terça-feira, 10 de março de 2009

12 a 1, com tranquilidade


O Bayern acaba de pregar 12 a 1 ao Sporting.

Penso que nem o Pinhalnovense exporia o país a semelhante enxovalho.

E quando um grande clube do futebol português leva uma dúzia na pá, alguma coisa se espera que aconteça.

Com o devido respeito – que não é muito – tenho do Paulo Bento a imagem de um calhau com risco ao meio. Impreparado mesmo para um mundo onde predomina a iliteracia e a ignorância, como é o futebol.

Há coisas que não se entendem. Antigamente chegava-se a treinador de um grande clube depois de mostrar serviço em equipas de menor dimensão. Ao Paulo Bento calhou o Sporting, sem que antes tivesse orientado qualquer outro clube. É como iniciar a carreira militar com o posto de general.

Quando assumiu o comando técnico do Sporting, o homem não tinha sequer habilitações para treinar uma equipa de futebol profissional. Tinha que ser o adjunto a assinar os papéis.

Deselegante, desbocado, desnorteado e em guerra com meia equipa, resta ao Paulo Bento mostrar o que vale no Bombarralense. Com algum esforço, talvez um dia mereça voltar à primeira liga.

João Castanheira

quinta-feira, 5 de março de 2009

Selvajaria


A moradia situada no n.º 28 da Rua de Alcolena, no Restelo, é uma notável referência da arquitectura modernista em Portugal.

Construída em 1956, segundo projecto do arquitecto António Varela, a moradia integra vários painéis de azulejos da autoria de Almada Negreiros e diversos outros elementos que a tornam uma construção única e admirável.

Qualquer português dotado de uma cultura mediana preservaria a moradia como uma verdadeira jóia. Julgo que até uma família de símios perceberia a importância da construção e teria orgulho em recuperá-la. Viver num local assim é um privilégio a que poucos homens podem aspirar.

Acontece que a moradia foi comprada pelos filhos do construtor civil Vítor Santos – o famoso Bibi do Benfica – o que é uma fatalidade capaz de arrastar para o apocalipse a mais preciosa obra de arte. Não tardou a que desse entrada na Câmara de Lisboa um projecto de demolição, ao que se seguiu a transformação de uma parte dos painéis de Almada Negreiros em entulho.

Quem sai aos seus não degenera.

Diga-se que a moradia está incluída na Zona Especial de Protecção de um Monumento Nacional, pelo que as obras são ilegais.

Bibi ficou famoso quando, aqui há uns anos, se gabou publicamente de declarar o ordenado mínimo, apesar de ser um dos maiores milionários de Lisboa. Nos Estados Unidos seria preso e no norte da Europa seria consumido pela vergonha. Em Portugal, houve quem lhe batesse palmas.

De acordo com a lista divulgada pelo Ministério das Finanças, Bibi é um dos portugueses que mais dinheiro deve ao fisco. Apesar das suas empresas de construção civil e promoção imobiliária prosperarem.
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Estamos agora na fase do ataque ao património nacional, a troco de mais umas malas de dinheiro.

Disgusting...

João Castanheira

terça-feira, 3 de março de 2009

Sentados em cima do Estado

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Para lá do marketing político, tudo no congresso do PS foi profundamente latino-americano, a começar nos discursos laudatórios.

Diz quem por lá passou que nunca num congresso partidário se viu tamanha concentração de carros oficiais e motoristas. A estatização do PS ultrapassou tudo o que até agora se tinha visto.

Em Espinho, poucos eram os congressistas sem um tacho na administração pública. Gente preocupada, sobretudo, em manter o posto de trabalho, a nomeação, a sinecura, a avença, o lugar na lista... Este foi, por isso mesmo, o congresso do umbigo.
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Para compor a sala, no domingo começou a chegar, em excursões, a gama baixa do aparelho de Estado. Uma das congressistas gritava para uma rádio que tinha vindo na “cámeneta da câmara”. Deus nos acuda, Caracas está cada vez mais perto!

João Castanheira

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Estado Circo


Mais que um Estado falhado ou um Estado pária, a Guiné-Bissau é um verdadeiro Estado circo.

A tenda está montada há 35 anos. Desde a independência, o país passou por uma ditadura pró-soviética e por uma inacreditável sucessão de golpes de estado, revoltas militares e atentados.

Em Bissau, as divergências políticas e tribais são resolvidas à facada e a tiro. Esta noite terá sido assassinado o Presidente da República e a família, cujos bens estão neste momento a ser pilhados por “militares”.

A debilidade das instituições é tal que o país foi tomado de assalto por quadrilhas de narcotraficantes, transformando-se num autêntico narco-Estado.

É suposto que os portugueses mantenham um silêncio cobarde perante os problemas da Guiné-Bissau e dos restantes PALOPs, como forma de expiar os pecados de um cada vez mais longínquo passado colonial.

Merda para o silêncio, que nos obriga a tolerar políticos assassinos, déspotas, ditadores, corruptos e analfabetos, que roubam e matam o próprio povo a troco de uma vida de luxo.

A Guiné-Bissau é um país fabuloso, com tudo para ser um verdadeiro paraíso na terra. Até quando vai o mundo tolerar o sofrimento imposto pelos carrascos guineenses ao seu próprio povo?

Não será evidente que a Guiné-Bissau não tem, neste momento, capacidade para se auto-governar? Para quando uma intervenção da comunidade internacional?

João Castanheira

domingo, 1 de março de 2009

E o prémio vai para...


O seguidismo acrítico de Vital Moreira foi finalmente premiado.

No espaço de 20 anos, o senhor professor migrou do estalinismo do PCP para as meias tintas do PS, transformando-se num verdadeiro pitbull do regime.

As cambalhotas de Vital Moreira são já parte do anedotário nacional. A opinião do académico flutuava, sem pudor, ao sabor dos anúncios governamentais. Um verdadeiro cata-vento político.

Há cerca de um ano, escrevi aqui que “Continua a ser um mistério a razão pela qual um homem culto e inteligente se anula e reduz à condição de mero comissário político. Dócil e acrítico como qualquer empregadinho do partido socialista”.

Pois bem, Vital Moreira encontrou, finalmente, um emprego à altura dos seus números de contorcionismo político. O exílio dourado de Estrasburgo.

João Castanheira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Caixa Geral de Cimentos


Ainda o escabroso negócio de compra de acções da Cimpor.

Vá lá saber-se porquê, a Caixa Geral de Depósitos decidiu tornar-se accionista de um fabricante de cimento, o que é por si só uma decisão delirante.

Para adquirir a participação de 9,58% na cimenteira, o banco público poderia ter ido ao mercado, onde teria comprado as acções a 3,79 €, gastando qualquer coisa como 244 milhões de Euros.

Em vez disso, adquiriu, simpaticamente, a participação ao empresário Manuel Fino, pagando por cada acção 4,75 € (+25%) e desembolsando 306 milhões de Euros. Isto é, oferecendo um prémio de 62 milhões, que entrou directamente no bolso do empresário.

Hoje, essa mesma participação vale 196 milhões de euros, ou seja, 112 milhões a menos que o valor pago pela CGD.

Mas o Presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Cimentos mostrou-se irritado com o facto de a notícia ter vindo a público. Pouco importa, se o negócio foi bem ou mal feito. O problema é que os galegos tenham sabido.

Isto não pode ficar assim. Tratando-se de um banco público, exige-se uma explicação cabal e detalhada desta negociata.

Se a CGD executa as dívidas aos pobres e aos remediados, não pode pôr-se de cócoras perante os ricos. Para fretes como este, o melhor é entregar o banco, de uma vez por todas, à Sonangol ou à filha do José Eduardo dos Santos.

João Castanheira

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Ouça-se o Conselheiro Loureiro


Para Vitor Ramalho, a solução para a crise pode estar no Conselho de Estado.

Convoque o Presidente da República o Conselho de Estado e de imediato assistiremos ao renascimento da economia nacional.

Ouça-se o Conselheiro Loureiro e logo se encontrarão soluções para a crise na banca.

Dê-se voz ao Conselheiro Jardim e num ápice descobriremos a solução para o equilíbrio das contas públicas.

De acordo com a Constituição, o Conselho de Estado deve reunir, por exemplo, para declarar a guerra ou fazer a paz.

Então porque não recorrer ao Conselheiro Loureiro para acabar com a crise?

João Castanheira

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Somos todos tolinhos


O muro de silêncio que se abateu sobre o negócio da CGD com Manuel Fino é ensurdecedor.

A que título é que um banco público se torna accionista de fabricas de cimento? Voltámos definitivamente ao PREC?

Por que razão um banco público compra acções 25% acima do preço de mercado, desbaratando 62 milhões de euros que pertencem aos contribuintes?

E por que raio é que a CGD se inibe de vender as acções, assegurando a Manuel Fino a possibilidade de recompra e assumindo o banco todo o risco sem qualquer proveito?

O silêncio do Presidente da CGD e do Ministro das Finanças é insuportável.

A ser verdade, este negócio não é apenas ruinoso, é pornográfico. Em qualquer país do mundo civilizado, rolariam cabeças e seriam pedidas responsabilidades.

Por cá, o relativismo político, ético e moral leva a que tudo seja aceitável. Don’t worry, be happy!

Somos todos tolinhos.

João Castanheira

É fartar vilanagem!


Um construtor civil de Braga tentou comprar um vereador da Câmara Municipal de Lisboa por 200.000 euros.

Quebrando a impunidade habitual, o pato bravo foi apanhado e condenado no Tribunal da Boa-Hora por corrupção activa, o que não pode deixar de ser uma boa notícia.

Só que a aplicação de uma multa de 5.000 euros – 40 vezes menos do que Domingos Névoa quis pagar a Sá Fernandes – é a demonstração de que as nossas leis penais são próprias de uma república das bananas, que não se dá ao respeito e onde vale a pena ser corrupto.

Domingos Névoa saiu do tribunal a rir-se e prometendo que vai continuar a fazer aquilo que sempre fez. É natural.

Ficámos todos a saber que mesmo quando apanhado a tentar comprar um político, um pato bravo faz a festa com uns trocos. É fartar vilanagem!

João Castanheira

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O Portugal podre

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O apodrecimento da nossa democracia é, em boa parte, originado pela inoperância da justiça.

Os casos de corrupção e enriquecimento ilícito de titulares de cargos públicos multiplicam-se à frente dos olhos dos cidadãos, gerando uma sensação da mais absoluta e criminosa impunidade.

Uma impunidade que destrói a confiança no Estado de direito e que mina, de forma irreparável, os alicerces do regime democrático.

É sabido que os corruptos mais precavidos colocam as fortunas a salvo fora do país, esforçando-se por levar uma vida relativamente sóbria e mantendo as aparências até ao dia em que decidem mergulhar numa reforma dourada. Esse é, apesar de tudo, um sinal de algum respeito pelo povo e pela justiça.

Mas a erosão dos valores e a falta de vergonha levam a que haja cada vez mais corruptos que não se coíbem de exibir, de forma provocatória, ostensivos sinais de riqueza. Uma riqueza que não pode, de todo, ser justificada.

No brilhante artigo de opinião que assina esta semana na revista Sábado, Pacheco Pereira põe o dedo na ferida: “Não se pode enriquecer na vida pública”, afirma PP. E não se pode enriquecer na vida pública porque os salários pagos pelo Estado dão para viver, mas não dão para enriquecer.

Acrescenta ainda PP: “Não havendo fortuna pessoal ou fonte conhecida de rendimentos e bens, a aquisição de verdadeiras fortunas durante o exercício de cargos públicos é matéria de escândalo público e devia ser matéria de justiça”.

A cidade de Braga – como muitas outras – é uma inesgotável fonte das mais sórdidas histórias de enriquecimento, sempre arquivadas por falta de provas ou por falta de meios.

Ainda esta semana, o Correio da Manhã dava conta da vida de luxo do chefe da divisão de urbanismo da Câmara de Braga. A história de um funcionário público que, com o seu magro salário, conseguiu construir uma das mais belas e luxuosas casas deste país. Haverá, eventualmente, uma explicação para este caso, que seria importante conhecer.

Aqui fica a notícia do Correio da Manhã:

“Mário Louro, chefe da Divisão do Planeamento Urbanístico na Câmara de Braga, tem uma vida de luxo. A casa onde mora, com vista para o rio Cávado, é uma construção de sonho. A "constatação" foi feita pelas autoridades policiais no âmbito de uma investigação às suspeitas de enriquecimento ilícito que recaíam sobre vários autarcas bracarenses.

A PJ pediu o levantamento do segredo bancário e acedeu às contas do arquitecto, alvo de uma das denúncias que entrou na PJ. Mas por falta de disponibilidade de meios acabou por não ser feito o cruzamento do património com os processos em que o técnico superior teve intervenção enquanto responsável pela gestão do Urbanismo.

Fica também por explicar qual o rendimento que lhe permitiu adquirir a casa. Em dez anos na autarquia (entre 1992 e 2002) recebeu 331 mil euros de salário bruto. Um valor bastante inferior ao preço da casa (sem o terreno), que custa seguramente mais de um milhão de euros.

A moradia mereceu uma menção nos prémios FAD de Arquitectura e é presença assídua em revistas especializadas em casas e decoração. Mário Louro entrou na Câmara em 1985 e em 2002 passou a chefe de Divisão de Planeamento Urbanístico. O arquitecto é responsável pela elaboração de vários projectos, como o Parque Urbano do Picoto".

João Castanheira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Demokracia


Para o Pedro Vieira, a golpada de Chavez na Venezuela não pode ser criticada pelos Europeus, que se preparam para impor a repetição do referendo ao Tratado de Lisboa, contornado por essa via a vontade popular.

Diz o Pedro Vieira: “aproveitemos para apelidar o Chavez de malandro até à ocasião em que conseguirmos repetir o referendo na Irlanda, as vezes que forem necessárias, a ver se da terra dos duendes vem um Sim, europeu, democrático e sorridente, não um daqueles latino-americanos, boçais e usurpadores”.

De facto, repetir referendos até que o povo diga o que os políticos querem ouvir é, no mínimo, desonesto e pouco democrático. Mas porque será que a nossa esquerda libertária não se lembrou desta desonestidade quando forçou a repetição do referendo do aborto em Portugal?

João Castanheira

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Uma ementa de arrepiar...


Para quem acha que a distinção entre esquerda e direita já não faz sentido, nada melhor que uma voltinha por um dos muitos blogues da nossa esquerda caviar, com o Arrastão à cabeça

Está lá tudo: aborto, eutanásia, salas de chuto, seringas nas cadeias, anti-semitismo, Hamas, nacionalizações, ódio às empresas, ataque às forças de segurança, desculpabilização do crime, imigração sem controlo, ódio à igreja católica, simpatia com ditaduras medievais...

Por baixo do verniz de modernidade há uma ementa de arrepiar.

João Castanheira

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sarrafada intelectual


O Augusto gosta é de “malhar na direita”, área política onde sua excelência inclui o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista.

Ora saia um pires de caracóis para a mesa do senhor ministro.

Há muito que o Augusto se impõe pela elevação e pelo requinte oratório. Mas, com o passar dos anos, os discursos com sabor a tremoço deram lugar a verdadeiras sarrafadas intelectuais.

Hoje, as palavras do senhor ministro deixam o mais requintado salão a cheirar a cerveja e coirato.

É por estas e por outras que José Sócrates classifica o PS como o “grande partido popular da esquerda democrática".

Em boa verdade, a coisa é mais popular que democrática. Com a mão na anca, o Augusto é melhor que uma varina.

João Castanheira

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Desonestidade intelectual


A desonestidade intelectual de Ana Gomes não conhece limites. Anda há anos esta muchacha a crucificar políticos em praça pública, do alto de uma pretensa superioridade moral que ninguém lhe reconhece.

As acusações sórdidas que dirigiu a diversas personalidades não socialistas, basearam-se em insinuações e rumores absolutamente infundados e jamais provados em lugar algum.

Por muito, muitíssimo menos que o caso Freeport, Ana Gomes pendurou no pelourinho gente absolutamente inocente.
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É por isso – e só por isso – que a defesa que faz do primeiro-ministro no caso Freeport roça a indigência ética. Uma defesa que, que de tão incoerente com a prática habitual, só se compreende à luz do processo da elaboração de listas para as eleições que aí vêm.

Digam lá se, vindas de onde vêm, estas palavras não dão a volta às tripas: “Devo assegurar não ter quaisquer razões que me levem a duvidar da consistência das declarações que o Primeiro Ministro José Sócrates proferiu a propósito do seu envolvimento no "caso Freeport". A menos que a Justiça o venha contrariar celeremente ou que alguém o infirme com consistência intransponível - e não na base de insinuações, deduções ou "construções" simplistas e avulsas - estou em crer que o modo, o sentido e a oportunidade dos ataques a José Sócrates, para além de o visarem pessoal e politicamente, visam sobremaneira o PS e o governo do PS que ele dirige."
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Não lhe pesarão na consciência os infames ataques pessoais que desferiu no passado recente?
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Disgusting!

João Castanheira

Haja decoro!


Socorro! O relvado do estádio do Sporting - onde decorre a meia-final da Taça da Liga - está rodeado de publicidade ao Banco Português de Negócios!

E porque não uma campanha de promoção do Banco Insular ou uns anúncios ao “bordel” que a SLN comprou em Porto Rico?

O buraco já vai nos 1.800 milhões de euros, montante que seria suficiente para construir 10 grandes hospitais centrais.

Mas os contribuintes ainda têm que pagar a campanha publicitária.

Uma publicidade que é absurda e inútil, porque a marca BPN está morta e enterrada.

Pior que isso, quanto mais os portugueses virem aquelas 3 letras, mais se lembrarão do que elas representam. Haja decoro!

João Castanheira

O buraco


Sempre defendi que a Caixa Geral de Depósitos deve manter-se nas mãos do Estado.

Disse-o e escrevi-o inúmeras vezes, muito tempo antes da actual crise, que quase arruinou os mercados financeiros um pouco por todo o mundo.

Lembro-me de repetir, perante o olhar crítico dos meus amigos mais liberais, que os indicadores de desempenho da CGD são tão bons ou melhores que os dos bancos privados, que a CGD gera lucros importantes, contribuindo decisivamente para o orçamento de Estado e que é necessário que o país disponha de um instrumento forte que permita intervir no mercado, desde que de forma criteriosa e responsável.

Nada disto é particularmente exótico. Em grandes países, como a Alemanha, a França ou a Espanha, para citar apenas alguns casos, os bancos públicos coexistem com os bancos privados, num sistema misto que está longe de prejudicar a eficiência do mercado.

Sempre achei estranho que os meus amigos mais liberais, defensores da privatização da CGD, nada dissessem quanto ao facto dos bancos privados ocidentais estarem a ser comprados por fundos soberanos de países pouco recomendáveis. E que mantivessem a obsessão por privatizar a CGD, quando todos sabemos que é o governo angolano que está a comprar a banca portuguesa.

Foi por isso que assisti, com alguma satisfação, à salvação das poupanças de alguns convictos ultraliberais, que em desespero de causa transferiram para a CGD as poupanças que tinham colocado no BCP ou no BPN. Afinal, a confiança na gestão privada não era ilimitada.

Vem isto a propósito da notícia de que o buraco no BPN já vai nos 1.800 milhões de euros, isto é, meio aeroporto de Alcochete. O mercado também tem destas coisas.

Como em tudo na vida, nesta matéria é preciso equilíbrio e bom senso.

João Castanheira

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Prémio Pritzker para José Sócrates


Num momento de assumidas dificuldades políticas, o Num Lugar à Direita propõe a atribuição do Prémio Pritzker de Arquitectura ao Eng.º José Sócrates.
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A fineza, o requinte e o bom gosto das casas que projectou na zona raiana revelam até onde pode chegar o génio criativo do primeiro-ministro de Portugal.
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O perfume da arquitectura de Sócrates espalha-se pelas vielas de Valhelhas, pelas calçadas de Covadoude e pelas ribanceiras de Rapoula. Mas é em Porto da Carne que a obra do mestre se revela em todo o seu esplendor.
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A colecção completa pode ser visitada aqui.
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João Castanheira

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Falar verdade


Por razões óbvias, quando se discutem questões de carácter, é necessária toda a prudência.

E – para lá de saber se ocorreram ilegalidades no licenciamento do Freeport – é o carácter do primeiro-ministro de Portugal que está em causa.

Eu acredito que José Sócrates não “solicitou, recebeu ou facilitou pagamentos” para licenciar o outlet de Alcochete. Assim como acredito que não usou expedientes ilícitos para concluir a licenciatura e não assinou projectos de arquitectura elaborados por funcionários camarários legalmente impedidos de o fazer.
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Se o tivesse feito, não teria condições, sequer, para presidir à Junta de Freguesia do Samouco, quanto mais para ser primeiro-ministro de Portugal.
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Mas a verdade é que, apesar dos rumores, nada de concreto existe que permita pôr em causa o carácter e a honestidade do primeiro-ministro. Pode (e deve) divergir-se politicamente de José Sócrates, mas apenas isso.

Dito isto, é essencial que a justiça siga o seu caminho, com a celeridade e o rigor que se impõe, tendo em conta a sensibilidade do caso.

Já no plano político e passada que está a desorientação inicial, está na hora do primeiro-ministro começar a explicar-se ao país. Para o seu bem e para o bem de todos nós. Sendo esta uma matéria sensível, não pode ser ignorada ou remetida à condição de tabu.

A tese da cabala, em que até aqui o Governo se tem escudado, é manifestamente insustentável, na medida em que as suspeitas partem de uma investigação da polícia inglesa. Alguém acredita que as autoridades policiais britânicas queiram atingir politicamente o primeiro-ministro de Portugal?

Como muito bem escreve Pacheco Pereira na revista Sábado de hoje, as perguntas a que José Sócrates deve responder são simples: “Porquê a pressa a dias de eleições, com estafetas a correr de repartição em repartição, serviço em serviço, a levar papéis para tudo estar assinado a tempo? Porquê tanta urgência e porquê a recusa de nos explicarem quem a decidiu e porquê? Porquê insistir que o decreto que altera a área aprovado no mesmo Conselho de Ministros nada tem a ver com a decisão de licenciar o Freeport, quando toda a gente olha para o mapa e percebe que é a mesma área?".

Acrescenta ainda Pacheco Pereira: “Suspeito imenso de explicações que nos tomam por tolos, em vez de simples e claras explicações. O problema é que pode não haver essas explicações simples”.

Eu acredito que as explicações vão aparecer e, portanto, não comungo da inquietação final de Pacheco Pereira.

E espero que não sejam do calibre do relatório elaborado pela Câmara Municipal da Guarda, acerca dos projectos de arquitectura assinados por José Sócrates, de que ele próprio muito se deve envergonhar. Esta gente tem que perceber, de uma vez por todas, que o importante não é safar a pele do amigo ou do chefe a qualquer preço, porque isso arrasa a qualidade da democracia e destrói a confiança na classe política.

O importante é falar verdade.

João Castanheira

É mentira!


Na passada segunda-feira, o primeiro-ministro apresentou ao país, um alegado estudo da OCDE, onde se teciam os maiores elogios às reformas levadas a cabo pelo Governo no primeiro ciclo do ensino básico.

Dizia José Sócrates, perante as câmaras de televisão, que nunca a OCDE elogiara tanto a política de educação do nosso país.

Julgo que o país inteiro ficou atónito e chocado perante as conclusões do estudo. E, sobretudo, perante o tom de louvor acrítico ao executivo, impróprio de uma organização séria e credível como a OCDE.

É certo que um consultor externo, desde que bem pago, está disponível para escrever tudo aquilo que lhe for pedido.

Mas como poderia a OCDE associar-se a semelhante lambidela à política educativa do Governo?
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A OCDE veio então desmentir a autoria de tal estudo.

Afinal era mentira. Não se trata de um estudo da OCDE, mas sim de um documento encomendado pelo Governo a consultores externos, cujo prefácio é assinado, a título individual, por uma funcionária da OCDE.

O estudo, elaborado com base em documentos fornecidos pelo próprio Governo, propõe “aumentar o sucesso escolar abolindo a retenção nas escolas do primeiro ciclo”. À boa maneira socialista, propõe-se, portanto, abolir administrativamente os chumbos para melhorar as estatísticas.

Ainda que José Sócrates agora o desminta, o documento foi anunciado ao país como um estudo da OCDE. O comunicado distribuído aos órgãos de comunicação social pelo Ministério da Educação diz, textualmente: “O primeiro-ministro, José Sócrates, e a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, assistem amanhã, segunda-feira, dia 26 de Janeiro, à apresentação da avaliação feita pela OCDE das reformas realizadas no 1.º ciclo do Ensino Básico”.

A irresponsabilidade com que se usa o nome de uma organização internacional numa acção de propaganda política é preocupante. Os nossos responsáveis políticos estão de cabeça perdida e isso só pode aumentar a inquietação que tomou conta dos portugueses.
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Devemos ao líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, o desmontar deste número de circo.

João Castanheira

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Os desistentes


O Ministério da Justiça mandou retirar as caixas Multibanco do interior dos tribunais, porque não consegue garantir a segurança e evitar o roubo daqueles equipamentos.

Vital Moreira, consciência acrítica do executivo rosa, concorda. Acha que “enquanto não se eliminar a vulnerabilidade das caixas de Multibanco, deveria ser ordenada a retirada das caixas móveis de todos os lugares inseguros, pelo menos durante a noite”. Por lugar inseguro entenda-se o TRIBUNAL.

Para o senhor professor constitucionalista, o problema não é a vulnerabilidade dos tribunais – que são diariamente assaltados – mas sim a vulnerabilidade das caixas multibanco.

Passariam, assim, a andar caixas Multibanco para cima e para baixo. Monta de manhã, desmonta à noite, tipo carrinho das castanhas.

Talvez o senhor professor constitucionalista recomende aos Juízes que levem os processos para casa, para que a papelada não fique depositada num lugar inseguro como é o tribunal.

Este é o raciocínio habitual da nossa esquerda bem pensante. Uma esquerda militantemente desistente:

· Desiste de garantir a segurança dos tribunais (prefere esconder os multibancos).

· Desiste de travar a entrada de droga nas cadeias (prefere distribuir seringas).

· Desiste de tratar os toxicodependentes (prefere montar salas de chuto).

· Desiste de defender as vítimas de crimes (prefere desculpabilizar os criminosos).

· Desiste de lutar pela vida dos mais frágeis (prefere financiar o aborto).

· Desiste de controlar a despesa pública (prefere aumentar os impostos).

· Desiste de ensinar os estudantes (prefere as passagens administrativas).

Com esta gente iremos de desistência em desistência até ao desastre final.

João Castanheira