os retoques de pianos, banjos e demais ferramentas trazem à memória milhões de referências. Mas o resultado deste cozinhado é surpreendentemente original.

Fleet Foxes é um soberbo retrato da América profunda. E é, sobretudo, um irrepetível retrato de um conjunto de artistas quando jovens.
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Após uma estreia destas, o caminho que aí vem será, provavelmente, sempre a descer. Há, por isso, que gozar o prazer de ouvir até cansar White Winter Hymnal, a mais bela canção do ano. Depois dela, Fleet Foxes tem outras dez pérolas para oferecer.

João Castanheira

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Trabalho Sujo



Segundo o jornal Público, o antigo "número dois" de Avelino Ferreira Torres, Norberto Soares, vai ser o candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal de Marco de Canaveses, disse hoje fonte do PS/Porto.

É um trabalho sujo, mas alguém tinha que o fazer. E quem mais senão o Partido Socialista?

João Castanheira

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Terramoto à vista

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Manuel Alegre é uma personalidade curiosa, capaz de inspirar os mais contraditórios sentimentos.

Aprecio-lhe a voz, a coragem, a independência, a cultura e até a figura um tanto ou quanto paternal.

Mas a verdade é que a par dos seus encantos – sobretudo estéticos – Manuel Alegre representa muito do que há de pior na nossa esquerda.

Aflige-me, desde logo, o marialvismo, que os compagnons de route devem, no seu íntimo, considerar vagamente reaccionário.

Porém, o que mais me deprime naquele que é cada vez mais o grande ícone da nossa esquerda libertária é a sua profundíssima aridez ideológica.

Pergunte-se a Manuel Alegre que desígnio aponta para Portugal? Que caminho preconiza para a nossa economia? Que solução defende para a crise financeira?

Imagino que a tudo isto Manuel Alegre possa responder com um poema. Pena é que a vida seja mais complexa que um livro de poesia.

Ou talvez nos atire com os anos resistência ao fascismo – dizem as más-línguas que fugiu a salto para Argel. Pena é que a resposta habitual remeta para o passado, num momento em que a nossa inquietação colectiva diz respeito ao futuro.

Manuel Alegre é, apesar de tudo, um homem livre e coerente. Bate-se pelas causas em que acredita e essa é, nos dias que correm, uma qualidade que não deve ser desvalorizada.

Ontem, Manuel Alegre deu um passo em frente, alcançando o que julgo ser o ponto de não retorno. E deixou o polvo rosa à beira de um ataque de nervos.

Ainda não é claro o alcance dos estragos que Manuel Alegre pode provocar no poder tentacular do Partido Socialista. Mas a reacção desesperada dos boys e das girls deixa antever a possibilidade de terramoto.

Apesar de tudo, a poesia ainda é capaz de abanar a (baixa) política.

João Castanheira

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Guantanamera

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Na cabeça de Ana Gomes, há uma imparável ponte aérea rumo a Guantánamo.

A mulher sonha com aviões carregados de presos a passarem por cima das nossas cabeças. É um fetiche como outro qualquer, mas eu confesso já não tenho paciência para esta discursata.

Ana Gomes poder-se-ia também preocupar, por exemplo, com os milhares de presos políticos que a família Castro encafuou nas cadeias bolorentas do resto da ilha de Cuba. Mas não, a obsessão não lhe deixa espaço para mais do que Guantánamo.

Agora que o Governo português se prontificou a receber alguns dos potenciais terroristas de Guantánamo, o mínimo que Ana Gomes tem a fazer é franquear-lhes as portas da sua casa.

Pode ser que algum lá ponha uma bombita, nem que seja de mau cheiro.

João Castanheira

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Acudam-nos!


A economia portuguesa estagnou, a caminho duma quase certa recessão.

O mundo atravessa uma crise económica e financeira sem precedentes.

A situação é de tal modo crítica que o BCE se apressa a cortar as taxas de juro, tentando desesperadamente reanimar a economia, ao mesmo tempo que o preço do petróleo se despenha por falta de compradores e de confiança no futuro.

Mas a mensagem que o primeiro-ministro de Portugal entendeu transmitir é de que "As famílias portuguesas podem esperar ter um melhor rendimento disponível em 2009", fruto das baixas que se esperam nas taxas de juro e nos preços dos combustíveis.

Pouco importa que esses efeitos resultem do colapso da economia mundial, que trás consigo as falências, os salários em atraso, o desemprego, o crash das bolsas e a paralisação da actividade económica.

Para o primeiro-ministro de Portugal a crise é boa para os Portugueses.

Eu confesso-me chocado. Devo ter percebido mal.

João Castanheira

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Notícias do Madeiristão


Segundo o Público de hoje, a emissão online do plenário da Assembleia Legislativa da Madeira voltou ontem a ser retardada cinco minutos para permitir o corte de "cenas desprestigiantes". Negando tratar-se de um "acto de censura", o presidente do parlamento madeirense, Miguel Mendonça, assumiu a responsabilidade pela adopção da medida preventiva. "Não ando aqui para ver passar os navios", garantiu.

O presidente da assembleia regional mandou também cortar a transmissão do circuito interno televisivo para os gabinetes da oposição e para a sala de imprensa, agora igualmente privada da emissão em áudio. Às imagens em directo apenas pode aceder-se nas instalações do PSD e dos colaboradores directos do presidente, dos quais parte a ordem de corte para a régie.

Por outro lado, contrariando a tradição parlamentar que distribui os partidos consoante o seu posicionamento ideológico, o PSD decidiu passar da direita para a esquerda do hemiciclo, para que os seus deputados sejam filmados de frente e os da oposição de costas.

João Castanheira

A manjedoura do Estado


No prazo de uma semana, o país assistiu estupefacto a uma sinistra pirueta, que permitirá salvar da falência o Banco Privado Português, mediante a concessão de uma garantia do Estado.

Em risco estavam as fortunas de um punhado de investidores influentes e muito ricos, que os remediados se arriscam a ter que pagar.

Há dias, o Ministro das Finanças afirmava solenemente que “No Banco Privado Português não há uma questão de natureza sistémica, dado o peso pouco significativo de depositantes que tem”. Dito de outro modo, se o banco tivesse que cair, cairia.

Uma semana depois, o Banco de Portugal vem em comunicado afirmar que “em virtude dos riscos de contágio que aquela situação potencialmente comporta, foi possível obter a concordância de outras instituições de crédito para prestar apoio financeiro ao BPP e que, para viabilizar esse apoio, foi concedida uma garantia do Estado”. Afinal, o banco não pode cair.

Curiosamente, o Banco de Portugal avalia os activos do BPP em 672 milhões. Mas esses activos não convencem o sindicato bancário salvador, que para conceder um empréstimo de 450 milhões de euros exigiu uma garantia do próprio Estado. Assim, se o BPP não pagar a conta, os contribuintes pagarão.

Está criada uma nova regra na economia portuguesa: a partir de agora, ao contrário de todas as outras empresas, os bancos não abrem falência. Por mais incompetente que seja a gestão e por mais aventureiros que sejam os investimentos, a mão salvadora do Estado e o bolso dos esfarrapados contribuintes cá estarão para amparar a queda. Mas que belo exemplo.

Como muitos pequenos investidores anónimos – que não vão ser ajudados pelo Estado – o Dr. João Rendeiro comprou acções do BCP a 3,20 €, cinco vezes o seu valor actual. E que culpa temos nós disso?

A rapaziada passou anos a abafar os lucros, mas quando chegou a hora de assumir os prejuízos corre com o rabo entre as pernas para a manjedoura do Estado. Somos um país de merda. E um país de merda só poderia ter investidores de merda.

Sobre o governo e o alegado regulador, é melhor nem falar.

João Castanheira

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O dr. Fretes

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Parto do princípio que o senhor é um homem livre. Parto do princípio que não está montado numa avença. Parto do princípio que não é qualquer prebenda que o move.
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Eis então a questão que há muito me intriga: mas por que raio se reduz o António Peres Metello à condição de comissário político ao serviço do eng.º Sócrates?

Os exercícios de contorcionismo argumentativo do dr. Fretes na TSF e na TVI ultrapassam frequentemente o limiar do obsceno. E revelam uma fidelidade canina, mais ajustada, por exemplo, a uma Televisão Popular de Angola.

Há dias em que nem o próprio primeiro-ministro deve ter paciência para ouvir aquilo.

João Castanheira

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quem quer dar uma ajudinha aos ricos?

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Não há outra leitura para o caso do Banco Privado Português. Trata-se de uma pequena instituição de gestão de fortunas, com um limitadíssimo número de clientes, que confiaram ao banco os seus milhões.

Durante anos, o banco de João Rendeiro pegou nessas fortunas e investiu-as em negócios de elevado risco, com rentabilidades chorudas. Durante anos, os accionistas e investidores do BPP lucraram principescamente com os ganhos, o que é absolutamente legítimo.

Agora que chegou a hora das perdas, que não lhes passe pela cabeça a ideia de nacionalizar os prejuízos. Ao correrem os riscos que decidiram correr, os accionistas e os clientes do BPP sujeitaram-se a ganhar ou a perder, como é normal numa economia de mercado.

Durante muito tempo ganharam, agora perderam. Toca a todos.

E se o banco tiver que falir, é a vida...

João Castanheira

Auto-avaliação já!


As más-línguas dizem que os sindicatos querem, pura e simplesmente, acabar com qualquer modelo sério de avaliação de professores. As mesmas fontes asseguram que, no seu íntimo, os sindicalistas – e uma boa parte dos professores – pretendem o regresso da indecente progressão automática na carreira.

A acusação é injusta e eu explico porquê.

É que a Fenprof apresentou o seu modelo alternativo de avaliação. E o modelo que a Fenprof defende assenta num violento e muito arriscado processo de auto-avaliação. Isto é, cada professor classificar-se-ia a si próprio. O modelo é muito duro, mas os professores parecem disponíveis para o aceitar, a bem da pacificação do sector.

Nesta óptica, eu defendo mais: auto-avaliação também para os alunos, porque é indispensável acabar de vez com o insucesso escolar.

E mais ainda: auto-promoções, auto-definição de salários e auto-estipulação de horários, não só para o sector da educação, mas para todo o funcionalismo público e já agora também para as empresas privadas.

E porque não auto-julgamentos na justiça, para descongestionar os tribunais?

Todos para a rua, a defender a auto-libertação imediata do Dr. Oliveira e Costa e a auto-atribuição retroactiva da liga dos campeões ao Benfica.

Com a auto-regulação, ninguém pára esta grande nação.

João Castanheira

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Estudantes em luta

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Os estudantes estão em luta.

Aparentemente o que precisam é de faltas e educação sexual. E já agora uns charros e umas cervejas.

Entrevistado pela SIC, um dos manifestantes atirava hoje com indignação: “Isto é uma bergonha, não darem mais faltas à gente. A malta quer é faltar. Somos jovens, precisamos de faltas”.

Ora aí está uma luta com pernas para andar.

E que tal um bacanal na aula de educação sexual?

João Castanheira

P-R-O-P-A-G-A-N-D-A

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Muito sinceramente, a paciência começa a esgotar-se. É demasiada propaganda, demasiada palhaçada. Tudo falso, tudo postiço. Ou os figurantes são pagos ou as playstations são para devolver depois da saída das câmaras de televisão. Chega de teatro.

Aqui fica um excerto da notícia do SOL:

"A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos".


João Castanheira

sábado, 15 de novembro de 2008

peixe : avião


peixe : avião é a grande revelação do momento. Vêm de Braga e seguramente cresceram a ouvir Radiohead.

O resultado tem uma força e uma frescura pouco habituais na música moderna portuguesa. 40.02 é um disco como há muito não se ouvia por cá.

Sobre ele, o conterrâneo Adolfo Luxúria Canibal escreveu: "Há muito – demasiado – tempo que não somos surpreendidos por uma obra musical. Nada de espantar, porquanto os milagres e o sublime só acontecem muito raramente… Mas quando temos o privilégio de viver um momento desses, como é o caso com a audição de 40.02 de peixe : avião, só podemos regozijar-nos e espalhar a boa nova pelos quatro cantos da terra".
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Camaleão - onde se ouve a voz de Ana Deus - é uma canção brilhante. Mas o resto do disco não fica atrás.
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João Castanheira

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Intifada dos Ovos


Sobreviverá a ministra da educação à Intifada dos Ovos ou acabará transformada em omeleta?

Ontem, acossado por mais uma saraivada de gemas e claras, o secretário de estado adjunto dava a entender que os miúdos eram perigosos sindicalistas arregimentados pelo PCP.

Depois dos 120.000 professores comunistas, o governo começa agora a ser atacado por milhões de crianças filiadas na JCP. A subversão está em marcha.

Ingratos, mal agradecidos. Já se esqueceram do milagre das notas?

João Castanheira

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E se trocássemos umas ideias sobre o assunto...


Rui Ramos escreveu ontem no Público uma frase lapidar sobre a actual situação do "ocidente": Por isso, a política que preferimos é esta: a que fala de uma mudança a acontecer, para não ter de enfrentar a mudança que já aconteceu.

Na verdade, e apesar dos constantes avisos - esta crise financeira é mais um, não sei se será o definitivo -, vamos continuando, em muitos sectores da opinião pública e publicada, a fingir que o mundo ideal em que vivemos nestas últimas décadas ainda existe e que, apesar dos mares tormentosos por onde vamos navegando, ainda é possível, com um bom capitão e perícia na manobra, encontrar bom porto.

E tudo isto acreditando que os problemas são sempre culpa de outros e que acontecem sempre algures...

Contudo, e para maior das estupefacção, são aqueles que no passado mais defenderam a necessidade de uma mudança/revolução permanente que agora, a coberto da mesma ideia de mudança mas com o secreto desejo de que nada mude, tudo fazem para que o nosso mundo fique como era, não se altere e adapte aos novos mundos que nos batem à porta ou já se sentaram nas nossas salas, para que tudo se mantenha o que já não poderá tornar a ser.

É à esquerda que a batalha pelo conservadorismo mais imóvel e arcaico se vai fazendo, é à esquerda que o velho mundo que já não somos vai continuando a fingir que existe.

Assim, de facto, só mesmo Dom Quixote para os redimir...

Luís Isidro Guarita

BOM, BOM, BOM, BOM e BOM

Já se percebeu que o modelo de avaliação de professores adoptado pelo governo socialista não serve.

Mas também já se percebeu que uma parte da classe – os maus professores – não está interessada neste nem em nenhum outro modelo de avaliação.

A não ser, talvez, num modelo “à Alberto João Jardim”, em que todos são classificados, por decreto, com a nota de BOM. Os bons e os maus, os competentes e os incompetentes, os presentes e os ausentes, todos são iguais aos olhos do Governo Regional da Madeira. Um verdadeiro incentivo à mediocridade.

E sendo esta a ministra da educação que reintroduziu as passagens administrativas à moda do PREC e inventou milhares de alunos brilhantes para as estatísticas, não me admira que a avaliação de professores acabe numa solução à madeirense: BOM, BOM, BOM, BOM e BOM.

O embrulho da coisa será talvez menos transparente, porque falta ao governo socialista a franqueza e o desplante de Alberto João Jardim.

Mas se no final sobrar algum tipo de avaliação, é certo e sabido que não contará para rigorosamente nada.

João Castanheira

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O senhor professor constitucionalista

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O senhor professor constitucionalista é uma espécie de pit bull do regime.

Sempre pronto a morder as canelas de quem se atravesse no caminho do senhor engenheiro.

Se o primeiro-ministro manda privatizar, o senhor professor constitucionalista grita PRIVATIZAR! Se o primeiro-ministro manda nacionalizar, o senhor professor constitucionalista grita NACIONALIZAR!

Em confesso a minha emoção, porque nem os cães têm tanto amor ao dono.

O senhor professor constitucionalista acha que para nacionalizar uma empresa basta invocar o interesse público, porque a nacionalização é um acto político discricionário.

O que diria o senhor professor constitucionalista se um governo do PSD ou do CDS se lembrasse de aplicar um acto político discricionário a uma empresa da amigalhada.

João Castanheira

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

República das Bananas


Primeiro, o marajá do Funchal decidiu suspender um deputado. Depois, achou por bem suspender toda a assembleia. A democracia está portanto suspensa no arquipélago da Madeira.

Aqui há uns tempos, o soba já tinha ameaçado declarar a insanidade mental do líder da posição. Aos poucos, a Madeira vai navegando em direcção ao Golfo da Guiné. Aos poucos, a belíssima ilha vai-se afundando no lodo. Está em formação uma verdadeira república das bananas.

O que se passa na Madeira enche-nos de vergonha. E o silêncio cobarde das instituições nacionais perante os mais obscenos atropelos ao regime democrático deixa-me verdadeiramente enjoado.

Mais do que aprofundar a autonomia, penso que chegou a hora de referendar a independência. Chegou a hora de os madeirenses decidirem o que querem fazer da sua vida. Se quiserem afogar-se amarrados ao Kumba Ialá, estão no seu direito.

Foi bom enquanto durou, mas assim não dá.

João Castanheira

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

E agora?


Esta noite fez-se história.

É óbvio que a eleição de Barak Obama há-de ser recordada como um episódio maior na história dos Estados Unidos e do mundo.

Em boa verdade, o senador do Ilinóis era, nas actuais circunstâncias, praticamente imbatível. Daí que o desastre que foi a escolha de Sarah Palin tenha apenas contribuído para confirmar o desaire republicano.

Mas no dia seguinte, interessa reflectir sobre algumas das consequências da vitória de Obama. Em particular sobre os problemas com que a esquerda terá a partir de agora que lidar. Pense-se, por exemplo, nas seguintes questões:

Com Bush fora da Casa Branca, para onde irá virar-se o visceral ódio anti-americano que tem alimentado ideologicamente a esquerda um pouco por todo o mundo?

E com Barak Obama ao leme, o que fazer para evitar que as elevadíssimas expectativas criadas degenerem em frustração e desencanto?

Se pudesse votar e se não existisse uma coisa chamada Sarah Palin, eu teria votado em John McCain. Mas a verdade é que Obama encheu o mundo de esperança e isso é, no actual contexto, uma das melhores coisas que nos podiam ter acontecido.

O dinheiro pode estar a deslocar-se a grande velocidade para oriente. Mas a democracia, a liberdade e a esperança continuam onde sempre estiveram.

Deus abençoe a América.

João Castanheira

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Deste lado do Atlântico, a América Latina...

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Li, há dias, que o actual Nobel da Economia ao passar, há mais de 30 anos, pelo nosso país, levou de cá a sensação de que estava na América Latina.

Desconfio que se o senhor por cá passasse novamente, 30 anos depois, tornaria a levar a mesma sensação. É que entre nós e a Argentina (sem desprimor para aquele país), só mesmo o Euro marca a diferença.

Que Deus, ou Alá, ou Buda, ou seja lá o que for, nos salve que nós já não somos capazes.

Luís Isidro Guarita

Afinal, para que serve o Banco de Portugal?

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A pergunta impõe-se! Primeiro o BCP, agora o BPN, em seguida o que será?

Ao longo destes últimos anos há, no mundo da alta finança, algo que nos surge cada vez mais nítido. Em Portugal não existe regulação do sistema financeiro! É triste, mas é verdade!

Já não são casos isolados, já não é uma qualquer Dona Branca de vão de escada, são bancos, bancos enormes, com milhares de clientes e milhões em depósitos que, amiúde, nos surgem envoltos numa neblina incompreensível e impenetrável, onde as fronteiras da legalidade se parecem esbater a cada nova notícia e onde as poupanças de milhares de famílias se esvaem numa folha de balanço. E isto, isto é deveras inacreditável num país que se encontra na União Europeia e pertence ao clube do Euro. É que não se trata de uma crise financeira internacional, trata-se de uma gigantesca crise de gestão, de má gestão, ou melhor ainda, de gestão danosa e muitas das vezes a roçar o criminoso que nos envergonha colectivamente e que deveria embaraçar profundamente as mentes dos que, nas cátedras do Banco de Portugal, são responsáveis por observar e regular este estado das coisas. Mas não, nas bocas daqueles senhores tudo isto soa a normal, em boa verdade, aquilo que aquelas bocas proferem sobre estas normalidades soa, ele mesmo, àquela conversa das crianças que, inocentemente e perante o problema, afirmam que não sabiam. Quem é que não se recorda da rábula do genial Herman José a afirmar à professora na Escola que não sabia nada!

Tudo isto seria risível se não fosse trágico!

Ontem, ao observar o Sr. ministro das finanças a tentar explicar a necessidade de cada um de nós passar mais um cheque para pagar um problema que, apesar de detectado não está ainda completamente diagnosticado - isto significa tão somente que o cheque é em branco -, tive pena, pena de mim próprio e pena do ministro que, na sua imensa magnanimidade, lá terá que perdoar novamente o Sr. que se sentava ao seu lado o qual, apesar de responsável pela veneranda instituição que tinha a responsabilidade de impedir que eu tivesse que pagar mais este cheque, parecia estar ali como se viesse de outra dimensão, de outro mundo onde, pelos vistos, estas coisas não acontecem e onde o cargo de Governador de uma instituição com as responsabilidades do Banco de Portugal é uma mera sinecura, uma espécie de prémio de fim de carreira, que a nada obriga.

E também tive pena do Eng. Sócrates, que mais uma vez se vê obrigado a engolir outro sapo do tamanho do mundo. É que os juros que há bem pouco tempo tínhamos que pagar pela subida da dívida pública, caso houvesse necessidade de intervenções desta natureza, mas que não podíamos, nas suas palavras, e bem, diga-se de passagem, são agora a multiplicar.

Mas aquela conferência de imprensa e os factos que a ela levaram foi, na frieza dos números que nela se verteram, mais um sinal da absoluta falência moral em que cada vez mais nos encontramos e da incomensurável ligeireza com que em Portugal se assumem e interpretam os lugares públicos. Será que não há, em Portugal, uma fronteira a partir da qual a demissão se exige? Não foi, no caso da inexistente supervisão do Banco de Portugal, essa fronteira há muito ultrapassada?

A verdade é que mais do que problemas no sistema bancário, este caso BPN revela o quanto caminhamos à beira do precipício sem qualquer rede e o quanto aqueles que nos deveriam dar as garantias de que nada disto seria possível, apenas nos conseguem dar a sensação que com ou sem eles, o resultado é sempre o mesmo.

Há coisas que deviam ser inquestionáveis, a fiabilidade e segurança do Banco de Portugal deveria ser uma delas, mas pelos vistos não, pelos vistos o banco, de Portugal, só mesmo o nome. 

Assim sendo, o melhor mesmo é aguardar pelo próximo Euromilhões e fazer figas...

Luís Isidro Guarita

P.S. Já agora, porque será que fiquei com a sensação de que na conferência de imprensa onde supostamente se salvavam os depósitos dos depositantes do BPN se estava também a salvar o empregozinho do Sr. Governador?
 

O Estoiro

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Trinta e três anos após o grande assalto à economia portuguesa, a nacionalização do BPN cobre-nos a todos de vergonha.

É certo que com o banco transformado num farrapo, não restava ao governo outra alternativa para salvar os depósitos e preservar a confiança no sistema bancário. Desse ponto de vista, a nacionalização é provavelmente o mal menor.

Porém, embora surja num momento de implosão do sistema bancário internacional, o estoiro do BPN nada tem que ver com a crise financeira que arrasou a banca em vários países do mundo.

Habilmente, o governo aproveita uma onda favorável às nacionalizações. Mas aqui não há subprime. O que há são offshores clandestinos, balcões virtuais, lucros fictícios, juros insustentáveis, negócios ruinosos, fuga ao fisco e lavagem de dinheiro.

O que se passou no BPN é, acima de tudo, um caso de polícia.

Só que o estoiro do BPN revela também, uma vez mais, a absoluta incapacidade do Banco de Portugal para regular a actividade do sector bancário.

Há anos que se ouvem e lêem histórias escabrosas sobre o BPN. Uma instituição financeira onde a política se misturou com o futebol e a construção civil, numa imparável caminhada rumo ao abismo. Um lodaçal de meter medo, que aos poucos foi afastando os investidores e os clientes.
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Toda a gente sabia menos o Dr. Vitor Constâncio que, como muito bem lembrou Paulo Portas, recebe o maior salário do regime, precisamente para evitar estoiros como este.

Mas tal como sucedera no BCP, o Banco de Portugal chegou tarde ao BPN.

E agora serão os contribuintes a pagar a factura.

João Castanheira

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Caracas à vista


Algo de estranho se passa com a classe política em Portugal.

Ontem, o primeiro-ministro aproveitou uma cimeira internacional para promover os computadores montados pela J. P. Sá Couto, empresa a contas com um processo de fraude fiscal.

Parece que são baratos e resistentes ao choque, conforme testemunhado pelo próprio presidente ”Chaves”. Descodificando a mensagem: comprem-nos esta tralha que é óptima para a miudagem do terceiro mundo.

Mas a que propósito é que um estadista europeu gasta boa parte do seu discurso numa cimeira internacional a vender os computadores do sr. Couto?

E acharão os partidos da oposição que este tipo de encenação é normal numa democracia ocidental?

Um dia destes soltamos amarras e acabamos atracados em frente a Caracas.

Deus nos acuda.

João Castanheira

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A esquerda e o oportunismo político

Já está. Chegou a prova científica.

Como se suspeitava, os partidos de esquerda são mais oportunistas, mais despesistas e mais eleitoralistas que os partidos de direita. Numa palavra, a esquerda é, em regra, mais irresponsável que a direita.

O trabalho desenvolvido pela professora Maria Manuel Pinho vem agora confirmar esta tese.

É certo que todos os governos tendem a aumentar a despesa pública em ano de eleições. Mas a investigadora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto analisou a evolução da despesa pública em 23 países da OCDE durante 35 anos, concluindo que este “comportamento oportunístico” é mais frequente em governos de esquerda e centro-esquerda do que em governos de direita.

Ainda de acordo com o mesmo estudo, a obsessão pela reeleição a qualquer preço é maior nos países do sul da Europa, onde “o eleitorado será menos informado, logo mais vulnerável a manipulações desse tipo”.

Em Portugal, o recorde absoluto da despesa pública foi atingido em 2005. No primeiro ano de governo Sócrates, praticamente metade de toda a riqueza produzida no país (47,6%) foi devorada pela máquina do Estado. É obra.

João Castanheira

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O paraíso não é lugar para paneleiros


E agora, um pouco de poesia.
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Aqui fica a transcrição da muito edificante declaração de voto proferida por um deputado do PSD na Assembleia Municipal de Odivelas, a respeito de uma moção sobre o casamento homossexual:

“O casamento é um sacramento, instituído por Deus nosso Senhor Jesus Cristo para ser celebrado entre um homem e uma mulher. E não é as ideias esquisitas que algumas pessoas, que entendo que têm uma formação deficiente, querem fazer impor à sociedade que vai alterar esta circunstância. Deus colocou no Paraíso um Homem e uma Mulher, não colocou dois paneleiros ou duas lésbicas”.

João Castanheira

Um homem de valores


Joerg Haider, líder da extrema-direita austríaca e governador da província da Caríntia, morreu há duas semanas num acidente de viação. Conduzia bêbado, a 142 km/h, depois de ter passado a noite num bar gay.

Ao morrer, deixou a liderança do partido ao seu próprio amante, Stefan Petzner, um jovem inexperiente, de 27 anos, que declarou ontem que Haider era o homem da sua vida.

Apesar de casado e pai de duas filhas, este admirador de Adolf Hitler vivia uma vida dupla. O tablóide alemão Bild publicou há dias uma fotografia de Haider a beijar um jovem engate de ocasião.

João Castanheira

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Brincar à energia barata


Longe vai o tempo em que grande parte da electricidade que o país consumia era produzida em barragens.

Actualmente, mais de 75% da energia eléctrica que utilizamos é gerada em centrais termoeléctricas a carvão e a gás natural, combustíveis que o país importa a preços do mercado. E os preços do carvão e do gás mais do que duplicaram ao longo do último ano, originando um tremendo agravamento nos custos de produção de electricidade.

Por outro lado, o nosso país tem vindo a apostar – e bem – no aproveitamento das energias renováveis e no desenvolvimento de tecnologias mais limpas, como a cogeração. O investimento nestas tecnologias é realizado por operadores privados, que constroem parques eólicos e centrais solares mediante a garantia de que a electricidade verde é paga a tarifas atractivas, que muito justamente premeiam os seus benefícios ambientais.

Ora, se todos estes custos fossem levados em conta, as tarifas de electricidade aumentariam no próximo ano 40%. Acontece que – fazendo tábua rasa do princípio do utilizador-pagador – o governo decidiu que o aumento do preço da energia eléctrica em 2009 será de apenas 4,3%. Dez vezes menos. Simpático não é?

O problema é que não há almoços grátis. Os produtores de electricidade não são instituições de solidariedade social. E o resultado desta política de faz de conta é a explosão do chamado défice tarifário, uma dívida dos portugueses para com os produtores de electricidade, cujo valor ultrapassa já os 2.000 milhões de euros. Um montante astronómico, que teremos que pagar e com juros.

Só que esta dívida não será paga em 2009, ano de muitas eleições, porque o governo socialista não está disposto a suportar o custo político de um aumento realista do preço da electricidade. A factura há-de ser paga mais para a frente.

Por outro lado, embora não hesite em recolher os louros da aposta nas energias renováveis, o governo socialista não está disposto a pagar a sua factura. E por isso decidiu que os apoios aos produtores de electricidade verde também não serão pagos em 2009. A factura há-de ser paga mais para a frente.

O governo e o “regulador” podem assim vir dizer que em 2009 a factura da electricidade vai aumentar apenas 1 euro por mês, ainda que essa seja uma mensagem falsa e profundamente errada, sob o ponto de vista da utilização racional de energia.

É muito socialista esta lógica de chutar os problemas para a frente. À conta da intromissão governamental nos preços, cada português ficará no próximo ano a dever mais de 200 euros em electricidade. Uma dívida que há-de crescer indefinidamente, enquanto não houver coragem política para enfrentar o problema de frente.

E o problema não se resolve atirando a dívida para o futuro ou obrigando os contribuintes a pagá-la, de forma encapotada, através de impostos.

A electricidade tem que ser paga por quem a consome, sem prejuízo da criação de um mecanismo de apoio social, de que deverão beneficiar apenas os mais carenciados.

Até quando vamos continuar a brincar à energia barata?

Provavelmente até que a bomba nos rebente nas mãos.

João Castanheira

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A K nasceu há 18 anos



A revista K nasceu há precisamente 18 anos. Foi um estrondo. Um rasgo de génio e modernidade, imaginado por alguém que continua a ser uma referência maior para toda uma geração de portugueses: o Miguel Esteves Cardoso.

Quase duas décadas depois, os velhinhos exemplares da K mantêm o arrojo e a irreverência com que então sacudiram o panorama editorial do nosso país. Não fosse a publicidade a coisas de outro tempo – como rolos fotográficos, gira-discos ou automóveis ultrapassados – e tudo aquilo continuaria absolutamente actual.

A K estava tão afrente do seu tempo que durou apenas dois anos e meio. Lembro-me que quando acabou entrei em depressão.

Ainda hoje guardo, religiosamente, os 31 números da revista. E folheio-os periodicamente, com um sorriso nos lábios e uma imensa saudade.

Algumas memórias ficaram para a vida. As capas da K, as fotografias, o grafismo e, entre tantas outras, a reportagem da Maria Filomena Mónica sobre os operários do Barreiro ou a entrevista do Carlos Quevedo e do Rui Zink ao Luíz Pacheco, o escritor maldito.

Que falta nos faz a K.

Que bom seria voltar a ter algo como a K.

João Castanheira

domingo, 12 de outubro de 2008

Eu sou a verdade!


Ora aí está! Foi assim que perante o tribunal se anunciou esta nossa passionária, impante e segura de si mesmo. Ela, na desfaçatez com que se assume, dá-nos o retrato perfeito de uma certa clique política desta nossa West Coast que em pleno século XXI de certeza fariam as delícias do nosso já saudoso Eça algures pelos meados do século XIX. Na verdade e por estas bandas, as da política, pouco mudou, de então para cá.

Esta senhora, que depois de umas concerteza merecidas férias em terras de Vera Cruz - a expensas da dignidade e credibilidade da justiça portuguesa -, voltou à Lusa Pátria para, na terra sua homónima, levar novamente de vencida a Câmara da qual e sob a sua presidência recaem avassaladoras suspeitas de gestão, digamos no mínimo desadequada, dos bens públicos, aí está, já sem miss, e, curiosidade das curiosidades, mais jovem e fresca (novamente o Brasil), pronta para levar de vencida os meliantes que, sob a toga da justiça portuguesa, a querem afastar do seu povo e impedir esse mesmo povo de beneficiar da sua grandiloquente gestão. Malfadados!

Talvez tenha sido do outro lado do Atlântico que, aquando do estágio que por lá realizou, e ao ler uma das mais emblemáticas frases da moderna política, roubo mas faço, lhe adveio a frase com que agora crismou a actual política portuguesa. A verdade sou eu, nem mais!

Já o meu avô dizia, quem fala assim não é gago... Mas que devemos ser estúpidos, isso devemos...

Luís Isidro Guarita

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Afinal é tudo postiço


Afinal, o Magalhães foi criado pela Intel nos Estados Unidos. O seu nome original é Classmate.

Afinal, o Magalhães não é fabricado em Portugal. Por cá apenas se monta e empacota.

Afinal, a empresa responsável pela montagem empacotamento do Magalhães está a contas com um processo de fraude fiscal.

Afinal, a referida empresa foi escolhida discricionariamente, sem concurso público.

Afinal, quem paga os computadores não é o Governo mas sim as operadoras de telemóvel.

Afinal, quem terá que pagar as ligações à internet são as câmaras municipais e não o Governo.

Afinal, nenhum país europeu distribui gratuitamente o Classmate, porque o computador foi criado para estudantes de países em vias de desenvolvimento.

Afinal, programas deste tipo apenas foram implementados em países como a Nigéria, o Ruanda ou a Líbia.

Afinal, é tudo postiço.

João Castanheira

Uma solução para Lisboa

No início deste ano, o Tribunal de Contas recusou o empréstimo de 360 milhões de euros que Câmara de Lisboa queria contrair para saldar as suas dívidas. Chumbado o plano de saneamento financeiro, a gestão camarária da maior cidade do país entrou em modo de stand-bye. Lisboa parou.

Acontece que, a valores de mercado, as 3.200 casas que a autarquia distribuiu, discricionariamente, aos amigos, aos filhos e aos primos valem sensivelmente o dobro daquele montante.

Portanto, para pôr a cidade a funcionar basta que a rapaziada devolva as casas em que se montou e se faça à vida como os restantes portugueses.

E não é só o director municipal que se acha no direito de ter uma casa de reserva ou o escritor moralista apanhado a viver à conta da autarquia. Há peixe graúdo envolvido neste esquema. Se a lista vier a público, sem cortes cirúrgicos que consta já estarem a ser feitos, estaremos perante um dos maiores escândalos do Portugal democrático.

João Castanheira

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Da Mina de São Domingos ao Pomarão

As ruínas do couto mineiro de São Domingos, no concelho de Mértola, são o cenário ideal para um filme de ficção científica. Terra vermelha, crateras, destroços, escórias, escorrências ácidas, lagoas coloridas, ferros retorcidos e um intenso odor a enxofre mergulham os visitantes numa experiência quase apocalíptica.

Não é possível descrever a força imensa que emana deste lugar singular. Um lugar simultaneamente belo e medonho, onde são escassos os sinais de vida. Pouco mais que umas ervas raquíticas e uns insectos de cores garridas. Creio que em nenhum outro recanto de Portugal a devastação e a catástrofe produziram algo de tão extraordinariamente belo.

Os primeiros testemunhos de actividade mineira na região de São Domingos remontam à época romana. Mas foi em 1857 que a exploração em larga escala arrancou, em resultado da concessão atribuída a uma sociedade de origem espanhola – a La Sabina – que no ano seguinte acabou por arrendar os direitos de prospecção aos ingleses da Mason & Barry.

Em poucos anos, São Domingos transformou-se num dos maiores complexos mineiros da Europa. Uma pequena cidade industrial, onde não faltava uma central eléctrica, um hospital, uma biblioteca, um teatro, um mercado e uma igreja.


Existiam ainda campos de jogos, aprazíveis açudes e, sobretudo, uma fantástica linha férrea, com dezoito quilómetros de extensão, que ligava a mina ao porto fluvial do Pomarão, a partir do qual o minério era escoado em grandes navios que então subiam o Guadiana.

Nos bairros operários situados em redor do complexo chegaram a viver quase dez mil pessoas. Os mineiros habitavam as célebres 4 x 4, casas térreas em banda com quatro por quatro metros quadrados, uma porta e uma janela.

Ao longo de mais de cem anos, os homens esventraram a terra em busca de cobre e enxofre. Primeiro em galerias subterrâneas, depois a céu aberto.

Com o aproximar do esgotamento do filão, a exploração terminou em 1965 e a Mason & Barry declarou falência três anos depois. Os salvados da mina foram então vendidos a um sucateiro alemão e o resto do valiosíssimo património industrial do complexo foi barbaramente saqueado durante os anos seguintes. Ficou apenas aquilo que os homens não conseguiram levar.

A visita à Mina de São Domingos começa, necessariamente, nas ruas estreitas dos bairros operários, cujas minúsculas casas foram entretanto vendidas aos antigos trabalhadores e às suas famílias. Com um pouco de sorte, é possível visitar a Casa do Mineiro, pequeno núcleo museológico que recria a vivência de uma família mineira, com os seus objectos e as suas memórias.

Descendo ao complexo mineiro, a atenção do visitante dirige-se para uma gigantesca cratera, completamente cheia de águas ácidas. É a corta, cavidade de onde foram retirados milhões de toneladas de minério.
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Parece um tanto ou quanto irreal, mas a verdade é que até há alguns anos atrás as lagoas ácidas da mina, cujo pH se situa ente 2 e 3, eram procuradas por gente que aqui se banhava em busca de cura para alguns problemas de saúde!

Um pouco adiante, encontram-se as oficinas de material circulante, onde foi projectada e construída a locomotiva a vapor que durante décadas galgou os montes que separam São Domingos do porto fluvial do Pomarão, arrastando vagões carregados de minério.

Por ali se encontram também as ruínas da primeira central eléctrica do Alentejo e os destroços do poço n.º 6.

Seguindo ao longo do traçado da linha férrea, cujos carris e travessas foram há muito saqueados, vão surgindo sucessivas lagoas ácidas, cujas águas oscilam entre o vermelho vivo e o amarelo forte. Uma intensa profusão de cores, que confere uma riqueza cénica sem igual a esta fase inicial do percurso.

Cerca de dois quilómetros após o início do complexo, encontra-se a estação de britagem da Moitinha e, logo afrente, as antigas fábricas de enxofre e ácido sulfúrico da Achada do Gamo.



As ruínas destas instalações fabris oferecem, provavelmente, a mais célebre das imagens do complexo mineiro de São Domingos.
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O cenário de devastação e abandono entende-se ao longo de mais de cinco quilómetros e constitui, sem margem para dúvidas, um dos mais fabulosos percursos de arqueologia industrial do país.

Após o fim do couto mineiro e seguindo sempre o traçado daquela que foi a segunda via-férrea construída em Portugal, a paisagem torna-se um pouco monótona e algo desinteressante. Felizmente, a viagem vai sendo animada por enormes famílias de porcos e bacorinhos pretos, que deambulam livremente pelos campos, observados ao longe pelos abutres que planam no céu.

A inclinação da ladeira que sobe em direcção à aldeia de Santana de Cambas, transporta-nos para o tempo em que as locomotivas puxavam vagarosa e esforçadamente os vagões carregados de minério.

Praticamente todas as pontes que existiam ao longo dos dezoito quilómetros da linha estão destruídas, obrigando os caminhantes a passar a vau os minúsculos cursos de água, o que é possível fazer sem grande dificuldade. Na verdade, durante o Verão não é sequer necessário molhar os pés.


Os últimos cinco quilómetros do caminho que conduz ao cais do Pomarão voltam a ganhar contornos de aventura! Há que atravessar uma sucessão de sete túneis, alguns dos quais razoavelmente extensos e repletos de morcegos.

Mais de quarenta anos após a passagem do último comboio, a natureza vai tomando conta de algumas partes do percurso. A vegetação e os desmoronamentos obrigam a pequenos desvios, mas a chegada ao Guadiana faz-se sem sobressaltos.

Por fim, o Pomarão. Uma deliciosa e pacata aldeia operária, erguida numa belíssima curva do Guadiana, na confluência com a ribeira do Chança. Quem hoje ali chega, tem dificuldade em imaginar a agitação e a vida de outrora, no tempo em que mais de quinhentos navios por ano recebiam o minério de São Domingos e o espalhavam pelo mundo. As ruínas do cais mineiro e a memória dos homens estão lá para testemunhar um passado difícil mas, indiscutivelmente, glorioso.


Depois de décadas de miséria e abandono, a Mina de São Domingos vai aos poucos acordando para uma nova vida. Na barragem da Tapada Grande, nasceu uma agradável praia fluvial. Mesmo em frente, o palácio dos ingleses – outrora sede da empresa mineira – foi transformado numa esplêndida estalagem onde apetece ficar. E, surpreendentemente, o investimento turístico chega pela mão da La Sabina!

Só é pena que o progresso anuncie para breve a construção de uma ponte internacional e uma grande estrada para o Pomarão. Um investimento que há-de dizimar o maior tesouro desta região: as águias, os grifos, os mochos, os veados, os saca-rabos e, sobretudo, a imensa paz...

João Castanheira

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Umas casitas


Como eu percebo o manto de silêncio que, há 30 anos, cobre um dos mais obscenos segredos de Lisboa.
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Ao longo destas três décadas, os pobres foram arrumados em bairros sociais e os remediados enxotados para o inferno dos subúrbios.

Já as 3.200 casas que constituem o apetecível património da autarquia no centro da cidade foram distribuídas, de forma absolutamente discricionária, por intelectuais, dirigentes políticos, funcionários, amigos, filhos e primos.

Entre os beneficiários, contam-se a vereadora Ana Sara Brito, o escritor e jornalista Batista Bastos, a chefe de gabinete do vice-presidente da câmara Isabel Soares ou o director municipal José Bastos. Uma lista que promete revelações aterradoras.

Num país civilizado, a divulgação desta história sórdida faria, necessariamente, rolar cabeças. Num país europeu do século XXI, todas as casas seriam, de imediato, entregues à autarquia, que trataria de as atribuir a famílias carenciadas ou, em alternativa, trataria de as colocar no mercado de arrendamento a preços justos.

Por cá, espera-se que a poeira assente, para que a paz volte ao lar dos felizes contemplados. Veja-se a desfaçatez com que um director municipal fala de uma casa que não é sua: “O meu filho é que mora lá. Não tenho dinheiro para lhe comprar uma casa nova... Além disso, é a minha casa de reserva. Se amanhã tiver de me separar, para onde vou?”.

É o drama, a tragédia, o horror. Atingimos o grau zero da decência. A generalidade dos portugueses, que não pode oferecer casas aos filhos nem tem apartamentos de reserva - pelo menos públicos - assiste incrédula a este espectáculo pornográfico.

Julgo que o país não perdoará a António Costa se esta sujeira não for rapidamente limpa. Custe a quem custar.

João Castanheira

sábado, 27 de setembro de 2008

Nós na terra e o Sr. Chavéz nas alturas


Ao que parece, e chegado pela calada da noite, o Sr. Chávez passou outra vez aqui pela West Coast para deixar por cá mais uns cobres para a malta.

Começa, portanto, a ser um hábito sermos visitados pelo homem da camisola vermelha, o que, convenhamos, é, só por si, uma belíssima imagem da modernidade com que nos veste este nosso governo.

Claro está que há uns pequenos detalhes que, para lá do óleo viscoso que o Sr. transporta, tendem a dar um tom um tanto bafiento a esta modernidade hiper progressista, mas pronto, nada que um bom negócio com o hermano de além mar não resolva.

Contudo e porque na verdade a coisa começa a raiar a estupidez, é caso para perguntar, não haverá na malta que estende, em representação de todos nós, os braços ao Sr. Chávez, um pingo de vergonha para perceber que os abraços que se estão a dar abraçam um ditador?

Luís Isidro Guarita

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

E que viva o Capitalismo!


O Arrastão já rende!

Não é o da Pesca é o do Daniel, o blog.

Ele há coisas do arco da velha, então não é que o blog do Daniel, o Arrastão, também tem pub! Fixe não é?

E já agora, que pub tem o Arrastão? Tem pub a uma empresa de concessão de crédito - dinheirito a troco de juros, malta -. Não é baril? Cool mesmo! O Daniel ganha umas massas com o blog, e logo à conta do capitalismo especulativo. O Daniel é mesmo esperto, não é?

Por um lado debita e destila impropérios contra essa malta gananciosa do subprime e coisa que o valha e por outro recebe o carcanhol da malta da concessão de crédito ao pessoal que anda teso e que necessita de uns trocos para o Plasma HD. É mesmo de génio, não acham?

E já agora e aqui para a malta do Num Lugar, não há por aí nenhum patrocínio disponível? Nós também vociferamos contra o que for preciso. A sério!

Luís Isidro Guarita

Sur les Pavés, la Plage!

É oficial, Portugal tem, finalmente, o seu Maio de 68!

Se os Cohn-Bendits daqueles tempos gritavam que era proibido proibir, as Lurdes Rodrigues de hoje gritam que é proibido chumbar. E que bem que soa, não é?

Acabemos então com o velho mundo e escancaremos as portas ao novo, até porque a acção não deve ser uma reacção - antes que umas quaisquer estatísticas nos estraguem o arranjinho -, mas uma criação e é tempo, por isso, de dizer que a imaginação tomou o poder. E que melhor imaginação que imaginar que por decreto, todos somos génios? Lindo, não é?

E assim foi, o sonho glorioso da educação em Portugal aboliu essa coisa do passado que era o chumbo e decretou a excelência. Não há tempo a perder, avancemos que o futuro espera por nós, algures entre a indigência e a estupidez colectiva, há um amanhã e um novo Maio que canta.

Cantemos pois, cantemos e sejamos realistas, exijamos o impossível... É que a Sra. Rodrigues não o fez por menos!

Luís Isidro Guarita

Carlos V e o futuro, ou a viagem de Fernão de Magalhães contada à pequenada, 500 anos depois e através do Classmate.

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Pronto, já está, a coisa resolve-se de uma penada e de caminho, entre festança e festarola, lá vamos, alegres e contentes, observando a trupe que passa com o seu elixir da saúde eterna, neste caso educação imediata.

De norte a Sul, de Miranda do Douro à Figueira da Foz, de Barrancos a Matosinhos, lá anda o Sr. Ministro da Economia da West Coast de braço dado com a Sra. Ministra da Educação distribuindo, em glória, a iluminadíssima solução para todos os males da criançada indígena. 

A coisa, azul, parecida com um tal de Classmate e que dá pelo nome de Magalhães - ao que parece um Sr. cá da nação que há coisa de 500 anos vendeu os seus serviços a um tal de Carlos V, à data e ao que parece também, Rei de Castela, um sítio que mais coisa menos coisa agora dá pelo nome de Espanha e que, pelo caminho e algures no actual arquipélago das Filipinas se deixou morrer sem nunca completar o serviço que havia prometido a sua Majestade Imperial - é, de acordo com os óraculos, a solução porque todos ansiávamos! 

Não vem com o nevoeiro, isto apesar de há dias ter reparado, confesso, uma certa neblina numa das muitas viagens do ministro da West Coast, mas vem do dinheiro que muita gente, com certeza mal intencionada, acharia que se deveria gastar a dotar as nossas escolas dos meios de que tanto e em tantos sítios carecem, mas isso são contas de outro rosário e os Ministros têm pressa...

Mas voltemos ao que interessa e deixemo-nos de pormenores. É um facto, o Classmate, perdão, Magalhães, é a circum-navegação, desculpem, solução que estávamos à espera. A partir de agora não há que temer, sejam nativos da ilha de Mactan, sejam putativos chumbos. Tudo isso e de acordo com a verdade oficial é história, o futuro agora é outro e está na ponta de um teclado. Aproveite pois, caro concidadão, e ponha as criancinhas a navegar. Reze, no entanto, para que não fiquem pelo caminho, como o outro, e lhes apareça depois lá em casa um tal de Elcano a dizer que o mundo é mesmo redondo. É que ele de facto é, só que nem sempre o é para todos... É que há alguns, como esse tal de Magalhães, o de há 500 anos, que ficam pelo caminho.

Luís Isidro Guarita
 

Podemos estar descansados

A ASAE, organismo que se especializou na apreensão de bolas de berlim e colheres de pau, emitiu ontem um comunicado onde afirmava que “a importação de leite e produtos lácteos provenientes da China é proibida na União Europeia desde 2002”, acrescentando que “não possuiu qualquer evidência de que possam ter ocorrido exportações ilegais para Portugal”.

No mesmo dia, o Público foi às compras e, sem ter que procurar muito, adquiriu iogurtes líquidos e bebidas de leite chinesas, num supermercado da cidade do Porto.

Podemos estar descansados.

João Castanheira

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Eu não lhes acho piada nenhuma...


Após o colapso do comunismo, muita gente passou a olhar o PCP como uma organização simpática e inofensiva. Uma espécie de penacho no chapéu da democracia portuguesa, tantas vezes útil por incomodar o poder instalado.

O rosto humano de Jerónimo de Sousa, que ao contrário de Cunhal se deixa filmar a dançar o vira e a chupar sardinhas assadas, quase faz esquecer os milhões de vítimas do comunismo. Foram gerações inteiras sujeitas à miséria, à tortura e à morte, em nome dos ideais criminosos que esta gente continua a defender.

Uma gente que esteve à beira de empurrar Portugal para o abismo de uma feroz ditadura de inspiração soviética. Uma gente que finge não ter visto o irreprimível grito de liberdade que varreu a Polónia, a RDA, a Checoslováquia, a Hungria ou a União Soviética. Uma gente que ainda hoje acredita – ou diz acreditar – que o futuro da humanidade está na Coreia do Norte ou em Cuba.

Leia-se o projecto de Teses do XVIII Congresso do PCP, onde entre outras preciosidades se escreve: “Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia.”

Tivesse esta gente a possibilidade de assumir os destinos do país e Portugal acabaria, irremediavelmente, como uma espécie de Cuba da Europa. E, apesar do rosto humano do camarada Jerónimo, muitos de nós acabaríamos, no mínimo, presos.

É por isso que eu não lhes acho piada nenhuma...

João Castanheira

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Alguém me acertou com um Magalhães


Socorro! Escondam as crianças na cave.

Anda por aí uma turba ululante a atirar Magalhães à cabeça dos nossos pequenos.

Parece que o próprio primeiro-ministro e mais dez governantes decidiram tirar o dia para arremessar milhares de "PlayStations" à testa da criançada. O governo em peso está a correr o país, de lés a lés, com as câmaras de televisão às costas.

Agora é que isto vai. Este ano, os nossos jovens já tinham sido atacados por um surto de inteligência fulminante, que cortara drasticamente os chumbos e elevara ao zénite as médias em todas as disciplinas.

Agora, com o Magalhães, a meta é zero chumbos - ministra da educação dixit. A partir de hoje, nenhum português vai reprovar. O chumbo foi oficialmente banido do nosso sistema de ensino. Todos os alunos serão classificados com um 40, numa escala de 0 a 20. O Eurostat que embrulhe esta estatística.

E mais: se o Partido Socialista continuar no governo, dentro de poucos anos cada criança sairá da maternidade - mesmo em Badajoz - com um Magalhães e um douturamento honoris causa às costas.

Podemos transformar-nos num país de brutos e analfabetos, mas seremos todos diplomados.

Connosco, no caminho para a construção do homem novo, estarão a Namíbia e a Venezuela, nações prósperas e luminosas que já aderiram à distribuição gratuita do Magalhães.
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A este tridente de ataque, que se prepara para dominar o mundo no século XXI, falta juntar o Zimbabwe.

João Castanheira
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PS: a partir de sábado há Magalhães à venda na Feira da Ladra.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A globalização somos nós!

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Ontem, num texto notável escrito nas páginas do Público, Rui Ramos demonstrava o quanto muito do que hoje em dia se está a passar no mundo financeiro se deve à democratização do acesso, pelas famílias, a recursos financeiros inimagináveis até há bem pouco tempo que, por via do crédito fácil, mas sobretudo barato, lhes proporcionou a possibilidade de obterem bens e serviços a que, em condições diferentes, jamais teriam acesso. Mas não se tratou apenas de obter esses bens e serviços, tratou-se, igualmente, de manter, através desse crédito, níveis de vida por vezes incompatíveis com os rendimentos de que efectivamente dispunham. E foi aí que a bolha começou a esvaziar.

Este simples facto é, nas suas múltiplas dimensões e como tão claramente nos explica Rui Ramos, a verdadeira face da globalização. Por muito que grupos e grupelhos por esse mundo fora gritem à frente de um microfone ou câmara de televisão os chavões do momento contra o papão da globalização e os seus demónios na forma de multinacionais que tudo exploram e tudo submergem aos seus interesses, foram também esses mesmos papões e demónios que permitiram a manutenção e até elevação da qualidade de vida de muitos dos que, pelos fóruns do mundo, vociferam o seu ódio contra o planeta global.

Mas a verdade é esta, a globalização somos nós. Sem ela, o mundo poderia não ser o mesmo, mas seria, sem dúvida, um mundo pior.

Luís Isidro Guarita