






O Ministério da Justiça mandou retirar as caixas Multibanco do interior dos tribunais, porque não consegue garantir a segurança e evitar o roubo daqueles equipamentos.
Vital Moreira, consciência acrítica do executivo rosa, concorda. Acha que “enquanto não se eliminar a vulnerabilidade das caixas de Multibanco, deveria ser ordenada a retirada das caixas móveis de todos os lugares inseguros, pelo menos durante a noite”. Por lugar inseguro entenda-se o TRIBUNAL.
Para o senhor professor constitucionalista, o problema não é a vulnerabilidade dos tribunais – que são diariamente assaltados – mas sim a vulnerabilidade das caixas multibanco.
Passariam, assim, a andar caixas Multibanco para cima e para baixo. Monta de manhã, desmonta à noite, tipo carrinho das castanhas.
Talvez o senhor professor constitucionalista recomende aos Juízes que levem os processos para casa, para que a papelada não fique depositada num lugar inseguro como é o tribunal.
Este é o raciocínio habitual da nossa esquerda bem pensante. Uma esquerda militantemente desistente:
· Desiste de garantir a segurança dos tribunais (prefere esconder os multibancos).
· Desiste de travar a entrada de droga nas cadeias (prefere distribuir seringas).
· Desiste de tratar os toxicodependentes (prefere montar salas de chuto).
· Desiste de defender as vítimas de crimes (prefere desculpabilizar os criminosos).
· Desiste de lutar pela vida dos mais frágeis (prefere financiar o aborto).
· Desiste de controlar a despesa pública (prefere aumentar os impostos).
· Desiste de ensinar os estudantes (prefere as passagens administrativas).
Com esta gente iremos de desistência em desistência até ao desastre final.
João Castanheira


É curioso que a nossa esquerda caviar revindique para si todos direitos das sociedades ocidentais, mas esteja, invariavelmente, ao lado do obscurantismo e dos valores medievais.
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João Castanheira




























Os primeiros testemunhos de actividade mineira na região de São Domingos remontam à época romana. Mas foi em 1857 que a exploração em larga escala arrancou, em resultado da concessão atribuída a uma sociedade de origem espanhola – a La Sabina – que no ano seguinte acabou por arrendar os direitos de prospecção aos ingleses da Mason & Barry.
Em poucos anos, São Domingos transformou-se num dos maiores complexos mineiros da Europa. Uma pequena cidade industrial, onde não faltava uma central eléctrica, um hospital, uma biblioteca, um teatro, um mercado e uma igreja.

Parece um tanto ou quanto irreal, mas a verdade é que até há alguns anos atrás as lagoas ácidas da mina, cujo pH se situa ente 2 e 3, eram procuradas por gente que aqui se banhava em busca de cura para alguns problemas de saúde!
Um pouco adiante, encontram-se as oficinas de material circulante, onde foi projectada e construída a locomotiva a vapor que durante décadas galgou os montes que separam São Domingos do porto fluvial do Pomarão, arrastando vagões carregados de minério.
Por ali se encontram também as ruínas da primeira central eléctrica do Alentejo e os destroços do poço n.º 6.
Seguindo ao longo do traçado da linha férrea, cujos carris e travessas foram há muito saqueados, vão surgindo sucessivas lagoas ácidas, cujas águas oscilam entre o vermelho vivo e o amarelo forte. Uma intensa profusão de cores, que confere uma riqueza cénica sem igual a esta fase inicial do percurso.
Cerca de dois quilómetros após o início do complexo, encontra-se a estação de britagem da Moitinha e, logo afrente, as antigas fábricas de enxofre e ácido sulfúrico da Achada do Gamo.

O cenário de devastação e abandono entende-se ao longo de mais de cinco quilómetros e constitui, sem margem para dúvidas, um dos mais fabulosos percursos de arqueologia industrial do país.
Após o fim do couto mineiro e seguindo sempre o traçado daquela que foi a segunda via-férrea construída em Portugal, a paisagem torna-se um pouco monótona e algo desinteressante. Felizmente, a viagem vai sendo animada por enormes famílias de porcos e bacorinhos pretos, que deambulam livremente pelos campos, observados ao longe pelos abutres que planam no céu.
A inclinação da ladeira que sobe em direcção à aldeia de Santana de Cambas, transporta-nos para o tempo em que as locomotivas puxavam vagarosa e esforçadamente os vagões carregados de minério.
Praticamente todas as pontes que existiam ao longo dos dezoito quilómetros da linha estão destruídas, obrigando os caminhantes a passar a vau os minúsculos cursos de água, o que é possível fazer sem grande dificuldade. Na verdade, durante o Verão não é sequer necessário molhar os pés.

Os últimos cinco quilómetros do caminho que conduz ao cais do Pomarão voltam a ganhar contornos de aventura! Há que atravessar uma sucessão de sete túneis, alguns dos quais razoavelmente extensos e repletos de morcegos.

Mais de quarenta anos após a passagem do último comboio, a natureza vai tomando conta de algumas partes do percurso. A vegetação e os desmoronamentos obrigam a pequenos desvios, mas a chegada ao Guadiana faz-se sem sobressaltos.
Por fim, o Pomarão. Uma deliciosa e pacata aldeia operária, erguida numa belíssima curva do Guadiana, na confluência com a ribeira do Chança. Quem hoje ali chega, tem dificuldade em imaginar a agitação e a vida de outrora, no tempo em que mais de quinhentos navios por ano recebiam o minério de São Domingos e o espalhavam pelo mundo. As ruínas do cais mineiro e a memória dos homens estão lá para testemunhar um passado difícil mas, indiscutivelmente, glorioso.

Depois de décadas de miséria e abandono, a Mina de São Domingos vai aos poucos acordando para uma nova vida. Na barragem da Tapada Grande, nasceu uma agradável praia fluvial. Mesmo em frente, o palácio dos ingleses – outrora sede da empresa mineira – foi transformado numa esplêndida estalagem onde apetece ficar. E, surpreendentemente, o investimento turístico chega pela mão da La Sabina!
Só é pena que o progresso anuncie para breve a construção de uma ponte internacional e uma grande estrada para o Pomarão. Um investimento que há-de dizimar o maior tesouro desta região: as águias, os grifos, os mochos, os veados, os saca-rabos e, sobretudo, a imensa paz...
João Castanheira