terça-feira, 10 de março de 2009

12 a 1, com tranquilidade


O Bayern acaba de pregar 12 a 1 ao Sporting.

Penso que nem o Pinhalnovense exporia o país a semelhante enxovalho.

E quando um grande clube do futebol português leva uma dúzia na pá, alguma coisa se espera que aconteça.

Com o devido respeito – que não é muito – tenho do Paulo Bento a imagem de um calhau com risco ao meio. Impreparado mesmo para um mundo onde predomina a iliteracia e a ignorância, como é o futebol.

Há coisas que não se entendem. Antigamente chegava-se a treinador de um grande clube depois de mostrar serviço em equipas de menor dimensão. Ao Paulo Bento calhou o Sporting, sem que antes tivesse orientado qualquer outro clube. É como iniciar a carreira militar com o posto de general.

Quando assumiu o comando técnico do Sporting, o homem não tinha sequer habilitações para treinar uma equipa de futebol profissional. Tinha que ser o adjunto a assinar os papéis.

Deselegante, desbocado, desnorteado e em guerra com meia equipa, resta ao Paulo Bento mostrar o que vale no Bombarralense. Com algum esforço, talvez um dia mereça voltar à primeira liga.

João Castanheira

quinta-feira, 5 de março de 2009

Selvajaria


A moradia situada no n.º 28 da Rua de Alcolena, no Restelo, é uma notável referência da arquitectura modernista em Portugal.

Construída em 1956, segundo projecto do arquitecto António Varela, a moradia integra vários painéis de azulejos da autoria de Almada Negreiros e diversos outros elementos que a tornam uma construção única e admirável.

Qualquer português dotado de uma cultura mediana preservaria a moradia como uma verdadeira jóia. Julgo que até uma família de símios perceberia a importância da construção e teria orgulho em recuperá-la. Viver num local assim é um privilégio a que poucos homens podem aspirar.

Acontece que a moradia foi comprada pelos filhos do construtor civil Vítor Santos – o famoso Bibi do Benfica – o que é uma fatalidade capaz de arrastar para o apocalipse a mais preciosa obra de arte. Não tardou a que desse entrada na Câmara de Lisboa um projecto de demolição, ao que se seguiu a transformação de uma parte dos painéis de Almada Negreiros em entulho.

Quem sai aos seus não degenera.

Diga-se que a moradia está incluída na Zona Especial de Protecção de um Monumento Nacional, pelo que as obras são ilegais.

Bibi ficou famoso quando, aqui há uns anos, se gabou publicamente de declarar o ordenado mínimo, apesar de ser um dos maiores milionários de Lisboa. Nos Estados Unidos seria preso e no norte da Europa seria consumido pela vergonha. Em Portugal, houve quem lhe batesse palmas.

De acordo com a lista divulgada pelo Ministério das Finanças, Bibi é um dos portugueses que mais dinheiro deve ao fisco. Apesar das suas empresas de construção civil e promoção imobiliária prosperarem.
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Estamos agora na fase do ataque ao património nacional, a troco de mais umas malas de dinheiro.

Disgusting...

João Castanheira

terça-feira, 3 de março de 2009

Sentados em cima do Estado

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Para lá do marketing político, tudo no congresso do PS foi profundamente latino-americano, a começar nos discursos laudatórios.

Diz quem por lá passou que nunca num congresso partidário se viu tamanha concentração de carros oficiais e motoristas. A estatização do PS ultrapassou tudo o que até agora se tinha visto.

Em Espinho, poucos eram os congressistas sem um tacho na administração pública. Gente preocupada, sobretudo, em manter o posto de trabalho, a nomeação, a sinecura, a avença, o lugar na lista... Este foi, por isso mesmo, o congresso do umbigo.
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Para compor a sala, no domingo começou a chegar, em excursões, a gama baixa do aparelho de Estado. Uma das congressistas gritava para uma rádio que tinha vindo na “cámeneta da câmara”. Deus nos acuda, Caracas está cada vez mais perto!

João Castanheira

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Estado Circo


Mais que um Estado falhado ou um Estado pária, a Guiné-Bissau é um verdadeiro Estado circo.

A tenda está montada há 35 anos. Desde a independência, o país passou por uma ditadura pró-soviética e por uma inacreditável sucessão de golpes de estado, revoltas militares e atentados.

Em Bissau, as divergências políticas e tribais são resolvidas à facada e a tiro. Esta noite terá sido assassinado o Presidente da República e a família, cujos bens estão neste momento a ser pilhados por “militares”.

A debilidade das instituições é tal que o país foi tomado de assalto por quadrilhas de narcotraficantes, transformando-se num autêntico narco-Estado.

É suposto que os portugueses mantenham um silêncio cobarde perante os problemas da Guiné-Bissau e dos restantes PALOPs, como forma de expiar os pecados de um cada vez mais longínquo passado colonial.

Merda para o silêncio, que nos obriga a tolerar políticos assassinos, déspotas, ditadores, corruptos e analfabetos, que roubam e matam o próprio povo a troco de uma vida de luxo.

A Guiné-Bissau é um país fabuloso, com tudo para ser um verdadeiro paraíso na terra. Até quando vai o mundo tolerar o sofrimento imposto pelos carrascos guineenses ao seu próprio povo?

Não será evidente que a Guiné-Bissau não tem, neste momento, capacidade para se auto-governar? Para quando uma intervenção da comunidade internacional?

João Castanheira

domingo, 1 de março de 2009

E o prémio vai para...


O seguidismo acrítico de Vital Moreira foi finalmente premiado.

No espaço de 20 anos, o senhor professor migrou do estalinismo do PCP para as meias tintas do PS, transformando-se num verdadeiro pitbull do regime.

As cambalhotas de Vital Moreira são já parte do anedotário nacional. A opinião do académico flutuava, sem pudor, ao sabor dos anúncios governamentais. Um verdadeiro cata-vento político.

Há cerca de um ano, escrevi aqui que “Continua a ser um mistério a razão pela qual um homem culto e inteligente se anula e reduz à condição de mero comissário político. Dócil e acrítico como qualquer empregadinho do partido socialista”.

Pois bem, Vital Moreira encontrou, finalmente, um emprego à altura dos seus números de contorcionismo político. O exílio dourado de Estrasburgo.

João Castanheira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Caixa Geral de Cimentos


Ainda o escabroso negócio de compra de acções da Cimpor.

Vá lá saber-se porquê, a Caixa Geral de Depósitos decidiu tornar-se accionista de um fabricante de cimento, o que é por si só uma decisão delirante.

Para adquirir a participação de 9,58% na cimenteira, o banco público poderia ter ido ao mercado, onde teria comprado as acções a 3,79 €, gastando qualquer coisa como 244 milhões de Euros.

Em vez disso, adquiriu, simpaticamente, a participação ao empresário Manuel Fino, pagando por cada acção 4,75 € (+25%) e desembolsando 306 milhões de Euros. Isto é, oferecendo um prémio de 62 milhões, que entrou directamente no bolso do empresário.

Hoje, essa mesma participação vale 196 milhões de euros, ou seja, 112 milhões a menos que o valor pago pela CGD.

Mas o Presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Cimentos mostrou-se irritado com o facto de a notícia ter vindo a público. Pouco importa, se o negócio foi bem ou mal feito. O problema é que os galegos tenham sabido.

Isto não pode ficar assim. Tratando-se de um banco público, exige-se uma explicação cabal e detalhada desta negociata.

Se a CGD executa as dívidas aos pobres e aos remediados, não pode pôr-se de cócoras perante os ricos. Para fretes como este, o melhor é entregar o banco, de uma vez por todas, à Sonangol ou à filha do José Eduardo dos Santos.

João Castanheira

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Ouça-se o Conselheiro Loureiro


Para Vitor Ramalho, a solução para a crise pode estar no Conselho de Estado.

Convoque o Presidente da República o Conselho de Estado e de imediato assistiremos ao renascimento da economia nacional.

Ouça-se o Conselheiro Loureiro e logo se encontrarão soluções para a crise na banca.

Dê-se voz ao Conselheiro Jardim e num ápice descobriremos a solução para o equilíbrio das contas públicas.

De acordo com a Constituição, o Conselho de Estado deve reunir, por exemplo, para declarar a guerra ou fazer a paz.

Então porque não recorrer ao Conselheiro Loureiro para acabar com a crise?

João Castanheira

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Somos todos tolinhos


O muro de silêncio que se abateu sobre o negócio da CGD com Manuel Fino é ensurdecedor.

A que título é que um banco público se torna accionista de fabricas de cimento? Voltámos definitivamente ao PREC?

Por que razão um banco público compra acções 25% acima do preço de mercado, desbaratando 62 milhões de euros que pertencem aos contribuintes?

E por que raio é que a CGD se inibe de vender as acções, assegurando a Manuel Fino a possibilidade de recompra e assumindo o banco todo o risco sem qualquer proveito?

O silêncio do Presidente da CGD e do Ministro das Finanças é insuportável.

A ser verdade, este negócio não é apenas ruinoso, é pornográfico. Em qualquer país do mundo civilizado, rolariam cabeças e seriam pedidas responsabilidades.

Por cá, o relativismo político, ético e moral leva a que tudo seja aceitável. Don’t worry, be happy!

Somos todos tolinhos.

João Castanheira

É fartar vilanagem!


Um construtor civil de Braga tentou comprar um vereador da Câmara Municipal de Lisboa por 200.000 euros.

Quebrando a impunidade habitual, o pato bravo foi apanhado e condenado no Tribunal da Boa-Hora por corrupção activa, o que não pode deixar de ser uma boa notícia.

Só que a aplicação de uma multa de 5.000 euros – 40 vezes menos do que Domingos Névoa quis pagar a Sá Fernandes – é a demonstração de que as nossas leis penais são próprias de uma república das bananas, que não se dá ao respeito e onde vale a pena ser corrupto.

Domingos Névoa saiu do tribunal a rir-se e prometendo que vai continuar a fazer aquilo que sempre fez. É natural.

Ficámos todos a saber que mesmo quando apanhado a tentar comprar um político, um pato bravo faz a festa com uns trocos. É fartar vilanagem!

João Castanheira

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O Portugal podre

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O apodrecimento da nossa democracia é, em boa parte, originado pela inoperância da justiça.

Os casos de corrupção e enriquecimento ilícito de titulares de cargos públicos multiplicam-se à frente dos olhos dos cidadãos, gerando uma sensação da mais absoluta e criminosa impunidade.

Uma impunidade que destrói a confiança no Estado de direito e que mina, de forma irreparável, os alicerces do regime democrático.

É sabido que os corruptos mais precavidos colocam as fortunas a salvo fora do país, esforçando-se por levar uma vida relativamente sóbria e mantendo as aparências até ao dia em que decidem mergulhar numa reforma dourada. Esse é, apesar de tudo, um sinal de algum respeito pelo povo e pela justiça.

Mas a erosão dos valores e a falta de vergonha levam a que haja cada vez mais corruptos que não se coíbem de exibir, de forma provocatória, ostensivos sinais de riqueza. Uma riqueza que não pode, de todo, ser justificada.

No brilhante artigo de opinião que assina esta semana na revista Sábado, Pacheco Pereira põe o dedo na ferida: “Não se pode enriquecer na vida pública”, afirma PP. E não se pode enriquecer na vida pública porque os salários pagos pelo Estado dão para viver, mas não dão para enriquecer.

Acrescenta ainda PP: “Não havendo fortuna pessoal ou fonte conhecida de rendimentos e bens, a aquisição de verdadeiras fortunas durante o exercício de cargos públicos é matéria de escândalo público e devia ser matéria de justiça”.

A cidade de Braga – como muitas outras – é uma inesgotável fonte das mais sórdidas histórias de enriquecimento, sempre arquivadas por falta de provas ou por falta de meios.

Ainda esta semana, o Correio da Manhã dava conta da vida de luxo do chefe da divisão de urbanismo da Câmara de Braga. A história de um funcionário público que, com o seu magro salário, conseguiu construir uma das mais belas e luxuosas casas deste país. Haverá, eventualmente, uma explicação para este caso, que seria importante conhecer.

Aqui fica a notícia do Correio da Manhã:

“Mário Louro, chefe da Divisão do Planeamento Urbanístico na Câmara de Braga, tem uma vida de luxo. A casa onde mora, com vista para o rio Cávado, é uma construção de sonho. A "constatação" foi feita pelas autoridades policiais no âmbito de uma investigação às suspeitas de enriquecimento ilícito que recaíam sobre vários autarcas bracarenses.

A PJ pediu o levantamento do segredo bancário e acedeu às contas do arquitecto, alvo de uma das denúncias que entrou na PJ. Mas por falta de disponibilidade de meios acabou por não ser feito o cruzamento do património com os processos em que o técnico superior teve intervenção enquanto responsável pela gestão do Urbanismo.

Fica também por explicar qual o rendimento que lhe permitiu adquirir a casa. Em dez anos na autarquia (entre 1992 e 2002) recebeu 331 mil euros de salário bruto. Um valor bastante inferior ao preço da casa (sem o terreno), que custa seguramente mais de um milhão de euros.

A moradia mereceu uma menção nos prémios FAD de Arquitectura e é presença assídua em revistas especializadas em casas e decoração. Mário Louro entrou na Câmara em 1985 e em 2002 passou a chefe de Divisão de Planeamento Urbanístico. O arquitecto é responsável pela elaboração de vários projectos, como o Parque Urbano do Picoto".

João Castanheira

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Demokracia


Para o Pedro Vieira, a golpada de Chavez na Venezuela não pode ser criticada pelos Europeus, que se preparam para impor a repetição do referendo ao Tratado de Lisboa, contornado por essa via a vontade popular.

Diz o Pedro Vieira: “aproveitemos para apelidar o Chavez de malandro até à ocasião em que conseguirmos repetir o referendo na Irlanda, as vezes que forem necessárias, a ver se da terra dos duendes vem um Sim, europeu, democrático e sorridente, não um daqueles latino-americanos, boçais e usurpadores”.

De facto, repetir referendos até que o povo diga o que os políticos querem ouvir é, no mínimo, desonesto e pouco democrático. Mas porque será que a nossa esquerda libertária não se lembrou desta desonestidade quando forçou a repetição do referendo do aborto em Portugal?

João Castanheira

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Uma ementa de arrepiar...


Para quem acha que a distinção entre esquerda e direita já não faz sentido, nada melhor que uma voltinha por um dos muitos blogues da nossa esquerda caviar, com o Arrastão à cabeça

Está lá tudo: aborto, eutanásia, salas de chuto, seringas nas cadeias, anti-semitismo, Hamas, nacionalizações, ódio às empresas, ataque às forças de segurança, desculpabilização do crime, imigração sem controlo, ódio à igreja católica, simpatia com ditaduras medievais...

Por baixo do verniz de modernidade há uma ementa de arrepiar.

João Castanheira

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Sarrafada intelectual


O Augusto gosta é de “malhar na direita”, área política onde sua excelência inclui o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista.

Ora saia um pires de caracóis para a mesa do senhor ministro.

Há muito que o Augusto se impõe pela elevação e pelo requinte oratório. Mas, com o passar dos anos, os discursos com sabor a tremoço deram lugar a verdadeiras sarrafadas intelectuais.

Hoje, as palavras do senhor ministro deixam o mais requintado salão a cheirar a cerveja e coirato.

É por estas e por outras que José Sócrates classifica o PS como o “grande partido popular da esquerda democrática".

Em boa verdade, a coisa é mais popular que democrática. Com a mão na anca, o Augusto é melhor que uma varina.

João Castanheira

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Desonestidade intelectual


A desonestidade intelectual de Ana Gomes não conhece limites. Anda há anos esta muchacha a crucificar políticos em praça pública, do alto de uma pretensa superioridade moral que ninguém lhe reconhece.

As acusações sórdidas que dirigiu a diversas personalidades não socialistas, basearam-se em insinuações e rumores absolutamente infundados e jamais provados em lugar algum.

Por muito, muitíssimo menos que o caso Freeport, Ana Gomes pendurou no pelourinho gente absolutamente inocente.
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É por isso – e só por isso – que a defesa que faz do primeiro-ministro no caso Freeport roça a indigência ética. Uma defesa que, que de tão incoerente com a prática habitual, só se compreende à luz do processo da elaboração de listas para as eleições que aí vêm.

Digam lá se, vindas de onde vêm, estas palavras não dão a volta às tripas: “Devo assegurar não ter quaisquer razões que me levem a duvidar da consistência das declarações que o Primeiro Ministro José Sócrates proferiu a propósito do seu envolvimento no "caso Freeport". A menos que a Justiça o venha contrariar celeremente ou que alguém o infirme com consistência intransponível - e não na base de insinuações, deduções ou "construções" simplistas e avulsas - estou em crer que o modo, o sentido e a oportunidade dos ataques a José Sócrates, para além de o visarem pessoal e politicamente, visam sobremaneira o PS e o governo do PS que ele dirige."
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Não lhe pesarão na consciência os infames ataques pessoais que desferiu no passado recente?
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Disgusting!

João Castanheira

Haja decoro!


Socorro! O relvado do estádio do Sporting - onde decorre a meia-final da Taça da Liga - está rodeado de publicidade ao Banco Português de Negócios!

E porque não uma campanha de promoção do Banco Insular ou uns anúncios ao “bordel” que a SLN comprou em Porto Rico?

O buraco já vai nos 1.800 milhões de euros, montante que seria suficiente para construir 10 grandes hospitais centrais.

Mas os contribuintes ainda têm que pagar a campanha publicitária.

Uma publicidade que é absurda e inútil, porque a marca BPN está morta e enterrada.

Pior que isso, quanto mais os portugueses virem aquelas 3 letras, mais se lembrarão do que elas representam. Haja decoro!

João Castanheira

O buraco


Sempre defendi que a Caixa Geral de Depósitos deve manter-se nas mãos do Estado.

Disse-o e escrevi-o inúmeras vezes, muito tempo antes da actual crise, que quase arruinou os mercados financeiros um pouco por todo o mundo.

Lembro-me de repetir, perante o olhar crítico dos meus amigos mais liberais, que os indicadores de desempenho da CGD são tão bons ou melhores que os dos bancos privados, que a CGD gera lucros importantes, contribuindo decisivamente para o orçamento de Estado e que é necessário que o país disponha de um instrumento forte que permita intervir no mercado, desde que de forma criteriosa e responsável.

Nada disto é particularmente exótico. Em grandes países, como a Alemanha, a França ou a Espanha, para citar apenas alguns casos, os bancos públicos coexistem com os bancos privados, num sistema misto que está longe de prejudicar a eficiência do mercado.

Sempre achei estranho que os meus amigos mais liberais, defensores da privatização da CGD, nada dissessem quanto ao facto dos bancos privados ocidentais estarem a ser comprados por fundos soberanos de países pouco recomendáveis. E que mantivessem a obsessão por privatizar a CGD, quando todos sabemos que é o governo angolano que está a comprar a banca portuguesa.

Foi por isso que assisti, com alguma satisfação, à salvação das poupanças de alguns convictos ultraliberais, que em desespero de causa transferiram para a CGD as poupanças que tinham colocado no BCP ou no BPN. Afinal, a confiança na gestão privada não era ilimitada.

Vem isto a propósito da notícia de que o buraco no BPN já vai nos 1.800 milhões de euros, isto é, meio aeroporto de Alcochete. O mercado também tem destas coisas.

Como em tudo na vida, nesta matéria é preciso equilíbrio e bom senso.

João Castanheira

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Prémio Pritzker para José Sócrates


Num momento de assumidas dificuldades políticas, o Num Lugar à Direita propõe a atribuição do Prémio Pritzker de Arquitectura ao Eng.º José Sócrates.
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A fineza, o requinte e o bom gosto das casas que projectou na zona raiana revelam até onde pode chegar o génio criativo do primeiro-ministro de Portugal.
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O perfume da arquitectura de Sócrates espalha-se pelas vielas de Valhelhas, pelas calçadas de Covadoude e pelas ribanceiras de Rapoula. Mas é em Porto da Carne que a obra do mestre se revela em todo o seu esplendor.
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A colecção completa pode ser visitada aqui.
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João Castanheira

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Falar verdade


Por razões óbvias, quando se discutem questões de carácter, é necessária toda a prudência.

E – para lá de saber se ocorreram ilegalidades no licenciamento do Freeport – é o carácter do primeiro-ministro de Portugal que está em causa.

Eu acredito que José Sócrates não “solicitou, recebeu ou facilitou pagamentos” para licenciar o outlet de Alcochete. Assim como acredito que não usou expedientes ilícitos para concluir a licenciatura e não assinou projectos de arquitectura elaborados por funcionários camarários legalmente impedidos de o fazer.
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Se o tivesse feito, não teria condições, sequer, para presidir à Junta de Freguesia do Samouco, quanto mais para ser primeiro-ministro de Portugal.
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Mas a verdade é que, apesar dos rumores, nada de concreto existe que permita pôr em causa o carácter e a honestidade do primeiro-ministro. Pode (e deve) divergir-se politicamente de José Sócrates, mas apenas isso.

Dito isto, é essencial que a justiça siga o seu caminho, com a celeridade e o rigor que se impõe, tendo em conta a sensibilidade do caso.

Já no plano político e passada que está a desorientação inicial, está na hora do primeiro-ministro começar a explicar-se ao país. Para o seu bem e para o bem de todos nós. Sendo esta uma matéria sensível, não pode ser ignorada ou remetida à condição de tabu.

A tese da cabala, em que até aqui o Governo se tem escudado, é manifestamente insustentável, na medida em que as suspeitas partem de uma investigação da polícia inglesa. Alguém acredita que as autoridades policiais britânicas queiram atingir politicamente o primeiro-ministro de Portugal?

Como muito bem escreve Pacheco Pereira na revista Sábado de hoje, as perguntas a que José Sócrates deve responder são simples: “Porquê a pressa a dias de eleições, com estafetas a correr de repartição em repartição, serviço em serviço, a levar papéis para tudo estar assinado a tempo? Porquê tanta urgência e porquê a recusa de nos explicarem quem a decidiu e porquê? Porquê insistir que o decreto que altera a área aprovado no mesmo Conselho de Ministros nada tem a ver com a decisão de licenciar o Freeport, quando toda a gente olha para o mapa e percebe que é a mesma área?".

Acrescenta ainda Pacheco Pereira: “Suspeito imenso de explicações que nos tomam por tolos, em vez de simples e claras explicações. O problema é que pode não haver essas explicações simples”.

Eu acredito que as explicações vão aparecer e, portanto, não comungo da inquietação final de Pacheco Pereira.

E espero que não sejam do calibre do relatório elaborado pela Câmara Municipal da Guarda, acerca dos projectos de arquitectura assinados por José Sócrates, de que ele próprio muito se deve envergonhar. Esta gente tem que perceber, de uma vez por todas, que o importante não é safar a pele do amigo ou do chefe a qualquer preço, porque isso arrasa a qualidade da democracia e destrói a confiança na classe política.

O importante é falar verdade.

João Castanheira

É mentira!


Na passada segunda-feira, o primeiro-ministro apresentou ao país, um alegado estudo da OCDE, onde se teciam os maiores elogios às reformas levadas a cabo pelo Governo no primeiro ciclo do ensino básico.

Dizia José Sócrates, perante as câmaras de televisão, que nunca a OCDE elogiara tanto a política de educação do nosso país.

Julgo que o país inteiro ficou atónito e chocado perante as conclusões do estudo. E, sobretudo, perante o tom de louvor acrítico ao executivo, impróprio de uma organização séria e credível como a OCDE.

É certo que um consultor externo, desde que bem pago, está disponível para escrever tudo aquilo que lhe for pedido.

Mas como poderia a OCDE associar-se a semelhante lambidela à política educativa do Governo?
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A OCDE veio então desmentir a autoria de tal estudo.

Afinal era mentira. Não se trata de um estudo da OCDE, mas sim de um documento encomendado pelo Governo a consultores externos, cujo prefácio é assinado, a título individual, por uma funcionária da OCDE.

O estudo, elaborado com base em documentos fornecidos pelo próprio Governo, propõe “aumentar o sucesso escolar abolindo a retenção nas escolas do primeiro ciclo”. À boa maneira socialista, propõe-se, portanto, abolir administrativamente os chumbos para melhorar as estatísticas.

Ainda que José Sócrates agora o desminta, o documento foi anunciado ao país como um estudo da OCDE. O comunicado distribuído aos órgãos de comunicação social pelo Ministério da Educação diz, textualmente: “O primeiro-ministro, José Sócrates, e a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, assistem amanhã, segunda-feira, dia 26 de Janeiro, à apresentação da avaliação feita pela OCDE das reformas realizadas no 1.º ciclo do Ensino Básico”.

A irresponsabilidade com que se usa o nome de uma organização internacional numa acção de propaganda política é preocupante. Os nossos responsáveis políticos estão de cabeça perdida e isso só pode aumentar a inquietação que tomou conta dos portugueses.
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Devemos ao líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, o desmontar deste número de circo.

João Castanheira

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Os desistentes


O Ministério da Justiça mandou retirar as caixas Multibanco do interior dos tribunais, porque não consegue garantir a segurança e evitar o roubo daqueles equipamentos.

Vital Moreira, consciência acrítica do executivo rosa, concorda. Acha que “enquanto não se eliminar a vulnerabilidade das caixas de Multibanco, deveria ser ordenada a retirada das caixas móveis de todos os lugares inseguros, pelo menos durante a noite”. Por lugar inseguro entenda-se o TRIBUNAL.

Para o senhor professor constitucionalista, o problema não é a vulnerabilidade dos tribunais – que são diariamente assaltados – mas sim a vulnerabilidade das caixas multibanco.

Passariam, assim, a andar caixas Multibanco para cima e para baixo. Monta de manhã, desmonta à noite, tipo carrinho das castanhas.

Talvez o senhor professor constitucionalista recomende aos Juízes que levem os processos para casa, para que a papelada não fique depositada num lugar inseguro como é o tribunal.

Este é o raciocínio habitual da nossa esquerda bem pensante. Uma esquerda militantemente desistente:

· Desiste de garantir a segurança dos tribunais (prefere esconder os multibancos).

· Desiste de travar a entrada de droga nas cadeias (prefere distribuir seringas).

· Desiste de tratar os toxicodependentes (prefere montar salas de chuto).

· Desiste de defender as vítimas de crimes (prefere desculpabilizar os criminosos).

· Desiste de lutar pela vida dos mais frágeis (prefere financiar o aborto).

· Desiste de controlar a despesa pública (prefere aumentar os impostos).

· Desiste de ensinar os estudantes (prefere as passagens administrativas).

Com esta gente iremos de desistência em desistência até ao desastre final.

João Castanheira

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Um país de cócoras


À medida que a crise se aprofunda, a economia portuguesa vai, inexoravelmente, caindo nas mãos dos salvadores ”interesses angolanos” – leia-se o chefe, a família e os amigos.

Depois da Galp, do BCP e do BPI, os ditos “interesses angolanos” preparam-se para tomar a comunicação social portuguesa, a começar pelo moribundo semanário Sol.

Não vale a pena fingir que é a economia a funcionar.

O mundo inteiro sabe de onde vem o dinheiro. E o mundo inteiro conhece o modelo de comunicação social angolano.

Será isso que queremos para Portugal?

João Castanheira

O offshore da Baixa da Banheira

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O Manuel Monteiro continua imparável.

Agora propõe a criação de uma zona franca em Braga, distrito por onde pretende ser eleito deputado nas legislativas deste ano.

E que tal um offshore na Baixa da Banheira? Ou uma região autónoma em Fernão Ferro?

A espiral de delírios parece não ter fim.

Apesar de não ultrapassar os 0,6% sempre que vai a votos, Monteiro é incapaz de perceber que a aventura do PND lhe arruinou a carreira política.

O estrago está feito. Agora bem pode fazer o pino no alto da escadaria do Bom Jesus.

João Castanheira

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Descubra a diferença


Por mais que a comunicação social europeia tente escondê-lo, há uma diferença civilizacional entre os dois lados do conflito no médio oriente. E há cartoons que valem mais que mil palavras...
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João Castanheira


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O paradoxo da esquerda caviar


O Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, alertou as jovens portuguesas para o “monte de sarilhos” em que podem meter-se ao casarem com muçulmanos.

A nossa muito laica, libertária e hipócrita esquerda caviar, sempre pronta a ferrar os dentes nas canelas da igreja católica, enfureceu-se.

Acontece que, como bem sabemos, D. José Policarpo se limitou a dar o conselho que qualquer bom pai de família – não muçulmano – dá às suas filhas.

O Xiquito Louçã e a sua rapaziada não ignoram os dogmas medievais que amordaçam as mulheres nas sociedades islâmicas. E nem é preciso referir casos extremos, em que são chicoteadas em público por conduzirem um automóvel ou mortas à pedrada por cometerem adultério.

É interessante, por exemplo, o site das mulheres muçulmanas, que enumera os amplos direitos de que gozam as mulheres no mundo islâmico:

As mulheres muçulmanas têm permissão para sair, trabalhar ou visitar familiares e amigas, desde que o marido não se oponha e desde que se cubram e comportem de acordo com as regras islâmicas. Se necessário, serão escoltadas por um familiar próximo, do sexo masculino.

O marido não deve proibir a sua mulher de sair para adquirir conhecimentos religiosos, a não ser que a ensine em casa. É preferível que a mulher reze em casa, tendo em conta as suas obrigações domésticas, os seus deveres como mãe e a necessidade de evitar a mistura com homens.

O Islão não proíbe as mulheres de trabalharem fora de casa, mas estipula um conjunto de restrições com o objectivo de preservar a dignidade e a honra da mulher, bem como a pureza da sociedade islâmica:

1. O emprego não deve ser uma prioridade, nem deve interferir nas responsabilidades da mulher enquanto esposa e mãe.

2. O emprego não deve causar fricções com a família, sendo necessário o consentimento do marido, para evitar futuros desacordos. Se a mulher não for casada, deverá obter o consentimento do seu guardião.

3. A aparência, o comportamento e o tom de voz da mulher devem seguir as regras islâmicas, que incluem a obrigação de não olhar para homens, vestir-se de acordo com as regras islâmicas, evitar o contacto com homens, não andar de forma provocadora e não usar maquilhagem ou perfume em público.
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4. O emprego deve ser escolhido de modo a evitar o contacto com homens.

É curioso que a nossa esquerda caviar revindique para si todos direitos das sociedades ocidentais, mas esteja, invariavelmente, ao lado do obscurantismo e dos valores medievais.

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João Castanheira

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Por que razão se suicida a Palestina?


De acordo com a propaganda que domina a comunicação social europeia, a Faixa de Gaza é a maior prisão do mundo, devido ao “desumano” cerco israelita.

Acontece que a Faixa de Gaza tem fronteira com um país árabe – o Egipto – que, vá lá saber-se porquê, decidiu também construir um enorme muro em redor dos palestinianos e encerrar o posto fronteiriço, após a tomada do poder pelo Hamas.

Sucede ainda que a Faixa de Gaza tem o pouco urbano hábito de exportar para Israel mísseis e homens bomba, que se fazem explodir em autocarros e cafés, com o objectivo de matar e estropiar o maior número de inocentes que for possível. Deve Israel estender-lhes uma passadeira vermelha?

A iluminada esquerda europeia alega, também, que uma parte da população de Gaza foi forçada a fugir do sul de Israel após a guerra de 1948. Talvez por lapso, não referem que a referida guerra resultou da tentativa de aniquilar o Estado de Israel à nascença, através de um ataque concertado dos exércitos da Síria, do Iraque, do Líbano, do Egipto, da Jordânia, da Arábia Saudita e do Iémen. Israel resistiu e venceu heroicamente.

A catástrofe palestiniana é verdadeiramente penosa e angustiante. Mas mais do que à agressividade israelita ou à falta de solidariedade dos países árabes, os palestinianos deverão pedir contas a si próprios. Em especial aos extremistas que manipulam e destroem a possibilidade de convivência pacífica entre dois Estados democráticos e independentes.

Em vez de sonhar com o aniquilamento do vizinho, em vez despejar rockets em cima da cabeça de inocentes, em vez de esconder armas em mesquitas, em vez de usar o próprio povo como escudo, em vez de apoiar um movimento terrorista que não reconhece o direito à existência do Estado de Israel, a Palestina poderia, talvez, mobilizar o mundo para a construção de um país.

Mas esse é um desígnio que não interessa aos senhores da guerra.

João Castanheira

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

E o disco do ano é...


Os primeiros acordes e harmonias vocais de Fleet Foxes deixam no ar uma pergunta: mas de onde é que isto saiu?

À medida que os minutos e as canções passam, a estranheza dá lugar àquela excitação juvenil que o melómano sente quando é confrontado com um clássico inesperado.

O álbum de estreia dos Fleet Foxes é uma obra-prima. E é, obviamente, o melhor disco que 2008 nos legou, deixando muito, muitíssimo longe a escassa concorrência.

As melodias eternas, as harmonias vocais, os rendilhados de guitarras e os retoques de pianos, banjos e demais ferramentas trazem à memória milhões de referências. Mas o resultado deste cozinhado é surpreendentemente original.

Fleet Foxes é um soberbo retrato da América profunda. E é, sobretudo, um irrepetível retrato de um conjunto de artistas quando jovens.
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Após uma estreia destas, o caminho que aí vem será, provavelmente, sempre a descer. Há, por isso, que gozar o prazer de ouvir até cansar White Winter Hymnal, a mais bela canção do ano. Depois dela, Fleet Foxes tem outras dez pérolas para oferecer.

João Castanheira

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Trabalho Sujo



Segundo o jornal Público, o antigo "número dois" de Avelino Ferreira Torres, Norberto Soares, vai ser o candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal de Marco de Canaveses, disse hoje fonte do PS/Porto.

É um trabalho sujo, mas alguém tinha que o fazer. E quem mais senão o Partido Socialista?

João Castanheira

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Terramoto à vista

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Manuel Alegre é uma personalidade curiosa, capaz de inspirar os mais contraditórios sentimentos.

Aprecio-lhe a voz, a coragem, a independência, a cultura e até a figura um tanto ou quanto paternal.

Mas a verdade é que a par dos seus encantos – sobretudo estéticos – Manuel Alegre representa muito do que há de pior na nossa esquerda.

Aflige-me, desde logo, o marialvismo, que os compagnons de route devem, no seu íntimo, considerar vagamente reaccionário.

Porém, o que mais me deprime naquele que é cada vez mais o grande ícone da nossa esquerda libertária é a sua profundíssima aridez ideológica.

Pergunte-se a Manuel Alegre que desígnio aponta para Portugal? Que caminho preconiza para a nossa economia? Que solução defende para a crise financeira?

Imagino que a tudo isto Manuel Alegre possa responder com um poema. Pena é que a vida seja mais complexa que um livro de poesia.

Ou talvez nos atire com os anos resistência ao fascismo – dizem as más-línguas que fugiu a salto para Argel. Pena é que a resposta habitual remeta para o passado, num momento em que a nossa inquietação colectiva diz respeito ao futuro.

Manuel Alegre é, apesar de tudo, um homem livre e coerente. Bate-se pelas causas em que acredita e essa é, nos dias que correm, uma qualidade que não deve ser desvalorizada.

Ontem, Manuel Alegre deu um passo em frente, alcançando o que julgo ser o ponto de não retorno. E deixou o polvo rosa à beira de um ataque de nervos.

Ainda não é claro o alcance dos estragos que Manuel Alegre pode provocar no poder tentacular do Partido Socialista. Mas a reacção desesperada dos boys e das girls deixa antever a possibilidade de terramoto.

Apesar de tudo, a poesia ainda é capaz de abanar a (baixa) política.

João Castanheira

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Guantanamera

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Na cabeça de Ana Gomes, há uma imparável ponte aérea rumo a Guantánamo.

A mulher sonha com aviões carregados de presos a passarem por cima das nossas cabeças. É um fetiche como outro qualquer, mas eu confesso já não tenho paciência para esta discursata.

Ana Gomes poder-se-ia também preocupar, por exemplo, com os milhares de presos políticos que a família Castro encafuou nas cadeias bolorentas do resto da ilha de Cuba. Mas não, a obsessão não lhe deixa espaço para mais do que Guantánamo.

Agora que o Governo português se prontificou a receber alguns dos potenciais terroristas de Guantánamo, o mínimo que Ana Gomes tem a fazer é franquear-lhes as portas da sua casa.

Pode ser que algum lá ponha uma bombita, nem que seja de mau cheiro.

João Castanheira

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Acudam-nos!


A economia portuguesa estagnou, a caminho duma quase certa recessão.

O mundo atravessa uma crise económica e financeira sem precedentes.

A situação é de tal modo crítica que o BCE se apressa a cortar as taxas de juro, tentando desesperadamente reanimar a economia, ao mesmo tempo que o preço do petróleo se despenha por falta de compradores e de confiança no futuro.

Mas a mensagem que o primeiro-ministro de Portugal entendeu transmitir é de que "As famílias portuguesas podem esperar ter um melhor rendimento disponível em 2009", fruto das baixas que se esperam nas taxas de juro e nos preços dos combustíveis.

Pouco importa que esses efeitos resultem do colapso da economia mundial, que trás consigo as falências, os salários em atraso, o desemprego, o crash das bolsas e a paralisação da actividade económica.

Para o primeiro-ministro de Portugal a crise é boa para os Portugueses.

Eu confesso-me chocado. Devo ter percebido mal.

João Castanheira

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Notícias do Madeiristão


Segundo o Público de hoje, a emissão online do plenário da Assembleia Legislativa da Madeira voltou ontem a ser retardada cinco minutos para permitir o corte de "cenas desprestigiantes". Negando tratar-se de um "acto de censura", o presidente do parlamento madeirense, Miguel Mendonça, assumiu a responsabilidade pela adopção da medida preventiva. "Não ando aqui para ver passar os navios", garantiu.

O presidente da assembleia regional mandou também cortar a transmissão do circuito interno televisivo para os gabinetes da oposição e para a sala de imprensa, agora igualmente privada da emissão em áudio. Às imagens em directo apenas pode aceder-se nas instalações do PSD e dos colaboradores directos do presidente, dos quais parte a ordem de corte para a régie.

Por outro lado, contrariando a tradição parlamentar que distribui os partidos consoante o seu posicionamento ideológico, o PSD decidiu passar da direita para a esquerda do hemiciclo, para que os seus deputados sejam filmados de frente e os da oposição de costas.

João Castanheira

A manjedoura do Estado


No prazo de uma semana, o país assistiu estupefacto a uma sinistra pirueta, que permitirá salvar da falência o Banco Privado Português, mediante a concessão de uma garantia do Estado.

Em risco estavam as fortunas de um punhado de investidores influentes e muito ricos, que os remediados se arriscam a ter que pagar.

Há dias, o Ministro das Finanças afirmava solenemente que “No Banco Privado Português não há uma questão de natureza sistémica, dado o peso pouco significativo de depositantes que tem”. Dito de outro modo, se o banco tivesse que cair, cairia.

Uma semana depois, o Banco de Portugal vem em comunicado afirmar que “em virtude dos riscos de contágio que aquela situação potencialmente comporta, foi possível obter a concordância de outras instituições de crédito para prestar apoio financeiro ao BPP e que, para viabilizar esse apoio, foi concedida uma garantia do Estado”. Afinal, o banco não pode cair.

Curiosamente, o Banco de Portugal avalia os activos do BPP em 672 milhões. Mas esses activos não convencem o sindicato bancário salvador, que para conceder um empréstimo de 450 milhões de euros exigiu uma garantia do próprio Estado. Assim, se o BPP não pagar a conta, os contribuintes pagarão.

Está criada uma nova regra na economia portuguesa: a partir de agora, ao contrário de todas as outras empresas, os bancos não abrem falência. Por mais incompetente que seja a gestão e por mais aventureiros que sejam os investimentos, a mão salvadora do Estado e o bolso dos esfarrapados contribuintes cá estarão para amparar a queda. Mas que belo exemplo.

Como muitos pequenos investidores anónimos – que não vão ser ajudados pelo Estado – o Dr. João Rendeiro comprou acções do BCP a 3,20 €, cinco vezes o seu valor actual. E que culpa temos nós disso?

A rapaziada passou anos a abafar os lucros, mas quando chegou a hora de assumir os prejuízos corre com o rabo entre as pernas para a manjedoura do Estado. Somos um país de merda. E um país de merda só poderia ter investidores de merda.

Sobre o governo e o alegado regulador, é melhor nem falar.

João Castanheira

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O dr. Fretes

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Parto do princípio que o senhor é um homem livre. Parto do princípio que não está montado numa avença. Parto do princípio que não é qualquer prebenda que o move.
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Eis então a questão que há muito me intriga: mas por que raio se reduz o António Peres Metello à condição de comissário político ao serviço do eng.º Sócrates?

Os exercícios de contorcionismo argumentativo do dr. Fretes na TSF e na TVI ultrapassam frequentemente o limiar do obsceno. E revelam uma fidelidade canina, mais ajustada, por exemplo, a uma Televisão Popular de Angola.

Há dias em que nem o próprio primeiro-ministro deve ter paciência para ouvir aquilo.

João Castanheira

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quem quer dar uma ajudinha aos ricos?

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Não há outra leitura para o caso do Banco Privado Português. Trata-se de uma pequena instituição de gestão de fortunas, com um limitadíssimo número de clientes, que confiaram ao banco os seus milhões.

Durante anos, o banco de João Rendeiro pegou nessas fortunas e investiu-as em negócios de elevado risco, com rentabilidades chorudas. Durante anos, os accionistas e investidores do BPP lucraram principescamente com os ganhos, o que é absolutamente legítimo.

Agora que chegou a hora das perdas, que não lhes passe pela cabeça a ideia de nacionalizar os prejuízos. Ao correrem os riscos que decidiram correr, os accionistas e os clientes do BPP sujeitaram-se a ganhar ou a perder, como é normal numa economia de mercado.

Durante muito tempo ganharam, agora perderam. Toca a todos.

E se o banco tiver que falir, é a vida...

João Castanheira

Auto-avaliação já!


As más-línguas dizem que os sindicatos querem, pura e simplesmente, acabar com qualquer modelo sério de avaliação de professores. As mesmas fontes asseguram que, no seu íntimo, os sindicalistas – e uma boa parte dos professores – pretendem o regresso da indecente progressão automática na carreira.

A acusação é injusta e eu explico porquê.

É que a Fenprof apresentou o seu modelo alternativo de avaliação. E o modelo que a Fenprof defende assenta num violento e muito arriscado processo de auto-avaliação. Isto é, cada professor classificar-se-ia a si próprio. O modelo é muito duro, mas os professores parecem disponíveis para o aceitar, a bem da pacificação do sector.

Nesta óptica, eu defendo mais: auto-avaliação também para os alunos, porque é indispensável acabar de vez com o insucesso escolar.

E mais ainda: auto-promoções, auto-definição de salários e auto-estipulação de horários, não só para o sector da educação, mas para todo o funcionalismo público e já agora também para as empresas privadas.

E porque não auto-julgamentos na justiça, para descongestionar os tribunais?

Todos para a rua, a defender a auto-libertação imediata do Dr. Oliveira e Costa e a auto-atribuição retroactiva da liga dos campeões ao Benfica.

Com a auto-regulação, ninguém pára esta grande nação.

João Castanheira

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Estudantes em luta

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Os estudantes estão em luta.

Aparentemente o que precisam é de faltas e educação sexual. E já agora uns charros e umas cervejas.

Entrevistado pela SIC, um dos manifestantes atirava hoje com indignação: “Isto é uma bergonha, não darem mais faltas à gente. A malta quer é faltar. Somos jovens, precisamos de faltas”.

Ora aí está uma luta com pernas para andar.

E que tal um bacanal na aula de educação sexual?

João Castanheira

P-R-O-P-A-G-A-N-D-A

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Muito sinceramente, a paciência começa a esgotar-se. É demasiada propaganda, demasiada palhaçada. Tudo falso, tudo postiço. Ou os figurantes são pagos ou as playstations são para devolver depois da saída das câmaras de televisão. Chega de teatro.

Aqui fica um excerto da notícia do SOL:

"A Escola do Freixo, em Ponte de Lima, foi o palco escolhido por José Sócrates, na passada quarta-feira, para mais uma acção de promoção dos computadores da JP Sá Couto para o 1.º ciclo. Sócrates chamou os jornalistas e distribuiu os Magalhães pelas crianças. Mas, terminada a cerimónia oficial, os portáteis tiveram de ser devolvidos".


João Castanheira

sábado, 15 de novembro de 2008

peixe : avião


peixe : avião é a grande revelação do momento. Vêm de Braga e seguramente cresceram a ouvir Radiohead.

O resultado tem uma força e uma frescura pouco habituais na música moderna portuguesa. 40.02 é um disco como há muito não se ouvia por cá.

Sobre ele, o conterrâneo Adolfo Luxúria Canibal escreveu: "Há muito – demasiado – tempo que não somos surpreendidos por uma obra musical. Nada de espantar, porquanto os milagres e o sublime só acontecem muito raramente… Mas quando temos o privilégio de viver um momento desses, como é o caso com a audição de 40.02 de peixe : avião, só podemos regozijar-nos e espalhar a boa nova pelos quatro cantos da terra".
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Camaleão - onde se ouve a voz de Ana Deus - é uma canção brilhante. Mas o resto do disco não fica atrás.
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João Castanheira

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Intifada dos Ovos


Sobreviverá a ministra da educação à Intifada dos Ovos ou acabará transformada em omeleta?

Ontem, acossado por mais uma saraivada de gemas e claras, o secretário de estado adjunto dava a entender que os miúdos eram perigosos sindicalistas arregimentados pelo PCP.

Depois dos 120.000 professores comunistas, o governo começa agora a ser atacado por milhões de crianças filiadas na JCP. A subversão está em marcha.

Ingratos, mal agradecidos. Já se esqueceram do milagre das notas?

João Castanheira

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E se trocássemos umas ideias sobre o assunto...


Rui Ramos escreveu ontem no Público uma frase lapidar sobre a actual situação do "ocidente": Por isso, a política que preferimos é esta: a que fala de uma mudança a acontecer, para não ter de enfrentar a mudança que já aconteceu.

Na verdade, e apesar dos constantes avisos - esta crise financeira é mais um, não sei se será o definitivo -, vamos continuando, em muitos sectores da opinião pública e publicada, a fingir que o mundo ideal em que vivemos nestas últimas décadas ainda existe e que, apesar dos mares tormentosos por onde vamos navegando, ainda é possível, com um bom capitão e perícia na manobra, encontrar bom porto.

E tudo isto acreditando que os problemas são sempre culpa de outros e que acontecem sempre algures...

Contudo, e para maior das estupefacção, são aqueles que no passado mais defenderam a necessidade de uma mudança/revolução permanente que agora, a coberto da mesma ideia de mudança mas com o secreto desejo de que nada mude, tudo fazem para que o nosso mundo fique como era, não se altere e adapte aos novos mundos que nos batem à porta ou já se sentaram nas nossas salas, para que tudo se mantenha o que já não poderá tornar a ser.

É à esquerda que a batalha pelo conservadorismo mais imóvel e arcaico se vai fazendo, é à esquerda que o velho mundo que já não somos vai continuando a fingir que existe.

Assim, de facto, só mesmo Dom Quixote para os redimir...

Luís Isidro Guarita

BOM, BOM, BOM, BOM e BOM

Já se percebeu que o modelo de avaliação de professores adoptado pelo governo socialista não serve.

Mas também já se percebeu que uma parte da classe – os maus professores – não está interessada neste nem em nenhum outro modelo de avaliação.

A não ser, talvez, num modelo “à Alberto João Jardim”, em que todos são classificados, por decreto, com a nota de BOM. Os bons e os maus, os competentes e os incompetentes, os presentes e os ausentes, todos são iguais aos olhos do Governo Regional da Madeira. Um verdadeiro incentivo à mediocridade.

E sendo esta a ministra da educação que reintroduziu as passagens administrativas à moda do PREC e inventou milhares de alunos brilhantes para as estatísticas, não me admira que a avaliação de professores acabe numa solução à madeirense: BOM, BOM, BOM, BOM e BOM.

O embrulho da coisa será talvez menos transparente, porque falta ao governo socialista a franqueza e o desplante de Alberto João Jardim.

Mas se no final sobrar algum tipo de avaliação, é certo e sabido que não contará para rigorosamente nada.

João Castanheira

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O senhor professor constitucionalista

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O senhor professor constitucionalista é uma espécie de pit bull do regime.

Sempre pronto a morder as canelas de quem se atravesse no caminho do senhor engenheiro.

Se o primeiro-ministro manda privatizar, o senhor professor constitucionalista grita PRIVATIZAR! Se o primeiro-ministro manda nacionalizar, o senhor professor constitucionalista grita NACIONALIZAR!

Em confesso a minha emoção, porque nem os cães têm tanto amor ao dono.

O senhor professor constitucionalista acha que para nacionalizar uma empresa basta invocar o interesse público, porque a nacionalização é um acto político discricionário.

O que diria o senhor professor constitucionalista se um governo do PSD ou do CDS se lembrasse de aplicar um acto político discricionário a uma empresa da amigalhada.

João Castanheira

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

República das Bananas


Primeiro, o marajá do Funchal decidiu suspender um deputado. Depois, achou por bem suspender toda a assembleia. A democracia está portanto suspensa no arquipélago da Madeira.

Aqui há uns tempos, o soba já tinha ameaçado declarar a insanidade mental do líder da posição. Aos poucos, a Madeira vai navegando em direcção ao Golfo da Guiné. Aos poucos, a belíssima ilha vai-se afundando no lodo. Está em formação uma verdadeira república das bananas.

O que se passa na Madeira enche-nos de vergonha. E o silêncio cobarde das instituições nacionais perante os mais obscenos atropelos ao regime democrático deixa-me verdadeiramente enjoado.

Mais do que aprofundar a autonomia, penso que chegou a hora de referendar a independência. Chegou a hora de os madeirenses decidirem o que querem fazer da sua vida. Se quiserem afogar-se amarrados ao Kumba Ialá, estão no seu direito.

Foi bom enquanto durou, mas assim não dá.

João Castanheira

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

E agora?


Esta noite fez-se história.

É óbvio que a eleição de Barak Obama há-de ser recordada como um episódio maior na história dos Estados Unidos e do mundo.

Em boa verdade, o senador do Ilinóis era, nas actuais circunstâncias, praticamente imbatível. Daí que o desastre que foi a escolha de Sarah Palin tenha apenas contribuído para confirmar o desaire republicano.

Mas no dia seguinte, interessa reflectir sobre algumas das consequências da vitória de Obama. Em particular sobre os problemas com que a esquerda terá a partir de agora que lidar. Pense-se, por exemplo, nas seguintes questões:

Com Bush fora da Casa Branca, para onde irá virar-se o visceral ódio anti-americano que tem alimentado ideologicamente a esquerda um pouco por todo o mundo?

E com Barak Obama ao leme, o que fazer para evitar que as elevadíssimas expectativas criadas degenerem em frustração e desencanto?

Se pudesse votar e se não existisse uma coisa chamada Sarah Palin, eu teria votado em John McCain. Mas a verdade é que Obama encheu o mundo de esperança e isso é, no actual contexto, uma das melhores coisas que nos podiam ter acontecido.

O dinheiro pode estar a deslocar-se a grande velocidade para oriente. Mas a democracia, a liberdade e a esperança continuam onde sempre estiveram.

Deus abençoe a América.

João Castanheira

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Deste lado do Atlântico, a América Latina...

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Li, há dias, que o actual Nobel da Economia ao passar, há mais de 30 anos, pelo nosso país, levou de cá a sensação de que estava na América Latina.

Desconfio que se o senhor por cá passasse novamente, 30 anos depois, tornaria a levar a mesma sensação. É que entre nós e a Argentina (sem desprimor para aquele país), só mesmo o Euro marca a diferença.

Que Deus, ou Alá, ou Buda, ou seja lá o que for, nos salve que nós já não somos capazes.

Luís Isidro Guarita

Afinal, para que serve o Banco de Portugal?

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A pergunta impõe-se! Primeiro o BCP, agora o BPN, em seguida o que será?

Ao longo destes últimos anos há, no mundo da alta finança, algo que nos surge cada vez mais nítido. Em Portugal não existe regulação do sistema financeiro! É triste, mas é verdade!

Já não são casos isolados, já não é uma qualquer Dona Branca de vão de escada, são bancos, bancos enormes, com milhares de clientes e milhões em depósitos que, amiúde, nos surgem envoltos numa neblina incompreensível e impenetrável, onde as fronteiras da legalidade se parecem esbater a cada nova notícia e onde as poupanças de milhares de famílias se esvaem numa folha de balanço. E isto, isto é deveras inacreditável num país que se encontra na União Europeia e pertence ao clube do Euro. É que não se trata de uma crise financeira internacional, trata-se de uma gigantesca crise de gestão, de má gestão, ou melhor ainda, de gestão danosa e muitas das vezes a roçar o criminoso que nos envergonha colectivamente e que deveria embaraçar profundamente as mentes dos que, nas cátedras do Banco de Portugal, são responsáveis por observar e regular este estado das coisas. Mas não, nas bocas daqueles senhores tudo isto soa a normal, em boa verdade, aquilo que aquelas bocas proferem sobre estas normalidades soa, ele mesmo, àquela conversa das crianças que, inocentemente e perante o problema, afirmam que não sabiam. Quem é que não se recorda da rábula do genial Herman José a afirmar à professora na Escola que não sabia nada!

Tudo isto seria risível se não fosse trágico!

Ontem, ao observar o Sr. ministro das finanças a tentar explicar a necessidade de cada um de nós passar mais um cheque para pagar um problema que, apesar de detectado não está ainda completamente diagnosticado - isto significa tão somente que o cheque é em branco -, tive pena, pena de mim próprio e pena do ministro que, na sua imensa magnanimidade, lá terá que perdoar novamente o Sr. que se sentava ao seu lado o qual, apesar de responsável pela veneranda instituição que tinha a responsabilidade de impedir que eu tivesse que pagar mais este cheque, parecia estar ali como se viesse de outra dimensão, de outro mundo onde, pelos vistos, estas coisas não acontecem e onde o cargo de Governador de uma instituição com as responsabilidades do Banco de Portugal é uma mera sinecura, uma espécie de prémio de fim de carreira, que a nada obriga.

E também tive pena do Eng. Sócrates, que mais uma vez se vê obrigado a engolir outro sapo do tamanho do mundo. É que os juros que há bem pouco tempo tínhamos que pagar pela subida da dívida pública, caso houvesse necessidade de intervenções desta natureza, mas que não podíamos, nas suas palavras, e bem, diga-se de passagem, são agora a multiplicar.

Mas aquela conferência de imprensa e os factos que a ela levaram foi, na frieza dos números que nela se verteram, mais um sinal da absoluta falência moral em que cada vez mais nos encontramos e da incomensurável ligeireza com que em Portugal se assumem e interpretam os lugares públicos. Será que não há, em Portugal, uma fronteira a partir da qual a demissão se exige? Não foi, no caso da inexistente supervisão do Banco de Portugal, essa fronteira há muito ultrapassada?

A verdade é que mais do que problemas no sistema bancário, este caso BPN revela o quanto caminhamos à beira do precipício sem qualquer rede e o quanto aqueles que nos deveriam dar as garantias de que nada disto seria possível, apenas nos conseguem dar a sensação que com ou sem eles, o resultado é sempre o mesmo.

Há coisas que deviam ser inquestionáveis, a fiabilidade e segurança do Banco de Portugal deveria ser uma delas, mas pelos vistos não, pelos vistos o banco, de Portugal, só mesmo o nome. 

Assim sendo, o melhor mesmo é aguardar pelo próximo Euromilhões e fazer figas...

Luís Isidro Guarita

P.S. Já agora, porque será que fiquei com a sensação de que na conferência de imprensa onde supostamente se salvavam os depósitos dos depositantes do BPN se estava também a salvar o empregozinho do Sr. Governador?
 

O Estoiro

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Trinta e três anos após o grande assalto à economia portuguesa, a nacionalização do BPN cobre-nos a todos de vergonha.

É certo que com o banco transformado num farrapo, não restava ao governo outra alternativa para salvar os depósitos e preservar a confiança no sistema bancário. Desse ponto de vista, a nacionalização é provavelmente o mal menor.

Porém, embora surja num momento de implosão do sistema bancário internacional, o estoiro do BPN nada tem que ver com a crise financeira que arrasou a banca em vários países do mundo.

Habilmente, o governo aproveita uma onda favorável às nacionalizações. Mas aqui não há subprime. O que há são offshores clandestinos, balcões virtuais, lucros fictícios, juros insustentáveis, negócios ruinosos, fuga ao fisco e lavagem de dinheiro.

O que se passou no BPN é, acima de tudo, um caso de polícia.

Só que o estoiro do BPN revela também, uma vez mais, a absoluta incapacidade do Banco de Portugal para regular a actividade do sector bancário.

Há anos que se ouvem e lêem histórias escabrosas sobre o BPN. Uma instituição financeira onde a política se misturou com o futebol e a construção civil, numa imparável caminhada rumo ao abismo. Um lodaçal de meter medo, que aos poucos foi afastando os investidores e os clientes.
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Toda a gente sabia menos o Dr. Vitor Constâncio que, como muito bem lembrou Paulo Portas, recebe o maior salário do regime, precisamente para evitar estoiros como este.

Mas tal como sucedera no BCP, o Banco de Portugal chegou tarde ao BPN.

E agora serão os contribuintes a pagar a factura.

João Castanheira

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Caracas à vista


Algo de estranho se passa com a classe política em Portugal.

Ontem, o primeiro-ministro aproveitou uma cimeira internacional para promover os computadores montados pela J. P. Sá Couto, empresa a contas com um processo de fraude fiscal.

Parece que são baratos e resistentes ao choque, conforme testemunhado pelo próprio presidente ”Chaves”. Descodificando a mensagem: comprem-nos esta tralha que é óptima para a miudagem do terceiro mundo.

Mas a que propósito é que um estadista europeu gasta boa parte do seu discurso numa cimeira internacional a vender os computadores do sr. Couto?

E acharão os partidos da oposição que este tipo de encenação é normal numa democracia ocidental?

Um dia destes soltamos amarras e acabamos atracados em frente a Caracas.

Deus nos acuda.

João Castanheira

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A esquerda e o oportunismo político

Já está. Chegou a prova científica.

Como se suspeitava, os partidos de esquerda são mais oportunistas, mais despesistas e mais eleitoralistas que os partidos de direita. Numa palavra, a esquerda é, em regra, mais irresponsável que a direita.

O trabalho desenvolvido pela professora Maria Manuel Pinho vem agora confirmar esta tese.

É certo que todos os governos tendem a aumentar a despesa pública em ano de eleições. Mas a investigadora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto analisou a evolução da despesa pública em 23 países da OCDE durante 35 anos, concluindo que este “comportamento oportunístico” é mais frequente em governos de esquerda e centro-esquerda do que em governos de direita.

Ainda de acordo com o mesmo estudo, a obsessão pela reeleição a qualquer preço é maior nos países do sul da Europa, onde “o eleitorado será menos informado, logo mais vulnerável a manipulações desse tipo”.

Em Portugal, o recorde absoluto da despesa pública foi atingido em 2005. No primeiro ano de governo Sócrates, praticamente metade de toda a riqueza produzida no país (47,6%) foi devorada pela máquina do Estado. É obra.

João Castanheira

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O paraíso não é lugar para paneleiros


E agora, um pouco de poesia.
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Aqui fica a transcrição da muito edificante declaração de voto proferida por um deputado do PSD na Assembleia Municipal de Odivelas, a respeito de uma moção sobre o casamento homossexual:

“O casamento é um sacramento, instituído por Deus nosso Senhor Jesus Cristo para ser celebrado entre um homem e uma mulher. E não é as ideias esquisitas que algumas pessoas, que entendo que têm uma formação deficiente, querem fazer impor à sociedade que vai alterar esta circunstância. Deus colocou no Paraíso um Homem e uma Mulher, não colocou dois paneleiros ou duas lésbicas”.

João Castanheira